quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Ergon e Parergon

 

  

Ergon e Parergon

Um estudo sobre as relações entre a

Alquimia e os Arcanos maiores do Tarot

Autobiografia Alquímica

 

Luis Carlos de Morais Junior

(Hermes Grau)

 

Volume Um: Filosofia Hermética

 

 



 

 

Dedico este livro a Luiz Carlos de Moraes, meu pai, que me fez um pensador, com suas conversas e provocações, com seus ensinamentos e lições, com suas invenções e os livros que ganhava ou comprava e me dava pra ler, com sua presença e sua crítica na música brasileira, no rádio e na televisão, desde quando nasci; ele, que nos mostrava, a seus filhos pequenos, deslumbrado e intrigado, os movimentos erráticos e constantes de uma pequena quantidade de mercúrio; ele que me ensinou a derreter chumbo e ao mesmo tempo alertou para o perigo dos vapores que dali se emavam, e que se maravilhava com isso, e me transmitiu essa sensação; ele que amava línguas, as ciências e a História, e falava por horas sobre esses e outros assuntos; grande comunicador, que apresentou durante décadas programas nas maiores emissoras de rádio do país; ele, que, ao se aposentar, cuidava de um enorme jardim na sua casa, e todos na vizinhança o chamavam de alquimista, porque, além de ler os livros de Alquimia que eu lhe emprestava e insistia que lesse, e comentar sobre eles, tinha uma mão mágica para plantar, e todas as mudas e sementes que ele semeava sempre vingavam, e cresciam viçosas e fortes.

 

 

 

 

 

 

The Lovers

(Lui & Lia)

 

Vou pintar o espetáculo puro

Com a luz dos fatos, a cor da carne

O fundo fútil dos noticiários

 

Mestres anônimos do cotidiano

Emprestam vozes ao tempo tátil

 

Renovam rostos no quadro móvel

Da plataforma extrema e prática

 

As rosas róseas em nuvens à tarde

Serão rubras no arrebol do encontro

E haverá os fogos de artifício

Efervescendo em taças a champagne

A música fará mais suaves os gestos brandos

Envoltos em detalhes e brilhantes

 

Será pleno e claro, triunfante

O amanhecer dourado, todo belo

O dom eterno dos amantes

É uma colcha que se estende

Por tantas eras e futuros

Eu gosto do calor da tua pele

Eu amo o sabor de tua boca

O nosso amor é um pomar Jardim do Éden

 

E a cada instante surge a nova fruta

O futuro é a fúria da epiderme

O amor é a verdade justa

Mais cerne e carne e flor que a sociedade

A verdade a realidade ou outra coisa

 

O nosso amor é um sol que me ilumina

E alimenta e esquenta e me dá vida

A terra inteira e o universo inteiro

Me deito em nosso leito de alegrias

 

 

 

 

Ergon e Parergon

Um estudo sobre as relações entre a

Alquimia e os Arcanos maiores do Tarot

Autobiografia Alquímica

 (Hermes Grau)

 

Volume 1: Filosofia Hermética

 

Apresentação: Questões sobre Alquimia

Prefácio: Felix Fênix (Χαρούμενος Φοῖνιξ)

Prólogo: Catecismo sobre a Arte, Ciência e Filosofia Hermética

Capítulo 22: O Louco ש

Capítulo 1: O Mago א

Capítulo 2: A Sacerdotisa ב

Capítulo 3: A Imperatriz ג

Capítulo 4: O Imperador ד

Capítulo 5: O Papa ה

Capítulo 6: Os Enamorados ו

Capítulo 7: O Carro do Triunfo ז

Anexo: Harmonia

Anexo 2: Poemas do Micro e do Macro

Anexo 3: O Pequeno Caderno

 

Volume 2: A Semente Universal

 

Alquimia e Conhecimento

Apresentação: Lua e Sol

Capítulo 8: A Justiça ח

Capítulo 9: O Eremita ט

Capítulo 10: A Roda da Fortuna י

Capítulo 11: A Força כ

Capítulo 12: O Pendurado ל

Capítulo 13: Sem Nome מ

Capítulo 14: Temperança נ

Capítulo 15: O Diabo ס

Capítulo 16: A Casa de Deus ע

Capítulo 17: A Estrela פ

Capítulo 18: A Lua צ

Capítulo 19: O Sol ק

Capítulo 20: O Julgamento ר

Capítulo 21: O Mundo ת

Bibliotheca Chemica Curiosa

Anexo 4: Poesias Complexas

Anexo 5: Poemas Alquímicos

 

Volume 3: Química Real

 

 

 

Apresentação: Questões sobre Alquimia

Eliane Colchete coloca tópicos e questões filosóficas para Lui Morais

 

Captai um raio de sol, condensai-o sob uma forma substancial, alimentai de fogo elementar esse fogo espiritual corporizado, e possuireis o maior tesouro deste mundo.

(Fulcanelli)[1]

 

Tópico 1:  Relação entre senso-comum, Arte e Ciência: Alquimia e modernidade

 

Bachelard e Foucault – episteme como modernidade é igual à concepção do objeto da Ciência produzido pela própria Ciência, não significando o objeto do senso comum; o objeto da Ciência é produzido como objeto de pesquisa, relacionado aos instrumentos, conceitos etc.

Foucault escreve sobre “objetos quase transcendentais”, definindo a episteme contemporânea (“modernidade”), a partir dos inícios do século XIX e o Evolucionismo, porque o objeto de cada Ciência se torna estabelecido pelos seus processos de pesquisa, pela linguagem científica. Não é a experiência que define o campo da Ciência, mas sim a especificidade da Ciência como linguagem do seu próprio objeto. A episteme contemporânea se opõe assim à do classicismo (séc. XVII e XVIII), cujo a priori histórico epistemológico é a Representação, ou seja, o objeto de cada ciência corresponde ao senso comum da coisa, enquanto suposta integrante do mundo como quadro representável na totalidade, composto como natureza pela integração dos gêneros fixos. Na modernidade, a Representação significa portanto o pré-científico, ou não-científico, Foucault a atribuindo às ciências humanas como pretensão científica do que seria um objeto pré-conceituado, o Homem (o que podemos questionar em função da preminência da teoria sobre a observação nas ciências humanas, mas aqui sendo nosso foco relacionado à definição da perspectiva estruturalista, “transdisciplinar”, não porque conjugue ciências várias numa mesma pesquisa “interdisciplinar”, mas por ser uma metodologia aplicável a qualquer ciência real, assim, uma mesma metodologia acima das fronteiras das disciplinas).

Para Lyotard, esse objeto que Foucault designou quase-transcendental, produzido na própria Ciência, corresponde à concepção da Ciência pós-moderna, visto que no século XIX a concepção de totalidade ainda persistia, na programação universitária oriunda do idealismo alemão.

Exemplo em Bachelard: o elemento químico artificial[2], produzido em laboratório, é um objeto sem númeno, porque é puramente racional.

 

Questão 1: A Alquimia é uma matéria pré-científica ou não?

 

Resposta: A Alquimia é uma prática que nasceu na Antiguidade e ficou na clandestinidade por muito tempo, tanto por uma opção de se esconder das perseguições dos poderosos e da ganância das pessoas, quanto pela sua natureza, de não ser compreensível pela consciência humana comum.

Mesmo tendo um objeto autônomo, produzido na pesquisa, irredutível aos objetos do senso comum, a ciência é integrada pelo estudo e pelo aprendizado, acessíveis a qualquer um que queira se formar nas suas instituições, sem precisar mudar interior/mente. Ao invés, a Alquimia é um contexto esotérico, que pretende atuar a partir de transformações internas do homem, em níveis de consciência irredutíveis aos conhecidos pelas pessoas comuns. Por isso os alquimistas referenciam a “nossa” ciência, ou o “nosso” elemento, para designar um correlato inacessível ao comum em nível da consciência, não só do objeto.

A Ciência e a Alquimia possuem histórias quase total/mente independentes, são práticas autônomas, sendo que pouca influência ou compartilhamento tem havido entre as duas, pela sua natureza, que é muito diferente.

Podemos encontrar a Ciência nascendo na Antiguidade; por exemplo, muitas das pesquisas, teorias e práticas de Aristóteles (séc. IV a. C.) e de Arquimedes (séc III a. C.) demonstram ser, essas, sim, pré-científicas. Definir um conceito de objetos cujo conjunto constitui o mundo experimentado pelo ser humano, utilizar a matemática (aritmética e  geometria) como modelo e desenvolver uma explicação teórica sobre o mundo, que nos dá entendimento sobre como as coisas funcionam, e que ainda pode, às vezes, aumentar em muito a qualidade de vida do ser humano com suas técnicas, isso nasce na Antiguidade, se desenvolve ao longo da história, e vai ganhar uma forma que pode ser generalizada (internacionalizada, “universalizada”), e status, nas sociedades humanas, com o desenvolvimento do método empírico científico, desde a Renascença até a atualidade.

Os textos alquímicos circularam mais ou menos ampla/mente durante esse tempo, e a maioria dos seus leitores não entendia a Filosofia Hermética. Todavia, as ideias de riqueza e longa vida seduziram muitas pessoas, que, mesmo não compreendendo as bases da Alquimia, tentavam realizar a Grande Obra, inspirados no que se lia nos textos e via nas ilustrações.

Esses são propria/mente os sopradores, sobre os quais escrev(ere)i que “denigrem a nossa Arte”, no livro Alquimia o Arquimagistério Solar e aqui.

Suas práticas, muitas vezes, ajudaram a enriquecer e desenvolver as pesquisas sobre a natureza, que geraram a Ciência contemporânea. Nesse sentido, muito indireto, a Alquimia contribui, e bastante, para a criação e o desenvolvimento da Ciência.

Pensar que a Alquimia seja uma prática antiga e medieval, baseada em visões místicas e mágicas, que projeta tolices e que obedece à sacra imbecilidade dos seus praticantes, que vieram antes de nós, errando através dos milênios, e que insistiram numa visão fantasiosa, cuja falsidade a realidade mostrava o tempo todo; supor isso é não entender a Alquimia. Pretender que a Alquimia inteira seja essa bobagem, e que, apesar disso, por mexer com as matérias, gerou a Ciência, isto é, que seja uma prática pré-científica, está errado.

A Alquimia é uma outra prática, total/mente diferente daquilo que chamamos Ciência. Como as palavras fazem devires nas suas significações, “ciência” pode querer dizer outras coisas, como, por exemplo, aquilo que se sabe sobre determinado tópico. É por causa dessa polissemia que a Alquimia se apresenta nos seus melhor fundamentados textos como Ciência, como Arte e como Filosofia – sendo preciso entender que é a “nossa” Ciência, a “nossa” Arte e a “nossa” Filosofia, não aquelas que são ensinadas nas academias e consumidas pelo público em geral.

Isso não propõe uma desvalorização da Filosofia, da Ciência e da Arte. Elas são valorosas, são práticas de produção de conhecimento humano valiosas, que funcionam e geram ótimos frutos.

O que estou falando é que a Filosofia Hermética, a Ciência Alquímica, a Arte Real (três nomes que a designam) é outra coisa, não rivaliza com a Ciência, a Arte e a Filosofia, não faz as mesmas práticas nem produz os mesmos resultados.

 

Questão 2: E a Alquimia é uma prática pré-científica no sentido de que ela não se restringe ao objeto da Ciência, mas se coloca em função de algo acima da Ciência, como Teologia ou Arte? É ou não uma Ciência autônoma?

 

Resposta: Nesse sentido, a Alquimia é autônoma, é uma Ciência autônoma. Contudo, quando o alquimista a chama de ciência, não se refere ao que a contemporaneidade entende por essa palavra.

Melhor seria apresentar o que a Alquimia faz, o que ela é, no lugar de fazer definições negativas. Mesmo assim, é importante dizer: a Ciência estuda a matéria que nos circunda, a qual nós experimentamos o tempo todo, que se traduz em matéria e energia no continuum espaço-tempo. A Ciência estuda a matéria, a energia, o continuum, o espaço e o tempo; e junto, tudo que está contido aí, todos os seres que encontra na natureza. Mesmo que os objetos científicos sejam produzidos pelas próprias teorias e instrumentos da Ciência, o seu escopo é o referente, o que está no mundo.

A Alquimia não estuda as “coisas” da natureza. Quando fala em quinta essência ou matéria prima, que é a matéria da obra e tem muitos sinônimos alquímicos, inclusive caos, ela fala da força pré-material, pré-existencial, pré-substancial, pré-temporal e pré-individual que constitui tudo, ao mundo e a nós mesmos.

Os textos alquímicos (a começar pela maravilhosa se/mente que contém uma floresta que é a Tábua de Esmeralda) ensinam como a pessoa faz de si mesma e do mundo à sua volta um laboratório para separar o espaço e o tempo e atingir com seu ser (sua percepção, sua consciência) a matéria prima, depois como sublimar (isso é, refinar e potencializar) essa matéria no seu ovo, depois como voltar à pedra (situação substancial), sendo essa prática reiterada enunciada como “solve e coagula”. E, mais que isso, há métodos para que essa separação e reunião da matéria prima na pedra gere uma potencialização, uma espiritualização da pedra.

Os neoplatônicos e os cristãos falam em corpo, alma e espírito; a Árvore da Vida da Cabala judaica tem três triângulos com uma Sephirah em cada aresta, e os triângulos têm essa correspondência. Mesmo o corpo humano está organizado em três regiões, como os títulos de Henry Miller, Sexus (o baixo ventre, os instintos e apetites), Plexus (o peito, que irradia a força vital e a coragem) e Nexus (a cabeça, que agencia o pensamento, e que é também a ligação do corpo humano com o espiritual).

Proponho que a Alquimia não é uma prática mística, ou interior, ou “espiritual”, no sentido geral/mente usado, que coloca uma dicotomia entre corpo e alma. A Alquimia é a prática que trabalha operativa/mente, material/mente, com o contínuo das três dimensões, assim como são apresentadas nas Sephiroth. Isto é, afirma a univocidade: o um no todo, o todo no um.

Sendo o homem o mesmo contínuo em suas dimensões corpórea, anímica e espiritual, ele pode mover sua consciência desperta para o mais sutil e a Alquimia estuda e ensina esse procedimento, no qual o homem age sobre si próprio e sobre o mundo, porque macro e microcosmos são dois focos da mesma luz.

 

Questão 3: A matéria da Alquimia é diferenciada, conforme o objeto científico, segundo a concepção pela qual Bachelard considera a(s) matéria(s) da Ciência?

 

Resposta: A visão de Gaston Bachelard é forte, no caso de a epistemologia entender e ajudar a servir à Ciência, bem como dos outros autores que você traz neste tópico. Não vou me colocar sobre o que penso ser o objeto científico neste texto, mas, reafirmo que existe sim um objeto científico, pois a ciência é metodológica, racional e referencial.

Quando Bachelard tenta criticar a Alquimia[3], ele se engana completa/mente, atribuindo aos alquimistas tolas teorias e práticas, que foram realizadas na Antiguidade e  na Idade Média, mas que, nova/mente repito, nada têm a ver com a Alquimia, sendo autoengano ou tentativa de enganar o próximo, no caso dos que produziam ouro falso para vender o próprio falso ouro ou a suposta prática ou as suas lições, ou no caso daqueles sopradores que achavam que poderiam partir do chumbo e chegar ao ouro manipulando as suas qualidades e o seu peso.

Essas detrações atabalhoadas, junto com a pretensa valorização que os junguianos propõem, nitida/mente ignoram as mais simples características da Filosofia Hermética e da Alquimia.

Fazendo um jogo de palavras nada tolo, posso afirmar que a Alquimia é compliximetodológica, transracional e multirrefencial. Isto é, tem um método que é físico e espiritual, um método padrão, que é ensinado em vários textos, a começar pela Tábua de Esmeralda. Porém, como não é “universal”, não é igual para todos, nem “referencial”, não trabalha com o mundo dado, esse método em esboço precisa ser refeito ao modo de cada um. Essa é uma grande diferença entre a Ciência e a Alquimia.

Vou citar a explicação dada pelo Dicionário Informal online sobre o que significa a palavra transracional (é uma palavra, mesmo, está até dicionarizada):

 

Que ultrapassa a razão, sem, contudo, contradizê-la.[4]

 

Muitas práticas humanas ultrapassam a razão sem, no entanto, contradizê-la; uma relação saudável entre duas pessoas é sempre transracional.

A Alquimia não abandona a razão, não se trata de irracionalismo, loucura, misticismo fanático, nada disso. O hermetismo usa a razão o tempo todo, e, ao mesmo tempo, como se liga e lida com dimensões do ser que a razão não abrange, pratica a transrazão.

A Filosofia ocidental também traz pensamentos assim, como podemos ler na genealogia das forças de Friedrich Nietzsche e na intuição como método de Henry Bergson.

A Alquimia é multirreferencial porque expande a sua visão e a sua ação para o longo feixe existencial de todos os seres, como um tubo (Bergson fala de cone[5]) ôntico que as coisas são no estágio pré-existencial e no estágio criacional, que estão o tempo todo aqui, tudo concomita.[6]

O fato ampla/mente comprovado e documentado de que Sir Isaac Newton era alquimista[7], sua obra alquímica sendo independente da física, e que ele atribuía muito mais importância à alquímica, foi por muito tempo censurado e ocultado do público, e, até hoje, ainda incomoda muita gente. Esse mesmo fato, sendo ele um dos mais importantes fundadores da Ciência ocidental contemporânea, é mais um argumento a favor da total diferença de natureza entre elas. Se Newton as separava total/mente em seus trabalhos e suas obras, uma não é a pré-história da outra, ambas estavam presentes na sua pesquisa.

 

Tópico 2: Concepções do Ser e do Devir = Alquimia entre platonismo e empirismo

 

Concepções platônicas da Ciência contemporânea: Os historiadores da filosofia e epistemólogos do século XX, desde que a crítica humanista pós-comteana desconstruiu a oposição de metafísica e ciência moderna, visando ambas como contínuas numa trajetória comum da dominação idealista desde Platão e Aristóteles, reinterpretaram a ciência em termos de sistema, “tempo lógico” platônico segundo Goldschmidt, ou “tempo das obras” aristotélico segundo Pierre Aubenque,  irredutíveis ao tempo histórico, biográfico ou factual. Abandonaram o relato canônico da ciência como descoberta renascentista da experiência material, e internalizaram em seus domínios a crítica humanista, mas, para valorizar a ciência em termos do fruto de que a metafísica platônica e aristotélica teria sido a semente, um único produto da inteligência ocidental assim provada essencialmente una através dos milênios, desde a Grécia até o presente histórico. Entre os próprios cientistas essa tendência também se encontra afirmada, como, por exemplo:

 

Monod: teleonomia do programa genético (espécie orgânica), ou seja, é um programa estruturado em função dos próprios objetivos dele, é reprodutivamente invariável (invariância reprodutiva) e tem uma morfogênese autônoma, como uma ideia platônica (uma lei essencial), independente do fato das variações, “evolução”.

 

Heisenberg: haveria uma “ordem central” no universo físico e o átomo da Ciência contemporânea seria uma evolução mental em relação, porém, a uma origem que estaria no Timeu, nas partículas substanciais, a concepção da “ordem central” poderia ser associada a um conceito da Ciência enunciado por Goethe, segundo o qual o objetivo da Ciência é retraçar a ação da mente na natureza, mesmo sendo Goethe adepto da concepção evolutiva (epigênese).

 

James Gleick: sobre Albert Joseph Libchaber (cientista que descobriu a fórmula da turbulência do hélio), considerando platônico o paradigma do Caos (fórmulas dos fenômenos aleatórios ou turbulência e geometrias fractais), porque seria o enunciado da forma ínsita ou implícita na matéria; no fenômeno aleatório se descobre que existem períodos de constância matemática; Libchaber integra uma corrente moderna hebraica platônica na epistemologia moderna, segundo Gleick.

 

O empirismo inicial da física moderna (Galileu), tendência estabelecida na epistemologia por Locke (séc. XVII) e corrente no século XIX positivista (Comte, Darwin), assim como no neopositivismo do “Círculo de Viena” (séc. XX, Carnap, Russell, Tarsky, Schlick etc.), para a qual o conhecimento vem da experiência sem qualquer ideal inato na mente, ou comprovação ontológica dos fenômenos, tipifica uma posição não-platônica na Ciência moderna, vinda do relato renascentista da ciência como método experimental, ainda que o Círculo tenha introduzido a questão da linguagem científica. Assim, de certo modo, incorporam a perspectiva do sistema, que se afirma gradualmente como questão da definição do enunciado enquanto científico, desde o verificacionismo de Schlick e o jovem Wittgenstein até o princípio do enunciado falseável, de Popper. Mas podem ser considerados não-platônicos por se manterem contrários à perspectiva transcendental do racionalismo como ideias inatas, influindo, por exemplo, aí, o operacionalismo de Bridgman, que subordina a lógica à démarche matérial da pesquisa. Na época atual o anti-platonismo é relacionável a Feyerabend e  Albert Jacquard, estes dois sendo exemplos de pensadores não platônicos, na física e na biologia: para Feyerabend, a Ciência apenas relaciona impressões que depois sistematiza numa espécie de mitologia própria; para Jacquard, a variação evolutiva não deve ser separada da natureza do programa genético, cujas mutações nem formam uma causalidade seletiva natural, pois são aleatórias (em nível dos aminoácidos), o próprio Jacquard considerando haver argumentos fortes acerca da evolução, tanto na visão oriunda do darwinismo (determinada pela pressão do meio), que aqui a esse propósito exclusivo poderíamos associar a Platão, como numa teoria “neutra” (cf.  Kimura; por acaso, sem determinante a definir), se bem que esta tenha invalidado várias até então supostas demonstrações daquela.

 

Questão 4: Sendo a Alquimia ao mesmo tempo uma concepção da transformação (que é, na Antiguidade, associada ao devir de Heráclito e aos sofistas, contrários ao platonismo) e uma concepção dos princípios naturais constantes, que, geralmente é associada a Platão, a Alquimia pode ser considerada platônica ou não?

 

Resposta: Quando falo no “meu mestre” Cláudio Ulpiano[8], isso significa que ele foi meu mestre de Filosofia, a Filosofia Ocidental, com a maior seriedade e rigor, ele que foi um grande deleuziano, e que, nas suas aulas, ensinava sobre todas as correntes filosóficas e suas potentes ligações com a Ciência e a Arte. Nunca ele tratou conosco de Alquimia, ou qualquer outra matéria considerada “mística”; porém, vou citá-lo.

Uma vez Cláudio Ulpiano falou na aula: “Platão sabia disso, mas traiu”.

Eis como eu entendo essa frase: Platão afirma a ontologia do pensamento, é isso que ele sabia, e traiu justa/mente porque pensou que o pensamento se constitui de ideias que são formas eternas, imutáveis e perfeitas, inaugurando assim a representação, as coisas do mundo representam as ideias que copiam. A caricatura de Platão traiu o tempo e a diferença.

Sobre Platão muitas questões podem se levantar, mas, quase sempre, ele é tratado nas escolas e faculdades de uma maneira leviana, o que cria uma caricatura, um pseudo-Platão para uso de saco de pancada dos filósofos contemporâneos (isso não se refere às aulas do Ulpiano, sempre muito ricas e complexas nas abordagens). Quando se leem os Diálogos, vê-se que nada ali é afirmado de modo cabal, são investigações, sempre, sobre o pensamento e seus desdobramentos nos campos de atividade humana, relacionamentos, artes, técnicas, guerra, educação, medicina, ética e política.

Inclusive existe uma corrente de autores que considera que Platão era um alquimista (podemos ver um ótimo exemplo nas introdução e notas que apensa à sua tradução de Timeu e Crítias Norberto de Paula Lima)[9].

Temos que levar em conta ainda que os textos de Arístocles (Plato), que chegaram até nós, tinham como proposta ser uma vulgarização, uma simplificação, para que todos pudessem ler, textos que são muito bem realizados literaria/mente. Havia aqueles que ele escrevia para os membros da sua Academia, esses seriam mais profundos e mais claros sobre a sua própria teoria; o contrário aconteceu com Aristóteles, dos textos de divulgação só chegaram alguns fragmentos, e o que temos como livros seus hoje são as anotações para as aulas do círculo fechado do Liceu (Arístocles >< Aristóteles).

Com isso quero dizer que o Platão dos arquétipos é uma caricatura, uma simplificação que não considera a complexidade (sempre, em algum ponto, de algum modo, aporética) das suas obras que chegaram até nós.

No Filebo, podemos ler que ele pensa sobre o devir, por exemplo.

Ainda a considerar que Émile Bréhier, no volume 1 da sua História da Filosofia, levanta a tese de que a teoria das ideias poderia não ser uma teoria, mas sim uma aplicação do método das hipóteses.

De qualquer maneira, mesmo se Platão foi alquimista, a Alquimia não é platônica, no sentido comum que se aplica a essa expressão: quando pensa as três partes da matéria (Mercúrio, Enxofre e Sal), os cinco elementos (Terra, Água, Fogo, Ar e Quinta essência) e os sete/oito planetas/deuses/metais (Sol – Ouro, Lua – Prata, Mercúrio – Mercúrio, Vênus – Cobre, Terra – Antimônio, Marte – Ferro, Júpiter – Estanho e Saturno – Chumbo), não se tratam de ideias, arquétipos ou modelos. A Alquimia trabalha com o devir das forças dentro do cosmos atual e virtual, que engloba várias alturas ou dimensões do feixe ou cone, muito além da dicotomia do hilemorfismo: forma e matéria.

 

Tópico 3: Relação entre cultura e saber: Alquimia e Religião

 

Heidegger considera que os pré-socráticos foram os primeiros a enunciarem, sob a forma de um saber autônomo das práticas e concepções correntes na cultura (“folclore”), o que, na cultura, está vigente como uma inteligibilidade pré-reflexiva. Nessa inteligibilidade, a verdade, que os pré-socráticos vão conceituar reflexivamente, é um acontecimento relativo ao encontro situado do sujeito com os fatos; ou seja, essa verdade é relativa a esse encontro ou acontecimento, não a uma generalidade, que absorveria todo o sentido possível dos fenômenos. Como na língua grega aletheia ou verdade pode ser considerado o mesmo que des-cobrimento, “a” sendo partícula privativa, e “lethes” esquecimento ou cobertura, então, a verdade é algo que se descobre, mas, sempre restando o coberto, ou seja, outros possíveis encontros, outros possíveis sentidos para aquele fenômeno. O saber científico é um sentido, a atribuição poética é outro sentido. Assim, os pré-socráticos estariam enunciando a verdade como ela é para os seres humanos antes da dominação da Ciência, derivada da metafísica inventada pelo platonismo, para a qual só existe um sentido universal que define o fenômeno (ideia). Os outros sentidos sendo falsidades ou ideologias, não há uma autonomia da cultura (existência, subjetividade).

 

Mircea Eliade: considera o homem pré-científico o mesmo que Platão, um “Homo religiosus”, para quem a essência precede à existência, as coisas ou os fenômenos são reflexos ou cópias das ideias eternas, como as formas que Deus ou os deuses impuseram ao mundo.

 

Questão 5: A Alquimia, como lida com a questão da Pedra Filosofal, da possibilidade da transmutação, ela seria uma concepção do enunciado da natureza da coisa como aletheia ou como ideia, essência universal?

 

Resposta: Esta questão faz continuidade com a anterior.

Todo ser humano, animal, vegetal, mineral ou artificial se apresenta fixando traços (um gesto, um ato que faz algo, uma permanência) e movimentando essa fixação (está sentado, depois levanta; comeu, depois vai passear; com a madeira que comprei fiz um brinquedo, que foi usado por várias crianças).

Seja o seu corpo, seja o seu pensamento: você tem a capacidade de fixar por algum tempo alguma coisa, depois tem a capacidade de mudar aquela coisa que estava fixa antes.

Imagine se só pudesse fixar. Seriam as ideias platônicas, estátuas eternas; ninguém que já olhou o mundo pode ser tão tolo assim.

Imagine que só pudesse mudar e mudar e mudar e mudar sem parar. Nunca haveria nada, nem seres nem coisas, pois a total mudança ininterrupta não permitiria as complexas redes ontológicas.

Nós temos as duas capacidades, em nosso corpo, em nossa vontade e em nosso pensamento.

A natureza da natureza de mudar é o Mercúrio, é o que é Mercúrio em Alquimia (pela univocidade o deus mítico, o planeta e a substância são isso mesmo, expressam essa capacidade como uma qualidade predominante sua). A natureza da natureza de fixar é o Enxofre, é o que é Enxofre em Alquimia, idem, etc.

Nós assistimos a isso como se estivéssemos na plateia, como se fôssemos o Platão das faculdades e escolas simplórias (a alma que contempla o desfile das ideias).

A Alquimia descobriu e ensina que podemos ser os atores desses atos, que essa é a nossa potência transmutatória, que o homem se torna demiurgo num intervalo de tempo muito pequeno, que se estende sem parar, que os estoicos chamavam Aión e Nietzsche nomeou de intempestivo.

A palavra essência é muito importante em Alquimia, mas ela não é ideia fixa, nos dois sentidos. Por isso crio, para a Alquimia e a minha Filosofia, o conceito “excência”.

Há algo aí com que a Filosofia e a Ciência nem sonham: o alquimista trabalha para sublimar e transmutar a essência. Ele não pensa o devir só nos movimentos materiais do mundo, para o filósofo hermético o pensamento é devir, devém o tempo todo, para melhor ou para pior; e essa é a Alquimia ética, o homem quer fazer o macrocosmos (Mundo) melhor, fazendo o microcosmos (ele mesmo) melhor, através de uma transmutação da essência (excência), que se torna brilhante e calorosa, como um Sol, naquele que realizou a Grande Obra.

 

Bibliografia:

 

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_______. Metafísica. Trad. Edson Bini. Bauru: Edipro, 2006.

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DARWIN, Charles. A Origem das Espécies. Trad. Eduardo Nunes Fonseca. São Paulo: Folha SP, 2010.

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GLEICK, James. Caos; a Criação de uma Nova Ciência. Trad. Waltensir Dutra. Rio de Janeiro: Campus, 1990.

HEIDEGGER, Martin. Introdução à Metafísica. Trad. Emmanuel Carneiro Leão. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1966.

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SCIACCA, Michele Federico. História da Filosofia. 3 vol. Trad. Luís Washington Vita. 3 ed. São Paulo: Mestre Jou, 1967.

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WITTGENSTEIN, Ludwig. Tratado Lógico-filosófico e Investigações Filosóficas. Trad. M. S. Lourenço. Lisboa: Fundação Caloustre Gulberkian, 1987.

 

 

Prefácio: Felix Fênix (Χαρούμενος Φοῖνιξ)

 

O mundo é vivo e novo

E isso é bom

A chuva cai pela noite

Quente com seus segredos

Quem tem tantos tesouros guardados

Não precisa do diabo

Queima carmas e desejos

E ressuscita tudo transmutado

Fênix feliz

Poeta pirado

Ser humano e o mais

De todos os lados

O amor é a cor e o aroma

Dos dias que vêm[10]

 

Observe as imagens do livro de Alquimia.

Elas são muito estranhas, evidente/mente artificiais, quando mostram as coisas do mundo se expressando na sua simbologia exuberante, ou quando apresentam os alquimistas em suas operações, tudo ali nos leva a pensar em delírio/sonho/fantasia.

Porém, ao lado desta sensação tão forte que quase sempre seus textos e imagens produzem, também nos fazem sentir como se estivéssemos chegando em nossa casa cósmica, que antes habitávamos, que habitamos agora, e da qual, por algum motivo obscuro, tínhamos nos esquecido, ou quase; uma casa que é arte em tudo, por tudo, por toda parte, e, ao mesmo tempo, é um lugar de rezar e de trabalhar também.

Que textos são esses? Que figuras nos apresentam?

Elas parecem um filtro mágico, parecem ter um efeito desipnotizador, parecem um portal, e um fator evolutivo para o ser humano, que funciona fazendo-o se transmutar, mera/mente ao olhar com atenção para ele, e ao lê-lo.

Ainda mais: a intuição mais alta e forte que temos nos mostra que ali se nos apresenta, em esquema, um mapa de evolução da consciência, nas operações, nos símbolos e nas ilustrações.

 

Tudo traz em si sua própria negação. É o mecanismo da vida. E quando algum fenômeno se esgota, as forças contrárias o condenam em nome da verdade. Qual a empresa humana, por fulgurante, que não terminasse como um erro? Os impérios, as civilizações, o cristianismo, a alquimia, as grandes guerras como os tratados de paz.

(Oswald de Andrade)[11]

 

A contribuição milionária de todos os erros.

(Oswald de Andrade)[12]



A Montanha dos Adeptos[13]

 

Sinto-me como o Señor Quijada ou Don Quesada da obra El Ingenioso Hidalgo Don Quixote de la Mancha de Miguel de Cervantes Saavedra[14] (obra alquímica da literatura), personagem o qual, aos cinquenta e tantos anos, depois de décadas da leitura diária dos romances de cavalaria, delirou que era ele mesmo um cavaleiro andante, dentro de um mundo onde já não havia espaço para heróis.

Na maturidade, lendo livros de Alquimia desde a mais tenra juventude, eu me sinto como se fosse um Alquimista, e vivo em mim o mito sobre o qual tanto leio e releio, dia e noite; e escrevo novos livros sobre a tradicional Arte Hermética.

Mas é sempre bom avisar, para evitar mal-entendidos:

Sim: esta é uma obra de ficção.

Melhor ainda: este livro é um elogio à ficção (ou: fricção; já que tudo é ficção, nada é ficção, mas tudo flui, frui e influi, portanto: tudo é fricção, fiação).

 

et creavit Deus hominem ad imaginem suam

ad imaginem Dei creavit illum

masculum et feminam creavit eos

benedixitque illis Deus et ait

crescite et multiplicamini et replete terram et subicite eam

(Liber Genesis 1:27,28)[15]

 

Deus criou o homem à sua imagem,

à imagem de Deus ele o criou,

homem e mulher ele os criou.

Deus os abençoou e lhes disse: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a /.../”[16]

 

A Alquimia é um Mundo.

A Alquimia é uma Casa.

A Alquimia é um Espelho.

A Alquimia é um Livro.

A Alquimia é um Laboratório.

A Alquimia é um Forno.

A Alquimia é um Ovo.

A Alquimia é uma Ciência.

A Alquimia é uma Ciência que pede perdão a Deus pela nossa mesquinharia, e agradece a Ele pela dádiva da Vida e da Conexão Divina, presta-Lhe Amor e Respeito, e, como uma criança faz com seus pais, se entrega em Suas Mãos, sabendo que Ele é Quem sabe O que é melhor para nós.

A Alquimia é uma Ciência que tem como principal e primeiro axioma a Ética do Bem conforme à Vontade Divina, e se ocupa do que faz, das suas causas e suas consequências, de onde vem, como atua e para onde vai cada impulso e cada síntese de suas produções.

A Alquimia é a Ciência que explica de onde viemos, para onde vamos, o que somos, como o mundo foi criado, por Quem, do Quê e como foi feito.

A Alquimia é a Ciência que permite pensar o pensamento. Por isso a Alquimia é a mais genuína Filosofia, e o Alquimista é o Filósofo.

Seu trabalho é criativo e investigativo.

 

Celui qui recommence ses essais avec patience réussit quelquefois.

(Aquele que recomeça suas tentativas com paciência às vezes consegue.)[17]

 

O Alquimista fica o tempo todo inventando e construindo formas de aumentar a harmonia e a integração entre o Macro e o Micro; por isso seu trabalho é duplo e triplo, e quádruplo e quíntuplo; ele é o fazedor das Enéadas, ele sempre age nas várias faixas máximas de frequência, e é o grande produtor/projeto humano; daí ser ele o Mago, Magisto, Mestre, e seu trabalho ser o Real Magistério, o Arquimagistério Solar.

Por ser tão criativa e inventiva, a Alquimia é Ciência, Filosofia e Arte; traz seus melhores atributos e sempre trilha a tripla produção.

Sua matéria é uma, é dupla e é tripla: distantíssima, distante e próxima, a mesma matéria na gradação ou paleta da sua aproximação do macro ao microcosmos.

Referindo-se à Língua Alquímica, Fulcanelli a chama de Cabala Hermética, a que vela e revela, ao mesmo tempo:

 

Sem abandonar de todo esses artifícios da linguística, os velhos mestres, na redação dos seus tratados, utilizaram sobretudo a cabala hermética, a que chamavam também língua das aves, dos deuses, “gaye science” ou “gay sçavoir”, gaia ciência. Deste modo puderam ocultar ao vulgo os princípios de sua ciência, envolvendo-a numa capa cabalística.[18]

 

Friedrich von Licht propõe que os deslocamentos alegóricos acontecem pela 1) etimologia (exemplo: Fulcanelli: Vulcano e Hélios, o fogo interior e o fogo do Sol); pela 2) imagem do signo (aquele referencial do mundo ao qual ele os remete) e pela 3) função do referente citado (o galo canta ao nascer do Sol, por exemplo); e comenta:

 

Temos um caso semelhante com números ou suas formas gráficas. O número “8” se torna um hieróglifo do infinito ou da eternidade, do ciclo solar com seus solstícios e equinócios, ou da roda lunar com seus quartos crescentes e quartos minguantes. O número “9” é o grafismo do espírito solar, “O”, na alma lunar, “ ) “; e sua inversão, o número “6”, a predominância da alma lunar sobre o espírito solar. A relação harmônica de ambos, o número “69”, tem a mesma significação que o Ouroboros grego ou o círculo Yin-Yang do taoísmo chinês.

O mesmo acontece com os signos astrológicos, onde vemos que o sol é o hieróglifo do fogo secreto ou semente encerrada na matéria (mercurial); a lua, a imagem da matéria nutriz receptiva; e o mercúrio, tanto o planeta quanto o metal, é o símbolo do espírito solar, que compartilha as características da alma lunar e do corpo elemental.

E assim será com o resto dos signos planetários e zodiacais, pois, quando um alquimista fala de Áries, Touro ou Peixes, ele não faz referência ao seu significado astrológico, mas ao seu simbolismo dentro do procedimento da Grande Obra. Nunca se deve esquecer que a alquimia faz uso metafórico de imagens de outras disciplinas filosóficas, dando-lhes um significado muito próprio, o que tem gerado muita confusão.[19]

 

69 é o número que representa Sat e Asat, os dois dragões abraçados, as duas cobras enlaçadas, os dois peixes no mar, o Ouroboros, o Linga e a Yoni, o Yin e o Yang, o Tonal e o Nagual, a integração dos opostos, Enxofre e Mercúrio abraçados dentro do Sol, produzindo o Sal. Terra água ar fogo e quintessência. No sexo humano, 69 é a integração dinâmica e a retroalimentação do masculino com o feminino:

Ὄν μὴ ὄν (ser (não)-ser = Heráclito com Parmênides químicos =  = shì  shì = sim ou não = to be or not to be = tupi or not tupi) que Deleuze traduz como ser e ?-ser (ser do problemático, o complicatio, “caos”, que é como sat – asat).

 

Uma última consequência resulta daí, concernente ao estatuto da negação. Há um não-ser e, todavia, não há negativo ou negação. Há um não-ser que de modo algum é o ser do negativo, mas é o ser do problemático. Este (não)-ser, este ?-ser tem, como símbolo, 0/0. O zero designa aqui apenas a diferença e sua repetição. /.../[20]

 

(ργων καὶ Παρέργων ἡ Γενιὰ τοῦ Ἡλιακοὺ Χρυσοὺ ἐστίν.)

((Ergon et Parergon Generatione Aurum Solis est.))

(((Ergon e Parergon é a Geração do Ouro Solar.)))

((((Ergon y Parergon es la Generación del Oro Solar.))))

(((((Ergon and Parergon is the Solar Gold Generation.)))))

 

É a vitória obtida na sua gênese, os grãos ou graus que a fazem florescer (Hermes Grau); assim faz com as coisas do eu e do mundo, por isso é Real Virtual e Real Atual, a Prima Matéria e a Quinta essência Universal (uni-verso = o um e o mútiplo).

Ἣν τὸ πᾶν (Hen to pán) = o um no todo, o todo no um; tudo está em tudo.

Essa expressão, escrita dentro do Ouroboros (que é a representação da unidade do mundo e do eu, macrocosmos e microcosmos) aparece na Crisopeia de Cleópatra (século III d. C.)[21]:

 

Ainda sobre a questão do ser problemático, isso não tem nada a ver com a dialética hegeliana; a única coisa mais tola do que a leitura jungiana da Alquimia seria uma leitura à Hegel.

(Essa é a única coisa com que consegui (não-)concordar ou ?-concordar na exuberante e magnífica obra de Elena Petrovna Blavátskaya – Елена Петровна Блаватская).

Sua dialética (de Hegel) da tese/antítese/síntese e sua visão do negativo como força do pensamento e da ação constituem uma (sub)visão ou (sub)versão em si escrava, que não pode compreender (ou não quer, o que dá no mesmo) a potência infinitesimal/mente e criativa/mente pro/ativa das essências, que, quando crescem e se multiplicam, se transmutam em (nomenclatura minha) excências, isto é, essências diferenciadoras e germinais.

Logos spermátikos dos estoicos, o verbo seminal.

Essa capacidade criadora das essências é a nossa quintessência.

 

There are more things in heaven and earth, Horatio,
Than are dreamt of in your philosophy.

(Há mais coisas no céu e na terra, Horácio,

Do que as que são sonhadas na tua filosofia.)

(William Shakespeare)[22]

 

A força vem do céu e vem da terra, daquelas consciências com as quais nos compomos e que podem nos fortalecer.

 

 

Prólogo: Catecismo sobre a Arte, Ciência e Filosofia Hermética

 

Foi o início de belíssimas experiências, das experiências científicas mais bacanas do mundo. Seu laboratório foi uma horta minúscula e humilde, mas também uma horta maravilhosa, um laboratório de Deus, que por forro tinha o céu, por equipamento a terra, por fogo o sol, por alambique as nuvens, por matéria-prima 22 variedades de ervilhas tenras e vivas que floresciam pontual e esplendidamente.

(Filippo Garozzo)[23]

 

À guisa de introdução, ofereço aqui, agora, este modesto catecismo do Filósofo Químico:

 

1) O que é Alquimia?

 

A Alquimia é a Ciência que permite conhecer a essência[24] de Deus Criador e do macrocosmos, isto é, da Criação e de todos os seres criados, entre os quais está o próprio homem/criador, que é o microcosmos, pois é um circuito existencial correspondente ao mundo que o integra.

A Alquimia é o conhecimento da Natureza e o conhecimento de si, o conhece-te a ti mesmo (> nosce te ipsum > γνῶθι σεαυτόν, gnōthi seautón). E é mais, é muito mais do que o psicológico, inclui o material, o energético, o sistema de correspondências universal e a (quinta dimensão) quinta essência.

A Alquimia usa uma profusão de símbolos, entre os quais a Fênix, a efígie do renascimento e do fogo. A Fênix é o sinônimo da Grande Obra Alquímica.

Heinrich Cornelius Agrippa von Nettesheim, em seu Filosofia Oculta (três volumes, publicados entre 1531 e 1533), no Livro 1, Capítulo X, Das virtudes ocultas das coisas, lança alguma luz sobre o assunto:

 

Há outras virtudes nas coisas que não pertencem a nenhum Elemento, como impedir o efeito do vinho, afastar o antraz, forjar o ferro ou alguma outra; e essa virtude é a consequência da espécie ou da forma das coisas, o que faz com que de uma pequena quantidade não sobrevenha um pequeno efeito, que não se encontra na qualidade de um Elemento; pois essas virtudes, sendo muito formais, podem produzir grandes efeitos com o mínimo de matéria; ao contrário, a qualidade elemental para agir em grande medida precisa de muita matéria. As Propriedades Ocultas são assim chamadas porque suas causas não se manifestam e porque o espírito humano não as pode penetrar: é por isso que somente os filósofos, por longa experiência mais a razão natural, puderam adquirir uma parte do conhecimento, pois, assim como a carne é digerida em nosso estômago pelo calor que conhecemos, da mesma forma que é transformada por uma certa virtude oculta que ignoramos, não pelo calor, porque assim se transformaria mais rápido no fogo do que no estômago. O mesmo acontece com as coisas de qualidades elementares que conhecemos e certas virtudes que lhes são naturais e nascem com elas, que admiramos e das quais nos espantamos por não as conhecermos ou não as termos visto, como é o exemplo do pássaro Fênix, que renasce de si mesmo, como diz Ovídio:[25]

 

Agrippa cita este trecho das Metamorfoses:

 

Haec tamen ex aliis generis primordia ducunt;

una est quae reparet seque ipsa reseminet ales,

Assyrii Phoenica uocant. /.../

 

Esses seres têm origem nos de outra espécie.

Há uma ave que se renova e se recria a si mesma.

Os Assírios chamam-lhe fênix. /.../[26]

 

2) O que busca a Alquimia?

 

Aquilo que eu chamo pelo nome de meta optata (meta desejada), que é a Eudaimonía (Εὐδαιμονία) dos gregos clássicos, como em Aristóteles, e que os cristãos medievais denominam Summum bonum: a maior felicidade do ser humano.

O alquimista árabe Ibn ‘Arabî assim explica a busca alquímica:

 

2. A Alquimia representa a ciência que tem por objeto as proporções e as medidas atribuídas a tudo o que comporta a proporção e a medida entre os corpos físicos e os conceitos metafísicos, na ordem sensível e na ordem inteligível. Seu poder soberano reside nas transmutações, quero dizer, nas mudanças de estado por influxo da “Fonte única” (al-‘Ayn al-wâhida). A Alquimia é uma ciência natural, espiritual, divina. Nós a declaramos, de fato, uma ciência divina, pelo fato de que ela traz a harmonia estável, motiva o descenso epifânico e a íntima solidariedade (entre os seres); e pelo fato de que ela manifesta os Nomes divinos por influxo do “Denominado divino” (al-Mosammâ al-Wâhid), segundo a grande diversidade de seus conceitos metafísicos.[27]

 

3) Quem pode ser Alquimista?

 

O ser humano, quer seja homem ou mulher, tenha a idade que tiver, é chamado pelo seu próprio imo para essa busca da felicidade. E ele pode se tornar Alquimista[28] se fizer um aprendizado de superação da sua vaidade, da arrogância, do individualismo, do egoísmo, do materialismo e da luxúria; se ele se render a Deus e pedir perdão pelos seus pecados; e, depois disso, se ele estudar com afinco e paciência, mesmo que pareça impossível aprender ou evoluir, se ele perseverar cotidiana/mente e continua/mente nesse estudo e nesse trabalho, ele se tornará um Alquimista.

Podemos ler no Mutus Liber[29], publicado em 1677, na prancha 14: “Oralegelegelege, relege, labora et invenies”, isto é: Reza, lê, lê, lê, relê, trabalha e encontrarás.

Assim é.

 

4) Como se aprende Alquimia?

 

Impossível seria aprender Alquimia estudando como se estudam as outras matérias, pagando uma instituição ou um professor, fazendo um curso, realizando avaliações e obtendo um diploma. Tudo isso sempre é besteira. No caso da Alquimia, seria fraude. Todo aquele que cobrar para ensinar Alquimia está vendendo vento. Ou nem isso.

 

O conhecimento e a luz desta Ciência são um presente de Deus que Ele revela por uma graça especial a quem Lhe agrada. Portanto, que nenhuma pessoa abrace este estudo se não tiver o coração puro e se, livre do apego às coisas deste mundo e todo o desejo culpado, não esteja inteiramente consagrada a Deus.

Jean d’Espagnet. A Obra Secreta da Filosofia de Hermes. 2º Exortação. 1623.

 

O Dom de Deus, o segredo dos segredos do Todo-Poderoso, que revelou aos Seus santos profetas, a quem Deus colocou suas almas no Paraíso.

Dom Antoine-Joseph Pernety. Dicionário mítico-hermético. 1758.

 

Na Idade Média, o Dom de Deus se aplicava ao Secretum Secretorum, que é precisamente o segredo por excelência, o do Espírito Universal.

Fulcanelli. As Moradas Filosofais. 1929.

 

O Donum Dei, ou dom de Deus, é um termo amplamente utilizado nos textos alquímicos, mesmo como título, como é o caso de um dos mais apreciados por nós, que tem por título de O Preciosíssimo Dom de Deus, escrito por Georges Aurach e publicado em 1475.

Quando os antigos usavam esse termo, eles podiam se referir a:

• A própria pedra filosofal, considerada em si mesma como um presente divino.

• A energia emanada do Criador ou espírito universal, autêntico dom de Deus necessário para a fabricação da pedra filosofal.

• Um presente intuitivo. Pois, para saber o segredo da fabricação desta pedra é preciso, diziam, ser tocado pela divindade. Se há de receber esse dom, como se se tratasse de uma ciência infusa.[30]

 

Sobre a ciência infusa, podemos ler no site Conexão Fraterna:

 

/.../ Deste modo, o nosso coração está orientado para Deus, mas infelizmente nosso coração por causa do pecado, se desvia. Os anjos ao serem criados, possuíam a chamada: ciência infusa, ou seja, a ciência na qual Deus infunde neles o conhecimento dos seus mistérios. Os homens, antes da queda do pecado, também possuíam essa ciência infusa, que permitia conhecer a Deus e seus mistérios. O dom da ciência infusa é algo que todos nós, seres humanos, ainda temos. Afinal, foi Deus que nos infundiu, mas ainda precisamos sermos purificados para melhor compreendermos os mistérios e desígnios de Deus. A ciência infusa é a graça de nos admirarmos pelo mistério, e de convergir o nosso coração para o eterno. Essa graça preternatural precisa ser alimentada com uma vida de oração, para que a nossa caridade seja realizada mediante a graça de Deus. /.../[31]

 

A Alquimia é um Dom de Deus[32]. Nossa opção por uma vida virtuosa, impecável, e o estudo e o trabalho no Laboratório demonstram o nosso movimento sincero de aproximação, é bater na porta da Alquimia, pedindo para entrar: esse que bate à porta é o amoroso da Ciência Hermética.

 

Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será aberto; pois todo o que pede recebe; o que busca acha e ao que bate se lhe abrirá.[33]

 

Paralela/mente, o estudante amoroso deve orar, ler e ler e ler e ler, e reler e trabalhar. Deve trazer em si a fé de que conseguirá compreender e operar a Grande Obra. Não deve desanimar; os textos e as imagens se apresentam como uma selva inexpugnável, tanto quanto tremenda/mente atraente, para o leigo, bem como para o amoroso. A persistência na prática da leitura, da oração e do trabalho operativo no laboratório irá, de forma lenta e gradual, abrindo os olhos, a mente e o coração do alquimista.

Antes, durante e depois, o sonho é um momento e movimento mor/mente imerso e intenso de verdadeiro aprendizado hermético.

Lembre-se da nossa divisa: Paciência.

Do nosso lema: Solve e coagula, separa e une, e de novo, nova/mente.

E da nossa receita: Vitriolum = Visita Interiora Terrae Rectificando Invenies Occultum Lapidem Veram Medicinam = Visita o Interior da Terra Retificando Encontrarás a Pedra Oculta que é a Verdadeira Medicina.

Lembremos ainda do que nos ensina Nicolas Valois[34]: “A paciência é a escada dos filósofos e a humildade é a porta do seu jardim, pois, a quem perseverar sem orgulho e sem inveja, Deus fará misericórdia”.

 

5) O que podem os Alquimistas?

 

Pedem e recebem, como é dado ao homem comum.

Fala-se e escreve-se sobre poder fazer a Pedra Filosofal que transforma em ouro os outros metais, fabricar joias, induzir uma planta a germinar e frutificar em um átimo, produzir o Elixir da Longa Vida, encontrar a fonte de juventude e o Eldorado, saber ler as influências astrais, alterar o clima, produzir a Aurora astral e a Aurora boreal, proceder à criação de um homúnculo, de um sol e mesmo de um universo em miniatura, conhecer o Azoth: o Aleph e o Tau, o Alfa e o Ômega, o A e o Z, conhecer a essência e a excência do Cosmos.

O Alquimista é aquele que pode realizar a Grande Obra.

 

6) A Alquimia é ficção?

 

Não existe ficção.

Não se pode provar, nem se pode reprovar um discurso por ser falso, pois o homem é um ser capaz de invenção; e o que se inventa, existe. O que importa é o que ele faz com aquilo que ele faz.

O dom é dado e gerado para quem é humilde e generoso.

A riqueza produzida pelo conhecimento deve ser compartilhada para fazer o bem para as pessoas e para celebrar a Glória de Deus.

 

7) O que é o Laboratório?

 

Tudo na Alquima são enigmas, no texto e fora dele, como a associação de três grandes Adeptos no Castelo de Flers, o citado Nicolas Valois, Nicolas Gosparmy e Vicot, que trabalhavam juntos na Grande Obra e escreveram os três importantes tratados no século XV (Nicolas Valois conta que obteve a Pedra Filosofal aos quarenta e cinco anos, em 1420).

Ou o fato declarado por Fulcanelli de ele ter tido como mestre Basílio Valentim, que foi cônego do priorado beneditino de São Pedro em Erfurt, Alemanha, no século XV, quinhentos anos antes de Fulcanelli realizar a Grande Obra.

Isso e muito mais fazem da Alquimia um tremendo e intrincado labirinto.

Uma vez uma amiga me falou pelo zap que suas emoções e pensamentos, mesclados aos acontecimentos, eram um labirinto dentro do qual ela se sentia presa.

Eu lhe respondi que o labirinto pode ser um desafio, pode ser intrigante e nos fazer evoluir, pode ser revelador. Mas, pela economia da linguagem da internet, eu escrevia “lab” quando me referia ao “labirinto”[35].

O mundo é um labirinto, nós somos um labirinto no cosmos, e o nosso aprendizado é um labirinto, por onde podem andar ratos, aranhas, pássaros, feras, quimeras, ou, até mesmo, monstros; mas também no qual se encontrarm anjos, que são os mensageiros de Deus; no qual podemos nos sentir presos, ou inventar o meio de o homem voar, como um engenheiro do ser.

Esse Laboratório que é o nosso Labirinto.

Esse Labirinto que é o nosso Laboratório.

 

 

Capítulo 22: O Louco ש

 

1.    O alquimista será discreto e silencioso; não revelará a ninguém o resultado de suas operações.

2.    Habitará, longe dos homens, uma casa particular na qual terá duas ou três peças exclusivamente destinadas às suas operações.

3.    Escolherá cuidadosamente o tempo e as horas de seu trabalho.

4.    Será paciente, assíduo e perseverante.

5.    Executará, segundo as regras da arte, a trituração, a sublimação, a fixação, a calcinação, a solução, a destilação e a coagulação.

6.    Não se servirá senão de vasos de vidro e potes de louça a fim de evitar o ataque dos ácidos.

7.    Será bastante rico para fazer as despesas que exigem tais operações.

8.    Evitará, sobretudo, ter qualquer relação com príncipes e senhores. Efetivamente, primeiro esses apressariam sua obra, em seguida os piores tormentos o esperariam em caso de insucesso e a prisão o compensaria em caso de sucesso.

(Mestre Alberto)[36]

 

O Louco.

Ele é como esse livro, cuja cauda e a cabeça se encontram, ele está no começo, no fim e no recomeço do Tarot.

(Ouroboros salta veloz da página da revista[37])

 Na astrologia, podemos fazer a associação da carta do Louco com o signo de Peixes, que apresenta uma forte ligação com o sentimento, o inconsciente e a intuição. Como dois peixes nadando para lá e para cá no aquário, pode apresentar fortes e fundas emoções opostas.

O seu elemento é a Água, aqui no seu caráter abissal, onde o homem sempre tenta mergulhar e a qual tenta conhecer, mas sempre há mais. Essa Água dos Peixes é sempre algo mais. É a nossa matéria prima.

Isso não faz dele um louco, mas esta carta, no Tarot, significa bem menos e bem mais que a loucura; quem já não foi chamado de louco quando a natureza e/ou o pensamento falaram através das suas ações?

Júpiter é o planeta regente do signo de Peixes.

Neste livro, nos volumes um, dois e três, relaciono as Fases da Grande Obra Alquímica com os 22 Arcanos Maiores do Tarot, os Signos do Zodíaco e os 64 Hexagramas do I Ching.

Eis os hexagramas que relaciono com O Louco:

3  Zhūn, Água sobre Trovão: A Dificuldade Inicial.

25  Wú wàng, Céu sobre Trovão: A Inocência.

52  Kèn, Montanha sobre Montanha: A Quietude.

61  Zhōng Fú, Vento sobre Lago: A Verdade Interior.

 

Por ser bobo, por ser louco, quero dizer, por sair de um padrão pré-estabelecido sobre o que é ser, ele se encontra com o caminho do aprendizado, o qual pode, se quiser, percorrer. Sua “tolice” de não aceitar uma pré-configuração ontológica suposta/mente dada pela ou à espécie, sua ousadia de ousar, aparece no grande tratado alquímico chinês como o hegrama A Inocência.

Atitude essa que gera a inquietude, o “colocar o pé na estrada”, que, não sendo fácil, também não se mostra mais difícil do que ficar quietinho na gaiola: A Dificuldade Inicial.

Sendo maluco, ele fica calmo no meio do temporal, das violentas e turbilhonantes forças do tempo pelas quais viaja, A Quietude.

E sendo razoável, juntando o instinto, a razão e a intuição, na sua viagem para fora e para dentro, ele atinge A Verdade Interior.

Em sua canção “Os Alquimistas estão chegando”, do Lp A Tábua de Esmeralda, de 1974, Jorge Ben canta assim as sétima e oitava das regras de Mestre Alberto, citadas acima: “Todos bem e iluminados, evitam qualquer relação com pessoas de temperamento sórdido”, pois é preciso entender a palavra “rico” do texto escrito cum grano salis, com um grão de sal, isto é, com parcimônia, com cuidado: a riqueza hermética e a glória alquímica sendo bem mais que o dinheiro e a fama vulgares.

Aliás, é mais fácil de se ver um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um alquimista de verdade ficar se enchendo de ouro, o vil metal, que ele sabe sim fazer, pois a Alquimia é a Arte Real.

Ou, como podemos ouvir nesta cantiga de São Vítor:

 

Ele solidifica as peças

Com pedaços quebrados das gemas

E as distribui entre os pobres:

Traz um tesouro inesgostável

Quem dos ramos fez o ouro

E das pedras criou joias[38]

 

Meu nome é Hermes Grau (Big Rider[39]).

Estava meio frio e eu suava em bicas sob as cobertas.

Vesti uma camisa e uma bermuda surradas e fui para o terraço da minha casa.

Levava comigo o pequeno espelho, o aparelho de barba, uma vasilha com água limpa e uma tigela cheia de água ensaboada.

Coloquei os objetos sobre o parapeito que cercava o terraço, aquele que fazia a separação com o quintal da casa da rua de trás, a qual ficava bem abaixo de nós.

Senti o vento me envolvendo, e fiquei andando de um lado para o outro, olhando com calma mente as paisagens que podia ver das ruas e casas da Ilha; ainda estava cedo, pela manhã.

Parei junto ao muro, peguei o espelho e olhei minha juba de leão e a barba cheia e pentacolor (fios brancos, castanhos escuros e claros, louros e vermelhos; assim, desde a juventude) se espalhando selvagens por volta do que se podia ver do meu rosto: minha boca, meu nariz e meus olhos, que emitem luz e calor.

Eu não queria raspar a barba nem cortar o cabelo.

É que precisava muito urgente arranjar novos trampos, escolinhas ou faculdades, onde, aos trancos e barrancos, pudesse arrumar mais uns trocos, melhor se forem milhões, porque é preciso.

E o preciso é precioso.

E quem paga agora bem, mas bem mesmo, meeesmo, para alguém?

Só se for uma coisa muito burra e concomitante/mente muito burrificadora, como a tv ou youtuberes imbecilizadores.

Olhou o sol que, cada vez mais forte, ia tornando a cena superluminosa; isso antes das sete da manhã, em plena primavera quase verão da incógnita e muçulmana antiga e louca Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, no distrito onze, Ilha.

– Introibo ad Altare Dei.

Falo(u) com toda a solenidade, e jogo(u) a caneca e a vasilha e a gilete pelo muro, p’ro outro lado, as quais foram cair no quintal da casa que havia embaixo, deixando para lá a questão do que iam falar depois, se fosse se ligar nessa problemática para a opinião dos zumbis – não dava mais um passo, fosse falso ou verossímil – na verdade – nem saía do quarto.

E agora o que ele queria mesmo é exata/mente sair.

Descendo a escada, falou:

– Não sou um cara comum.

– Eu sei.

Lira Grau, a mulher de Hermes Grau, lhe sorriu.

= Bom dia amor!!

= Bom dia!!!

= O que você fazia lá em cima com espelho, cumbuca e gilete?

= Estava me arrumando pra ir trabalhar.

= Mas o que você fez? Parece igual. Cortou o cabelo? Aparou a barba?

= Mais ou menos. Vou dar aula. Te amo.

= Eu te amo.

Naquele dia ele resolveu ir andando até a escola, que também ficava na Ilha, nem tão perto assim, mas precisava economizar. E aprecio muito caminhar.

Ontem, relemos Antiquissimi Philosophi de Arte Occulta atque Lapidem Philosophorum Liber Secretus Artephii[40].

Tirou do bolso a carta que ia remeter à loja:

 

No dia 12/10, comprei um celular Intransitivo S431, na loja Gorgozão; no dia seguinte, o celular apresentou defeito, fechando todos os programas e não permitindo o uso. Fui no dia 14/10 à loja e o troquei; no domingo, dia 3/11, o novo celular apresentou o mesmo defeito, fechou todos os programas, desligou e não liga novamente, nem carrega, não dá sinal. A Garantia Legal prevista pelo artigo 24 do CDC afirma que a troca de um produto essencial como o celular não depende de prazo, e que a loja é obrigada a trocar ou reembolsar o dinheiro em até 90 dias úteis depois do aparecimento do problema. Eu estava usando o celular há 15 dias. Fui à loja Gorgozão, onde a gerente Alpina não quis fazer a troca, nem me dar uma declaração por que não o fazia, nem falou seu nome completo, para eu reclamar na Defesa do Consumidor. Mandou simplesmente que eu ligasse para o atendimento da Intransitivo. Fiz isso, fiquei um tempão instalando programas no computador para reinstalar o Android, e, mesmo assim, não funciona, continua tudo igual. Preciso do celular urgente para minhas atividades. Paguei à vista R$ 1479,90 pelo produto que não funciona. A Intransitivo não resolve e a loja se recusa a devolver meu dinheiro ou trocar o celular. O artigo 18, parágrafo 1º, da Lei 8078/90 do Código de Defesa do Consumidor, reza que o produto essencial é aquele que possui importância para as atividades cotidianas do cidadão; a Lei Federal nº 7783/89 declara o celular produto essencial e a garantia legal prevista no artigo 24 do CDC diz que o produto deve ser trocado pelo revendedor, ou o dinheiro devolvido no ato. Essa demora em resolver o problema causa prejuízos no trabalho e outros para o consumidor, o que é o caso, pois eu preciso usar o celular no meu trabalho.

 

Enfiou a carta no bolso.

Essas máquinas de escrever...

Essas máquinas de fazer escravos loucos.

Estava na praia que ligava sua casa à escola, pela beira da Ilha. Pouca gente na rua, a praia quase deserta.

Ele fez um montinho com suas roupas e ficou só de cuecas, entrando assim no mar, sem chamar a atenção, para esfriar a cabeça e se energizar.

В каждой ячейке должно что-то лежать.

Deve haver algo em cada célula.

 

Sabia que Will Shakes era alquimista?

Filáion risonho me pergunta por que eu afirmo isso, e pede provas. Que provas há ou pode haver sobre a excência e a excelência de um escritor? As suas obras. Que provas há ou pode haver sobre a qualidade e a essência de um ser humano? As suas obras.

Essa relação já está sendo feita, por exemplo, das poesias líricas de Shakespeare com a Alquimia, por Margaret Healy no livro Shakespeare, Alchemy and the Creative Imagination: The Sonnets and A Lover’s Complaint[41]; com as peças teatrais por Ana Cristina Gonçalves Mateus, na dissertação Ocultismo e esoterismo na obra de William Shakespeare: Hamlet, The Tempest e The Winter’s Tale[42] e por Sylvia Morris no site The Shakespeare blog, com o artigo Shakespeare and the Alchemistis[43].

É bem sabido que há muitas citações e referências à Alquimia nas suas peças e poesias, mas a questão aqui é provar que seus textos, muito além de de mostrarem o conhecimento do fato alquímico, demonstram um caminho de realização alquímica.

Como os outros tradutores brasileiros dos sonetos de Shakespeare que compulsei parece que o odeiam, à sua e à nossa língua e à poesia, eu me torno um novo tradutor seu, eu que os amo por igual: ao poeta, ao idioma e à arte.

Minha crítica se restringe aos que fizeram versões dos seus sonetos para o Português, no Brasil e em Portugal, os quais consultei; talvez haja melhores traduções, mas entre todas que li, não as encontrei. Já o teatro shakespeariano teve outra sorte na transposição para a nossa língua, tendo tido competentes versões realizadas por Onestaldo de Pennafort, Geir Campos, Oliveira Ribeiro Neto, Péricles Eugênio da Silva Ramos, Artur de Sales, Manuel Bandeira, Anna Amélia Carneiro de Mendonça, Paulo Mendes Campos, Jorge Wanderley, Millor Fernandes etc.

Na minha leitura, entre eles se destaca a excelente tradução de todas as peças realizada por Carlos Alberto Nunes[44], poeta e tradutor do mais alto nível, como o demonstrou ao transpor também a Ilíada e a Odisseia de Homero e Eneida de Virgílio e a íntegra dos Diálogos de Platão.

Carlos Aberto Nunes, no século XX (tendo nascido no século XIX), é um legítimo continuador/renovador do trabalho do seu conterrâneo Manuel Odorico Mendes[45], do século XIX (tendo nascido no final do século XVIII), os dois naturais de São Luís do Maranhão (um em 1799, o outro em 1897), sendo que Carlos ainda por cima realizou o projeto que Odorico acalentou de escrever uma epopeia brasileira[46].

– Você sabe, Filáion, Nietzsche escreveu que escolhia seus inimigos entre pessoas grandes, seria desonroso e vil vir a ter e se ater a inimigos baixos, e isso, entre outras coisas, é um sinal de muita coragem: não bater nos fracos, só agredir a quem mereça e possa ser enfrentado.

– No Brasil, Lobão (nome artístico do compositor, multinstrumentista e cantor João Luiz Woerdenbag Filho, por exemplo, entre outros, no seu livro de 2020, 60 anos a Mil, pela editora LeYa, São Paulo) esculhamba com aquilo que ele mesmo alcunha como a “máfia do dendê”; não é um inimigo tão sensacional assim. Mais importantes, as suas colocações políticas.

Defendendo a chamada na época esquerda festiva, e principal/mente a si mesmo, esse grande escritou mundial que também foi alvo do ostracismo e da barragem que os grandes talentos quase sempre enfrentam em nosso país, José Carlos Oliveira, na crônica que publicou na sexta-feira, dia 23/08/1968, no Caderno B do Jornal do Brasil, intitulada “Por que a esquerda festiva não toca fogo na bandeira soviética?”, assim escreve:

 

Em minha opinião, o fato de estar paralisada pela perplexidade somente honra a esquerda festiva. É preciso distinguir. Eu, por exemplo, tenho horror aos comunistras brasileiros – não os comunistas históricos, mas os oportunistas mais recentes que industrializaram o esquerdismo, transformando-o em mercadoria de fácil assimilação nos lançamentos editoriais, na poesia, no teatro, no cinema, na crítica estética. Conheço-os de perto e, sem exagero, fico nauseado quando se aproximam de mim. Já vi muitas vezes como são capazes de trair qualquer consideração de ordem moral, e ainda por cima sem qualquer elegância. São arrogantes, mesquinhos, ingratos e burros; alguns emburreceram no processo de conversão. Rinocerontes. E estão ganhando um bocado de dinheiro com esse procedimento que chamam de comunista, o qual nada mais significa do que a exclusão sistemática de quem quer que não pertença à panelinha. (Trata-se de um assassinato simbólico – uma antecipação dos assassinatos concretos que eles praticariam tão logo chegassem ao poder).[47]

 

Cito ainda Zé Rodrix, compositor que não é ouvido tanto e como poderia, tendo ainda se revelado um excelente romancista, com a monumental e iluminada Trilogia do Templo, tendo a sua obra ficcional repleta de referências alquímicas, como lemos nestre trecho de O Cozinheiro do Rei:

 

/.../ e todos filhos da mesma fonte de luz e vida, para a qual não existe diferença entre as coisas, porque todas as coisas são feitas da mesma única luz que a tudo permeia e em tudo penetra.[48]

 

Vou oferecer mais dois poetas alternativos, defendendo minha tese de que se realiza no Brasil um programa internacional que tenta tornar desconhecidos a arte e o pensamento originais feitos aqui. Esse programa é maior e mais abrangente que o capitalismo, o comunismo ou o fascismo, pois se trata da matriz de todos os três, por igual.

Os poetas que coloco como autores de antídotos que servem para contrabalançar uma proposta da música e poética (e a fortiori da cultura) brasileiras sendo Tom Zé e Odair Cabeça de Poeta, os quais já estudei no livro O Sol Nasceu pra Todos[49], e dos quais indico uns discos: o LP Todos os Olhos, do Tom Zé tocando e cantando com Odair Cabeça de Poeta e o Grupo Capote, Continental, 1973; o compacto Quem não pode se Tschaikovsky (sic)[50], também realizado pela junção deles, Continental, 1973; e o LP Grupo Capote no Forrock, Continental, 1973, de Odair Cabeça de Poeta e Grupo Capote. Não se trata de erigir a “arte pela arte”, ou ser contra o “engajamento social”. Nosso estimado Fulcanelli já mostrou no seu terceiro livro[51] que a Alquimia é sempre ética, política, estética, social e ecológica. E assim são as obras, tão diferentes, mas com muitos pontos em comum, dos poetas/cantores/compositores Dódó e Zézé, Tom Zé e Odair Cabeça de Poeta.

Sem se tornarem paternalistas por mostrar a desigualdade social, com olhar horizontal, de igual para igual com as outras pessoas, o vertical ficando para a percepção do espírito na sua obra, diferente dos autores arrogantes, que “lutam” pelo povo com suas poesias, de cima para baixo. Coloco aqui os outsiders como contraponto e crítica aos outdoors da música brasileira nos anos setenta (os mesmos, às vezes, até hoje); veja/leia/ouça esta letra da música “Complexo de Épico”, que traz uma visão social alquímica e foi feita de improviso no estúdio na hora da gravação, e que está nas faixas 1 e 12, a mesma música fecha e abre (a música se torna assim, ao mesmo tempo que cita, o Ouroboros) o LP Todos os Olhos, de Tom Zé:

 

Todo compositor brasileiro
é um complexado.

 

Por que então esta mania danada,
esta preocupação
de falar tão sério,
de parecer tão sério
de ser tão sério
de sorrir tão sério
de chorar tão sério
de brincar tão sério
de amar tão sério?

 

Ai, meu Deus do céu,
vai ser sério assim no inferno!

 

Por que então esta metáfora-coringa
chamada “válida”,
que não lhe sai da boca,
como se algum pesadelo
estivesse ameaçando
os nossos compassos
com cadeiras de roda, roda, roda, roda?

 

E por que então esta vontade
de parecer herói
ou professor universitário
(aquela tal classe
que, ou passa a aprender com os alunos
– quer dizer, com a rua –
ou não vai sobreviver)?

 

Porque a cobra
já começou
a comer a si mesma pela cauda,
sendo ao mesmo tempo
a fome e a comida.[52]

 

Sob o enfoque do complexo de inferioridade perante a música estrangeira, Hermeto Pachoal falou, por essa época, numa entrevista a O Pasquim: “Músico brasileiro é um complexado”[53].

A registrar ainda a tremenda musicalidade, tanto da obra de Odair Cabeça de Poeta quanto de Tom Zé. Cada canção tem um estilo e uma proposta diferentes. Tom Zé trabalha com harmonias polifônicas e ostinato. Odair Cabeça de Poeta e o Grupo Capote brincam com os andamentos, uma rara riqueza rítmica, utilizando ritmos complexos combinados nos instrumentos de percussão e melódicos, o domínio no jogo do canto da voz principal com o coro, e em conjuntos das complexidades rítmicas, das harmonias, vocalizações e semitons – brincam com tudo. As letras também. Super criativos, alta/mente poéticos, crônicos e aiônicos, bombastica/mente experimentais e sociais. Fala, Zé:

Tô estudando pra saber ignorar

Eu tô aqui comendo para vomitar[54]

 

– Hoje em dia é comum qualquer um achar que é um Leonardo da Vinci, e que pode fazer com talento todas as artes e misteres; todo mundo pensa que é pensador e escritor, basta encher algumas páginas no word. Como não sabem ler de verdade, completa/mente, nem sabem na realidade o que é um texto, e, de forma mais gritante ainda, não fazem a menor ideia do que seja literatura, quanto mais pensamento, basta dispor de uma grana firme e pagar uma microedição que não será lida nem comprada, ou ter ainda o nome na mídia, isto é, tv e/ou internet, para ser comprado e lido por verdadeiras legiões de boçais, que adoram as boçalidades ali garatujadas. Se lessem mesmo Bukowski ou Shakespeare, não pensariam tais asnices. Quanto mais tolo é o sujeito, mais ele “se acha”, e como já cantou genial/mente Noel Rosa: “Quem acha vive se perdendo”[55].

– Sim, meu amigo. Bukowski atacou figurinhas do pop en passant, porém, mais que tudo, aqueles que eram considerados os maiores escritores americanos e europeus. E ele está certo. Escreveu um livro intitulado, em inglês, Shakespeare nunca fez isso[56], o que ele fez, o que é um truísmo, porque cada um é cada um, e cada um faz o que faz. Mas também o critica em vários textos, segundo ele, William é chato, tedioso, maçante, não desenvolve o pensamento, é um grande poeta burro. Muitas vezes concordo com Bukowski, ele é um jorro de vida na literatura mundial. Todavia, no caso do poeta inglês, penso que ele não viu uma coisa, e tudo bem, a maioria não consegue ver também: Shakespeare escreve (sempre; aqui recitarei oito sonetos seus, e os mesmos vou traduzir, todavia, essa teoria vale igual/mente para todos os seus textos, as poesias líricas e as peças) a mais clara e nobre Alquimia.

– Agora vem a prova?

– A prova vem agora:

 

Sonnet 7

 

Lo! in the orient when the gracious light
Lifts up his burning head, each under eye
Doth homage to his new-appearing sight,
Serving with looks his sacred majesty;
And having climbed the steep-up heavenly hill,
Resembling strong youth in his middle age,
Yet mortal looks adore his beauty still,
Attending on his golden pilgrimage:
But when from highmost pitch, with weary car,
Like feeble age, he reeleth from the day,
The eyes, ‘fore duteous, now converted are
From his low tract, and look another way:
   So thou, thyself outgoing in thy noon
   Unlooked on diest unless thou get a son.

 

Soneto 7

 

Vê! No Oriente, quando a luz graciosa            

Ergue a cabeça em chamas, cada olhar

Curva-se à ígnea visão, que é sacra e nova,

Louvando-lhe a realeza, a admirar;

Subindo a íngreme e celestial colina,

Parece forte e jovem, e é madura;

E, ao mesmo tempo, a admiração perdura,

Enquanto ela, dourada, peregrina:

Mas, quando em alto tom, carro gemente,

Como se fosse idosa, se retira,

Olhos antes fieis, já se desviam,

Não querem mais mirar o céu poente;

Também tu, ao decair teu apogeu,

Serás, se não tiveres filho teu.

 

– E por que você fala que essa é uma poesia alquímica?

– Porque trata da transformação que aparece o tempo todo na natureza, e que é evidente com o nascer do sol e o seu caminho pelo céu, até o poente. Diante dessa essência transformadora da physis, o poeta-alquimista deseja dela participar, tanto porque, sendo ele um homem encarnado, já participa, quanto porque entende algo da matéria, da energia, do espaço, do tempo e das excências do que presencia, e deseja poder atuar também na obra de Deus, sendo ele o ser humano filho de Deus, quer contribuir com a realização do seu Pai.

A excência na matéria experimenta o tempo todo as metamorfoses, e, por isso, o homem deseja experimentar ele também a transmutação, na natureza com a qual vive e consigo mesmo. “Ter um filho teu” é se gravar no livro alquímico do mundo, e essa realização é a obra, em suas várias manifestações.

As pessoas sempre estão ensinando Alquimia para você, sejam os grandes Adeptos, ou seja o homem mais simples e humilde, em suas palavras, ações e obras, há, às vezes, ali, um precioso ensinamento hermético, se você souber ler, se tiver ouvidos para ouvir.

Lembro que em uma das primeiras aulas de ciência que tive, na quinta série do primeiro grau no Colégio Pedro II, eu tinha dez para onze anos, o professor falou para a turma: “A água é o solvente universal”. Sem saber, sem querer?, ele estava nos dando uma lição preciosa do Magistério Filosofal. Ele falou ainda, noutra aula, que havia um fluido sutil entre os astros, chamado éter.

Isso foi em 1972.

 

Eu vos batizo com água para o arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. De fato, eu não sou digno nem ao menos de tirar-lhe as sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.[57]

 

Vivo nestes 21 anos iniciais do século 21 o percurso iniciático do Mago.

Porque Hermes Grau ibin Carlos (aut Ben Karl) nasceu nesse tempo, no início da hora, do dia, da semana, do mês, do ano, do século e do milênio, ou porque se reiniciava aí seu aprendizado, ou por qualquer outra razão, e os vinte e um anos que se desenrolaram então foram cada um em sequência regido por uma carta do Tarot, na Grande Obra.

Ah sim, nessa época da ilha eles me chamavam de louco, e eu real/mente era como um louco, não posso dizer manso, porque meu entusiasmo me tornava muito ativo e feroz, mas um louco racional, ou um racional enlouquecido.

Aí fiz essa poesia:

 

Zero

 

Nagualismo? Não importa o que isso seja!!!
Minha religião é o universo...
Fluxo turbilhonante aonde adeja
A força clara e rútila do verso.

Chego a pensar que seja um pluriverso
Que ruge e ri, se harmoniza e troveja.
Está em si e além, é o verso e o inverso,
E então renasce, quando se deseja

Com desejo profundo e bem sincero.
Seu nome é Eros; mas tem qualquer nome
Porque é uma fera, urge, sente fome

E arde em fogo que nunca se consome.
É Ouroboros, e, com todo o esmero,
Ele me gera e (ao mesmo tempo) o gero.[58]

 

Porque uma semente precisa ir além do solo que a abriga, que parece tão agradável e que não precisa ser superado, mesmo a se/mente, ou a ave no ovo, ou o feto no ventre da mãe, estando tão feliz de estar ali, e não sabendo como ou por quê pode querer eclodir, ela e ele têm algo nele e nela que lhes diz que é preciso e precioso nascer para poder ser.

O zero representa tanto o nada quanto o tudo.

 

/.../ Essa criação é relativamente recente (talvez pelos primeiros séculos da era cristã) e foi devida às exigências da numeração escrita. Todos conhecem o princípio em que essa numeração se baseia e qual o papel que nela desempenha o símbolo zero. Uma coisa que nem toda gente repara é que essa numeração constitui uma autêntica maravilha que permite, não só escrever muito simplesmente os números, como efetuar as operações /.../.[59]

 

O Louco procura algo. E, às vezes, ele encontra. Essa é a procura da matéria prima.

Na Alquimia, esse é o momento do Caos.

E desse Caos nasce a Luz.

O louco não tem número, ele vaga, sem se fixar, por todo o Tarot.

Zero e vinte e dois (que virou gíria para maluco no Brasil[60]) são formas de colocar seu número como variável, variegado[61]. E é isso que faz dele o louco, ele não se compromete com uma forma pré-estabelecida de ser, uma identidade.

Por isso ele é o fator mutante que permite à viagem começar e continuar.

O Louco está sob o regime de Chronos, o mesmo que Saturno.

Sendo assim, o fundamento da obra é Hermes, de onde tudo começa e pelo qual tudo se faz, de onde vem a matéria próxima, a matéria prima, o fogo, o sal, a água e o Rebis, mas, é preciso que o rei se torne louco, para que seja despedaçado e se desfaça (sparadigmós), e aí possa começar a verdadeira regeneração.

Com Saturno começa a obra.

Saturno, o louco, é você: o ser duplo.

Quando se fala do Saturno da Alquimia, ou do Louco do Tarot, as pessoas fazem uma ligação anacrônica (se bem que nas várias áreas da magia o tempo seja um complicatio, um rizoma enlouquecido de tempos, como na física quântica e na teoria das supercordas, o tempo joga dados para todos os lados, o tempo todo, é uma criança brincando, então o seu anacronismo é total/mente válido, alquimica/mente falando): pensam na loucura institucionalizada e psiquiatrizada do Senhores Freud, Foucault e companhia.

O louco de que falo aqui é você; essa é sua melhor (in-)definição.

Homem comum.

Menino, que não sabe nada, mas quer saber tudo, quer tudo.

O insensato, jovem, adolescente, de qualquer idade, que bota a mochila nas costas, e o pé na estrada, pra ver, aprender, conviver, amar e crescer.

É o bobo da corte medieval, aquele que é o único que não pode falar nada que preste, e tudo que ele fala vale ouro, e até os poderosos param para ouvir. Ou fogem, ou fingem.

O histrião ou jogral é o contrário do Rei Midas, tudo que aquele rei tocava virava ouro, e com isso ele tornava tudo imprestável – por mais que o ouro seja valioso, quem pode comer uma fruta ou um pão feitos de ouro?

Há dois tipos de antialquimista: o molybdóforo, que transforma ouro em chumbo, é um; o outro é o Midas, que transforma tudo em ouro.

Chumbo em grego antigo é mólybdos (em latim é plumbum); ouro em grego antigo é chrysós (em latim é aurum); o verbo phérō em grego significa carregar. Os neologismos que criei com as matrizes grega e latina molybdóforo e plumbóforo significam literal/mente “aquele que carrega o chumbo”, no sentido de ser o produtor do chumbo, em contraposição a crisóforo, que é aquele que traz o ouro e por isso o produz. Esta palavra remete a Cristóforo, do latim Christophorus, que veio do grego antigo Χριστόφορος, que significa “aquele que carrega” phérō (φέρω) Cristo (Χριστός).

Esta é a origem do epíteto atribuído a São Cristóvão, cujo nome era Réprobo. Com ele se deu um acontecimento milagroso, que lhe deu o nome de santo, e que tem muito significado para nós:

 

Um rei pagão em Canaã ou na Arábia, através das preces de sua esposa, teve um filho a quem batizou de Reprobus (Offerus), dedicando-o ao deus Apolo. Adquirindo tamanho e força extraordinários com o tempo, Reprobus resolveu servir apenas aos mais fortes e bravos. Em sua busca por tais indivíduos, ele acabou servindo a um rei poderoso e a um indivíduo que alegava ser o próprio Satanás, mas acabou por achar que faltava coragem a ambos, uma vez que o primeiro temia o nome do diabo e o último se assustara com a visão de uma cruz na estrada. Em seguida, ele encontra um eremita que o educou na fé cristã, batizando-o. Reprobus se recusou a jejuar e a rezar para Cristo, mas aceitou a tarefa de ajudar as pessoas a atravessar um rio perigoso, no qual muitos haviam morrido ao tentar fazer a travessia.

Certo dia, Reprobus fez a travessia de uma criança que ficava cada vez mais pesada, de tal maneira que ele sentia como se o mundo inteiro estivesse sobre os seus ombros. Após a travessia, a criança revelou ser o Criador e o Redentor do mundo. Daí provém o nome Cristóvão, que significa “aquele que carrega Cristo”. Em seguida, a criança ordenou a Reprobus que fixasse seu bastão na terra. Na manhã seguinte, apareceu no mesmo local uma exuberante palmeira. /.../[62]

 

O bobo não chega a ser um alquimista, mas ele é um namorado da alquimia: pois tudo que ele fala vale ouro.

Ele é o heyokah[63], o palhaço da tribo, o feiticeiro que não respeita nada, mas que tem um respeito infinito pelo Amor, pelos Irmãos, pela Terra, pelos Pais e pelo Grande Espírito.

É aquele habitante de Heliópolis, que anda por aí e faz as coisas como um homem e uma mulher normais. Mas que, inerente/mente, quer mais.

O louco é você, que começou o aprendizado, e vai passar por vinte e uma estações de desenvolvimento que são lições e são vivências, para aí, sim, real mente, começar a aprender; aí a gente conversa:

Abra os olhos e olhe em volta. Você não deve nada, não há prescrição de onde você deve estar, como está, o que faz. Vamos supor que está lendo, sentado na sala, e que para de ler depois que lê este primeiro seminário, e olha em volta. Ou está caminhando na rua. Ou passeando na floresta.

Olhe em volta. Veja cada elemento que está aí como um pedaço de você. Essa é a sua casa, você. Bergson fala que meu corpo se estende até a estrela que vislumbro no céu. Sinta isso, que suas células são cada uma um ser, que você existe somado à soma delas, e que essa soma, delas e você, é soma, o seu corpo, você.

Mas que também se estende em todas as direções. Sendo seu corpo, seu veículo energético e vital, você pode senti-lo, acessá-lo, controlá-lo. O controle do seu corpo, mesmo coisas que antes pareciam impossíveis, não é milagre. É simples harmonia do pensamento/sentimento de você com suas partes.

A energia vir para você do universo, ou você senti-lo, como se fosse seu eu, é também natural, essa é a sua phýsis que é o seu lógos.

Você se sente o louco, mas sabe que isso é pouco.

Você se sente o sábio, mas sabe que é demais.

Você é você, e esse é o caminho para as mais fantásticas realizações.

 

 

 

 

Capítulo 1: O Mago א

 

Assim começa a Bíblia, na tradução dos Setenta sábios:

 

᾿Εν ἀρχῇ ἐποίησεν ὁ Θεός τὸν ουρανὸν καὶ τὴν γῆν[64]

No princípio criou Deus o céu e a terra.

(Gênesis 1:1)[65]

 

Meu amigo, o pensamento do hermetista é que a criação acontece o tempo todo, sem parar. Ligar-se a esse fluxo criacional é a Alquimia.

Esta é a melhor etimologia da palavra: Al significa Deus. Quimia pode ser o metal derretido, isto é, o físico que se solve e se torna líquido, depois ar, depois fogo, depois luz: espírito que faz da pedra luz, isso vindo da raiz grega chemeia.

Alquimia assim significa: A Luz de Deus, A Arte Divina e, também, O Sol de Deus.

Na palavra Alquimia já está o incluído o ensino do procedimento: Solve e o Coagula, o Ergon e o Parergon.

Em egípcio, quimia vem da palavra kēme ou chem, que significa terra negra, e a expressão designa então Deus Negro ou Luz Negra, no sentido de desconhecido, e que remete a um mundo negro, um mundo desconhecido, cheio de possibilidades.

Quando o aspirante aos mistérios passava pelas provas e era admitido no círculo, lhe era sussurrado ao ouvido: “o Deus Osíris é negro”.

Como podemos ler no site Gnosis online:

 

“OSÍRIS É UM DEUS NEGRO”. Palavras terríveis, espantosas. Insólita e misteriosa frase que era pronunciada secretamente, no sigilo dos templos, durante as cerimônias iniciáticas no ensolarado país de Kem. Bem sabem os Deuses e os Homens que Osíris-Numen, o Deus Egípcio, resulta no fundo absolutamente incompreensível para todos nós.

Isso que é mistério, isso que não entendemos, é negro para o intelecto humano. Depois desta explicação compreenderão nossos leitores a profunda significação daquela misteriosa frase.

No começo ou aurora de cada universo, a eterna Luz Negra ou obscuridade absoluta converte-se em Caos. Está escrito e com palavras de fogo em todos os livros sagrados do mundo que o Caos é o viveiro do Cosmos.

O Nada, o Caos, é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim de todos os mundos que vivem e palpitam no infinito inalterável. No Aitareya Brahma, preciosa e magistral lição do Rig-Veda, fica, de fato, demonstrado até a saciedade a tremenda identidade que há entre essas luminosas idéias de brâmanes e pitagóricos, pois uns e outros se apoiam na matemática. No citado volume hindustânico alude-se com frequência ao fogo negro, à obscura sabedoria abstrata, luz absoluta incondicional e sem nome.

Esta Seidade abstrata é o ZERO-ASTER primitivo dos persas, o Nada saturado de vida, aquilo... aquilo… aquilo… Deus em si mesmo, isto é, o Exército da Voz, o Verbo, a Grande Palavra, morre quando chega o Grande Pralaya, a noite cósmica, para renascer terrivelmente divino na aurora do Mahavântara.

O ZERO ABSOLUTO RADICAL em aritmética transcendente, o espaço abstrato em geometria, a incognoscível Seidade (não se confunda com Deidade que é diferente), não nasce, não morre e nem se reencarna.

Desse modo incognoscível ou zero radical, emana a Mônada Pitagórica ao começar qualquer universo sideral, o Pai-Mãe gnóstico, o Purusha-Prákriti hindu, o Osíris-Ísis egípcio, o Protogonos Dual ou Adam-Kadmon cabalista, o Teos-Chaos da teogonia de Hesíodo, o Ur-Anas ou fogo e água caldeu, o Iod-Heve semítico, o Zero-Ama persa, o Uno-Único, o Aunadad-Ad budista, o Ruach Elohim ou Divino Espírito do Senhor flutuando sobre as águas genesíacas do primeiro instante. /.../[66]

 

A Alquimia é uma ciência completa e única, é impossível entender a menor frase ou gravura da Alquimia fazendo relação com a Ciência, a Filosofia ou a Psicologia comuns.

A Alquimia é efetiva, afetiva, pessoal, intransferível e, mesmo assim, comunicável num alto nível e incompreensível, diferente/mente, em termos de física, química etc. Mas, sim: a Alquimia é racional e compreensível.

Esta origem da palavra que avento aqui é um trabalho meu, assim como a canalização sobre a vida de Hermes no Egito, ou a explicação sobre a origem da linguagem, dos sinais e dos mitos; considere estas investigações desreferencidas como escopo da fiação ficção que fio neste livro, meu filho.

A maioria dos tratados que compulsei considera Al como o artigo árabe, oriundo do fato de que, na Idade Média, a Alquimia começou a florescer com mais liberdade e incentivo no mundo islâmico; chemeia em grego é a fusão (por exemplo, do metal) e chem em egípcio seria usado com a conotação de “terra negra”, aquela do solo fertilizado pelo rio Nilo.

Leiamos algumas teorias:

 

A palavra alquimia é composta pela preposição “al” que é árabe, significando sublime, excelente e de “Química”. Assim, seguindo a força da palavra, a Alquimia é a Química sublime ou Química por excelência.

Enciclopédia de Diderot e D’Alembert, século XVIII.

O nome da alquimia deriva de “Química” e da partícula Árabe “al”. Os orientais tinham há muito o costume de ressaltar a excelência de uma coisa, atribuindo-a à divindade. Assim, Alquimia significa literalmente, “Química de Deus”, pois a palavra “al” significa o Ser Supremo.

James Robert. Dicionário Universal de Medicina. Paris: 1746.

A palavra alquimia na língua árabe significa fogo.

Anônimo. Instrução de um Pai para seu Filho sobre a Árvore Solar, in Theatrum Chemicum Britanicum, Elias Ashmole, 1617.

O autor anônimo de um curioso manuscrito acredita que a palavra alquimia deriva de “als”, que em grego significa sal, e de “chemia” que significa fusão... Outros descobrem sua origem na primeira denominação da terra do Egito, pátria da Arte Sacra, Kemi ou Kimi... Se tivéssemos que dar nossa opinião, diríamos que na cabala fonética significa o que escorre, mana, flui, e indica particularmente o metal fundido, a fusão em si mesma, assim como qualquer trabalho feito de metal fundido, isso seria uma definição breve e sucinta da Alquimia enquanto técnica metalúrgica... Mas sabemos que o nome e a coisa se baseiam na permutação da forma pela luz, fogo ou espírito...

Fulcanelli. As Moradas do Filosofais, 1929.

Não se sabe com exatidão a origem da palavra alquimia. Não parece ter uma raiz bem definida. Marcelin Berthelot (Los orígenes de la alquimia, 1885) sugere que a alquimia poderia derivar de um livro antigo que tinha por título Chema, um texto que ensinava aos humanos as primeiras artes, incluindo a Alquimia. Essa conclusão foi tirada da leitura do livro Imouth (Imhotep, deus egípcio), cujo autor, Zósimo o Panopolitano, é o mais antigo dos alquimistas autênticos conhecidos. O nome Chema se encontra no Egito sob a forma Chemi, título de um tratado citado em um papiro da XIIª dinastia e confiado por um escriba a seu filho (Maspero. Histoire ancienne des peuples de l’Orient). Champollion também a vinculou à chemi egípcia, um termo que os hebreus traduziram por “terra de Cam” (filho de Noé e presumido alquimista). Outra etimologia possível a faz derivar de Quimia, em grego cheuô, fundir, da qual derivariam chymos, química e as palavras congêneres. [67]

 

Assim, a palavra Alquimia, misturando elementos egípcios, gregos e árabes significaria “a arte negra”. Algo assim é quase que uma “versão oficial” do nome; todavia, já escrevi aqui o que penso a respeito.

 (Tabulaa Smaragdina Hermetis

Visita Interiora Terræ Rectificando Invenies Occultum Lapidem Verba Secretorum Hermetis[68])

 

Esse escudo também aparece como uma versão simbólica da Tábua de Esmeralda de Hermes Trismegistos, no livro que traz a interpretação de Hortulano e o aplicação do seu texto ao contexto atual, por Fulcanelli, na obra Finis Gloriae Mundi:

 

Esta Tábua de Esmeralda em linguagem simbólica está publicada como a lâmina 95 do compêndio de alquimia sob o título de Viridarim Chymicum (O Jardim Químico) [69]

 

O qual, por sua vez, a usou citando do livro Figuras secretas dos Rosacruzes dos séculos XVI e XVII, que está nas minhas notas.

Carlos chegou à escola alguns minutos depois de bater a sineta, subiu correndo pelas escadas até à sala dos professores, falando bons-dias a esmo, pegou os diários e foi prà turma daquele horário:

O barraco... E a casa barroca[70].

Os olhares perdidos dos jovens, a pior resistência ao diálogo, sua afasia e apatia interiores, a vontade gigantesca que sentem de não saírem um milímetro do mundinho que a família e a sociedade em volta lhes deram de presente/passado/futuro.

A revolta deles é ler em português literário, normal, coloquial, do século passado, arcaico, latim, português clássico, italiano, espanhol, português brasileiro atual, ou qualquer outra língua, fora a inglesa mais simplificada e fake da mídia. Por que esses sujeitos escrevem tão difíceis. Inglês não nos revolta.

– Prof, quantas línguas o senhor fala?

– Estou estudando inglês. Porque quero conhecer de perto os Estados Úmidos da Armórica.

Alguém ama esses seres, na cama foram feitos, num ato que de alguma forma foi de amor, ou foi amor.

Na cama estava sua geratrix quando os pariu.

Na cama querem ficar deitados, a juventude inteira, conectados aos fios que lhes induzam glicose e imagens, sem parar, pathoindutores; psicoconstrutores; panpathos.

Depois da aula o diretor quer falar com ele.

– Eis aqui o pagamento, professor Carlos.

– Está bem.

– Os alunos têm reclamado muito do senhor. Quero dizer, da sua aula, do seu método.

Qual meu método? Quer saber?

 

Zósimo de Panópolis (Akhmin) escreve por volta do ano 200 de nossa Era a primeira enciclopédia sobre Alquimia em 28 volumes. Anteriormente, na opinião de Holmyard, o livro mais antigo conhecido sobre Alquimia foi escrito no Egito por Bolo Demócrito por volta de 1000 a. C.[71]

 

Ele tem uma receita, de Zósimo o Panopolitano[72] (séc. III e IV d. C.), que traduziu do espanhol e usa para o dia e para noite, tonal e nagual (convido o leitor a lê-la, mais à frente). Ao lado do seu mestre dos sonhos Bolos de Mendes (séc. III a. C.) e dos alfarrábios sábios de seu mestre desperto Fulcanelli.


Zósimo de Panópolis foi um alquimista dos séculos III e IV. Esse personagem nasceu em Panópolis e é considerado um dos primeiros alquimistas da história, além de ser autor de um livro enciclopédico sobre alquimia, que continua sendo o texto mais antigo sobre o assunto. O conteúdo deste livro é a descrição das visões místicas que combinam dogmas constituídos por cristãos e pagãos.

Zósimo forneceu uma das primeiras definições de alquimia como o estudo da “composição das águas, seu movimento, crescimento... de onde os espíritos são extraídos dos corpos e ligados a outros espíritos dentro dos corpos”.

Teve influências herméticas e gnósticas, teve visões que descreviam sua ação sobre os humanos:

• O vaso alquímico da pia batismal e os vapores (e corantes) de mercúrio e enxofre foram usados ​​para purificar as águas do batismo, aperfeiçoando a iniciação gnóstica.

• A imagem hermética da cratera ou tigela é um símbolo da mente divina na qual o iniciado hermético foi “batizado” e purificado no curso de uma ascensão visionária através dos céus e nos reinos transcendentes. /.../[73]

 

Muita gente pensa que esse é o começo da nossa arte no mundo, quando, mesmo na história oficial da literatura ocidental temos Homero[74] (séc. X ou IX a. C.) e Hesíodo[75] (séc. VIII e VII a. C.), e, bem mais explicita/mente ainda, Ovídio (séc. I a. C.) e Apuleio (séc. II d. C.), cujas obras, ainda que literárias, são, sem dúvida, alquímicas (clara/mente também Virgílio, Dante, Camões, Sousândrade, Pessoa, Carlos Pena Filho).

Tirando a questão de dentro dos parêntesis: Carlos Pena Filho[76] era o poeta alquímico do século no Brasil, mas ele morreu aos 31 anos num acidente automobilístico, e sua obra ficou pouco conhecida até então. João Cabral de Melo Neto[77] o conheceu e com ele conviveu, José Ribamar Ferreira Gullar[78] com certeza pelo menos o leu, e tudo que tem de bom nas obras desses dois é uma versão aguada e desmilinguida do grande poeta alquímico Carlos Pena Filho. Ele sim, o poeta da pedra, porque alquimista (não Cabral). Ele sim, o poeta sujo de vida (não Gullar).

Ele, e antes dele, José de Abreu Albano[79].

Lembremos que a obra do poeta romano Publius Ovidius Naso se nomeia justa/mente Metamofoses[80]; enquanto a do romano africano Lucius Apuleius tinha também esse título original (Metamorphoseon libri XI, isto é, As Metamorfoses, em XI livros[81]), tendo sido renomeada posterior/mente como O Asno de Ouro (Asinus Aureus), por Santo Agostinho, que dá o título como sendo esse, não diz que foi ele que o batizou assim, mas sim seu autor; porém, é a começar de sua citação que esse nome aparece, na obra A Cidade de Deus, De Civitate Dei[82].

É fato documentado que o I Ching, o Livro das Mutações sugiu num período anterior à dinastia Chou[83], na China, entre 2000 e 3000 a. C. (o que o faz contemporâneo de Hermes Trismegistos, segundo nossa revelação).

No ano de 1783, o bispo de Claudionópolis, Claude Visdelou, afirma, num comunicado à Congregação dos Cardeais de Propaganda Fide, que o I Ching “foi escrito há quarenta e seis séculos. Se isto é exato, como o afirmam todos os habitantes deste país (China), podemos chamar a este o mais antigo dos livros”[84]. E fica(rá) evidente para quem se proponha a nos ler que o I Ching é uma obra hermética; assim como o Tao-te King; compulsemos deste a poesia XXI:

 

O conteúdo da grande Vida

provém inteiramente do Tao.

O Tao gera todas as coisas

de modo tão caótico, tão obscuro.

Caóticas e obscuras

são as suas imagens.

Obscura e caoticamente,

nele estão as coisas.

Tenebrosa, insondável,

nele está a semente.

Essa semente é totalmente verdadeira.

Nela existe autenticidade.

Desde a Antiguidade até hoje

não se pode prescindir de nomes

para se considerar todas as coisas.

De onde conheço a natureza de todas as coisas?

Justamente a partir da semente.[85]

 

Hermes Grau está escrevendo o seu livro Ergon e Parergon: Autobiografia Alquímica. Preciso estar atento e explicitar logo no início que este trabalho literário relaciona a Arte Hermética com os Arcanos maiores, porque, como o demonstra Mebes nos dois ricos volumes da sua Enciclopédia, a evolução espiritual humana está cifrada nos arcanos menores, os quais ele relaciona com as Sephiroth, enquanto que os maiores, que se relacionam com os caminhos dentro da Árvore da Vida, retratam a experiência humana comum, ligada ao mundo, o que é também espiritual e evolutivo: em outras palavras, sendo mais explícito, os Arcanos menores tratam do Ergon, os Arcanos maiores tratam do Parergon.

Porém, por enquanto, precisa desacelerar bastante, pra poder pegar o bonde da cantilena do dom Parlapatão e responder alguma coisa, a contento, o qual lhe arroja umas tantas moedas à sua frente, como pagamento, pechisbeque[86], ouropel[87], ouro de tolo. Lembra que viveu na Idade Média e seu nome era Hlodowick Karl.

Aí vem-me à mente a oportuna mensagem do gênio Raul Seixas na canção “Ouro de tolo”:

 

Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou o dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros por mês

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar um Corcel 73

Eu devia estar alegre e satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa

Ah! Eu devia estar sorrindo e orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa

Eu devia estar contente
Por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso, abestalhado
Que eu estou decepcionado

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto: E daí?
Eu tenho uma porção
De coisas grandes pra conquistar
E eu não posso ficar aí parado

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Pra ir com a família no Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos

Ah! Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro, jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco

É você olhar no espelho
Se sentir um grandessíssimo idiota
Saber que é humano, ridículo, limitado
Que só usa 10% de sua cabeça animal

E você ainda acredita
Que é um doutor, padre ou policial
Que está contribuindo com sua parte
Para o nosso belo quadro social

Eu é que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada, cheia de dentes
Esperando a morte chegar

Porque longe das cercas embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora dum disco voador[88]

 

SAT20B2 


Eat se[89]

 

Vamos começar pelo arcano O Mago, que é a primeira página da obra de divulgação alquímica de Hermes, o Livro de Toth, o Tarot; liga-se O Mago à primeira letra do alfabeto hebraico, pois há letras representando as forças do multiverso para todos os povos, cada povo tem as suas, nós temos as nossas, os egípcios tinham os seus símbolos derivados das suas três escritas (hieroglífica, hierática e demótica), pelos escribas transmitidos e lidos pelos sacerdotes e pelos estudantes hermetistas, entre os quais o Faraó; nós recebemos muito do ensinamento pela Torah Hebraica e pelos evangelhos dos cristãos.

Por isso podemos saber que o número do Mago é um, e um é o signo secreto do multiverso (um plural). Seu número é um e sua letra é Aleph, a qual representa o Boi, que é força e determinação, e na mitologia grega é o carneiro que inspira o aríete, Áries, o que vem na frente, o que lidera as letras ou signos que lhe seguem. O impulso inicial. O agente da criação e da transformação. O princípio da transmutação. Forças elementais.

O planeta regente do signo de Áries é Marte. Seu elemento é o Fogo. O elemento Fogo em Áries expressa seu caráter ativo, proativo, criativo, procriador, é o Fogo como agente alquímico universal da transmutação.

Lembra daquela frase “quando um alquimista fala de Áries, Touro ou Peixes, ele não faz referência ao seu significado astrológico, mas ao seu simbolismo dentro do procedimento da Grande Obra”?[90]

Pois eu pensei assim: a Alquimia oriental, que se mostra forte na China e se espalha pelo oriente, se alimenta bastante do I Ching, do taoísmo e do horóscopo chinês.

Se alguém quiser aprender a química contemporânea, terá forçosa/mente que aprender também matemática e física.

A proposta desta nossa conversa é mostrar relações entre a Alquimia e o Tarot, mas também com a Kabbalah. Dentro dessa perspectiva, e sabendo o quanto a astrologia é fundamental para o alquimista[91], e dentro do gigantesco e colossal planejamento e realização deste livro (que estou fazendo há décadas), resolvi “improvisar” e dar a contribuição da minha intuição, relacionando ainda os arcanos do Tarot com os signos do zodíaco do horóscopo ocidental, tudo isso dentro da harmonia da Alquimia.

No I Ching, milenar oráculo chinês, o Mago é o hexagrama 1 Qián  O Criativo[92], Céu sobre Céu: O Criativo, que é a síntese do princípio Yang, que se alterna e complementa com Yin, femino: “O CRIATIVO promove sublime sucesso, favorecendo através da perseverança”[93].

O hexagrama O Criativo é formado de dois trigramas Céu, um sobre o outro. Os 64 hexagramas são as combinações possíveis das per/mutações dos 8 trigramas.

Também vejo a relação de O Mago com o  hexagrama 50  Dǐng, Fogo sobre Vento: O Caldeirão, que  é o recipiente da magia, a caldeira da Feiticeira, o cálice do Mago, e o coração daquele que acredita e tem Fé.

As mais conceituadas edições ocidentais do I Ching são aquelas duas realizadas por James Legge e Richard Wilhelm. A mim muito me ensinam e iluminam duas outras traduções, ao lado das citadas.

Uma delas é a do artista plástico e pensador Roberto Campadello, a qual ainda traz o jogo Steps, que é uma forma variante de fazer a consulta ao I Ching, sendo ao mesmo tempo em si próprio um sistema de contemplação, meditação e aprendizado com desenhos-mandalas autotransformáveis, que podem se ajustar e formam imagens, em qualquer posição.

O Steps trazem seis imagens com simbologias cósmicas, que podem se apresentar voltadas para a direita ou para a esquerda, Yin (negativo, pranchas pretas) e Yang (positivo, pranchas brancas), os seis originais aparecem duas vezes (12), e os mesmos seis na Natureza original aparecem duplicados na Natureza reflexa (efeito espelho, ideia que remete ao jogo Persona[94], também criado por Roberto Campadello, no qual duas pessoas veem seus reflexos mesclados numa superfície que fica entre as duas); o que se repete com os originais Yin e Yang, gerando 48 pranchas. O consulente embaralha as pranchas com a face voltada para baixo, sorteia uma e o rota entre o polegar o indicador, colocando-a com a face voltada para cima, sobre a mesa. Repete essa ação seis vezes, formando um hexagrama com duas fileiras de três ladeadas, o qual é lido de baixo para cima, da esquerda para a direita. O resultado será linha forte Yang quando a prancha for branca, linha fraca Yin quando for preta, quando estiver na posição vertical (original, ascendente, como apresento aqui no exemplo) é uma linha mutante, que muda de Yang para Yin ou de Yin para Yang, quando estiver nas posições descedente, entrando ou saindo, a linha não é mutante. As linhas mutantes trazem os oráculos e conselhos e geram o segundo hexagrama, que indica a situação futura, como acontece normal/mente no I Ching, seja nos tradicionais jogo das varetas ou no jogo das moedas[95]. Experi/mente.

Nesta amostra, que está na página 21 do livro I Ching – Steps – O Livro das Mutações – O Jogo da Vida, vemos as seis pranchas Yang com natureza original e na posição ascentente. Se esse fosse o resultado do jogo, seria o Hexagrama 1, com todas as linhas mutantes:

 

Leiamos o que Roberto Campadello escreve quando traduz o comentário do Hexagrama 1:

 

A ligação harmoniosa deste signo com acontecimentos cósmicos dá grande sorte e sucesso. Ação perseverante e justa traz felicidade para o consultante e para o seu próximo.

Cada instante possui em si a totalidade; assim, o nobre sobe nos seis degraus no devido tempo, como se fosse sobre seis dragões, seguindo o caminho do céu.

Este é o itinerário para o conhecimento e realização do sentido universal (lei que rege todas as coisas, provoca todos os fenômenos condicionados pelo tempo, dando-lhes seu início e seu fim).

O tempo não é considerado um impedimento, mas o meio para a realização de todas as potencialidades do possível. Assim, o homem sábio compreende os segredos da criação escondidos no fim e no começo, na morte e na vida, no aparecimento e n o desaparecimento das coisas. Estas polaridades opostas dependem reciprocamente uma da outra. Ele eleva-se, então, sobre a relatividade das coisas caducas (perecíveis), assimila o significado do tempo em termos de degraus que se sucedem ordenamente. /.../[96]

 

Outra tradução que prezo é O Guia do I Ching, de Carol Anthony, a qual consulto pratica/mente cotidiana/mente e que me ensina muito; a mesma autora ainda faz em uma segunda obra um estudo genial e original da teoria: A Filosofia do I Ching[97]: “Permitir que o tempo e o espaço dado sejam o veículo do progresso.O tempo não é parte da essência, o tempo é a essência” (Hexagrama 53 Chien/Desenvolvimento)[98].

Baseado no livro I Ching traduzido por Richard Wilhelm, a Wikipédia traz esse quadro, em que apresenta as características dos trigramas e seus atribuitos (Pinyin é a escrita das palavras chinesas com letras latinas):

 

Trigrama

Ideograma

Pinyin

Imagem natural

Qualidades

Outras imagens

Trigramme qián du Yi Jing

qián

o Céu

Criatividade, força,
iniciativa

O Criativo, o cavalo (bom, velho, magro, selvagem), o pai, a cabeça, o redondo, o príncipe, o jade, o metal, o frio glacial, o vermelho escuro, um fruto...

Trigramme kūn du Yi Jing

kūn

A Terra

Disponibilidade, adaptabilidade,
referência, senhor de si

O receptivo, o búfalo, a mãe, o ventre, um tecido, um caldeirão, a economia, a igualdade, o velho com o búfalo, um grande carro, a multidão, o tronco, o sol negro entre os outros...

Trigramme zhèn du Yi Jing

zhèn

O Trovão

Impulsão, mudança de rota

O Incitar, o dragão, o 1º filho, o pé, o amarelo escuro, uma grande rua, uma cana ou um junco...

Trigramme kǎn du Yi Jing

kǎn

A Água

Profundidade, resiliência

O Insondável, o porco, o 2º filho, a orelha, covas, armadilhas, o arco e a flecha, o sangue, o vermelho, a lua, a madeira firme com muitas marcas...

Trigramme gèn du Yi Jing

gèn

A Montanha

Rigor, coesão,
calma, solidez

A Imobilidade, o cão, o filho mais jovem (3º), o caminho tortuoso, as pedras, as portas, os frutos, as sementes, a madeira firme e nova...

Trigramme xùn du Yi Jing

xùn

O Vento,
A Madeira

Penetração, submissão,
interiorização

A Suavidade, o galo, a 1ª filha, as coxas, o corvo, o trabalho, o branco, o longo, o alto, o indeciso...

Trigramme lí du Yi Jing

O Fogo

Clareza, lucidez,
vivacidade

O Aderir, a fênix, a 2ª filha, o olho, o brilhante, o escudo e a armadura, a lança e os braços, a seca, a tartaruga, o caranguejo, o escargot, a árvore ressecada no alto...

Trigramme duì du Yi Jing

duì

O Lago

Expressividade e comunicativo,
alegria, vivacidade

A Alegria, o carneiro, a filha mais jovem (3ª), a boca (e a língua), a feiticeira, espedaçar, a vizinha, o sol...

 

O trabalho é dia e noite, de dia dá aulas e quando tem tempo lê e escreve, à noite relê e relê, estuda, vê filmes e vídeos, faz as experiências e escreve.

A casa da Ilha é enorme, e fica no alto de uma escadaria.

Tem um porão embaixo da casa, mas bem acima da rua, quase no alto dos degraus que ligam o portão à porta da frente. Nele instalou o seu Laboratório.

Nas aulas usa a figura da espiral para ilustrar o modo de pensar, ser e sentir barroco, cada um dos dois lados a cada vez é desejado com mais força: ele quer a santidade, mas quer mais ainda o pecado, mas quer com mais força a santidade... indefinida/mente. Como a curva de uma espiral, que vai crescendo, e, sempre que retorna àquela área, o faz mais ampla/mente e com mais intensidade.

Enquanto caminha pela sua amada Ilha, lembra daquele ano em que escreveu e montou com os adolescentes a peça de teatro hermética intitulada O Mistério da Casa da Fonte de Águas Vivas[99], trabalho de autor e encenador que ele assinava com o nome Lucas Vivacqua.

Pois seu trabalho é o magistério. Ergon e parergon.

Dá aulas de dia. E faz a Alquimia, dia e noite.

Mesmo quando está dormindo.

Há décadas. E cada paço da obra retorna infinitas vezes, sempre com mais forte intensidade.

Faz parte.

Frater Albertus diz que a Alquimia é “o aumento das vibrações”[100].

Seu aprendizado começou na adolescência, com dois acontecimentos.

Um foi escutar no rádio a música feita e gravada por Jorge Ben: “Hermes Trismegistos e sua Celeste Tábua de Esmeralda”[101], quando entrou em transe, ficando impressionado por várias horas, sentindo-se como se tivesse alcançado o âmago do universo, o alfa e o ômega, como se fosse um mago. Compreendeu num átimo a criação e a natureza das coisas.

Por isso adotou nos seus escritos o nome do seu mestre máximo.

A outra dica foi uma colega do grupinho de teatro, também na mesma idade, que lhe indicou O Tesouro dos Alquimistas, de Jacques Sadoul[102], e ficou uma tarde falando sobre as coisas desses loucos que diziam que transformavam chumbo em ouro.

O aprendizado começou em duas frentes, nas leituras consuetudinárias, e nos sonhos: nagual e tonal[103].

Ao longo do tempo descobriu que aquele mesmo mestre antigo que lhe ensinava e apresentava tantas maravilhas se chama Bolos de Mendes.

Foi engraçado o sonho que tive em que me eram por pessoas estranhas mas maravilhosas oferecidos apreciáveis bolinhos doces e salgados, e eu os comia com prazer, e quanto mais comia meu ser mais se iluminava e minha consciência crescia.

Foi quando conheci aquele que mos ofertava, e que os fizera ele mesmo, e que me disse em bom português-brasileiro que seu nome é Bolos de Mendes.

Também há vários sonhos em que encontro um livro transmutador, em muitos ambientes e com variadas histórias, e quando abro o livro vejo que ele é revelador e me transforma.

(Quanto mais eu estudo e pratico Alquimia, mais os sonhos são verdadeiras aulas alquímicas. Hoje sonhei com o livro que comprei e li, mas na minha visão ele se revelou em muitas outras potencialidades, como se um livro normal tivesse duas, e esse do sonho as tivesse várias.)

Houve mesmo um em que havia uma passagem secreta e muito difícil por trás da minha casa, uma que as pessoas não viam, e que era trabalhosa porque muito estreita e precisava escalar com grande dificuldade, passar por perigos e malfeitores, até chegar num cômodo oculto a todos, onde havia milhares dos livros mágicos, reveladores, transmutadores.

É preciso escolher uma letra, um mestre, um atanor, um fogo, um ovo e uma só matéria.

Nesse tempo eu morava na Ilha e me chamava Carlos; foi quando, em 1999, o velho homem se transmutou, e foi gestado nesse ovo esse novo ser que eu sou, durante o ano 2000, e que no ano de 2001 nasceu.

No artigo “Who really wrote Shakespeare?”, com autoria de Robert McCrum, podemos ler:

 

Tudo o que sabemos com certeza é que Shaxpere, Shaxberd ou Shakespear nasceu em Stratford em 1564, que ele era um ator cujo nome está impresso, com os nomes de seus colegas atores, na edição completa de suas peças em 1623. Sabemos que ele se casou com Anne Hathaway e morreu em 1616, segundo a lenda, em seu aniversário, no dia de São Jorge. O chamado caso “Stratfordiano” para Shakespeare se baseia nesses e em alguns outros fatos, mas basicamente é isso.

Nesse vácuo, uma fraternidade bizarra, incluindo Mark Twain, Charlie Chaplin, Orson Welles e Sigmund Freud, projetou um “Shakespeare” escrito por um escritor mais obviamente talentoso: Edward de Vere (o 17º conde de Oxford), Sir Francis Bacon e o dramaturgo Christopher Marlowe, para citar os principais candidatos, em um campo que também inclui Sir Walter Raleigh, John Donne e até mesmo Elizabeth, a própria Rainha Virgem.[104]

 

Neste mesmo site, podemos ainda ver uma pintura anônima, realizada cerca de 1610, e que se supõe que seja o único retrato autêntico de William Shakespeare:

 

Nesta obra, eu que comprei e leio e releio a Opera Omnia do Adepto William Shakespeare, ele mesmo – que tolice tentar achar um nobre ou então alguém mais culto para ser o “verdadeiro” autor das suas obras, o pedigree do gênio é o espírito – em inglês e português[105], vou-me aliar à sua Alquímia poética:

 

Sonnet 8

 

Music to hear, why hear’st thou music sadly?
Sweets with sweets war not, joy delights in joy.
Why lov’st thou that which thou receiv’st not gladly,
Or else receiv’st with pleasure thine annoy?
If the true concord of well-tuned sounds,
By unions married, do offend thine ear,
They do but sweetly chide thee, who confounds
In singleness the parts that thou shouldst bear.
Mark how one string, sweet husband to another,
Strikes each in each by mutual ordering,
Resembling sire and child and happy mother
Who all in one, one pleasing note do sing:
    Whose speechless song, being many, seeming one,
    Sings this to thee: ‘Thou single wilt prove none’.

 

Soneto 8

 

Se a música é pra ouvir, então... por que a ouves triste?

Doces não se combatem, e a alegria se deleita com a alegria.

Por que tu amas aquilo que te desagrada,

Ou então recebes com prazer o que só te aborrece?

Se os sons harmônicos, no mesmo tom afinados

E bem unidos, ofendem teus ouvidos,

Docemente eles te repreendem, pois confundes (captas)

Como partes discretas o que em conjunto tu suportarias.

Repara como as cordas, casadas, cônjuge uma da outra,

Se tocam e vibram juntas, em uma grande harmonia,

Como se fossem família, pai e filho e mãe felizes,

Tocando em uníssono a agradável melodia:

Cuja música sem letra, que parece uma e é várias,

Cantando para ti fala que: “Tu, sozinho, nada provas”.

 

A relação que a matemática tem com a música e a astronomia, sendo estas duas consideradas como casos particulares daquela, no pensamento clássico grego, tem na teoria de Pitágoras um forte começo, ainda que não seja o único. Pitágoras e, depois, Platão, viajaram pelo Egito, os egípcios e os hebreus aprenderam com os assírios, e tem muita gente boa que diz que tudo isso começou na Atlântida, que alguns afirmam que era logo aqui, na América. Não se trata de tudo ser números. O pitagorismo ensina que o mundo nos seus aspectos material e espiritual é um grande campo harmônico, de vibrações que, sim, cada uma é expressa em um número, assim como cada um emite um som, e essa música das esferas é a matéria e a alma do Mundo.

Shakespeare, nessa síntese/so/net, nesse soneto tão líquido, fala do ar e da ígnea vibração do som, que se concretiza em energia e matéria, e que vem do fogo astral, e que se dá a nós como presente, para podermos fruir dessa harmonia, se pudermos ouvir como integrantes da harmonia cada som que alguém se ilude que soa distinto: “Tocando em uníssono a agradável melodia”.

Numa teoria/poesia dupla que fiz no dia internacional da poesia deste ano, eu homenageio e aponto um ponto fraco de Shakespeare, simultanea/mente, contrabalançando com a obra de Lao Tse. Isso também para mostrar que, numa visão hermética, ou até mesmo na hermenêutica e na crítica, não se podem fazer panelinhas e clubinhos dos amigos dos amigos, e fazer crítica não se trata (como crê um certo/errado senso comum em nosso país) “falar mal”:

 

21 de março

 

Cada dia é um dia

Mas sempre é especial

Hoje é o dia da poesia

E é também o nosso dia

Faça chuva e faça sol

 

3 yugas

 

Quando fui Shakespeare

Era puro barroco

Escrevia demais

O eu-William fala sem parar

Igual aos boçais

Aos papagaios às maritacas

Às caturritas e às araras

 

Quando fui Lao Tse

Era preciso exato

A minha poesia sendo Filosofia

O puro pulo do fato

Hoje sou eu mesmo um duplo triplo

Dos poetas do infinito

Que continuo sendo[106]

 

Eliane Colchete me fala:

– Também no uso pós-moderno do conceito hermético, Shakespeare (e o barroco) é hermético, porque o sentido desse termo é o investimento no significante, na escrita, ao contrário do Classicismo, que investe no significado, ou seja, na concisão, na simplicidade; mas, na época do modernismo, é o oposto: os críticos chamam hermético àquilo que é como um código, que é formalista, ou seja, não sendo algo necessariamente prolixo, centrado na proliferação do signo.

Quanto ao que comentei como a visão pitagórica de Shakespeare, de que a geometria da música pode ser virtualizada em todo universo, Robert Lawlor aduz:

 

O enfoque da moderna teoria dos campos de forças e da mecânica das ondas corresponde à antiga visão geométrica-harmônica da ordem universal como configuração de esquemas de ondas entrelaçadas. Bertrand Russell, que vislumbrou o profundo valor da base musical e geométrica do que hoje conhecemos como matemáticas pitagóricas e teoria numérica, também sustentava essa opinião em sua Análise da Matéria: “O que percebemos como diferentes qualidades de matéria — dizia — são na realidade diferenças na sua periodicidade”.

Na biologia, o papel fundamental da geometria e da proporção torna-se ainda mais evidente se considerarmos que minuto a minuto, ano após ano e eon depois de eon, cada átomo de cada molécula, tanto das substâncias vivas, como das inorgânicas, está mudando e é substituído por outro. Cada um de nós, daqui a cinco ou sete anos, terá um corpo totalmente novo, do primeiro ao último átomo. Perante mudança tão constante, onde podemos encontrar o fundamento de tudo aquilo que parece ser constante e estável? Biologicamente, podemos recorrer a nossas idéias sobre os códigos genéticos como veículos de reprodução e continuidade, mas esta codificação não reside nos átomos concretos (isto é, no carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio) que compõem a substância dos genes, o DNA; estes também estão sujeitos a uma contínua mudança e substituição. Portanto, o veículo da continuidade não é apenas a composição molecular do DNA, mas também sua forma helicoidal. Esta forma é responsável pelo poder reprodutor do DNA. A hélice, que é um tipo especial do grupo das espirais regulares, é o resultado de uma série de proporções geométricas fixas, como veremos detalhadamente mais adiante. Pode entender-se que tais proporções existem a priori, sem nenhum equivalente material, como relações geométricas abstratas. A arquitetura da existência corporal é determinada por um mundo invisível e imaterial de formas puras e geométricas.

A biologia moderna reconhece cada vez mais a importância da forma e a concatenação entre as poucas substâncias que compõem o corpo molecular dos organismos vivos. As plantas, por exemplo, podem levar a cabo o processo da fotossíntese graças somente ao fato do carbono, o hidrogênio, o nitrogênio e o magnésio das moléculas da clorofila estarem dispostos num complexo desenho simétrico de doze arestas, parecido com uma margarida. Ao que parece, estes mesmos componentes numa disposição diferente não podem transformar a energia das radiações de luz em substância viva. No pensamento mitológico, o doze aparece com freqüência como número da mãe universal da vida, e assim este símbolo de doze partes é necessário inclusive ao nível das moléculas.[107]

 

Amo tanto a Grande Arte, que, quando uma poesia, um romance, uma pintura, uma música ou uma dança me encantam, eu vejo com certeza ali a Alquimia. Ponho umas pinceladas aqui propondo que é Hermético o d’Álbion bardo, sendo que a verdade é que eu defenderia com igual empenho que Kafka é Adepto, inclusive tendo escrito seu sombrio romance A Metamorfose, alquímico sim, mas não só pelo título, por muito mais que isso, e assim também em relação a Tchaikovsky, a emoção que cada peça dele me causa é profunda/mente alquímica.

Podemos explicitar seu hermetismo, ao ouvir a suíte O Quebra-nozes, mesmo sabendo que Piotri Ilitch Tchaikovsky se baseou na versão adocicada reescrita por Alexandre Dumas, que a adaptou do original, sempre o que temos ali é um dos cósmicos e assombrosos contos de Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann, esse gênio metafísico[108].

Abhay Charanaravinda Bhaktivedanta Swami Prabhupada, que converteu multidões à Bhakti Yoga Vaishnava, era químico.

Isaac Asimov era bioquímico, além de maravilhoso escritor de ficção científica (e polígrafo, que escrevia sobre as ciências e outras matérias).

Aleksandr Borodin era químico.

Sherkock Holmes era químico, mesmo amador, por amor ao seu ofício investigativo, porém, mais competente que muitos formados, e seu criador, Arthur Ignatius Conan Doyle, médico, assim como seu amigo John Watson, o qual, ao conhecer Sherlock, sobre ele afirma (mesmo que seja brincadeira, chiste, sonho, ficção, é aí que explode a lava do vulcão, como já nos ensinou Sigismund Schlomo Freud):

 

Suas mãos estavam sempre manchadas de tinta e de produtos químicos, mas mostravam uma extraordinária delicadeza de toque, como tive ocasião de observar várias vezes, enquanto ele manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista.[109]

 

Otto Penzler organizou e publicou em 2015 o livro The Big Book of Sherlock Holmes: Stories, que, ao ser traduzido para o português do Brasil ganhou como título As Novas Aventuras de Sherlock Holmes, que reúne dezenas de contos feitos por muitos escritores, que recriam, cada um a seu modo, o detetive inglês. Trata-se de uma obra em dois volumes, sendo que o primeiro traz uma história do autor Neil Richard MacKinnon Gaiman que mostra Sherlock como uma espécie de alquimista[110].

Igne Natura Renovatur Integra

A Natureza Inteira se Renova pelo Fogo (Latim).

Ignem Natura Regenerando Integrat

A Natureza Purifica o Fogo Regenerando-o (Latim).

Igne Nitrum Roris Invenitur

O Sal do Orvalho é Extraído pelo Fogo (Latim).

Iam, Nour, Ruach, Iabeshah

Água, Fogo, Ar, Terra (Hebraico).

Isis Naturae Regina Ineffabilis

Ísis a Rainha Inefável da Natureza (Latim).

Aquele alquimista que alertou Jacques Bergier sobre o tremendo perigo da forma invertida e pervertida como a ciência do século XX estava se aproximando de alguns segredos alquímicos, e que o próprio Bergier considera ser Fulcanelli, sendo que o terceiro livro deste, Finis Gloriæ Mundi, que eu aceito, também o declara, que é real/mente ele esse pergonsagem que se encontrou com Bergier, e este livro trata da mesma problemática; ele, nessa conversa, assim fala sobre a Arte:

 

“Não é possível ensinar alquimia. Todas as grandes obras literárias que resistiram aos séculos têm qualquer coisa desse ensinamento. /.../”[111]

 

– Voltando ao nosso filósofo, que é um dos condutores do estudo que realizamos, podemos ler, no seu diálogo Eutidemo, que Platão relaciona a Filosofia com a Alquimia (e ainda coloca a questão da Alquimia ética):

 

“Ora, essa busca de sabedoria é uma aquisição de conhecimento, não é?”

“Sim”, ele disse.

“Bem, que tipo de conhecimento adquiriremos na hipótese de o adquirirmos corretamente? Não é absolutamente claro que deve ser aquele conhecimento que nos trará benefício?”

“Certamente”, ele disse.

“E nos beneficiaria de algum modo sabermos como caminhar e descobrir onde se encontram sob a terra as maiores jazidas de ouro?”

“Provavelmente”, ele disse.

“Mas, no entanto”, prossegui, “refutamos essa primeira proposição, concordando que mesmo que sem qualquer problema ou [necessidade de] cavar a terra, obtivéssemos todo o ouro do mundo, não teríamos benefício algum – de modo algum, nem mesmo se soubéssemos como transformar pedras em ouro, não sendo esse conhecimento de nenhum valor. De fato, a menos que soubéssemos como utilizar o ouro, não encontraríamos nenhuma vantagem nele. Não te lembras disso?”, perguntei.

“Decerto que me lembro”, ele disse.

“Tampouco parece haver qualquer valor em qualquer outra forma de conhecimento, seja o do ganho de dinheiro, o da medicina ou qualquer outro que possibilite a produção de coisas, a não ser que se saiba como utilizar as coisas produzidas. Não é assim?”

Ele concordou.

“E nem sequer se houvesse um conhecimento que capacitasse alguém a tornar os seres humanos imortais, nem isso – na falta de nosso conhecimento de como usar a imortalidade – pareceria trazer qualquer proveito, se é que nos cabe inferir alguma coisa dos pontos que já estabelecemos.”

Concordamos em tudo isso.

“Então o tipo de conhecimento de que necessitamos, belo jovem”, eu disse, “é aquele no qual estejam combinados o produzir e o conhecer como usar a coisa produzida.”

“É o que parece”, ele disse.[112]

 

Helena Petrovna Blavatsky afirma categorica/mente na obra A Doutrina Secreta que Platão era um inicidado[113].

A mesma teoria é abraçada por Norberto de Paula Lima, que relacina a cosmologia apresentada no Timeu com a gravura, que ele mesmo anota e à qual faz o seguinte comentário (as correspondências que aponta com o corpo sutil também se fazem na árvore da vida, como mostra mais adiante):

 

Nesta alegoria alquímica do séc. XVII vemos refletida a cosmogonia hermética da mesma forma que descrita por Platão. A esfera da alma do mundo, na criação de “segunda ordem” que é o quaternário, o nosso mundo, é gerada pelo cisne, símbolo da alma do ternário, a ordem do universo imediatamente superior à nossa. Neste mesmo esquema, à esquerda, vemos a correspondência com a fisiologia do corpo sutil, segundo a ioga. O eixo central, onde indicamos a “entropia descrescente”, é o “canal central” da ioga. O homem e a mulher, na parte superior da esfera da Alma do Quaternário, são os canais laterais da medula (a respiração lunar e a solar).[114]

 

É legal compreender o filósofo que considero mais injustiçado e deturpado da história, com esse negócio de arquétipos e ideias fixas, que lhe foram atribuídas.

Entenda: o pensamento é a forma na qual o ser brota. Isso é notório, só o ser humano, às vezes, finge que não vê. O resto é cinema. Como quando Bergson pensa que a “matéria é um conjunto de imagens”. A máquina cinematográfica projetora é o pensamento. A usina geradora da energia e da matéria é o pensamento. A fonte da pluralidade pluvial e solar das realidades é o pensamento.

Você tem uma ideia, ela se torna geração das imagens, das linguagens, das ações, das produções e dos seres. Nesse sentido, intempestivo, ela é modelar: ela projeta o real daquele ponto específico, naquele momento. Mas, ao mesmo tempo, por ser o pensamento, que é eterno devir, que é o fogo que não para de se mexer, se transmutar, ela não é um “arquétipo” ou ideia imutável, mas sim uma produção incessante das diferenças no pensar.

Bem-vinda, prezada leitora; bem-vindo, preclaro leitor.

Eu possuo vários verônimos: Carlos Fontana, Quico, Profeta, Poeta, Lucas Vivacqua, Luis Carlos de Morais Junior e Lui Morais.

Mas o meu nome mais real é Hermes Grau.

Este livro é sobre a Alquimia e o Tarot.

E o que é o Tarot?

A essas perguntas nem Polifemo nem ninguém conseguiria responder.

 

/.../ Pode ter vindo da palavra latina rota (roda), que é um anagrama de tarô /.../ A palavra egípcia Ta-rosh significa “o caminho real”, e de modo semelhante foi sugerido que tarô é uma palavra derivada do nome do deus da escrita e da magia, Thoth. Alguns estudiosos que atribuem ao Tarô uma origem hebraica acreditam que a palavra seja uma corruptela de Torah, o livro da lei. Na abordagem mais exotérica, tar é a palavra cigana que designa o baralho de cartas.[115]

 

O Tarot é um dos noventa e oito livros escritos por Hermes Trismegistos (Thoth), um livro feito de imagens e símbolos sobre lâminas soltas, isto é, tabuletas, tabuinhas.

 

O Mago caminha na direção do Mundo, detendo-se em cada lâmina, absorvendo aí as forças específicas de cada uma delas.[116]

 

No Tarot tudo começa com a carta do Mago.

O Mago é a visão mais nobre e perfeccionada do homem e da mulher que está lendo o livro Tarot, consultando o Baralho divinatório, vislumbrando as suas figuras.

A obra aberta e dinâmica, o Tarot é o Livro das mutações do ocidente (bem como o I Ching é do oriente).

O funda/mental místico russo Mebes G. O. Mebes (Gregory Ottonovich Mëbes, Григорий Оттонович Мёбес, 1868 (Riga, Letônia) – 1930 (Ust-Susolsk, Rússia)) nos ensina, no seu Курс Энциклопедии Оккультизма (literal/mente: Enciclopédia do Curso de Ocultismo), traduzido aqui como Os Arcanos Maiores do Tarô:

 

A nós chegou o grandioso monumento do simbolismo das escolas egípcias em que os três tipos de apresentações simbólicas /simbolismo das cores, dos quadros e figuras geométricas e dos números/ se juntam em um baralho, mais conhecido como “TARÔ DOS BOÊMIOS” e composto de 78 cartas coloridas. Estas cartas representam os chamados ARCANOS. Constam de 22 Arcanos Maiores e 56 Arcanos Menores.

A cada carta, de um ou outro modo, corresponde um valor numérico. De acordo com a tradição, essas figuras eram colocadas nas paredes de galerias subterrâneas, onde o neófito penetrava após ter passado por uma série completa de provas. O Tarô é considerado um esquema da cosmovisão dos Iniciados da antiguidade.

É certo que cada povo tem sua própria visão do mundo expressa pelo seu idioma. Se ele faz uso da escrita, os elementos da linguagem são também apresentados no alfabeto.

Consequentemente, o Tarô pode ser considerado como um alfabeto iniciático. As cartas-lâminas representam as letras desse alfabeto.

Os detalhes das lâminas e os matizes de suas cores constituem

comentários complementares a essas letras.

Os 22 Arcanos Maiores correspondem aos 22 hieróglifos do alfabeto hebraico. A cada letra desse alfabeto é atribuído um valor numérico definido e é nessa ordem numérica que vamos analisar os Arcanos, tendo em mente a divisa da raça branca: “Tudo por número, medida e peso”.[117]

 

Cada carta traz um número.

Depois do que Lao Tse, Plotino e Éliphas Lévi já falaram sobre o um, o que mais seria preciso dizer?

 

A energia criadora expressa pelo número um indica que, aqui, todos os requisitos necessários à concretização de objetivos estão presentes. A mensagem essencial do Mago é que é preciso “acreditar” nos próprios talentos para empreender as ações que se querem realizar.
Quando esta fé está presente, abrem-se para o ser humano infinitas possibilidades e ele se torna, simbolicamente, o mago que domina o poder de “manipular as ilusões” e trazer à tona todo o seu potencial mental, emocional, físico e intuitivo. Em seu aspecto negativo traz a recusa em utilizar os talentos para o próprio crescimento e evolução.[118]

 

O Mago é o fundamento do Tarot.

O Mago é o Alquimista que vai começar a sua viagem pelas 22 esferas. E isso é bem Real.

Hermes é o fundamento da Obra Alquímica.

O nosso fundamento é a nossa essência:

Sermos fiéis a nós mesmos é o meio da saúde e da evolução.

Ao longo desta obra, o prezado leitor lê a respeito da minha tese de que William Shakespeare é um autor hermético, ele também. E a base do aprendizado sendo este conselho genial que ele nos dá:

 

This above all, – to thine own self be true;

(E isso acima de tudo, – sê fiel a ti mesmo;)[119]

 

O Mago se relaciona com a letra Áleph pelo significado, pela simbologia, pela fase inicial, pela numerologia e até pela forma, como o demonstra Éliphas Lévi.[120]

A relação dos 22 Arcanos maiores com as letras hebraicas começando pelo Áleph é a que adota Mebes, também.

Ao centro da pintura A Escola de Atenas (1510), de Rafael Sanzio, Platão é representado apontado para o céu e segurando na mão o seu livro Timeu, enquanto Aristóteles aponta para a terra e traz consigo a sua obra Ética; na China Antiga, Lao Tse aponta para o Tao (alto), enquanto Confúcio mostra o mundo ético, social e humano; vemos na imagem do Mago do Tarot que ele aponta concomitante/mente para cima e para baixo: solve e coagula.

Sulfur fixum est Sol.

 

 


 

Capítulo 2: A Sacerdotisa ב

 

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ

bereshit bara Elohim et hashamaim ve et ha aretz

No princípio criou Deus os céus e a terra.

(Gênesis 1:1)[121]

 

Enxofre é o fixador, é masculino, Mercúrio é o mutável, o feminino.

O signo do alfabeto hebraico que corresponde ao Arcano 2: A Sacerdotisa é a letra Beit que significa casa, e traz ainda os significados de recipiente e bênção.

É a primeira letra da Torah, da palavra bereshit, que corresponde ao português “no princípio”.

O segundo hexagrama do I Ching é Kūn O Receptivo, Terra sobre Terra, que Legge traduz também como “Apoiando-se na firmeza”[122], e cujos dois trigramas que representam a terra formam seis linhas abertas:

 

A linha aberta representa o poder primordial obscuro, maleável e receptivo de Yin. O atributo do hexagrama é a devoção e sua imagem, a terra. É o perfeito complemento do Criativo, a contraparte, não seu oposto, pois o Receptivo não combate o Criativo, mas o completa.[123]

 

Também se liga com A Sacerdotisa o hexagrama 53 Jiàn, Vento sobre Montanha: O Desenvolvimento.

A carta da Sacerdotisa apresenta uma postura tranquila, receptiva, mas não passiva, pois no seu olhar compreensivo, na sua atitude meiga e aceptiva, sustentando o livro que é o saber, e ao mesmo tempo sendo alimentada por ele, traz a visão de uma grande atividade e, principal/mente, de uma enorme possibilidade de poder e criação.

Entre os signos astrológicos, o arcano 2 relaciona-se com o signo de Touro, que mostra o lado forte e construtivo do ser feminino, com sua valorização da matéria (esta palavra em Latim e nas línguas neolatinas vem do étimo mater, que significa mãe), a excelência das relações pessoais, a calma, o sentimento e o alimento, corporal e espiritual. Seu planeta regente é Vênus, seu elemento é Terra. Neste signo, a Terra mostra a sua face produtora, germinativa, é o campo cultivado e os recursos naturais, o alimento para o corpo e para o espírito. Os taurinos se dedicam com total amor ao cuidado e à alimentação.

Esse é o segredo da matéria e do Elixir Alquímico, o Pharmacus Catholicus, a Panaceia.

No “Prefácio do autor ao leitor”, de sua Physica Subterranea Profundam Subterraneorum Genesis, Beccher afirma:

 

O estudo da Química, cujos enamorados se chamam Alquimistas; para quem nada é mais aceitável, nada mais doce e nada mais glorioso, se o mundo considera sua situação deprimente, eles não o ouvem, não procuram dinheiro nem fama, pálidos, lidando com venenos (subtâncias perigosas), sempre procurando, sem ter nada, e somente por chegar perto de algum resultado, isso lhes é suficiente, e vale mais que todas as outras grandes coisas.

(Chimiae studium, ejusquem amatores Alchimistas vocant; quibus nihil acceptius, nihil dulcius, suavius nihil & gloriosus, quam si extreme sordant, male mundo audiant, pecuniam cum fama profundant, venenis palleant, madeant, semper quaerant, nihil habeant, omnes interea commenes sensos perdant, plane juxta illud sat erit: ac hoc sat non parum sed multum est, in magnis semper voluisse.)[124]

A frase é esta no original, e tem sido muito reproduzida, apresentada assim: “Os químicos são uma estranha classe de mortais, impelidos por um impulso quase insano a procurar seus prazeres em meio a fumaça e vapor, fuligem e chamas, venenos e pobreza, e, no entanto, entre todos esses males, tenho a impressão de viver tão agradavelmente que preferiria morrer a trocar de lugar com o rei da Pérsia”, através do inglês: “The chemists are a strange class of mortals, impelled by an almost insane impulse to seek their pleasures amid smoke and vapour, soot and flame, poisons and poverty; yet among all these evils I seem to live so sweetly that may I die if I were to change places with the Persian king”. Citado em The Chemistry Leaflet (1935), 9, 490, que também comenta que estava pendurado como uma inscrição “nas paredes da biblioteca do Clube dos Químicos em Nova York”[125].

Esta afirmação de Johann Joachim Beccher vale sim para o Químico, mas vale ainda mais, a fortiori, para o Alquimista. Encontrei Physica Subterranea (1667) na internet so/mente na versão original, em latim, escaneada. É surpreendente que não se tenham feito traduções e edições contemporâneas de uma obra alquímica tão relevante.

Johann Joachim Beccher nasceu em 1635, na cidade de Speyer, que hoje fica na Alemanha, localizada no estado da Renânia-Palatinado, e que, na época, fazia parte do Sacro Império Romano Germânico. Ele foi um médico e alquimista, e é considerado um dos precursores da Química. Além do livro citado, escreveu: Chymiches Laboratorium (latim: Laboratório de Química, 1680), Chymischer Glückshafen oder grosse chymische Concordantz und Collection von 1500 chymischen Processen (alemão: Porto Químico da Fortuna ou Grande Concordância Química e Coleção de 1500 Processos Químicos, 1682) e Tripus Hermetica, pandens Oracula Chymica (latim: A Viagem Hermética, Abrindo o Oráculo da Química, 1689).

O nome dele é Beccher em alemão, sua língua materna, mas os filósofos e estudiosos da natureza, durante a Idade Média e a Renascença, quase sempre escreveram suas obras em latim, a língua internacional da cultura do tempo, o que permitia que sábios de todos os países ocidentais (e, às vezes, orientais também) pudessem ler seus tratados; eles também latinizavam o nome, que ficou Beccherus, que aparece declinado no caso genitivo da segunda declinação singular nessa folha de rosto da sua obra.

Veja nesta citação da Wikipedia algumas das coisas impressionantes que Beccher fez:

 

Na economia, devem-se-lhe diversos empreendimentos, considerado um dos criadores da Tecnologia Química, ativo principalmente em Viena e na Baviera. De certa forma uma atividade econômica é a proposta que Becher fez ao governo da Baviera de criar uma “Companhia das Índias Ocidentais”, filiada à Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, para colonizar terras herdadas pelo Conde de Hanau na América do Sul. A ideia não saiu do papel, embora a atividade colonizadora por parte de pequenos países do século XVII tenha existido.

Elaborou em 1661 para o arcebispo-eleitor de Mainz (que ofereceu alta recompensa, nunca paga) um “idioma universal” com dez mil palavras, talvez o mais remoto antecessor do esperanto.

. Em 1669, descobriu o gás eteno (Etileno), pela desidratação do álcool em meio ácido e a quente. No mesmo experimento, observou e isolou em grandes quantidades, um subproduto: era o Éter etílico (Éter sulfúrico ou simplesmente Éter, o Éter comum), substância já conhecida desde os tempos dos Alquimistas Árabes e Bizantinos e hoje usada extensamente como solvente e preparada industrialmente basicamente pelo mesmo processo, porém, variando o ácido usado na desidratação. Becher usou Ácido sulfúrico, enquanto a indústria usa Alumina ácida.

. Atribuiu-se a Becher a descoberta em 1665 do alcatrão de hulha, mais tarde uma pedra basilar da Química Orgânica.

. Descobriu a possibilidade de obtenção de álcool a partir de batatas (Becher introduziu a batata na Alemanha, como alternativa de alimentação para os menos favorecidos).

. Descobriu que a fermentação necessita de “substâncias doces”.

. Em sua obra máxima, Physica subterranea, foi um dos primeiros, senão o primeiro, a intuir que o interior da Terra é formado por um Magma incandescente.

Sua obra fundamental é a sua proposta para uma teoria unificadora da Química, baseada nas suas teorias sobre combustão, expressas em Physica subterranea, onde Becher destaca grandes temas da “filosofia química”:

. a interpretação alquímica da Criação;

. a identificação da Criação com um processo cíclico; e

. a ideia do surgimento espontâneo da vida vegetal e animal (ideias já analisadas por Paracelso).

Na sua teoria da matéria, as substâncias são constituídas por ar, água e terra, dividindo a última em três categorias: Terra Vitrificável (sal); Terra Mercurial (mercúrio) e Terra Combustível (enxofre = terra pinguis).

De certa forma Becher parte do conceito paracelsiano dos tria prima, porém admite que esse conceito não se sustenta diante dos fatos empíricos observados; e com relação a esses fatos verificou que a maioria das substâncias que queimam não contêm enxofre, substituindo-o então pela terra pinguis, como principio da inflamabilidade. Portanto, a proposta desta terra pinguis derivou-se de uma dedução tirada de fatos empíricos, e para Becher a terra pinguis, que ele chamou mais tarde de flogístico ( do grego, significando “inflamar-se”) não é uma ideia, mas uma espécie química, com peso e propriedades definidas.

Becher elaborou uma teoria da matéria, concebeu uma explicação para uma propriedade da combustibilidade, mas seu caráter irrequieto e possivelmente a falta de uma bagagem filosófica profunda impediram-no de formular uma teoria abrangente. Seu continuador nesse sentido foi Georg Ernst Stahl, que viu nas ideias de Becher um ponto de partida para elaborar uma teoria unificadora da Química, a teoria do flogisto.[126]

 

Nesse momento, que vai de Beccher a Stahl e, depois, Antoine-Laurent de Lavoisier, vemos que Beccher é muito importante para o desenvolvimento do que se chama de Química na contemporaneidade, assim como Lavoisier, que marca a emancição da Química como ciência, sem misticismos, e o grande sinal dessa marca é a superação da teoria do flogístico (ou flogisto, segundo Stahl).

Essa teoria se afasta das propria/mente alquímicas, é uma ponte; quando Lavoisier nega o flogisto, ele está fazendo a contradança do movimento pró-científico e pró-químico de Beccher e Stahl.

O componente químico cresce e o alquímico descresce na gradação de Beccher a Lavoisier, e a teoria do flogístico está no ponto da mutação entre essas duas ciências, normal/mente ou estranha/mente tão diferentes e total/mente contrárias entre si.

A própria Química mexe com a nossa mente e os nossos corações. Mesmo sendo Ciência ocidental, adotando o método experimental, matematizando suas expressões, trabalhando com funções, sendo fumo e sendo seda, sendo total/mente racional, e tendo o tacanho hábito (do qual não se livra): analisar – nesse sentido fazendo uma inquietante apropriação continua/mente com a Física – o que há é a matéria, e ela se divide, vamos analisar e dividir até chegar no seu tijolinho, e o tijolinho nunca chega: substâncias : moléculas : átomos : elétros prótons e nêutrons : quarks : e continua... desse e do outro lado do espelho, nas partículas da antimatéria. A Química (junto com a Física) analisa. Ela quebra para tentar entender. Como já nomeou seu livro Mário de Andrade, sendo ali crítico e concomitante/mente criticando a função de crítico: empalhador de passarinho[127].

Mesmo sendo assim, pela ancestralidade, pela congenialidade, pela aderência à força e à matéria, a Química é quase uma Alquimia – a geratriz das Fênix. Mergulho na matrix.

Sendo assim, a Química, como a consideramos hoje, ainda é uma ciência alta/mente hermética e artística (mas não mais que a culinária, a poesia ou o cinema, a obra humana sempre tem a virtualidade de ser ergon e parergon). Faz sentido imaginar que a soberana Alquimia tenha tido na Química a filha bastarda, mas que herda muitos dos atributos e encantos da sua progenitora.

Por outro lado, supor que a Alquimia tenha sido uma contínua tentativa de realização de fórmulas absurdas sobre materiais, quase que aleatoria/mente (além de minerais e várias combinações metálicas, foram usados resíduos animais e, minoritaria/mente, substâncias vegetais, ao sabor da interpretação impressionista e da interprenetração de práticas e saberes que o soprador conseguia fazer dos textos, imagens e lendas, ao sabor do seu repertório e da sua vontade), é a visão mais baixa e injusta para com a nossa Arte.

Quase tão ruim quanto isso é o esquema “psicológico” dos junguianos, que, talvez, seja até pior, pois os Adeptos ao longo dos séculos, ao lado de todo mundo, ficam sendo “apenas” marionetes do “inconsciente coletivo”.

Entenda bem: os Adeptos são muito argutos e sábios, nada tolos, como forçosa/mente seriam, se tivesse um pingo de verdade a tese da pré-química desvairada, ou a hipótese dos “arquétipos” do señor Jung.

Outra visão que, querendo ou não, tenta diminuir nossa Arte, é aquela apresentada pelo grande mitólogo Mircea Eliade no seu livro Ferreiros e Alquimistas, neste plano que apresenta a obra:

 

/.../ Encontraremos certo número de ritos e mistérios relacionados com concepções mágico-religiosas solidárias, paralelas ou até antagônicas. Tentaremos enumerá-Ias de maneira sumária, a fim de conseguirmos extrair delas as linhas gerais da nossa pesquisa. Apresentaremos uma série de documentos relativos à função ritual da forja, ao caráter ambivalente do ferreiro e às relações existentes entre a magia (o domínio do fogo), o ferreiro e as sociedades secretas. Por outro lado, os trabalhos da mina e da metalurgia orientam-nos para concepções específicas que se relacionam com a Terra-Mãe, com a sexualização do mundo mineral e das ferramentas e com a solidariedade entre a metalurgia, a ginecologia e a obstetrícia. Começaremos por expor algumas dessas concepções, a fim de melhor compreendermos o universo do metalúrgico e do ferreiro. Relacionados com os mitos sobre a origem dos metais, vamos encontrar complexos mítico-rituais que abrangem a noção da gênese pelo sacrifício ou pelo auto-sacrifício de um deus, as relações entre a mística agrícola, a metalurgia e a alquimia, e, finalmente, as idéias de crescimento natural, crescimento acelerado e “perfeição”. Mais tarde, poderemos avaliar a importância dessas ideias para a constituição da alquimia.[128]

 

Temos aí uma antropoarqueologia que fecha questão sobre o surgimento da Alquimia, a certo momento da história, como fruto de mitos advindos de várias realidades e momentos das civilizações antigas, como a mitificação dos meteoros, dos metais e da metalurgia, a constituição das lendas de deuses que se autossacrificam pela humanidade, mitos agrícolas e de fertilidade, que abrangem a fertilidade animal e humana etc.

Já expus meu pensamento sobre o mito: ele aparente/mente é essa fraqueza de entendimento enviesado e inexato, infantil e prepotente, dos seres humanos sobre o mundo: essa é a rebarba do mito, um subproduto.

O mito é uma linguagem específica que traduz experiências reais com energia e matéria de verdade, as quais não conseguimos explicar ou sequer descrever com a linguagem comum (aquela usada pela comunidade). É por isso que a Alquimia usa mitos – ela não nasce dos mitos, nem da linguagem verbal, nem da iconografia, mas ela lança mão dessas três linguagens para mostrar e explicar uma prática que a consciência vulgar não consegue nem sequer entrever.

Por isso, também, considero a quarta malversação da Alquimia a prática atual de tentar forçar pós e elixires numa química adaptada às circunstâncias, como o faz muita gente, exemplifico com Rubellus Petrinus[129]. Essa é uma continuidade bem formada e informada dos sopradores, no entanto, agora realizada por pessoas (às vezes) com formação em química e treinamento laboratorial.

Não é de todo ruim, assim como podemos ver no ouro potável de Armand Barbault, realização de respeito e frutuosa, que ele descreve no seu livro O Ouro da Milésima Manhã, é tudo lindo aí[130]. De novo, essa prática, como a realizou e reportou Armand Barbault, é quase Alquimia.

Ou, na descrição que fiz da Alquimia como uma cebola, os que 1) pensam na pré-química, 2) os junguianos, 3) os mitólogos à Mircea Eliade, 4) os espagiristas terapeutas (como Frater Albertus com o Guia Prático de Alquimia e Robert Allen Bartlett e a Real Alchemy[131]) e 5) os voarcadumistas – se tratam de camadas exteriores, que ficam bem longe da genuína Arte, mas que sempre estão voltadas para ela, e se lhe apresentam contíguas.

No livro As Mansões Filosofais, Fulcanelli diferencia da genuína Alquimia a prática da procura da transmutação dos metais, e explica que esta se chama Arquimia ou Voarcadumia, e, em nota, explica sobre a técnica metalúrgica:

 

Se bem que essa definição conviesse mais à arquimia ou voarcadumia, parte da ciência alquímica que ensina a transmutação dos metais uns nos outros, do que à Alquimia propriamente dita.[132]

 

Essa expressão, como esse mesmo sentido, aparece anterior/mente nos livros Voarchadumia contra Alchimia, e Ars et Theoria Transmutationis Mettalicae cum Voarchadumia, ambos de Ioannis Augustini Pantheus, editados em 1550 e 1566, respectiva/mente[133].

Rubellus Petrinus é um dos que afirmam que Fulcanelli seria uma sangha ou sanga (na língua páli da Índia: saṅgha; em sânscrito, संघ saṃgha), isto é, uma associação, um grupo que trabalha unido em comunidade, e assina com o mesmo nome sua obra comum. No texto As Vias Alquímicas, afirma que trabalhavam juntos e assinavam seu trabalho em conjunto com o nome de Fulcanelli: René Schwaller de Lubicz, Pierre Dujols, Eugène Canseliet e Jean-Julien Champagne.

Analisando documentos e cartas, Geneviève Dubois, no livro Fulcanelli and the Alchemical Revival: the Man Behind the Mystery of the Cathedrals[134], sugere também que nosso autor teria sido um desses nomes citados, ou todos eles, trabalhando em conjunto. A autora ainda alude a outros místicos como possivel/mente participando dessa suposta sanga, chegando a incluir o Papus (Gérard Anaclet Vincent Encausse) nesse papo.

Jacques D’Árès no Prefácio do livro Finis Gloriæ Mundi não chega a tanto, mas aventa a possibilidade de Fulcanelli ser o nome de um grupo.

Penso que há um complexo de inferioridade entranhado na espécie humana, fraqueza da qual é urgente nos livrarmos; toda vez que alguém mostra capacidade de pensamento e criação acima de um comum bem raso que nos tenta ser imposto, surgem teorias de que não foi ele quem fez aquilo, ou que era um grupo que assina a obra como um autor inventado. Por quê? É mais razoável pensar que Homero foi um grande poeta criador, do que aceitar que muitos poetas tivessem feito pedaços das epopeias, e elas fossem costuradas, e se tornassem aquela genial, gigantesca e harmoniosa construção.

O mesmo argumento vale para Fulcanelli. Quando lemos textos dos autores suspeitos de participar da suposta sanga, que Rubellus Petrinus chama de “os Fulcanelli”, encontramos ali uma dessemelhança gritante dos estilos deles entre si, e, principal/mente, em relação ao estilo do nosso autor. E mais: o grande alquimista do século XX, que escreveu As Mansões Filosofais, possui uma qualidade hermética, uma quantidade e articulação de dados culturais e uma força literária que nenhum dos outros citados chega a demonstrar, mesmo sendo muito bons. Então, o maior se explica por uma conjugação de menores? E como se entende a harmonia do conjunto? Cada página traz a mesma assinatura de estilo e genialidade, e isso vale inclusive para Finis Gloriæ Mundi, as três obras se prolongam e se completam hermetica/mente.

É comum esse julgamento injusto acontecer principal/mente com Hermes Trismegistos, cuja obra, no que chegou até nós, é vista como se não tivesse unidade filósofica, e fosse uma “colcha de retalhos” de vários tratados anônimos pós-cristãos, teoria também adotada por Philip Ashley Fanning em Isaac Newton e a Transmutação da Alquimia[135], o qual, mesmo trazendo essa visão que considero tola, é um trabalho interessante sobre o quando Newton quis continuar alquimista e camulhar a teoria alquímica na formulação da Ciência contemporânea ocidental.

Acho que a crítica que faço está evidente: a Filosofia Hermética é possante, e sua proposta está tão além do senso comum dos tolos ou dos sábios, que não é fácil entender sua unidade de pensamento, “pensando” comum/mente.

A busca é pela matéria prima e pela sua transmutação, para conseguir produzir no seu cadinho o Hermafrodita, o Andrógino, o ser que é masculino (sulfúreo, fixador e criador) e feminino (mercurial, transformador e criativo), aquele que os Toltecas Nagualistas do México chamam Quetzalcoatl a Serpente Emplumada (a serpente é o que rasteja, evolui sobre a terra, quando ela se torna ao mesmo tempo águia, ganha plumas, pode voar; isso é a volatização do fixo e a fixação do volátil).

Como nos ensina o Adepto William Shakespeare:

 

Sonnet 20

 

A woman’s face with nature’s own hand painted,
Hast thou, the master mistress of my passion;
A woman’s gentle heart, but not acquainted
With shifting change, as is false women’s fashion:
An eye more bright than theirs, less false in rolling,
Gilding the object whereupon it gazeth;
A man in hue all hues in his controlling,
Which steals men’s eyes and women’s souls amazeth.
And for a woman wert thou first created;
Till Nature, as she wrought thee, fell a-doting,
And by addition me of thee defeated,
By adding one thing to my purpose nothing.

But since she prick’d thee out for women’s pleasure,

Mine be thy love and thy love’s use their treasure.

 

Soneto 20

 

Face fêmea tens tu, pela Natura feita

Pintura, senhor/dama da minha paixão;

Coração brando de mulher, mas não afeita

À inconstância vã, feminina afetação:

Olhos que brilham mais que os delas, sem mentir,

Tornando em ouro cada coisa que quiseres;

Controlas dons e tons, tens másculo matiz,

Dos varões roubas o olhar, e a alma das mulheres.

E para ser mulher é que tu foste criada;

A própria Natura te amou ao te forjar,

Eu fui junto também, não pude fazer nada,

E o que ela quer eu quis, sem nada acrescentar.

Se pro prazer da mulher foi que ela te criou,

O meu é o teu amor; seu tesouro é te amar.

 

– Amigo, as poesias de Shakespeare são lindas, mas a beleza que elas têm é total/mente compreensível pela estética, até o ponto em que a estética pode compreender os seus próprios efeitos. Sua arte tem valor humano, é pensamento sobre os afetos e os modos, e a ética humana, também. E eu gosto das suas estranhas traduções, Hermes Grau. Porém, não pude perceber por que você afirma que esses sonetos são o suprassumo da Alquimia.

– Bem, antes é preciso saber e fazer a Alquimia, para poder compreender na íntegra a sua menção nos textos, ou as fórmulas que eles trazem. O que é um paradoxo, você só terá mais se já tiver, você só aprenderá se já souber. Os rios correm pro mar.

– Então é algo completa/mente fechado, inacessível para as pessoas?

– É hermético, “hermetica/mente fechado” é uma expressão do marketing de alimentos advinda da Alquimia. Mas, de novo o oxímoro, é acessível a todo aquele que o quiser, com plena vontade e verdade em seu coração. É uma revelação divina permanente, e conecta o ser humano com a essência divina do mundo.

– Então é algo espiritual?

– Fiquei por muitos anos com essa questão. Muitos textos, como, por exemplo, O Fio de Ariadne, afirmam que os químicos vulgares não entendem em nada a Alquimia, e que compreendem total/mente errado quando leem sobre suas operações. Mas muitos outros textos, igual/mente basais, corroboram que a Alquimia é laboratorial e prática, que não se trata de forma nenhuma de uma disciplina espiritual so/mente, ou de metáforas sobre o desenvolvimento interno do ser humano, apenas. A Alquimia nunca faz metáforas, ela é muito forte e rica para isso. Dessa hipótese metafórica é que surgem as tolas teorias de Jung e outras interpretações preguiçosas e tacanhas sobre a Arte Real. A Alquimia é Real.

 

/.../ Os próprios Químicos estão convencidos de que esta Ciência é competência sua e não alheia, vendo em seus Livros os termos Sublimações, Soluções, Dissoluções, Digestões, Calcinações, Imbibições, Coagulações & uma infinidade de outras expressões as quais se usam ​​em Química.

Com essas operações trabalhando, fizeram uma centena de bagunças que não produziram nada, além de confusão em seus espíritos & gastos desnecessários em seus Laboratórios, porque eles tomaram literalmente os dizeres dos Filósofos que devem se explicar de forma diferente /.../.[136]

 

– E isso ainda se torna mais perturbador, quando se mostram tantas obras de arte, construções, pinturas, esculturas, músicas, peças de teatro, romances e poesias alquímicas. Temos o mais luminoso exemplo na obra de Fulcanelli, porém, você mesmo, caro amigo, está escrevendo seu livro para, entre outras coisas, provar que Shakespeare é alquimista. Ou que a sua obra é Alquimia, o que significa a mesma coisa, eu acho.

– E que, junto com Fulcanelli que você citou, temos em Friedrich Wilhelm Nietzsche a Filosofia ocidental que se encontra com a Alquimia.

– Mas como? Mostre-o.

– Todos os conceitos e movimentos do pensamento de Nietzsche são aplicações do hermetismo à Filosofia do mundo contemporâneo e às Ciências Humanas, completa/mente desumanas e vis, que ele estava vendo nascer no século XIX. Contra essa imbecilização programada, ele pensou os conceitos: força, transmutação dos valores, vontade de potência, o super-homem, eterno retorno, intempestivo, Aurora, amor fati. Este verso de Assim falou Zaratustra é a nova versão que ele produz da matéria prima e da pedra filosofal: “Eu vos digo: é preciso ter ainda caos dentro de si, para poder dar à luz uma estrela dançante”.[137]

– Hm...

– Mais que um conceito, o operador transmutatório hermético nietzschiano do Super-homem[138] tem sido o mais avacalhado e mal compreendido, desde os nazistas e gibis e filmes americanos, até interpretações evolucionistas ou aristocráticas feitas por filósofos ou teóricos de outras áreas. O ser humano é fascinante. O homem vitruviano desenhado por Leonardo da Vinci, inspirado no livro De Architectura (Sobre a Arquitetura), de Marcus Vitruvius Pollio, apresenta um ideal humano de harmonia e proporções perfeitas, seguindo a medida áurea e muitas outras categorias utilizadas pela arquitetura hermética medieval e renascentista. As pessoas veem no ideal da beleza um modelo estático. Da Vinci produziu uma máquina dinâmica no seu desenho, a proposta de que o homem pode evoluir, não de uma forma competitiva e acidental, mas segundo o more geometrico que propõe Espinosa, o modo geométrico, isto é, proporcional, causativo e racional. O super-homem de Nietzsche não é a evolução biológica da espécie humana na produção de um outro tipo de animal. O super-homem é a transmutação alquímica do homem, possível aqui e agora, como nosso potencial humano e espiritual.

 

Cornelius Agrippa, na sua Filosofia Oculta, no Livro 2, Capítulo XXVII: “A proporção, a medida e a harmonia do corpo humano”, apresenta seis desenhos do homem como microcosmos, inspirados no homem vitruviano de Leonardo da Vinci, este sendo um deles, que associa o homem aos astros[139].

 

– Hm hm.......

– Outra proposta de Nietzsche que não se compreende geral/mente é o eterno retorno, o qual não retorna o mesmo. O que retorna é o que se afirma, é o eterno retorno da potência, daquela potência que se torna vontade no devir. John Donne hoje é um dos maiores poetas do mundo, por séculos ficou esquecido. Mesmo William Shakespeare, o que pensou e escreveu é tão forte, que as pessoas da sua época pouco captaram, mas ele escreve para o tempo, sobre o tempo.

– Hm hm.

– Quando comecei a estudar Alquimia, pude experimentar fulgurações de poderes místicos, siddhis (सिद्धि: siddhiḥ), como se fala em sânscrito. Traduzo aqui:

 

Existem oito siddhis reconhecidos na religião hindu:

 

1) Aṇimā: a capacidade de reduzir o próprio corpo ao tamanho de um átomo.

2) Mahimā: a capacidade de expandir o próprio corpo para um tamanho infinitamente grande.

3) Laghimā: a capacidade de se tornar sem peso ou mais leve que o ar.

4) Garimā: a capacidade de se tornar pesado ou denso.

5) Prāpti: a capacidade de acessar qualquer lugar do mundo.

6) Prākāmya: a capacidade de realizar tudo o que se deseja.

7) Īśiṭva: a habilidade de forçar a influência sobre alguém.

8) Vaśiṭva: a capacidade de controlar todos os elementos materiais ou forças naturais.[140]

 

– Você pode fazer alguma(s) dessas coisas?

– Você percebe que a visão comum que se tem da Alquimia como a arte que transforma chumbo em ouro é uma versão do oitavo siddhi? Essas coisas não têm quase nenhuma importância, elas e outras constituem sinais daquilo que real/mente importa: a nossa conexão com Deus. Como dizem os mestres Zen, olhe prà lua, e não pro dedo que a aponta.

– O que você fez quando começou a sentir isso?

– Comprei os livros Corpus Hermeticum de Hermes Trismegistos e O Tesouro dos Alquimistas, de Jacques Sadoul. Fiquei por alguns anos lendo, mas, depois do entusiasmo inicial, parecia que eu não estava encontrando o caminho, o fio que me guiaria dentro do labirinto. Um dia me deparei numa livraria do centro com o Manual Prático de Alquimia, de Frater Albertus, e o estudei com sofreguidão, lendo e relendo. Comprei equipamento de laboratório, um extrator Soxhlet e muitas sementes para plantar e colher flores e plantas, das quais eu retirava a essência, pelo método da extração, conseguindo separar da matéria vegetal o Sulfur e o Mercúrio, que eram sublimados, e o Sal, que era calcinado, e depois voltava a reuni-los numa só substância. Repetia indefinida/mente o processo.

– O que obteve com isso?

– Remédios muito potentes e sutis. Porém, eu queria o Pharmakon Catholicus, a Panaceia, o remédio universal. O próprio Frater Albertus chama essa área de circulação menor, é o trabalho com o reino vegetal, que é espagiria – separar, sublimar, unir, et da capo, id est, solve et coagula – mas alegava que a verdadeira Alquimia só se pode realizar no reino mineral. Aí eu embatucava. Você sabe quais temperaturas é preciso produzir num alto-forno para liquefazer os minérios? O ferro funde a 1510º C, por exemplo, e, veja bem, fundir o metal não significa de modo algum separar o Enxofre do Mercúrio, você terá a mesma substância metálica, fundida. Como separar os dois princípios da matéria? Muitos textos afirmam que o calor do Athanor, o forno alquímico, no qual o ovo deve ser mantido por um longo tempo, tem que ser mantido como a calidez que a galinha produz chocando seus ovos.

 

A coisa do alpinista

 

Frascos descorados de álcoois e outras substâncias

Dançando na mente em foco do descentrador

Toda vez que dança lança a mola como um tubo

Que vai por uma espiral por muitos outros mundos

Ele faz estrelas azuis e pequeninas

Que saltam feito pipocas de sua retorta

Olha em volta cheio de tesão por tudo tudo

Mudo olha com esperança para essa criança

 

(Luis Carlos e Eliane Colchete)

 

– E você desistiu? Ou encontrou o caminho?

– Eu continuei e continuo. Persevero. Por falar em Renascença, este livro bem que poderia utilizar como seu inspirador alquímico Luís Vaz de Camões, o grande poeta épico e lírico clássico da nossa língua: seria o justo a fazer; talvez, no volume dois, eu o faça; pois, tudo que precisamos mostrar na Grande Obra se encontra no grande vate lusitano; como podemos ver nesta poesia – que expressa a essência do Mercúrio, e a produção do Mercúrio Andrógino:

 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

 

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.

 

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, enfim, converte em choro o doce canto.

 

E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.

 

(Luís Vaz de Camões)[141]

 

Como cantou nosso poeta: encontrar Mercúrio e separá-lo, para que o trabalho comece. Encontrar e separar o Mercúrio não é todo o trabalho, mas já é muita coisa. Phaneg[142] explica que são três obras: com o Mercúrio, a Obra em si e a Projeção.

O Mercúrio dos Filósofos é a matéria prima da obra, é a quintessência. Não se trata do mercúrio vulgar. Mas esse Mercúrio deve ser trabalhado, fixado, para que se torne o Mercúrio Andrógino: aí é que ele real/mente é a matéria prima da obra, e se chama Mercúrio Filosofal.

O Enxofre é fundamental para que possamos encontrar e fixar o Mercúrio.

O Feminino e o Masculino se dão as mãos, se abraçam, se entrelaçam.

A Sacerdotisa é a presença feminina e intuitiva ao lado do Mago.

 

Fumaça

 

Vendo o homem-mosca na televisão

Vendo o homem-aranha na televisão

Senti um calafrio de tensão

Pois talvez eu seja a interseção

Entre a teia e o que nela cai

Entre o que vem e vai

Entre o que entra e sai

Ponto de fusão

Ou de ebulição

Solidificação

Ou não[143]

 

Muitos chamam o afã alquímico de “trabalho de mulher e jogos de crianças”:

 

O processo do Trabalho tem sido chamado de trabalho de mulheres e jogo de meninos. Após o início da Obra, o sutil inquisidor da natureza acompanha seu progresso. As palavras não são fabulosas nem desprezíveis, pelo contrário, você deve lê-las com atenção, para que os textos dos antigos, que muitas vezes transpõem palavras, não o induzam ao erro, assim como A. Pipus advertiu em seu Livro dos Segredos:

O jogo tríplice das crianças deve preceder o trabalho das mulheres. Pois as crianças brincam de três coisas. Em primeiro lugar com paredes velhas, em segundo lugar com a urina, e em terceiro lugar com os carvões. O primeiro jogo fornece a matéria da Pedra. O segundo jogo aumenta a alma. O terceiro jogo prepara o corpo para a vida. Com efeito, da flor do sangue, o salitre é feito pelo primeiro jogo infantil, o qual, uma vez realizado, tudo o que resta é animá-lo e dissolvê-lo frequentemente em água com seu companheiro por dois outros jogos infantis, necessários até o terceiro calor de nosso Elixir no trabalho das mulheres, que é apenas cozinhar. Que aquele, portanto, que pode entender, entenda. Além disso, na nossa Pedra, aquela que todos os Filósofos procuram, se encontram os primeiros elementos; os minerais, a tintura, a cal, a alma, o espírito e o corpo fixo e o volátil, o Mercúrio, não qualquer mercúrio, mas aquele em torno do qual a natureza começa suas primeiras operações pelas quais determina a natureza metálica, porém deixando a coisa imperfeita. Se, portanto, você tiver extraído essa coisa de onde está, com ela você terá começado a obra, iniciando com aquilo que a natureza deixou imperfeito, aí você encontrará uma coisa perfeita, e você se alegrará, como diz o rei Geber. Esta coisa da qual a pedra é extraída, ela é possuída tanto pelos pobres quanto pelos ricos. É o trabalho das mulheres e o jogo das crianças, e a pedra é a sua flor. /.../[144]

 

Vamos observar três telas que retratam o Alquimista com sua companheira[145]. Estes quadros muitas vezes recebem uma intepretação parecida, a começar com aquela que é feita sobre o quadro O Alquimista, do pintor holandês Pieter Bruegel, e a reprodução que dele faz o seu filho (cerca de 1558, no caso da tela original, de Bruegel pai):

  

Vejamos os quadros pintados por Pieter Bruegel, o Velho, em preto e branco, e, a cores, aquele que foi recriado pelo seu filho, também pintor, Pieter Bruegel, o Jovem, o qual, ao lado de fazer suas próprias produções, se esmerou em ser um recriador das obras do pai.

Temos ainda a Oficina de um Alquimista com Crianças Brincando, de Richard Brakenberg[146], que lhes é posterior.


Estas telas são compreendidas como sendo um alerta para a falsidade da Alquimia, na qual o homem gastaria seu tempo e seus recursos: vemos o laboratório empobrecido e bagunçado, o alquimista concentrado maniaca/mente no seu trabalho, as crianças desorientadas e confusas, no caso de Brakenberg imitando as sancides do pai numa brincadeira, no caso dos Bruegel colocando panelas na cabeça (“meninos maluquinhos”) e vasculhando com fome a despensa vazia, e nos dois casos a mulher do alquimista se queixando do descaso do marido e da falta de dinheiro.

Nas telas dos Bruegel ainda vemos ainda, pela janela, uma cena futura dos meninos sendo deixados numa instituição de caridade, pelos pais.

Essa leitura é superficial, e remete àqueles sopradores que se jogavam de cabeça no trabalho operativo desorientado, lendo ao pé da letra os almanaques, e gastando seus recursos com matérias e equipamentos que seriam desperdiçados.

Não está errada, porém, existe uma leitura mais profunda.

A chave para a leitura alquímica destas obras está na frase dos alquimistas alexandrinos: a Alquimia é trabalho de mulheres e brincadeira de crianças.

Há uma simbologia nessas atribuições. É preciso tratar a matéria, o matraz e o forno como uma mulher cuida de uma criança recém-nascida. É preciso lavar o ovo até que fique branco, é preciso cozinhar continua/mente, na temperatura certa, sem deixar desandar nem queimar.

Assim pensa Salomon Trismosin; como podemos ver nas figuras 19 e 20 e nos artigos segundo e terceiro, que ilustram, de Le Toison d’Or ou Le Fleur des Trésors de Salomon Trismosin, tradução francesa de 1612, reeditada na Bibliotheca Hermetica em 1975, por René Alleau[147].

Sendo esse seu título original, em latim Aureum Vellus, O Tosão de Ouro (referência ao mito grego dos Argonautas), essa obra vai ser mais conhecida por Splendor Solis, que é o título de uma das suas seções:

 

O título da obra, Splendor Solis, pode ser traduzido como os Esplendores do Sol, mas também implica os Esplendores da Alma. /.../ O texto é uma antologia de autores mais antigos. As ilustrações retomam aos motivos das iluminuras do Donum Dei, do final do século XV, do alquimista de Estrasburgo Georges Aurach, nas quais todas as figuras são representadas dentro de vasos. O processo simbólico mostra a clássica morte e renascimento alquímico do rei e incorpora uma série de sete frascos, cada um associado a um dos planetas. Está escrito, pelo menos para a versão mais antiga conhecida, em alemão, mais precisamente em alemão médio (Mitteldeutsch ou Zentraldeutsch), um grupo de dialetos germânicos falados principalmente na Alemanha central e em Luxemburgo.

A cópia mais antiga do Splendor Solis, que contém sete capítulos, é um manuscrito que está no Kupferstichkabinett do Staatliche Museen zu Berlin (Gabinete de Gravuras e Desenhos, nos Museus Estatais de Berlim). Foi criado em Augsburg e data de 1532-1535. O texto iluminado é escrito em pergaminho com bordas decorativas, como um livro de horas, lindamente pintado e embelezado com ouro. /.../ A primeira edição impressa está no terceiro tratado de uma coleção alquímica, o Aureum Vellus, de 1599, atribuído ao lendário Salomon Trismosin, apresentado como o mestre de Paracelso. O Aureum Vellus foi reeditado muitas vezes em diferentes formas (em francês, sob o título La Toyson d‘Or ou la Fleur des Thrésors, 1612), amplamente conhecido e comentado como Splendor Solis, que, a partir de então, é sistematicamente associado ao nome de Salomon Trismosin.[148]

 

Ainda há uma terceira leitura, que faço, utilizando conceitos de Gilles Deleuze e Félix Guattari, no platô “Devir-intenso, devir-animal, devir-imperceptível...” (Devenir-intense, devenir-animal, devenir-imperceptible...)[149]; você precisa fazer devir mulher e devir criança para produzir em si e no mundo a transmutação.

Falo nova/mente das transmutações do espírito: para Friedrich Nietzsche, este se torna camelo, depois leão, depois criança.

De Nietzsche a Heráclito, e Nietzsche é Heráclito, os dois sendo alquimistas.

Vejamos os Fragmentos 52 e 30 do nosso filósofo pré-socrático:

 

Fragmento 52:

Αἰὼν παῖς ἐστι παίζων, πεσσεύων· παιδὸς ἡ βασιληίη.

O evo (o Aión, o tempo dos deuses e o tempo da experiência humana) é um menino que brinca jogando dados: regime de criança.

 

Framento 30:

Κόσµον τόνδε, τὸν αὐτὸν ἁπάντων, οὔτε τις θεῶν, οὔτε ἀνθρώπων ἐποίησεν, ἀλλ' ἦν ἀεὶ καὶ ἔστιν καὶ ἔσται πῦρ ἀείζωον, ἁπτόµενον µέτρα καὶ ἀποσϐεννύµενον µέτρα.

Este cosmos, o mesmo para todos, não o fez nenhum dos deuses nem dos homens, mas ele foi sempre, é e será: um fogo sempre vivo, acendendo e extinguindo-se segundo medidas.[150]

 

Assim falou Nietzsche:

 

Este mundo é um monstro de força sem começo nem fim, uma quantidade de força brônzea que não se torna maior nem menor, que não se consome, mas só se transforma, imutável em seu conjunto, uma casa sem despesas nem perdas, mas também sem rendas e sem progresso, rodeada do “nada” como de uma fronteira. Este mundo não é algo de vago e que se gaste, nada que seja de uma extensão infinita, mas, sendo uma força determinada, está incluído num espaço determinado e não num espaço que seria vazio em alguma parte. Força em toda a parte, é jogo de forças e ondas de forças uno e múltiplo simultaneamente acumulando-se aqui, enquanto se reduz ali, num mar de forças agitadas que provocam sua própria tempestade, transformando-se eternamente num eterno vaivém, com imensos anos de retorno com um fluxo perpétuo de suas formas, do mais simples ao mais complexo, indo do mais calmo, mais rígido e do mais frio ao mais ardente, ao mais selvagem, ao mais contraditório para consigo próprio, para retornar, depois, da abundância à simplicidade, do jogo das contradições ao prazer da harmonia, afirmando-se a si mesmo, ainda nessa uniformidade das órbitas e dos anos, bendizendo-se a si próprio como aquilo que eternamente deve retornar, como um devir que jamais conhece a saciedade, jamais o tédio, jamais a fadiga: este meu mundo dionisíaco da eterna criação de si mesmo, da eterna destruição de si mesmo, este mundo misterioso das voluptuosidades duplas, meu “além do bem e do mal” sem fim,  senão o fim que reside na felicidade do círculo, sem vontade, senão um anel que possua a boa vontade de seguir seu velho caminho, sempre em redor de si mesmo e nada mais senão em redor de si mesmo. Este mundo, que eu concebo, quem, pois, possui um espírito bastante lúcido para contemplá-lo sem desejar ser cego? Quem é bastante forte para apresentar sua alma ante esse espelho? Seu próprio espelho ao espelho de Dionísio? E aquele que fosse capaz disso não precisaria que fizesse mais ainda? Ofertar a si mesmo ao “anel dos anéis”? Com o voto do próprio retorno de si mesmo? Com o anel da eterna bendição de si, da eterna afirmação de si? Com a vontade de querer sempre e ainda uma vez?

De querer para trás, de querer todas as coisas que já foram? De querer para o futuro, de querer todas as coisas que serão? Sabeis agora o que é para mim este mundo? E o que eu quero, quando quero este mundo? Quereis um nome para esse universo, uma solução para todos os enigmas?

Uma luz até para vós, os mais ocultos, os mais fortes, os mais intrépidos de todos os espíritos, para vós, homens da meia-noite? Este mundo é o mundo da vontade de potência e nada mais! E vós também sois esta vontade de potência e nada mais...[151]

 

É por isso que Nietzsche é Heráclito, não só por isso, mas por isso também; e é por isso que os dois filosofam hermetica/mente.

Ainda sobre Deleuze: em 2021, Joshua Ramey publica The Hermetic Deleuze: Philosophy and Spiritual Ordeal (Deleuze Hermético: Filosofia e Prova Espiritual), que desenvolve a tese do autor de que Gilles Deleuze, com sua filosofia da diferença e da expressão, está fazendo um novo devir-alquimista[152].

Vejamos um exemplo, meu:

 

/.../ Um devém dois: cada vez que encontramos esta fórmula, mesmo que enunciada estrategicamente por Mao Tsé-Tung, mesmo compreendida o mais “dialeticamente” possível, encontramo-nos diante do pensamento mais clássico e o mais refletido, o mais velho, o mais cansado. /.../[153]

 

Escrevendo sobre o Rizoma e a multiplicidade, o complicatio da natureza que nega a unicidade, Gilles Deleuze e Félix Guattari pareceriam estar citando o Tao te King de Lao Tsé, especifica/mente o poema XLII: “O Tao gera o Um./O Um gera o Dois./O Dois gera o Três./O Três gera todas as coisas”[154]. (Veja como o número mágico Tetráctis τετρακτύς pitagórico já está explicitado nesses versos).

Porém, o texto que Deleuze e Guattari estão citando é um antigo alquimista grego (Philosophus Christianus, in BERTHELOT, Marcelin. Collection des Anciens Alchimistes Grecs. Paris: Georges Steinheil, 1888, Vol. II, p. 404), conforme podemos ler apud Giulio Cesare Andrea Evola, Julius Evola:

 

Num texto alquímico grego lê-se: “Um torna-se Dois, e Dois tornam-se Três; por intermédio do Terceiro, o Quatro compõe o Unidade. Assim os Dois não formam mais que Um”.[155]

 

Mebes chama veemente/mente a atenção para o fato de o aprendiz ter que separar em si os dois lados, os dois polos, torná-los nítidos distintos e melhores, e depois reintegrá-los.

Os dois lados são complementares, o corpo (sal), precisa ser trabalhado, e trabalhar o corpo é trabalhar o mundo, para se poder realizar a transmutação do Mercúrio, até que ele se torne o Mercúrio andrógino.

O Mercúrio é o mais visível, é o mais acessível, é o mais maleável, aquele no qual podemos ter a esperança de fazer a fecundação, a germinação da nossa Agricultura Celeste.

Todavia, é mais ainda no masculino Enxofre que precisamos trabalhar, é ele que é preciso transmutar, para que se possa realizar a Grande Obra.

Filáion responde então a Hermes Grau:

– Começo a compreender a sua visão da Grande Obra. Mas, ao ler muitos autores, vi que cada um deles manifesta uma ordem própria e uma quantidade diferente para as fases da obra. Carlos, qual a tua concepção sobre essas fases?

– Amigo Filáion, de 15 a 21 falarei como vejo tal questão, e aí já respondi um número. Mas, antes, gostaria de lembrar algo do que disse a respeito nosso amado Mestre Fulcanelli:

 

Estes oráculos, em número de quatro, correspondem às quatro flores ou cores que se manifestam durante a evolução do Rebis e revelam exteriormente ao alquimista as sucessivas fases do trabalho interno. Estas fases, diversamente coloridas, têm o nome de Regimes ou de Reinos. Normalmente, contam-se sete. Os filósofos atribuíram a cada regime uma das divindades superiores do Olimpo, e também um dos planetas celestes cuja influência se exerce paralelamente à sua, no próprio tempo da sua dominação. Segunda a ideia geralmente expandida, planetas e divindades desenvolvem a sua potência simultânea de acordo com uma invariável hierarquia. Ao reino de Mercúrio (Ἑρμής, base, fundamento), primeiro estádio da Obra, sucede o de Saturno (Κρόνος, o velho, o louco); a seguir, governa Júpiter (Ζεύς, união, consórcio), depois Diana (͗Άρτεμις, inteiro, completo), ou a Lua, cuja veste cintilante ora é tecida de cabelos brancos, ora feita de cristais de neve; Vénus, devotada ao verde (Ἀφροδίτη, beleza, graça), herda então o trono, mas logo Marte a expulsa (Ἄρης, adaptado, fixado), e este príncipe belicoso, de vestes tintas de sangue coagulado, é por sua vez derrubado por Apolo (Ἀπόλλων, o triunfador), o Sol do Magistério, imperador vestido de brilhante escarlate, o qual estabelece definitivamente a sua soberania e o seu poderio sobre as ruínas de seus predecessores.[156]

 

As Sephiroth constituem o plural da palavra Sephirah, que significa Esfera em Hebraico, e que são as dez emanações de Ain Soph, o princípio imanifestado.

A Árvore da Vida é um esquema cósmico e anímico, ali temos um mapa, um roteiro, para a viagem que nunca termina, que começa no começo da criação do universo, e recomeça a cada nascimento, a cada dia, a cada passo.

Os eventos e encontros que a pessoa comum tem no seu dia são os nódulos energéticos com que lida e que a ligam com as Sephiroth, os portais elementais da Árvore da Vida.

Estas as Sephiroth apresentadas aqui com seu significado e planeta correspondente: 1. Kether – A Coroa – Plutão, 2. Chockmah – Sabedoria – Netuno, 3. Binah – Entendimento – Saturno, 4. Chesed – Misericórdia – Júpiter, 5. Geburah – Força – Marte, 6. Tiphareth – Beleza – Sol, 7. Netzach – Vitória – Vênus, 8. Hod – Esplendor – Mercúrio, 9. Yesod – Fundamento – Lua, 10. Malkuth – Reino – Terra, (11. Daat – Ain Soph – Ilimitado).

Foi Éliphas Lévi quem desmonstrou a correspondência entre as 22 duas letras Hebraicas e os Arcanos maiores, e ainda entre cada caminho que liga as Sephiroth (do 11 ao 32; do 1 ao 10 os caminhos são as próprias Sephiroth) e os Arcanos maiores do Tarot, A Árvore da Vida[157]

 Fazendo um paralelo com o Nagualismo, o Enxofre nos faz pensar no Tonal, a ilha do conhecido, o que achamos e temos certeza que somos nosso eu e nosso mundo; é tudo que sabemos e pensamos, e podemos nomear. O Mercúrio poderia ser relacionado ao Nagual, ao mundo da força livre, das emanações da Águia, que são conscientes e são o que gera tudo que conhecemos, sendo aparente/mente consciente ou não, mas esse Nagual dá medo, ele é a mudança total, e, ao nos expormos a ele, sentimos o perigo de desfazer a nossa identidade, o nosso tonal.

Pois bem, Don Juan e Don Carlos nos ensinam: é preciso temperar o Nagual com o Tonal. Onde um está, o outro é o centro daquela onda, e uma onda o tempo todo se liga à outra onda, como se fossem uma, mas são duas, como duas cobras uma mordendo o rabo da outra, ou o signo chinês do Yin/Yang, o qual podemos ver no Bagua[158], que é a representação dos oito trigramas desenhados em torno de um mesmo centro.

 

Se te oferecem a possibilidade de portar contigo um livro, se fores para uma ilha deserta, amigo Filáion, leva contigo os dois volumes de Mebes, alegando que são as duas metades da mesma obra, uma dobra, ou os dois lados de uma cobra; mas, mais, na verdade; como no caso dos grandes pensadores e profetas, nem palha é perto do que ele disse e fez, porém, é assim mesmo, e produz grande proveito para ti. O mesmo se dá com Gilles Deleuze[159] e com Plotino[160].

  


 

Capítulo 3: A Imperatriz ג

 

O estágio de Ouros abarca tudo que pertence ao ocultismo e que, suficientemente realizado, transforma um homem comum num perfeito mago branco. Essa transformação da personalidade encontra sua analogia na transmutação alquímica e cada estágio alquímico está correlatado a uma carta numérica de Ouros. A alquimia, na qualidade de ciência oculta, corresponde, no plano físico, ao processo iniciático da alma. Os graus básicos da transmutação são os mesmos. A diferença essencial é que, no caso da alquimia, o “impulso do Alto” que transmuta os elementos materiais em “pedra filosofal” provém do próprio alquimista-iniciado.

(Mebes)[161]

 

A Imperatriz corresponde à Deusa Deméter na Grécia e Ceres em Roma, e às Deusas da fertilidade pelo mundo, e à face feminina da Deusa; às forças da fecundidade e da gestação, ao poder do ser feminino de ser fecundada e gerar.

No alfabeto hebraico, se relaciona com a letra Gimmel; o nome desta letra corresponde à palavra que tanto significa camelo como bonito, e transmite a mensagem de força, resistência e capacidade de realização, com a confiança em Deus.

Liga-se ao hexagrama 58 Duì Alegria, que é constituído dos trigramas Lago sobre Lago.

E também a 54 Guī Mèi, Trovão sobre Lago: A Jovem que se Casa.

O signo aqui é Gêmeos, cujo planeta regente é Mercúrio, e seu elemento é o Ar.

Sua dualidade reflete a própria dualidade essencial do ser, no qual se instaura como o ar que invade a casa, que pode ser brisa morna e amena, vento amigável ou pode ser um vendaval. Os elementos da natureza são o lugar para a aplicação dos vetores de força, e toda força vem do espírito: seja física, intelectual ou moral. O Ar em gêmeos é a força da natureza nas suas várias faces de brutalidade e de nobreza.

A riqueza começa e tem como linha de chegada o corpo, toda riqueza é o corpo saudável no seu ambiente saudável, também.

Assim o expressa Shakespeare e assim traduzo:

 

Sonnet 91

 

Some glory in their birth, some in their skill,
Some in their wealth, some in their body’s force,
Some in their garments, though new-fangled ill;
Some in their hawks and hounds, some in their horse;
And every humour hath his adjunct pleasure,
Wherein it finds a joy above the rest:
But these particulars are not my measure;
All these I better in one general best.
Thy love is better than high birth to me,
Richer than wealth, prouder than garments’ cost,
Of more delight than hawks or horses be;
And having thee, of all men’s pride I boast:

Wretched in this alone, that thou may’st take

All this away, and me most wretched make.

 

Soneto 91

 

A glória parcial de um nascimento,

Da perícia, riqueza ou corpo forte,

As roupas mais cotadas do momento,

Galgos, falcões, cavalos de alto porte,

Podem ser todo o encanto de uma vida

P’ra alguém que aí empenhe o seu cuidado;

Porém, não podem ser minha medida;

Algo melhor que tudo hei encontrado.

O teu amor p’ra mim é muito mais

Que um nascimento nobre, ou que o dinheiro,

Mais deleitoso que esportes frugais;

E tendo a ti, me gabo prazenteiro.

Infeliz nisso só, que poderias,

Levar tudo e deixar-me as mãos vazias.

 

O místico russo Mebes não foi o primeiro a perceber e dizer que o Tarot é uma enciplocédia do ocultismo, mas o explicitou, no nome das notas que fez, sempre lembrando que o que escreveu é uma pálida marca do que falou, e o que falou, uma simples reverberação da sua vidência e realização.

O Mago é o princípio masculino fecundador e realizador, a Sacerdotisa é o princípio feminino fecundante e continuador e a Imperatriz é a síntese hermafrodita dos princípios masculino e feminino do eu do viajante aprendiz.

É como quando a mulher fica grávida; o aprendiz está fértil, é fecundado pela Ideia e se torna portador de uma nova possibilidade do ser, à qual ele pode dar à luz (se o fizer, é porque percorreu todas as pontes da árvore cósmica, e atingiu a esfera de Malkuth).

O Mago é o Louco que completou o aprendizado, está no alfa e no ômega, enquanto Mago, mas o Louco não está parado, não tem lugar.

Paradoxal/mente, o aprendizado começa em Kether, e vai por todas as vias, pelos caminhos que ligam as esferas da Árvore da Vida, até chegar em Malkuth e produzir a realização, a manifestação. Esse é o caminho descendente: coagula.

Em Malkuth está o Mundo, e o camelo, que tinha virado leão para poder pular de pedra em pedra no deserto, ou de estrela em estrela no cosmos, agora vira criança, na transmutação de Nietzsche: o Louco vai subir a colina, atravessando as Sephiroth e os vinte e dois caminhos entre as Esferas (por isso ele não é um caminho (não é o 11, ele o cruza), nem uma espera, ele é a criança que caminha e evolui).

Ele faz o caminho ascendente, de Malkuth a Kether, e realiza a sua própria mega obra: solve e coagula.

A obra é tanto interna quanto externa, ¿você entende, amigo Filáion?, você muda o mundo, quando se transmuta, e recomeça.

A pedra que resulta é o rebis, a substância dupla. Isso inclui o andrógino, que traz em si as duas metades do ser humano.

O Mago é Hermafrodita, é o Andrógino, no sentido vital, biológico e filosofal. Como um ser manifestado, o Mago pode ser um homem ou uma mulher. Ele, que é o louco, na sua outra face, vai fazer o aprendizado.

E suas primeiras transformações são A Suma Sacerdotisa (2), A Imperatriz (3), O Imperador (4) e o Hierofante (5); a Sacerdotisa e o Hierofante são o homem e a mulher espirituais, os artífices, os pontífices: construtores de pontes para o mundo emanante. O Imperador e A Imperatriz são os regentes, os realizadores: os que fazem as coisas nascerem e as alimentam (tanto seres quanto ideias, invenções, projetos e instituições) no mundo manifesto.

Nosso é o quiasma dos dois princípios masculino e feminino e espiritual e material no começo da Grande Obra (Solve e Coagula) do Tarot.

Essa duplicidade também corresponde a um dos aspectos do Ergon e Parergon, trabalhar no espiritual é trabalhar no material, e vice-versa, o trabalho realizado em si é o trabalho realizado no mundo, e vices-versas.

O Ergon é o trabalho com a natureza mineral viva que somos, é o trabalho essencial, é a produção das excências, é a autoconsciência do piloto da onda viva no mar vivo[162].

O Parergon é o nosso trabalho no mundo, com a nossa consciência humana comum. Ele sempre é que representa para nós, realização, crença, sustento etc. Mas ele sempre é também um trabalho com a nossa essência, trabalhar a matéria do mundo é trabalhar a nossa essência divina.

Penso que Pierre Teilhard Chardin pensa muito bem quando fala na “energia evolutiva”, apesar da má vontade dos cientistas (algo tão comum com Henri Bergson também), como lemos na crítica rápida e rasteira que lhe faz o prêmio Nobel Jacques Monod[163], como “progressismo cientista”. Apenas para apontar a importância de Chardin, vamos ler um excerto:

 

Na prática, seríamos depositários responsáveis de uma parte da energia universal que se deve ser conservar e propagar: não qualquer energia, mas uma energia que atingiu, em nós, um determinado grau supremo de elaboração. Por mais fria e objetivamente que as coisas sejam tomadas, seria preciso dizer que a humanidade constitui uma frente de avanço cósmico. Isto

significaria, antes de tudo, para nós, uma nova e nobre sujeição para tirar proveito de todos os poderes fornecidos pela Terra para promover o progresso do Improvável. Porém, captar as energias materiais não seria mais um esforço secundário. Para que a corrente do Espírito, representada hoje pela Humanidade, seja mantida e avance, seria necessário tentar principalmente que a massa humana conserve sua tensão interna; quer dizer, que não deixasse ser desperdiçados ou diminuídos nela o respeito, o carinho, o fervor da Vida. Se esse fervor diminuísse, imediatamente o que temos chamado de noosfera murcharia e desapareceria. Entrevemos aqui uma nova energética (entretenimento, canalização, aumento das aspirações e paixões humanas) em que confluiriam a Física, a Biologia e a Moral, confluência muito curiosa, mas inevitável, assim que compreendemos a realidade do fenômeno humano.[164]

 

Depois desse começo bem movimentado, chegamos a Os Enamorados (6), que é o encontro atrativo entre o masculino e o feminino, o Homem e a Mulher.

A Imperatriz nos traz a percepção do poder, assim como o Mago e a Sacerdotisa e o Imperador, porém o poder da Imperatriz tem um orgulho, uma alegria feminina, materna. A gente se sente semente. A gente se sente gente. A gente se sente útil.

Ela sente que é fértil, e que a Terra é fértil. Ela sabe que pode fazer, trabalhar, conquistar, gerar e gerir.

A deusa Deméter (em grego, Ceres em latim) é o mito que expressa essa sensação, ou melhor, essa certeza, na tradição ocidental. Mas a Deusa, em várias tradições nas quais aparece pelo mundo, também nos faz sentir assim.

Ela afaga e alimenta a pessoa, que sente que é e está junto com o mundo, com sua mãe, seu pai e seus irmãos.

O conhecimento pelo mito está em todos os povos, mais clara/mente entre os ditos primitivos e na antiguidade, entre/mentes, sempre está aqui. De novo, não se trata de metáforas, símbolos, arquétipos ou compensações psicológicas, toda a fraquíssima e tonta psicologia, nas suas várias vertentes.

O mito, para quem nele crê, mesmo como hipótese de trabalho, ou como elemento integrante da cultura da pessoa, é um portal energético, que nos dá acesso à força, ao amparo e ao aprendizado.

Assim escreveu Éliphas Lévi, sobre o Magnum Opus:

 

/.../ O segredo completo da filosofia de Hermes está contido nesta simples indicação. O fogo natural não cria, mas faz amadurecer os minerais. Descobrimos a piscicultura e o Hermeticismo a metal-cultura, mas quem pescará carpas se semear ovas de arenques? Como se pode, então, produzir ouro a partir do sal, do enxofre e do mercúrio? M. Louis Lucas, o erudito inventor do biômetro, demonstrou que, de acordo com as noções dos antigos, a substância é individual e possui suas formas especiais devido à diversidade de suas formas de polarização molecular e à variada angulosidade de sua radiação magnética. Assim, todos os seres são ímãs individuais e o problema que deve ser resolvido pela magia de Hermes é este: como acumular e fixar o calor latente num corpo artificial de maneira que se mude a polarização dos corpos naturais por sua união com este corpo artificial?

A criação de ouro no magnum opus se realiza através da transmutação e da multiplicação. Ramón Llull, um dos maiores e mais sublimes mestres da ciência, diz que para fazer ouro devemos ter ouro, ex nihilo nihil fit, de fato não podemos criar riqueza, mas podemos aumentá-la e multiplicá-la. /.../

O sal e o enxofre só servem para preparar o mercúrio. Estas palavras, enigmáticas em sua forma, mas basicamente inteligíveis, expressam brevemente o que os filósofos entendem pelo mercúrio fundido com enxofre, que se transforma em senhor e regenerador do sal. Trata-se do Azoth, o magnésio universal, o Grande Agente Mágico, a Luz Astral, engendrada por energia animal, poder intelectual, que comparam com o enxofre por suas afinidades com o fogo divino. Quanto ao sal, é a matéria absoluta. Todo elemento material contém sal e todo sal pode transformar-se em ouro puro através da operação combinada de enxofre e mercúrio que, às vezes age tão rapidamente que a transmutação pode realizar-se instantaneamente, sem cansaço para aquele que o pratica e quase sem custo algum. Em outras ocasiões, e de acordo com a mais contrária disposição dos fatores ambientais, a operação requer vários dias, meses e, às vezes, inclusive anos.

Tudo depende do magnes interior de Paracelso. O trabalho consiste basicamente em projetar, e a projeção se realiza perfeitamente através da compreensão efetiva de uma simples palavra. De fato, trata-se de uma operação importante do trabalho, consiste na sublimação que não é nada além, de acordo com Geber, do que a elevação da substância seca pelo fogo, com aderência em sua própria base. /.../

O magnum opus de Hermes é uma operação essencialmente mágica, e é considerada como a suprema dentre todas, já que supõe o absoluto com respeito ao conhecimento e à vontade. Há luz no ouro, ouro na luz e luz em todos os elementos.

A vontade inteligente, que assimila a luz, dirige as operações da forma substancial, e só emprega a química como um instrumento secundário. A influência da vontade e da inteligência humanas sobre as operações da natureza em parte dependem de seu Logos. É, além do mais, um fato tão evidente que todos os alquimistas sérios tiveram êxito na proporção de seu talento e de sua fé, reproduzindo seu pensamento no fenômeno da fusão, da salinização e da recomposição dos metais.

O Grande Agente da operação do sol é a força que está descrita no símbolo de Hermes sobre a Tábua de Esmeralda. Trata-se da força mágica universal, o ígneo motor espiritual, o Od judeu e a Luz Astral, de acordo com a expressão adotada nesta obra. É o fogo secreto, vivificador e filosófico do qual não falam os filósofos Herméticos, para mantê-lo a salvo e preservá-lo misterioso. É o esperma universal, o segredo que eles guardam, merecidamente representado sob a figura dos caduceus de Hermes. Um segredo imensamente físico foi também ocultado sob as parábolas cabalísticas dos antigos. Nós tivemos êxito ao decifrá-lo e o apresentamos literalmente para as investigações dos produtores de ouro:

1. Os quatro fluidos imponderáveis são apenas as diversas manifestações de um agente universal, que é a luz.

2. A luz é o fogo utilizado no magnum opus sob a forma da eletricidade.

3. A vontade humana dirige a luz vital por meio da organização dos nervos. Nesse ponto, isto é chamado de magnetização.

4. O agente secreto do magnum opus, o Azoth dos sábios, o ouro vivo e vivificado dos filósofos, o produtivo agente metálico universal, é a ELETRICIDADE MAGNÉTICA, a primeira matéria do magnum opus. /.../[165]

 

Vou analisar o Mutus Liber[166] no volume dois desta obra, que é dedicado à prática. Todavia, neste volume inicial, consagrado à teoria, duas importantes observações há que fazer. Uma diz respeito à ordem operativa para a leitura das imagens: 1 – 4 – 9 – 12 – 5 – 6 – 7 – 2 – 8 – 3 – 11 – 10 – 13 – 14 – 15. Invejoso, ciumento, zeloso, o editor pretendeu misturá-las e assim confundir o amoroso, tornando muito difícil a compreensão do trabalho, apresentado numa ordenação confusa.

A segunda é a importância da mulher trabalhando junto com o homem na Alquimia, tanto a mulher quanto o homem são cada um o Alquimista e a Alquimista, e, ao mesmo tempo, a companheira e o companheiro. Não há protagonismo, ou, somos dois protagonistas, e um precisa do outro para realizar a Grande Obra.

Foi fabricado e funciona um esquema que tenta barrar a inteligência no Brasil, os exemplos são muitíssimos, em todas as áreas; isso passa pela elite, empresas, escolas, academia e mídia. Ao lado de bloquear os grandes pensadores, o esquema do colonialismo mental brasileiro programado instaura as efígies ou rajás que devem ser cultuados, e, cuja principal característica, ao lado de ter alguma coisa que possa ser emulação de qualidade, é desarticular a independência mental e a evolução espiritual em nosso país.

O que tenta barrar a arte, a ciência, a filosofia e o pensamento originais no Brasil é a Geoegologia, conceito criado por Eliane Colchete[167].

Vemos aqui como ela explica seu pensamento:

 

Mas o que é “Geoegologia”?

É a ciência (logos) do Sujeito (ego) da História como da “modernidade” (geopolítica). Em termos mais explícitos, é a definição da modernidade como discurso reflexivo da agência do desenvolvimento da razão na História como vir a ser da subjetividade pensável, por um sujeito, o Ocidente, que se auto-conceitua construindo a oposição a um outro como objeto, o primitivo ou subdesenvolvido que permanece pré-ego-lógico.

Assim, portanto, a oposição construída do Centro e da margem funciona como a ideologia de um processo intrínseco de desenvolvimento europeu, desde a Grécia antiga, que como o Centro recalca a sua dependência construtiva desse “outro” relegado à periferia. Enquanto o imperialismo, que congemina as potências pós-coloniais (USA, Europa e Japão) funciona como a base econômica desse recalcamento, de modo que as teorias geoegológicas que devem definir o capitalismo, como as de Weber ou Marx, podem apenas conceituar a ficção desse processo autônomo, sem que o imperialismo apareça como a mola na realidade.

Os paradigmas do desenvolvimento, romanticista, positivista, funcional-culturalista, estruturalistas, e, recentemente, a globalização que redefiniu a política de dominação cultural geoegológica transportando o discurso da teoria para a comunicação de massa (business de mídia), paradigmas que se sucedem ao longo da modernidade, regem pois a constituição das teorias que nas ciências humanas da modernidade estipularam a dicotomia da condição primitiva e da agência do Sujeito pensável moderno-ocidental. Dispondo, portanto, a própria oposição ao capitalismo como “Revolução Industrial”, na rasura do que o sustenta como a dependência tecnológica fabricada na margem por meio das políticas imperialistas contra a industrialização local, ao longo da história moderna como estruturação da “divisão internacional do trabalho” que nos impõe importação de industrializados caros (ou multinacionais) e exportação de matérias primas (baratas) como limite da produção.

Uma Alter-egologia na margem, pelo que ela deve apenas copiar o paradigma e refazer o processo desenvolvimentista por algum arranco que a precipita na História, é o efeito da Geoegologia no centro. Como se pode depreender, enquanto a autocompreensão do terceiro mundo estiver presa à ideologia alter-egológica, restringindo-se o pensador local a alter-ego do teórico de alhures, sem colocar a história efetiva como campo de prova do discurso e recalcando as produções que a exigem, o imperialismo permanecerá incólume. O momento pós-moderno se inicia desconstruindo a oposição formativa da ideologia da modernidade sem por isso ficar aquém dela em termos de organização social libertária. Apenas se trata de observar a interdependência das culturas na efetivação dos fatores progressistas, mostrando com as provas da história efetiva o que realmente pertence à organização social liberal, que desde Locke é intermediada pela informação da “margem”, desde o empirismo se afirma pela reorganização cartográfica ensejada na descoberta das Américas, e ao longo da modernidade instiga a mudança dos paradigmas pelos conhecimentos antropológicos ampliados. Como na atualidade a produção na margem já interfere com a oposição construída, compreende-se porque já não há novos modelos dicotômicos disponíveis, mas o ônus da dominação cultural articulada como imperialismo econômico-tecnológico nos termos novos da dominação info-midiática apenas repõe a necessidade da desconstrução num plano de evidenciação até agora estruturalmente dificultado.

Luis Carlos de Morais Junior muito contribuiu à minha sistematização da modernidade em termos geoegológicos, por suas pesquisas do pensamento local que desde Oswald de Andrade tem ampliando as possibilidades de evidenciação. Na sua decisão por um engajamento efetivo, devemos comemorar um avanço esperável nas nossas lides de pensamento e políticas de emancipação.[168]


Androgynous Mercurius (Rebis) aparece junto com mais motivos alquímicos desenhados por Eliane, na capa e na contracapa do nosso romance Crisopeia[169].

 



 

Positivismo foi o novo nome do egoísmo no despontar da era moderna, o qual perdura até hoje. Acontece quando o homem acha que ele enquanto espécie é o máximo que pode existir no universo.

Ironica/mente, essa arrogância espiritual e existencial gera as mais ridículas devoções e submissões a algum homem, que fica sendo o sucedâneo do espírito, nessa mentalidade infantilizada: isso se dá até com distorções do ânimo religioso das pessoas, se dá nas ditaduras, na devoção irracional ao “sistema” total/mente inviável e errado do marxismo, assim como em sistemas filosóficos oligofrênicos que propagandeiam terem eles descoberto toda a verdade universal, como o neopositivismo lógico, e, ainda, acontece também no materialismo mais geral, e na pressuposição das ciências como a grande chave e fechadura do universo.

O homem saudável reconhece que o mundo é maior que ele, e reconhece no mundo aquilo que os filósofos pré-socráticos chamavam de noûs, a inteligência que pertence à alma do mundo, em outras palavras, compreende que há um espírito que permeia todas as coisas: essa é a natureza das coisas.

De rerum natura é o nome do livro de Lucrécio, significa em latim Sobre a natureza das coisas; nada é mais claro e objetivo do que um livro de Alquimia, a Natureza das Coisas é o Espírito.

Há várias versões para a Tábua de Esmeralda de Hermes Trismegistos, sempre com uma aproximação possível do texto original, e ler muitas ajuda porque nos mostra a luz do entendimento que brilha por trás das derivas das versões; gosto daquela que Jorge Ben musicou e canta no Lp A Tábua de Esmeralda, e que é a adaptação da tradução para o português da versão que Jacques Sadoul cita no seu livro O Tesouro dos Alquimistas[170].

Secretum Secretorum, O Livro do Segredo dos Segredos, obra árabe com o nome de Kitab sirr al-Asrar, do século X, trata de vários assuntos, desde a arte de governar até a Alquimia. Foi traduzido e editado por Roger Bacon, em latim, no século XII.

A edição de 1920 tem notas e estudo introdutório em inglês, de autoria do editor do século 20, Robert Steele, o qual realiza um levantamento de textos medievais sobre Alquimia e mostra várias versões medievais de cada um dos 15 versos da Tábua de Esmeralda para o latim, e, antes, comenta:

 

Deste ponto até o final da seção, está a famosa Tábua de Esmeralda de Hermes, que aparece aqui em sua forma mais antiga conhecida. Tem todas as aparências de considerável antiguidade e é provavelmente de origem egípcia, passando por tratados bizantinos. Atualmente, existem várias traduções diferentes dela, mas esta é provavelmente a melhor, pois é, no geral, a mais simples. O texto em árabe parece ter recebido algumas adições.

 

Vou fazer a minha tradução das quinze teses, comparando as várias opções que o Secretum Secretorum oferece[171]. Aqui proponho a minha adaptação, utilizando como guia a tradução de Jacques Sadoul e o texto constante na edição contemporânea do Secretum Secretorum. Várias alternativas em latim do texto acima não foram vertidas. A pesquisadora Françoise Bonardel seleciona também algumas versões e glosas da Tábua de Esmeralda, na antologia que organizou, intitulada Filosofar pelo Fogo[172].

Observe no texto original, constante das notas, que há (sub)teses das possibilidades das sentenças latinas que não aparecem nas traduções consagradas em vernáculo:

 

1.       É verdade, sem mentira, é certo e muito verdadeiro.

2.       O que está embaixo é como o que está no alto, e o que está no alto é como o que está embaixo.

3.       Por essas coisas fazem-se os milagres de uma só coisa.

4.       E como todas as coisas são e provêm de Um, pela mediação do Um, assim todas as coisas são nascidas desta coisa única, por adaptação.

5.       O Sol é o seu pai, a Lua é a sua mãe.

6.       O vento o trouxe em seu ventre, a Terra é sua nutriz e receptáculo.

7.       O Pai de tudo o Telesma do mundo inteiro está aqui. Sua força está intacta. É a Mãe de toda a perfeição. Sua potência é perfeita. Ele é a causa da perfeição de todas as coisas deste Universo.

8.       Se o fogo for transformado em terra.

9.       Tu separarás a terra do fogo e o sutil do espesso, docemente, com grande desvelo.

10.   Ele ascende da terra e descende do céu, e recebe a força das coisas superiores e das coisas inferiores.

11.   Tu terás por esse meio a glória do mundo, e toda a obscuridade fugirá de ti.

12.   É a força, força de toda força.

13.   Ela vencerá qualquer coisa sutil e penetrará qualquer coisa sólida.

14.   Assim o mundo foi criado. Disso sairão admiráveis adaptações, das quais aqui o meio é dado.

15.   Por isso fui chamado Hermes Trismegisto: tenho as três partes da filosofia universal. O que disse da Obra solar está completo.

 

A Alquimia possui sete chaves operativas, indicadas pelos operadores herméticos:

1)      Macrocosmos e Microcosmos – a experiência alquímica é única, pois, a começar os trabalhos, o ser humano se percebe como microcosmos, isto é, uma projeção individualizada, do macrocosmos, do mundo. Ele se identifica com o mundo, que é ele mesmo, e pode ver e agir sobre si próprio como uma pedra, um matraz, um ovo, um forno, e faz o trabalho sobre essa matéria que é o seu ser: a sua essência, o seu espírito e o seu corpo.

2)      Ergon e Parergon – o trabalho alquímico torna-se de tempo integral para o iniciado, e ele está sempre lidando com o ovo alquímico, se identificando com seu ser individual e ao mesmo tempo com seu ser cósmico, e assim, todas as atividades que ele faz constituem um contínuo com o seu trabalho alquímico.

3)      Ovo e Athanor – transformação da própria energia, inspirada na Força Divina, o Um do qual o ser humano faz parte; ele consegue trabalhar sobre seu ser mundano e aquece esse trabalho com um fogo cósmico, um calor emanado da luz que gera o Universo.

4)      Enxofre e Mercúrio – o macrocosmos e o microcosmos são feitos de duas forças, uma masculina e fixadora, que o Alquimista chama de Enxofre, e uma feminina e transformadora, que o Alquimista chama de Mercúrio. Estas forças estão nele mesmo e em todas as coisas à sua volta. Separá-las é a Hiperquímica, Química Transcendental, que difere da análise química ocidental, porque faz a separação dos dois princípios geradores de tudo: o pai e mãe do eu e do mundo.

5)      Solve e Coagula – a Alquimista dissolve sua consciência e assim o faz com o mundo também, aquilo que os Toltecas chamam de “parar o mundo”. Ele consegue separar Enxofre e Mercúrio, e provoca a dissolução do eu e do mundo, para depois reintegrá-los, conseguindo uma sublimação de si mesmo e dos seres nessa reintegração; essa é a destilação genuína, que inspirou a destilação vulgar, praticada por sopradores.

6)      Quatro elementos e Quintessência – a criação é constituída de quatro modos materiais e um modo que liga os modos materiais ao mundo espiritual, os quatro elementos e a quintessência. Eles são a contrapartida material do Enxofre e Mercúrio pré-materiais. O trabalho do Alquimista com os Quatro elementos e a Quintessência produz o estado de glória, que precede a ascensão da Obra Magna. Esse estado permite as manipulações, pois o sutil e o sólido são duas vibrações diferenciadas mas integradas da Quintessência, com a qual o Alquimista trabalha.

7)      Pedra e Elixir – o trabalho do Alquimista é benéfico para ele e para a humanidade desde o começo. Quando ele obtém a Pedra Filosofal e o Elixir da Longa vida, sua maior felicidade é concedida por Deus.

A Tábua de Esmeralda traz as sete chaves. Muitos dos melhores tratados trazem apenas algumas.

Eis as chaves no texto basilar da Alquimia:

1)      O que está embaixo é como o que está no alto, e o que está no alto é como o que está embaixo.

2)      Por essas coisas fazem-se os milagres de uma só coisa.

3)      E como todas as coisas são e provêm de Um, pela mediação do Um, assim todas as coisas são nascidas desta coisa única, por adaptação.

4)      O Sol é o seu pai, a Lua é a sua mãe. O vento o trouxe em seu ventre, a Terra é sua nutriz e receptáculo. O Pai de tudo o Telesma do mundo inteiro está aqui. Sua força está intacta. É a Mãe de toda a perfeição. Sua potência é perfeita. Ele é a causa da perfeição de todas as coisas deste Universo. Se o fogo for transformado em terra.

5)      Tu separarás a terra do fogo e o sutil do espesso, docemente, com grande desvelo. Ele ascende da terra e descende do céu, e recebe a força das coisas superiores e das coisas inferiores.

6)      Tu terás por esse meio a glória do mundo, e toda a obscuridade fugirá de ti. É a força, força de toda força. Ela vencerá qualquer coisa sutil e penetrará qualquer coisa sólida.

7)      Assim o mundo foi criado. Disso sairão admiráveis adaptações, das quais aqui o meio é dado.

 

A obra de Hermes Trismegistos é gigantesca, e o que chegou até nós dos seus textos são fragmentos, mas, mesmo assim, impactantes. Uma coisa é procurar uma influência para trás no tempo, o que ali viria do neoplatonismo, do cristianismo, do gnosticismo, ou até de filosofias orientais. Outra coisa é estudar e entender que o imenso mundo da Filosofia Hermética reaparece na Grécia Clássica, em Roma e no mundo cristão, como influência de um saber bem mais antigo que a Filosofia grega, o gnosticismo e o próprio cristianismo.

Xavier Renau Nebou faz um excelente trabalho de tradução e pesquisa no livro Textos Herméticos. Ali ele apresenta os principais estudos e traduções sobre a obra de Hermes, abraçando com dúvida a tese de que teria havido grupos ou congregações herméticas, as quais teriam produzido vários textos diferentes que foram atribuídos a Hermes, no início da era Cristã; ainda aceita a tese de que haveria uma matriz egípcia comum a todos eles. No seu livro podemos ler alguns fragmentos herméticos que se relacionam clara/mente com a prática alquímica, selecionados por Festugière:

 

Fragmentos dos textos alquímicos do Hermetismo (Alquimia Hermética: AH), recolhidos e classificados por Festugière[174]. Entre os mais significativos, referidos mais adiante nas notas:

AH 1 [Alch. Gr., 115.10]: “Se você não tornar os corpos incorpóreos e não encarnar os incorpóreos, o resultado esperado será nulo”.

AH 3 [Ibid., 275.15]: “Hermes disse, com efeito: ‘o grande Deus opera a partir do princípio’, em vez de dizer: ‘o grande calor do fogo, desde a primeira redução do mercúrio, é suficiente por sua potência para produzir o Todo’”.

AH 5 [Ibid., 282.14]: “É esta operação que Hermes chama de ‘o bem dos nomes múltiplos’ (polyṓnimon)”.

AH 6 [Ibid., 228,7-234,2 e Scott, IV, p. 104-110]. São citações de Hermes em Zósimo de Panópolis, Sobre a letra Ômega, que constituem os fragmentos herméticos (FH) 19-21. Cf. também as notas de Scott ao texto (IV, p. 112 e segs.) e a tradução de Festugière (op. cit., p. 263-273).

AH 7 [Alch. Gr., 239-246, Festugière, Rév., I, p. 363-368 e Scott, IV, p. 111-112]. São citações de Hermes em Zósimo, Conta Final. Tradução em Festugière, Rév., I, p. 275-281.

AH 8 [Alch. Gr., 150.12]: “Todo vapor sublimado é um pneuma”.

AH 9 [Ibid., 156.4]: “É preciso investigar também a questão dos tempos oportunos. O pneuma, diz Hermes, deve ser separado sob a ação do fogo, deve macerar até a primavera... O grande Sol produz isso porque é por causa do Sol que tudo se realiza”.

AH 12 [Ibid., 175.12]: “O que o fogo faz de modo artificial, o Sol faz com a ajuda da natureza divina. Assim diz o grande Hermes: ‘O Sol que produz todas as coisas’. E não para de repetir: ‘Exponha ao Sol’ e ‘dissipe o vapor do Sol’. Tudo se cumpre de alguma forma pela ação do Sol”.

AH 17 [Ibid., 83.4]: “De fato, Hermes diz em algum lugar: ‘A Terra virgem é encontrada na cauda da Virgem (constelação)’”.

AH 23 [Ibid., 125.10]: “O que se distingue do eflúvio da Lua é separado de acordo com a natureza substancial da Lua”.

AH 25 [Ibid., 132.16]: “O metal é um ser vivo animado (Zōon émpsyon)”.

AH 28 [Ibid., 407.10]: “Hermes declara que o conjunto das coisas, embora

múltiplo, é denominado um”.

AH 31 [Ibid., 84.12]: “Um é o Todo, por causa de quem é o Todo, porque se o Todo não tem o Um, nada é o Todo”.

AH 32 [Ibid., 20.13]: “Se os dois não se tornarem um e os três não se tornarem um e o conjunto do composto não se tornar um, o resultado esperado será nulo”.

AH 33 [Ibid., 28-33 (Codex A), 33-35 (Codex E). Textos sinóticos em Scott, IV, p. 145-159]. Título: De Ísis, a profetisa, a seu filho Hórus. Tradução: Festugière, Rév., I, p. 256-260. Após uma introdução sobre as características da revelação, Ísis conta ao filho os procedimentos para a obtenção do ouro.

Todos estes textos alquímicos recolhidos por Festugière confirmam a estreita relação entre o hermetismo prático e o teórico: a fórmula do Uno e do Todo de AH 28-32, por exemplo, é repetida como um lema em numerosos tratados (cf. CH IX 9 e nota ad loc.); ou a função do sol, que é tão fundamental na alquimia como na explicação culta do governo do Cosmos (cf. CH XVI e Apêndice I). Inclusive, a mesma forma literária, a frase lapidar, é repetida nos Hermetica filosóficos (cf. SH XI e nota ad loc.). [175]

 

Essas são as abreviaturas dos textos herméticos como Xavier Renau Nebot cita: AH: Alquimia Hermética 1-33, Asc.: Asclepio, CH: Corpus Hermeticum I-XIV, XVI-XVIII, DH: Definiciones Herméticas Armenias I-X, FH: Fragmentos Herméticos 1-37, NH VI: Códice VI de Nag Hammadi, SH: Stobaei Hermetica I-XXIX (Extractos de Estobeo).

E aqui os autores teóricos que utiliza: A. BARUCQ, F. DAUMAS, Hymnes et Prières de l’Égypte Ancienne; FESTUGIÈRE, Révélation d’Hermes Trismegiste; FESTUGIÈRE, H.M. Hermétisme et Mystique Païenne; J.-P. MAHÉ, Hermès en Haute Égypte, I-II; A. D. NOCK - A. J. FESTUGIÈRE, Hermès Trismégiste, I-IV; Papyri Graecae Magicae (ed. PREISENDANZ); A. PAULY, G. WISSOWA, Real-Encyclopädie der classischen Altertumswissenschaft; W. SCOTT, Hermetica, I-IV; H. VON ARNIM, Stoicorum Veterum Fragmenta.[176]

 

O Segredo da Flor de Ouro[177] foi escrito na China, no século VIII antes de Cristo, ou antes, e é um tratado alquímico. A influência da obra de Hermes Trismegistos, há mais de 5000 anos, se espalhou pelo mundo antigo, que não era hermetica/mente fechado, que era hermetica/mente aberto, pois havia contatos entre os sábios e povos e os povoados e as cidades e os impérios.

 

 

Capítulo 4: O Imperador ד

 

E se te desmentem, (recorda-te de que) também foram desmentidos os mensageiros que, antes de ti, apresentaram as evidências, os Salmos e o Livro Luminoso.

(Alcorão Sagrado)[178]

 

Honro os livros sagrados, os textos herméticos, os Vedas, o Antigo Testamento, o Novo Testamento e o Alcorão Sagrado.

Honro o Imperador, que é a manifestação da ordem no mundo humano.

A letra Dalet que lhe corresponde traz os significados de porta e entrada, e apontam para o ser que se abre para o outro, ou mostra a humildade do homem diante do mundo e, principal/mente, diante de Deus, e assim abre as portas dos chakras, e acessa a comunicação com os seus Pais. Seu hegrama é 14 Dà Yǒu, Fogo sobre o Céu, Grandes Posses ou Grande Força.

Reafirmando a mesma noção, e para ficar no mesmo campo semântico, proponho também aqui o hexagrama 34 Dà Zhuàng, O Poder do Grande: Trovão sobre o Céu.

O signo correspondente sendo Caranguejo, seu planeta é a Lua, seu elemento é a Água, que lhe proporciona suas qualidades e desafios, mutável, sensível, doce e ao mesmo tempo insondável, oculto, sendo ele um ente da água como magia, como mistério.

O Rebis é o filho que nasce da conjunção alquímica, é o fruto da obra bem-sucedida, da qual O Imperador é um dos quatro começos. O Andrógino traz em si o fixo e o volátil: Ares separa (volatiza), Afrodite junta (cria, cruza e manifesta), Hermes condensa (faz a fusão hermética dos dois princípios: Mercúrio e Enxofre).

 

A alquimia, como a astrologia, é uma ciência secular baseada no pensamento analógico. Se observarmos atentamente a natureza e a vida humana, notamos um processo que envolve um movimento de vai-vém entre os dois polos da existência: matéria e espírito. Não se trata de polos opostos, mas de extremidades opostas de uma escala que condensa numa direção e rarefaz na outra.[179]

 

Assim como esta obra citada, a imensa maioria dos autores fala em analogia. Concordo com Mellie Uyldert sobre esse movimento entre os polos, mas, justa/mente por não serem opostos, por serem contíguos, eles constituem o mesmo contínuo que abarca o espírito, a matéria, o espaço, o tempo e o pensamento (“Telesma o pai de todas as coisas está aqui”). Por isso tudo é um. Por isso tudo é vivo. E é por isso que a Alquimia (o Hermetismo) é a Filosofia da Univocidade.

No seu mesmo livro A magia dos metais, Mellie Uyldert comenta que:

 

Através da purificação do corpo e da alma, ela prepara o coração divino para o início da transmutação. As pessoas que ainda possuem a centelha brilhante em seu interior têm o dever de se purificar e de mudar; esse é o seu destino! Exatamente por essa razão, os eremitas de outrora, e outros, ao lutar pela santificação, abstinham-se intuitivamente de comer carne, de tomar álcool e outras drogas, de fumo, de remédios químicos, de pornografia, de leituras populares (do tipo baixo, sensacionalista), do sexo como divertimento, da tarelice e do raciocínio causativo (usando estatísticas, por exemplo). A pessoa se afasta naturalmente das coisas impuras e procura a paz e a natureza  tranquila e ainda não conspurcada.[180]

 

Nietzsche reverte o pensamento ocidental, não por negar a metafísica (o estudo do ser enquanto ser), muito menos por adotar o materialismo (infantilismo tolo, que não se encontra nos seus complexos textos), mas, sim, por ser pensador da Univocidade, sobre a qual trabalha esse homem – filósofo tão antigo que quase que virou mito, mas cuja obra ainda chega univoca/mente até nós: Hermes Trismegistos.[181]

Veja, por exemplo, o pensamento nietzschiano de que a “vida, no início, deve imitar a matéria para ser simplesmente possível”[182], na leitura de Deleuze sobre o sentido das forças que se apoderam das formas (máscaras), em nosso autor. Nietzsche, por ser o pensandor que afirma a univocidade, recusa a fortiori a analogia, a representação e a dialética da negação.

Aproveito muito o texto de Mellie, lendo unívoco onde ela escreve análogo:

 

O Sol, o coração e o ouro são análogos. E gold, good e god (ouro, bom e deus) vieram da mesma palavra original.[183]

 

A compreensão corrente nas traduções para as línguas contemporâneas da Tábua de Esmeralda poderia aceitar a ideia de analogia, quando vemos os dois primeiros versos vertidos assim: “O que está embaixo é como o que está no alto, o que está no alto é como o que está embaixo”. Mas vejamos como podem se apresentar esses versos, em latim, no Secretum Secretorum[184]:

 

Quod inferiora superioribus et superiora inferioribus respondent.

Quod est inferius est sicut quod est superius, et quod est superius est sicut quod est inferius.

Quodcunque inferius est simile est ejus quod est superius.

Inferiora hac cum superioribus illis, istaque cum iis vicissim veres sociant.

 

Versos esses que, em português, podem ser entendidos assim:

 

As coisas inferiores correspondem às superiores e as superiores correspondem às inferiores.

O que está abaixo é como o que está acima, e o que está acima é como o que está abaixo.

Tudo o que está abaixo é semelhante ao que está acima.

As coisas que estão embaixo são semelhantes às que estão no alto, e com elas se unem verdadeiramente.

 

Vemos que, nas possibilidades da apresentação em latim dos versos (escritos em Egípcio, traduzidos para o Grego, retraduzidos para o Árabe, e, daí, vertidos para o Latim; por isso há várias possibilidades de aproximação ao texto original na tradução do Secretum Secretorum), se encontramos uma opção comparativa (sicut quod), temos também a ideia de que o superior e o inferior se correspondem (respondent), se assemelham (est simile est) e mesmo se unem (sociant).

O que chega nessa peneira do tempo no texto é a ideia de que o inferior e o superior estão profunda/mente ligados e aliados. Traduzir essa forte ligação como analogia já é uma opção teórica, uma tradução que faz opção intencional por ver nessa ligação ou congenialidade uma analogia, quando está sendo demonstrada a mesma natureza das aparente/mente diferentes realidades, a espiritual e a material.

A analogia é um hábito preguiçoso e perverso do pensamento humano, o comodismo de tentar entender uma nova conjunção de forças, uma nova força, uma nova forma como algo já conhecido; sempre produz entendimentos fracos e submissos ao passado, representados, coisas que se desentendem total/mente.

Ainda podemos ter em mente o princípio fundamental do Hermetismo: Ἣν τὸ πᾶν (Hen to pán) = o um no todo, o todo no um; tudo está em tudo. Esse axima hermético afirma a univocidade: o espiritual e o material sendo um, os astros estão em nós, nós estamos no universo, Macrocosmos e Microcosmos; não porque os dois se assemelhem, mas porque os dois possuem a mesma natureza que se expressa das duas maneiras.

Corroborando ainda nossa tese, faço esta citação adaptada, simplificada (sem o símbolo desenhado nem as citações em grego, mas que estão presentes na palavra simbolizada e nas traduções), do texto de Julius Evola:

 

Este “todo” tem sido chamado também caos (o “nosso” caos) e ovo, porque contém indistintamente as potencialidades de todo o desenvolvimento ou geração: dorme na profundidade de cada ser e, como mito sensível – para usar a expressão de Olimpiodoro –, desenvolve-se na multiplicidade caótica das coisas e das formas dispersas aqui embaixo, no espaço e no tempo. Por outro lado, o círculo do Uroboros tem também outro significado: refere-se ao princípio de “clausura” ou “selo hermético” que, metafisicamente, exprime o fato de ser estranha a esta tradição a ideia de uma transcendência unilateralmente concebida. Aqui a transcendência está concebida como um modo de ser compreendido na “coisa una” que “tem um duplo signo”: é em si mesma e ao mesmo tempo é a superação de si mesma; é a identidade e ao mesmo tempo veneno, que dizer, capacidade de alteração e dissolução; é ao mesmo tempo princípio dominante (macho) e princípio dominado (fêmea) e, portanto, “andrógino”. Um dos mais antigos testemunhos hermético-alquímicos é a frase que Ostano teria dado como chave dos livros da “Arte” deixados ao Pseudo-Demócrito: “A natureza recreia-se na natureza, a natureza vence a natureza, a natureza domina a natureza”. Mas Zózimo diz também: “A natureza fascina, vence e domina a natureza”; e acrescenta: “Os sulfúreos dominam e retêm os sulfúreos”, princípio que se tornará um motivo recorrente nos desenvolvimentos ulteriores da tradição, desde a Turba Philosophorum em diante. /.../

Ora bem, quando a coincidência do corporal e do espiritual, da qual tratamos, se entende como deve ser entendida, quer dizer, não na referência a dois princípios que, mesmo sendo um deles chamado “espiritual”, são pensados como partes de um todo em qualquer caso exterior à consciência, mas sim de um modo vivo, como dado de uma experiência real – então chegamos a outro dos ensinamentos herméticos fundamentais: o da imanência, o da presença no homem da “coisa maravilhosa”, do “caos vivo”, no qual está compreendida toda a possibilidade. Por isso nos textos herméticos há um contínuo transferir dos mesmos termos, dum significado cósmico-natural para um significado interior humano: Pedra, Água, Mina, Matriz, Ovo, Caos, Dragão, Chumbo, Matéria Prima, Árvore, Espírito, Telesma, Quinta-essência, Mulher, Céu, Semente, Terra etc., são símbolos que na linguagem cifrada hermética sofrem continuamente esta transposição, até dentro de um mesmo período, provocando imensas dificuldades para o leitor inexperto.[185]

 

Por exemplo, Marte é em Alquima o nome do deus das mitologias grega (Áries) e romana, é o quarto planeta do sistema solar e é o metal ferro. As relações que podemos ver entre eles não são analógicas: é o mesmo princípio que está ali, em todos os casos. Poderia se pensar que se trata da teoria das assinalações da Renascença, como a estuda Michel Foucault no seu livro As Palavras e as Coisas[186]; mas também não é isso, não se trata de um sistema que produza enunciados que invertam as relações entre o visível e o invisível e inventem relações funcionais pela semelhança entre os seres (por exemplo, o feijão serve como terapêutica dos rins, porque teria uma forma parecida).

Acontece que a substância ferro é um metal privilegiado para fazer armas de guerra, e o elemento ferro está presente e é fundamental para as hemoglobinas do sangue humano. O planeta Marte é chamado de planeta vermelho por ter uma aparência avermelhada, e, no século XX, os cientistas descobriram que essa cor vermelha visível da sua superfície se deve à presença do ferro nas rochas do seu solo, em grande quantidade. Então, existe uma qualidade “marcial”, que está presente no deus grego, nas hemácias, no planeta: Marte em Alquimia se refere a todos eles, mas, antes e acima de tudo, se refere a essa qualidade, a essa “capacidade” que se apresenta em várias manifestações diferentes.

 



 

Os textos e imagens alquímicos não são para serem entendidos “ao pé da letra”, referencial/mente, “nosso ouro não é o ouro vulgar etc.” Também não se trata aí de metáforas, de linguagem cifrada, nada disso. O erro pode acontecer se o soprador lê o texto e tanta fazer exata/mente o que o texto diz para ser feito: só enganos acontecem aí, mesmo que, às vezes, sejam profícuos, porém, em outra escala, resultando em descobertas químicas etc. (Ver O Adepto em Oração 187.)

Mas isso nada tem a ver com Alquimia.

Podemos ler na História da Filosofia Oculta, de Alexandrian:

 

A ideia que hoje fazemos da alquimia foi imposta no fim do século XIX pelo grande químico Marcellin Berthelot (Les Origines de l’alchimie. Paris: Georges Steinheil, 1885). /.../ Poderíamos crer, segundo ele, que os princípios da química se confundem inteiramente com a alquimia, dedicando-se os químicos a experiências banais, enquanto que os alquimistas professariam a filosofia hermética: estes últimos desprezavam, aliás, os primeiros e considervam-nos assopradores, bons apenas na mesma medida em que o sopro era bom para activar o fogo de uma fornalha. Por outro lado, apresentar simplesmente os alquimistas como precursores leva a pensar que a alquimia desapareceu para dar lugar à química. Ora, na época em que Berthelot consagrava dois tomos de sua Histoire des Sciences (1893) à alquimia árabe, estudando-a da mesma forma que se estuda uma língua morta, um grupo extraordinário de alquimistas trabalhavam, em França, na Grande Obra, e um deles, François Jollivet-Castelot, renovando o desdém dos seus confrades do Renascimento pelos químicos, dizia, em 1897: “A química é uma ciência de garotos de laboratório para a filosofia hermética” (Commen on devient alchimiste. Paris: Chamuel, 1897).[188]

 

O erro também pode acontecer quando se tenta fazer uma tabela de correspondência das metáforas, e agir como o primeiro soprador, só que substituindo a palavra que aparece no texto por alguma outra coisa, que ele supõe que seja o “objeto” escondido ou metaforizado. Respondendo também a Gaston Bachelard, a Alquimia não trabalha nem com um conceito da matéria universalizada, nem com a matéria particularizada por alguma ciência.

A Alquimia trabalha com as forças pré-materiais.

Ao que o texto alude nos elementos e operações de que trata são capacidades da própria consciência humana, que só podem ser acessadas num estágio refinado, mais sutil, da consciência. Nada é vago ou subjetivo aí, por isso os textos apresentam formidável unidade e coerência. É por isso que é Marte é sempre Marte, e se você conseguir obter Marte, será Marte, com suas características, propriedades e possibilidades, nunca uma coisa qualquer. Em cada grão uma montanha de energia com fé, em cada grão um cosmos, que nos alimenta no fluxo das energias universais. Um no todo. Todo no um.

Robert Fludd faz importantíssimas experiências com o Trigo e estabelece o seu papel de ouro vegetal:

 

E, no entanto, ela não é de muitas Naturezas, mas é indissociável e apenas uma em número, governando como a própria imagem da Criatura geral em tudo e em todos, pois, tanto quanto ela é a vida de todas as coisas, está com a alma individual da palavra universal em todos e, portanto, em todas as partes do edifício Microcósmico: Pensai, portanto, seriamente, ela escolheu para sua mansão principal no Reino Animal o corpo do homem, que é a mais excelente de todas as criaturas sensíveis; No Império Vegetal, ela elegeu o Trigo, que é o mais digno de todos os vegetais para o seu tabernáculo mais rico, no qual ela é mais abundantemente observada em habitar e manter sua corte mais comum no Reino vegetal e, em sua natureza Mineral, que ela mais se deleita e principalmente habita no palácio de Ouro, polindo-o com as correntes de sua glória mais brilhante. [189]

 

O valor do homem, do ouro e do trigo é um valor imanente, não representativo. É bom sempre respeitar esse valor espiritual, aquisitivo e alimentativo. Especular com esse valor é falseá-lo[190].

A minha receita: trigo integral como grão junto com arroz nas refeições. Repita o máximo que puder, pois o trigo nos alimenta e estabelece vínculos mágicos com o mundo em suas potências. Se puder comer o pão, coma o pão, com o mesmo intento, pois, o efeito é o mesmo.

Continuando a demonstração sobre a obra de Shakespeare ser inteira/mente alquímica, apresento mais uma tradução que fiz. Os sonetos do nosso autor sempre são construídos em decassílabos, o que, em Inglês, cuja maioria do vocabulário é monossilábica, dá para dizer muito mais coisa do que a mesma medida em Português. Mesmo assim, os sonetos 7, 33, 91 e 145 traduzi em decassílabos; os sonetos 8 e 21, em versos livres, e os sonetos 20 e 154 em alexandrinos:

 

Sonnet 154

 

The little Love-god lying once asleep,
Laid by his side his heart-inflaming brand,
Whilst many nymphs that vowed chaste life to keep
Came tripping by; but in her maiden hand
The fairest votary took up that fire
Which many legions of true hearts had warmed;
And so the General of hot desire
Was, sleeping, by a virgin hand disarmed.
This brand she quenched in a cool well by,
Which from Love’s fire took heat perpetual,
Growing a bath and healthful remedy,
For men diseased; but I, my mistress’ thrall,

Came there for cure and this by that I prove,
Love’s fire heats water, water cools not love.[191]

 

Soneto 154

 

Eros, o Deus do Amor, menino, adormeceu,

Largando ao lado a flecha inflama-corações;

Vieram as ninfas virgens, vendo ali o sono seu,

E uma pegou o dardo-chama, que legiões

Fez ficarem amorosos e sinceros.

E assim dormindo foi o General do Quente

Desejo desarmado. Ela, a seta, então, de Eros,

Mergulhou na nascente, e a frecha a fez ardente,

Encheu de fogo a fonte, e, ao invés de se apagar,

Criou balsâmica água ígnea, que serve de cura

Pra todos que sofrem da loucura de amar.

Servo de minha Dama, lá fui, à procura

Do universal remédio, e fiquei sabedor:

O fogo esquenta a água, a água não esfria o Amor.

 

O adepto William Shakespeare (Inglaterra, Stratford-upon-Avon, 1564 – Stratford-upon-Avon, 23 de abril de 1616) fala do fogo que não queima e da água que não molha, ou, da água que queima, a verdadeira água ardente (não se refere a alguma bebida destilada), a água ígnea, e do fogo que molha; à qual Gregório de Matos Guerra (Brasil, Salvador, 23 de dezembro de 1636 – Recife, 26 de novembro de 1696) também se refere no soneto:

 

Ardor em firme coração nascido;
Pranto por belos olhos derramado;
Incêndio em mares de água disfarçado;
Rio de neve em fogo convertido:

Tu, que em um peito abrasas escondido;
Tu, que em um rosto corres desatado;
Quando fogo, em cristais aprisionado;
Quando cristal em chamas derretido.

Se és fogo como passas brandamente,
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

Pois para temperar a tirania,
Como quis que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu parecesse a chama fria.[192]

 

Minhas canções, meus poemas e meus livros em geral trazem sempre aprendizado  e investigação alquímica, junto, às vezes, quase sempre, com outras matérias de que tratam.

É uma inquietação que acalma e uma meditação atlética, que gera movimento interno (pensamento) e externo (transformação). Muito mais que instância psicológica, o inconsciente é o elo criacional e cósmico do ser humano com o macrocosmos, é o princípio que dá o fit lux dentro de nós, repetindo em cada um de nós a criação, e, por isso, criamos algo, também.


Havendo há

(1986-1987)

 

Plágio

(1986)

 

É um barato este plágio

Da cor da televisão

Ao fundo a trilha sonora

Este mundo é todo bom

 

Não vou botar

Dinamites

Pro jantar

Não precisar

De abrigo

Pra voar

Se tudo aqui

Cheira a ouro

Do Templo

Não é preciso

Alquimia

Para viver

 

O Sol é pleno de tarde

Não sei donde vem um som

Toca uma flauta tão doce

Um piano um violão

 


Joia

(2016)

 

(Ad libitum)

É uma joia (D C)


Que me faz feliz (D C)

É a vitória (D C)

É tudo que eu quis (A D) (F G) bis

(Da capo)

 

Joia

Olhapra mim

TudoJunto

 


Vejamos ainda essa fulguração que o confirma, na folha de rosto de Le Grande Œuvre Alchimique, de Jollivet Castelot:

 

A matéria é una.

Ela vive, evolui e se transforma.

Não existem corpos simples.[193]

 

E uma observação ao pé de página que coloco aqui na página: se eu escrevi livros como Eu sou o Quinto Beatle, Aquarius, Paz e Amor e Eu sou Hippie (muito antes de 2018, data na qual o Paulo Coelho publica o seu), é porque me sinto profunda/mente ligado com o movimento da contracultura, que cresceu e se multiplicou na nossa sociedade.

Nada a comentar sobre a pessoa de Paulo Coelho, se ele é real/mente um místico como afirma ser, entre/mentes, para esclarecer a minha prática e a minha teoria da Alquimia, é melhor reafirmar o que já escrevi no livro Alquimia o Arquimagistério Solar; ele é um autor que tem o seu charme e pode divertir o leitor, mas o seu O Alquimista[194] está longe, longe.

O mesmo acontece com suas memórias chamadas Hippie[195]: acho muito tola a visão que ele tem do movimento, e assim como é total/mente errado o que ele fala sobre o cristianismo, o sufismo, a toltequidade e a religião Vaishnava, que ele alega no texto que todos chamam de Hare Krishna, porque a palavra em sânscrito seria impronunciável para nós; faça você a experiência, pronuncie: Vaishnava.

Foi ele quem afirmou que a literatura de James Joyce era incompreensível e atrasada[196]. O simples fato de eu inciar este livro que você está lendo com uma homenagem ao romance Ulisses[197] deixa clara a minha posição. (Quando eu conto lá na frente sobre a Livraria Oculta no centro do Rio de Janeiro, pelo que me lembro, há muito que o li, Paulo Coelho também camufla uma referência a esse insigne livreiro, na novela Brida, mas o coloca, com outro nome, na Irlanda.)

O fato de Paulo Coelho e outros escritores (ou, às vezes, nem sequer escritores) “sem qualidades” serem não só aceitos, como aclamados, para uma vaga na ABL, não os valoriza; ao contrário, os diminui assim como humilha ou desqualifica a instituição.

Quanto ao fato de os Vaishnavas serem popular/mente designados Hare Krishna no Brasil, isso se deve à importância que a religião dá ao Mahā-mantra (“O Grande Mantra” ou “O Mantra da Grande Felicidade”, nesta citação uso a transcrição fonética do sânscrito कृष्ण, que se escreve Kṛṣṇa, com o som de Krishna):

 

Hare Kṛṣṇa Hare Kṛṣṇa
Kṛṣṇa Kṛṣṇa Hare Hare
Hare Rāma Hare Rāma
Rāma Rāma Hare Hare

 

É cantado sempre pelos Vaishnavas no sankīrtana, que é o canto congregacional, e é especial/mente indicado para trazer a consciência divina e a libertação para as pessoas na Kali Yuga (कलियुग = “idade de Cali”, a era de ferro).

O site da revista fundada por Bhaktiventa, Volta ao Supremo, explica o significado do Mahā-mantra, e ali é afirmado, entre outras coisas, que:

 

/.../ A palavra “Hara” é a maneira de se dirigir à energia do Senhor, e as palavras “Krishna” e “Rama” são formas de se dirigir ao próprio Senhor. Ambas as palavras “Krishna” e ”Rama” significam “o prazer supremo”, e “Hara” é a suprema energia do Senhor, a qual, conjugada no vocativo, torna-se “Hare”. A Suprema energia de prazer do Senhor nos ajuda a alcançar o Senhor.

A energia material, chamada maya, é também uma das muitas energias do Senhor. E nós, as entidades vivas, também somos energia, a energia marginal do Senhor. As entidades vivas são descritas como superiores à energia material. Quando a energia superior entra em contato com a energia inferior, uma situação incompatível surge, mas, quando a energia marginal superior entra em contato com a energia superior, Hara, ela se estabelece em felicidade, sua condição normal.

Estas três palavras “Hare”, “Krishna” e “Rama” são as sementes transcendentais do maha-mantra. O cantar é um chamado espiritual para o Senhor e Sua energia darem proteção à alma condicionada. Esse cantar é exatamente como o choro genuíno de uma criança pela presença de sua mãe. A mãe Hara ajuda o devoto a alcançar a graça do pai, e o Senhor Se revela para o devoto que canta esse mantra sinceramente.

Nenhum outro meio de perfeição espiritual é tão efetivo nesta era de desavenças e hipocrisia quanto o cantar do maha-mantra: Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/ Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare.[198]

 

Desde a infância, Carlos assistia aos filmes e desenhos fantásticos pela televisão, e se sentia muito atraído pela “ciência” que aparecia ali, e ficava se imaginando um cientista como os que ele via nesses filmes, desenhos e gibis, também.

Guardava os vidros que a mãe iria jogar fora, mas, aos quatro anos, seu “laboratório” ainda não tinha substâncias nos vidros.

Aos dez anos, já na casa que seus pais alugavam então, ele fez um “laboratório secreto” num cantinho do quartinho de empregrada, que também servia de dispensa para tudo que não estivesse sendo usado naquele momento. Ali ele já tinha algumas peças de laboratório, como tubos de ensaio, becker e pipeta, e também substâncias químicas, que vieram num kit de química para crianças que ele ganhou de presente.

Nessa época, começou a ser vendida nas bancas de jornal a coleção Os Cientistas (1972), da editora Abril Cultural, que ainda o encantava com as coleções Mitologia (grega, 3 volumes, 1973) e a científica O Mundo em que Vivemos[199]. Depois ainda vieram a Enciclopédia dos Mares e Mundo Submarino (Rio de Janeiro: Salvat, 1984, duas coleções de 6 volumes cada, que no original em italiano se chama Pianeta Mare, Milano, Fabbri, 1980, e se constitui nos doze volumes juntos, sendo que aqueles que no Brasil se intitularm Enciclopédia dos Mares trazem cada capítulo escrito por um autor, geral/mente oceanógrafo, e o Mundo Submarino é escrito na íntegra por Jacques-Yves Cousteau, que dá o nome geral das duas coleções, em nosso país); em 1980 ainda veio a série de televisão Cosmos, em 14 episódios, que também foi transformada em livro[200].

Mesmo lendo sobre ciência, sua fascinação continuava sendo por uma prática que seria ao mesmo tempo científica e ao mesmo tempo fantástica, que ele expressava na sua vontade de ser um “cientista louco”.

Fazia projetos delirantes, como os esquemas e o protótipo de um foguete e de um disco voador, tentava sintetizar joias derretendo chumbo e misturando pequenas pedras coloridas ou missangas ao chumbo derretido. Seu pai lhe ensinou que o chumbo era fácil de derreter, e ele fazia muito isso, no fogão da cozinha; mas ele também lhe explicou que os gases que desprendiam do chumbo derretido eram perigosos, que ele deveria evitar aspirá-los. Foi ainda seu pai, muitos anos antes, quando ele era menor, que lhe mostrou o mercúrio que saiu de um termômetro quebrado, e que se movia o tempo todo sem parar – também alertando que não deveria tocar com os dedos o mercúrio, pois era venenoso.

Pegou um grande frasco de vidro e ali ele ia colocando todas as substâncias químicas que conseguia obter, e a cada dia a massa líquida fechada naquele vidro com tampa ia mudando de cor, ficando furta-cor depois, quando parecia que era feita de múltiplos pequenos pedacinhos, como lantejoulas, que não paravam de se mover.

“Inventou” uma “pomada contra queimadura” que impressionava os adultos, porque parecia real/mente aliviar, e deixava uma película sobre a pele, que podia ser destacada, depois.

Também gostava de fazer fogueiras, quando iam para o sítio do seu pai, ou na casa do tio do seu pai, que era num subúrbio, ao lado de um terreno baldio, e seu prazer era fazer a fogueira e ficar jogando fósforos nela, pra ver o fogo nascer dentro do fogo, como uma multiplicidade.

Comprei O Tesouro dos Alquimistas, de Jacques Sadoul, e o Corpus Hermeticum, nessa época da adolescência, e fiquei lendo, impressionado e impressionante.

Outra leitura consuetudinária que eu fazia era dos autores de ficção científica, principal/mente Isaac Asimov, que era também cientista, e colocava coisas parapsicológicas e outros mistérios nos seus livros, como capacidade mentálica, o poder da telepatia e de manipular telepatica/mente os outros.

Isso e outras leituras científicas e de ficção científica me fizeram optar pelo curso de Astronomia, quando realizei o simulado de vestibular (nessa época as provas do vestibular eram a maneira de entrar nas universidades, fossem públicas ou particulares); sendo o único cantidato, obstive aprovação; mas era um simulado.

A prova real eu fiz para Biologia (tinha projetos fantásticos a realizar nessa área), e consegui a vaga na UFRJ.

Fiquei durante um ano (dois períodos) no curso, mas fui gradual/mente me desapontando com os estudos nos livros acadêmicos e nas aulas práticas de Biologia. Aquilo não era conhecer, entender, estudar, de verdade, a Vida. Eu queria entrar na árvore, ser a árvore, sentir o ser da árvore. Aquilo eram listas de informações e esqueminhas que fingiam que explicavam a sua exuberância, a nossa pertença à existência.

Um colega me sugeriu mudar de curso para Filosofia. Não levei seu conselho em consideração à época, transferi para Letras Português-Russo na Federal, e, no ano seguinte, fiz prova para Letras Português-Grego na UERJ, começando a cursar a estadual e abandonando a UFRJ, onde depois fui fazer mestrado e doutorado em Literatura e pós-doutorado em Estudos Culturais.

Depois que acabei a graduação em Letras, fiz novo vestibular, desta vez sim pra Filosofia.

Fomos morar na Ilha do Governador e na nossa casa havia uma escadaria enorme desde o portão até lá em cima, havia um galpão tipo porão, atulhado de coisas e ferramentas do seu pai, que transformei no meu laboratório de Alquimia.

Usei produtos vegetais e animais; e obtive uma explosão, também.

No Instituto de Filosofia da UERJ, tive dois colegas que me influenciaram muito nessa lida, ao lado do meu mestre de Filosofia, Cláudio Ulpiano Itagiba, que era genial e agia como um agente que aglutinava e transformava as pessoas e os pensamentos. Sua aula era magistral, ele sempre explicava com calma ponto por ponto sobre alguma teoria, ia construindo aquilo, por um longo tempo. Fazia uma afirmação, explicava, voltava, explicava de novo, até todo mundo entender. Seguindo a cartesiana ordem das razões, construía outro pavimento, e assim ia, por duas horas ou mais (se fosse nos seus cursos particulares, fora da universidade, quando as aulas não eram limitadas pelo horário da grade). Quando estava tudo gigante e se relacionando ali, e a gente entendia tudo, ele dava aquilo que Castaneda chama de “cambalhota do pensamento”, e mudava tudo, mostrando outras visões, mais fortes ainda, que se diferenciavam daquelas “clássicas” da Filosofia.

Um colega que foi importante no meu percurso hermético foi A, que se declarava alquimista, a sério, e ficava me falando sobre a Arte. Um dia fui à sua casa e vi um pequeno forno industrial, e um minério pulverizado a mão, dentro de um almofariz. Ele me deu para xerocar o livro de São Tomás de Aquino[201], em francês.

Outro colega marcante foi B, que não fazia nenhum curso, todavia assistia às aulas que queria, nos vários andares da UERJ, principal/mente as do nosso curso. Ele estava escrevendo o que seria uma obra alentada sobre ciência, porém, a sua era uma ciência que era mística, ao mesmo tempo, e trazia insights de uma nova racionalidade. Consegui uma xerox das cem primeiras páginas que escreveu.

Começei a ler sobre Nagualismo nas obras de Carlos Castaneda, e caminhar muitos quilômetros por dia na Ilha, e a praticar a espreita e o ensonho.

Ainda foi a época do estudo diário dos livros do Bhaktivedanta e da adoção do vegetarianismo (que praticamos por três anos).

Toda tarde, eu e Eliane líamos o Livro de Kṛṣṇa, depois cantávamos o Mahā-mantra. Em uma época, a cada tarde líamos um capítulo do livro A Tradição Hermética, de Julius Evola.

Nossas longas caminhadas pela ilha percorriam alguns itinerários que estabelecemos, com marcos alquímicos, como a “Granum arenarum” e a Rua do Magistério, na qual entramos pela esquina que tem uma estátua do Manequinho, e caminhamos até a Casa do Pavão, Domus Pavonis.

 

 


 

Capítulo 5: O Papa ה

 

Assim, os elementos entre si se harmonizavam,

como na harpa, em que as notas modificam a natureza do ritmo,

conservando, todavia, o mesmo tom;

é o que se pode representar, olhando os fatos:

enquanto seres terrestres transformavam-se em aquáticos,

os que nadam saltavam para a terra;

na água, o fogo aumentava a sua força

e a água esquecia seu poder de extinção;

as chamas, ao contrário, não abrasavam as carnes

dos frágeis animais que ali perambulavam;

nem derretiam – cristalino e solúvel –

aquela espécie de manjar divino!

 

Senhor, em tudo engrandeceste e glorificaste o teu povo;

sem perdê-lo de vista, em todo tempo e lugar o socorreste!

(Sabedoria 19:18-22)[202]

 

O Imperador reduplica o Mago no campo da ação prática no mundo físico, o Papa ou Hierofante (Pontifex, o que faz a ponte entre o mundo espiritual e o mundo material) é a outra versão do Mago.

A letra hebraica que lhe corresponde é Hei, que é um chamamento, como quem pede atenção, como quem diz que está aqui, e também dá atenção. Também é o artigo definido, estabelecendo a individuação e nova/mente mostrando que há uma voz que se eleva aqui.

Seu hexagrama é 30  Aderir (O Fogo), que é Fogo sobre Fogo.

Outro seu hexagrama é 32 Héng A Duração, que é Trovão sobre Vento.

A mistura do que representam o Arcano, a Letra e os Hexagramas falam muito sobre a personalidade de Leão, que tem o Sol como regente e cujo elemento é o Fogo, que faz com que muitos leoninos possam ser vaidosos e exibidos, o que é uma sombra atraente daquilo que a sua força ígnea pode espiritual/mente fazer. O Fogo em leão mostra a sua face brilhante, encantadora, porém, também cegante, centralizadora, é aquela luz que atrai as plantas e os animais, que deslumbra, mas que também ilumina.

Cultivo as duas cabalas neste texto, tanto a Alquímica ᾽Αλχημεία (o Argot), quanto a Cabala קַבָּלָה (Kabbalah) judaica, que vem da palavra tradição, e que, com suas Sephiroth e as letras hebraicas, nos ilumina e ajuda a compreender as fases da Alquimia e o Tarot.

Você sabia que o homem inventou três linguagens para conseguir expressar as suas vivências do mundo? A língua, as imagens e os mitos.

Magophon, no seu comentário ao Murtus Liber, esclarece que o título não trata de um livro “mudo”, e sim de um livro simbólico: mutus em latim sendo a linguagem não verbal, porém, perfeita/mente compreensível, se a pessoa a souber ler.

Da mesma forma, eu falo que não há povos ágrafos: sendo a escrita um sinal produzido sobre uma superfície que pode ser compreendido por algum membro da espécie, todo povo usa imagens, danças, tintas, plumas, gestos, escarificações etc., como escrita dos pensamentos e dos acontecimentos.

Na minha teoria, a língua falada surge como uma tentativa infantil e entusiasmada do ser humano de comunicar o incomunicável, as experiências que vão além das coisas e acontecimentos “comuns”, isto é, comunizados, tornados iguais pela convivência do grupo social. Depois surge a escrita, de imagens e de palavras, com a mesma proposta. É um uso secundário, quando fala, escrita e mito se enquandram de alguma forma no “comum” daquela sociedade: surgem para dar conta do inefável, sendo depois adaptados para comunicar o “comunicável”.

No caso dos mitos, a mais fraca leitura é de que seriam visões infantis de onipotência ainda presentes em adultos, mas que seriam adultos “infantis”, porque “primitivos”. Tudo besteira, adulto não é criança, uma criança pode delirar que afeta as coisas com um gesto, de maneira “mágica”. Um adulto, aqui ou na China, ou afeta ou não afeta, ele não fica no delírio, se não for um delirante. E o mito é para todos. Também pensam que os mitos seriam representações de desejos reprimidos, frustrações etc.; com todo respeito pela Psicologia, que é uma ciência que eu tanto prezo, mas essas interpretações são imbecis.

Outros veem no mito uma forma ficcinalizada de recontar e requentar fatos “históricos”, que não são históricos porque não teria havido outro registro deles, fora o mito. E/ou ainda, ao mesmo tempo, antropomorfização das forças da natureza. Numa escala de afastamento da força, essa visão fica menos longe do que a anterior. Nenhuma delas é “mentira” ou “falácia”, outra grande estratégia de pensamento que nos vem de Nietzsche (não importa se uma coisa é verdadeiro ou falsa, mas sim se ela nos torna fortes ou fracos). Mas pensar que o mito é um desejo infantil de onipotência é a mais fraca versão. Pode acontecer, mas com algum zé ruela. O mito é muito mais que isso.

Ver no mito uma versão enfeitada de um acontecimento factual, ou poetizar antropomorfizando forças da natureza, é menos fraco que a anterior, mas é fraco. Sim: os mitos são históricos. Mas a história que eles contam foi inventada e vivida pelos homens depois da invenção do mito, não antes.

O mito é a invenção da narração, fantástica, para tentar expressar as experiências que são reais e verdadeiras e fogem total/mente ao conhecimento e à capacidade de expressão comum. Repito: daí veio o conhecimento das pessoas e fatos da sociedade, a história, a literatura e as artes que contam história. Do mito vem a História, as histórias e as estórias. Não minto.

Hermes Grau estuda centenas de centenas de alfarrábios, todavia se baseia na fase atual nas Lições de Alquimia de Zósimo de Panápolis, que ele traduziu assim do espanhol e acha importante citar aqui na íntegra:

 

Lição 1

 

A composição das águas, o movimento, crescimento, destruição e restituição da natureza corpórea e a separação do espírito do corpo e a fixação daquele neste não são devidas a forças estranhas, mas a uma só que reage sobre si mesma, uma só natureza, e o mesmo se dá nos corpos duros dos metais e nos sucos úmidos das plantas.

E neste sistema único de várias cores há uma investigação, múltipla e variada, subordinada à influência da lua e à medida do tempo que determina a finalidade e o progresso que regem a transformação da natureza.

Pensando nessas coisas, adormeci e vi um sacerdote sacrificador, que estava diante de mim, em um altar em forma de caldeira. Esse altar tinha quinze escadas que subiam até ele. Então, o sacerdote se ergueu e eu escutei uma voz que vinha de cima e me dizia:

“Realizei a descida dos quinze degraus da escuridão e a subida daqueles da luz, e é quem me sacrifica que me renova, jogando fora a aspereza do corpo; e, tendo sido consagrado sacerdote por necessidade, me converti em um espírito”.

E, havendo ouvido a voz daquele que estava no altar em forma de caldeira, lhe perguntei, com o desejo de averiguar quem ele era.

Ele me respondeu com uma voz débil, dizendo:

“Eu sou Ion, o sacerdote do santuário, e sobrevivi a uma violência insuportável, pois alguém veio, de repente, uma manhã, me despedaçando com uma espada e me destroçando em pedaços, de um modo sistemático. E, esfolando a minha cabeça, com a espada que empunhava fortemente, misturou meus ossos com minha carne, e me queimou com fogo até que, pela transformação do corpo, me vi convertido em um espírito”.

E, e enquanto ainda estava me dirigindo estas palavras, e eu lhe pedi que falasse sobre isso, seus olhos se tornaram cor de sangue e ele se separou de toda a sua carne. E eu o vi como uma pequena imagem mutilada de um homem se despedaçando a si mesmo com os dentes e se desfazendo.

Assustado, acordei e pensei:

“Não é esta a posição das águas?”

Cri que o tinha bem entendido, e voltei a dormir. E vi o mesmo altar com a forma de um caldeirão, e em sua cozinha fervia a água e havia muita gente dentro. E não havia ninguém fora do altar a quem eu pudesse perguntar. Então, subi até o altar, para ver o espetáculo. E vi um pequeno homem, encanecido pelos anos, que me perguntou:

“O que tu estás olhando?”

Respondi que estava maravilhado com a fervura das águas e dos homens, abrasando-se, porém, continuando vivos.

E ele me respondeu, dizendo:

“Este é o local do exercício chamado conservação, pois os homens que desejam alcançar a virtude vêm aqui e se convertem em espíritos, voando do corpo”.

Eu, eu lhe indaguei:

“És tu um espírito?”

E ele me respondeu, dizendo:

“Um espírito e um guardião de espíritos”.

E, enquanto dizia essas coisas, e enquanto aumentava a ebulição e as pessoas gemiam, vi um homem de cobre, que levava em sua mão um tablete de chumbo e falou alto, olhando para o tablete:

“Ordeno que os que sofrem o martírio fiquem quietos e que cada um tome nas mãos um tablete de chumbo para escrever e escreva com suas próprias mãos. Mando-lhes que mantenham os rostos levantados e as bocas abertas”.

E eles assim o fizeram no ato, e o homem a quem havia perguntado me falou:

“Tu já viste. Tu levantaste a cabeça e contemplaste o que aconteceu”.

E eu disse que tinha sido assim, e pensei por dentro:

“Este homem de cobre que eu vi é o sacerdote sacrificial, aquele que se desprendeu de sua própria carne. E lhe foi concedida autoridade sobre essa água e sobre esses homens”.

E tendo tido essa visão, voltei a despertar e disse para mim mesmo:

“Qual é o significado desta visão? Não é por acaso a água branca e amarela, fervente e divina?”

E achei que eu tinha entendido bem. E eu disse que era claro de dizer e escutar, e bom para dar e receber, e bom para ser pobre e para ser rico. Pois, como a natureza ensina a dar e a receber?

O homem de cobre dá e a pedra úmida recebe, o metal dá e as plantas recebem, o céu dá e a terra recebe, os raios dão o fogo que deles se desprende, porque todas as coisas se entrelaçam e separam de todo e todas as coisas se misturam e se combinam, se umedecem e secam, florescem e dão brotos no altar em forma de caldeirão.

Para cada coisa se realiza a união e a dissociação, pelo método e pela medida e pelo peso dos quatro elementos. Nada pode se enlaçar sem método. É um método natural, de desenvolvimento compassado, que conserva o ritmo de suas realizações, aumentando-as ou as diminuindo ordenadamente. Quando todas as coisas, em uma palavra, alcancem a harmonia por meio da divisão e da união e, sem que tenham esquecido os métodos em nenhum momento, então a natureza se transforma, e esta é a maneira de ser e o vínculo de todo o mundo.

E para que eu não tenha que escrever muitas coisas mais, meu amigo, constrói um templo de uma única pedra que seja em aparência como a cerusa[203] ou alabastro[204], como o mármore de Proconeso[205], não tendo nem princípio nem fim a tua construção. Que haja dentro dele um manancial de água pura e transparente, brilhando como os raios do sol.

Preste bem atenção em que lado está a entrada do templo, e, tomando tua espada na mão, chega-te a essa entrada. O local em que o templo se abre é estreito e há uma serpente diante dele, guardando-o – ataca-a e mata-a. Tira sua pele, e, pegando sua carne e seus ossos, separa-os; depois, unindo os membros com os ossos na entrada, faze deles uma passadeira, sobe em cima dela e entra. Ali tu encontrarás o que buscas.

O sacerdote, o homem de cobre a quem tu perceberás sentado no manancial e refletindo a sua cor, já não o verás como um homem de cobre, porque ele mudou a cor da sua natureza e se tornou um homem de prata.

Se tu quiseres, depois de pouco tempo, tu o terás como um homem de ouro.

 

Lição 2

 

Quis subir outra vez os sete degraus e considerar os sete sacrifícios, e, ao fazê-lo, só consegui realizar uma ascensão em dois dias. Voltando sobre os meus passos, subi muitas vezes e logo, ao voltar, não podia encontrar o caminho, pelo que me senti muito triste, não sabendo como sair, e aí caí em um profundo sonho.

No meu sonho, vi um homenzinho vestido com uma túnica vermelha e com galas reais, que se achava fora do lugar dos sacrifícios, e que me disse:

“O que tu estás fazendo, homem?”

Eu lhe respondi:

“Estou aqui porque me perdi”.

Então o homenzinho me disse:

“Segue-me”.

Fiz assim e quando cheguei perto do local dos sacrifícios, vi como meu guia se arrojou ali dentro e o fogo consumiu seu corpo.

Vendo isso, fugi tremendo de medo e acordei imediatamente, pensando:

“O que eu vi?”

E eu refleti novamente, chegando à conclusão de que aquele homenzinho era o homem de cobre, vestido com roupagem real, e então pensei:

“Se eu entendi bem, este é o homem de cobre, e é necessário se jogar no altar do sacrifício”.

Mais uma vez meu espírito desejou também subir ao terceiro degrau e novamente segui pelo caminho, e, quando de novo me encontrei próximo ao lugar do sacrifício, perdi também o caminho, deixando de avistar a trilha, e vagando, desesperadamente, de uma parte para outra.

Porém, não demorou para eu me encontrar com um personagem de cãs tão brancas que cegavam a vista. O nome dele era Agathodæmon, e ele se virou para mim e ficou me olhando por uma hora inteira. Eu lhe pedi:

“Mostra-me o caminho reto”.

Ele não me respondeu, porém, começou a andar com velocidade, para seguir a rota verdadeiro, chegando rapidamente ao altar. Quando eu subi ao altar, vi que o homem branco foi jogado no lugar de sacrifício.

Oh deuses imortais! Imediatamente as chamas o cercaram! Que terrível acontecimento, meu irmão! Devido à terrível intensidade do fogo, seus olhos se encheram de sangue.

Então lhe perguntei:

“Por que tu estás deitado neste lugar horrível?”

O homem abriu a boca e disse:

“Eu sou o homem de chumbo, e estou sofrendo uma violência insuportável.”

Com isso, acordei, cheio de choque, e pensei sobre o motivo daquele sonho.

Depois de refletir, eu disse a mim mesmo:

“Entendo claramente que, deste modo, devemos nos livrar do chumbo, e que a visão se refere à combinação dos líquidos”.

 

Lição 3

 

De novo, eu vi o mesmo altar sagrado em forma de caldeirão e também vi um sacerdote vestido de branco, que estava celebrando aqueles amedrontadores mistérios.

“Quem és tu?”, lhe perguntei.

Ele me respondeu:

“Eu sou o sacerdote deste santuário. É necessário colocar sangue nos corpos, limpar os olhos e ressuscitar os mortos”.

Com isso, caindo de novo, voltei a dormir por um momento, e subi ao quarto patamar, e vi, vindo do Oriente, um homem que carregava uma espada na mão e, atrás dele, vi outro, que trazia um bonito objeto redondo, de uma brancura resplandecente, e que se chama o meridiano do sol e quando me aproximei do local do sacrifício, o homem que portava a espada me falou:

“Corta-lhe a cabeça e destrincha a sua carne e os seus músculos, peça por peça, para que a sua carne possa ser fervida, como ensina o método e ele possa depois sofrer o sacrifício.

 

Nesse momento, acordei e disse para mim mesmo:

“Compreendo que essas coisas se referem aos líquidos da arte dos metais”.

E, novamente, aquele que carregava a espada disse:

“Tu completaste a ascensão dos sete degraus”.

E o outro, ao mesmo tempo em que o chumbo se fundia pela ação dos líquidos, disse:

“A Obra está completa”.[206]

 

O que é Magia? Quase todas as coisas possuem definições imprecisas, mas, por mais que pensemos que estamos circunscrevendo o significado de algo, sempre é uma aproximação imperfeita. Pois bem.

Magia é percepção perfeita da essência de algo, aliada à capacidade de afetar essa essência e ser por ela afetado.

Nesta compreensão, a Magia se aproxima muito mais de outras práticas místicas, como a Kabbalah e o Hermetismo. Por um lado, há uma definição ampla de Magia, que inclui todas essas práticas, pela razão mesma que expliquei. Por outro lado, há linhas de tradições, e o que chamamos de Magia é a forma ocidental que faz um caminho do Oriente próximo para a Europa, de lidar com as essências[207].

Tem seus correspondentes nas práticas já citadas, bem como no Hinduísmo, no Budismo, no Tao, no Zen e outras tradições orientais, e as várias formas de xamanismo pelo mundo, inclusive o Nagualismo da América.

Agora chegamos perto da religião. Essas fronteiras são imprecisas, mesmo, pois a religião, bem como todas as práticas humanas, procura, de alguma forma, por algum motivo, atingir a essência.

No caso das religiões, como no Judaísmo, o Cristianismo, o Islamismo, a Vaishnava e o Budismo, entre outras, o que se busca é a religação do homem com a consciência divina.

A Ciência tenta atingir o entendimento e a operação eficaz sobre os fenômenos, baseada na razão pura aliada à observação, às experiências, à prática, às técnicas e aos métodos matemáticos. Com isso, consegue um nível de atuação, mas fica presa nesse nível, ligado à consciência racional, à experimentação e ao trabalho com functivos (funções matemáticas)[208].

A Arte é uma outra forma de Magia, no polo oposto da Ciência, trabalhando com a sensibilidade, a emoção e a corporeidade da pessoa, de uma forma assinada, individual (assinada no sentido de perceber as coisas como aquela pessoa o faz, não precisa ser autoral). Também produz percepção da excência e ação sobre os fenômenos, numa verdadeira complementaridade com a Ciência, do que uma faz, a outra não chega nem perto. Mas as duas se afastam mais ainda da Magia pura, pois se atêm às camadas existenciais daquilo sobre o que trabalham, não conseguem chegar ao cerne da questão, digamos assim, como o faz o Mago.

 

Eu tenho fama de Filósofo Amador...

(Noel Rosa)[209]

 

T = m > C

(Arnaldo Baptista)[210]

 

Sobre o verso de Noel Rosa: ele se declara alquimista na sua fala humorística, pois o filósofo que ama é o alquimista, o amoroso da ciência hermética, ao mesmo tempo que declara que nem chega a ser sofista, pois não é “profissional”, não fez “faculdade”, é um filósofo, um pensador amador, ao mesmo tempo que afirma que é um amante que pensa, um amador filosófico, no fundo, no mundo, filosofal: alquimista.

A equação do mutante é tão genial e gritante que nem precisa explicar.

Tudo nesse mundo é como esse livro, duplicado, complicado .:.:.:.

Porque uma coisa é o que é e ao mesmo tempo é o que é em outro tempo.

Alguns falam que sobre esses dois lados das coisas na nossa vivência como duas formas de tempo: Chronos e Áion[211].

Qual a relação entre o Mago e o Alquimista?

O Filósofo Hermético é um investi(ga)dor da vida.

Como um efeito cascata, de suas pesquisas nascem ciências, artes e livros. Nascem laboratórios, equipamentos, técnicas; mas também nasce a Magia, como a entendemos no ocidente.

Técnicas de manipulação do real podem ser feitas pelo efeito racional ou pelo efeito da vontade. O homem comum sabe isso, sem formular explicita/mente, porém, sabe que consegue afetar a realidade com essas faculdades: quando fazemos uma soma de dinheiro usamos a razão; quando conseguimos algo pela persistência, ou pela focalização da atenção, ou pela percepção do momento oportuno (ou por todos esses combinados), como, por exemplo, um beijo, sabemos que não usamos a razão, mas uma outra capacidade que possuímos. Essa capacidade produtora e transformadora no homem é bem a vontade.

Na verdade, quem fixa ou transforma é a consciência. Mas a vontade é que opera a fixação ou a transformação, ela é o Súlfur que age sobre a mentalidade/corporeidade humana.

Outra arte transcendental que estudo é o Nagualismo, a Toltequidade, o saber e o fazer dos chamados feiticeiros da América pré-colombiana. Os toltecas percebem assim: o homem traz a consciência, a vontade e o intento.

A consciência tem que ver com os núcleos da razão e do falar.

A vontade se relaciona com ver e sonhar.

Esses quatro são disposições da consciência humana. O homem, quando engajado no pré-formalizado de seu grupo social e da sua personalidade, age utilizando a razão e a linguagem, o falar. Quando ele se liberta da exclusividade da formatação social e pessoal, ele age pelo ver (que é um saber intuitivo e preciso) e o sonhar (que é agir sob outro estado de consciência que não o comum).

Então, essas palavras são maleáveis, principal/mente “consciência”, que tanto pode ser o estado comum da mentalidade, quanto a mentalidade em si. Assim, razão e fala são da consciência comum. Ver e sonhar, da consciência incomum. Mas todos quatro são modos da consciência se relacionar e atuar sobre o mundo.

Por outro lado, é um aparelhamento de três capacidade sucessivas, sendo a próxima sempre mais abrangente e determinando a anterior: consciência, vontade e intento.

Na linguagem alquímica temos Sal, Mercúrio e Enxofre, respectiva/mente.

Sobre essa questão, Antonin Artaud escreve “O teatro alquímico”, que na tradução brasileira tem cinco páginas, nas quais fala mais sobre sua compreensão transconsciencional do teatro, ele relaciona esse fato e esse entendimento com a Alquimia, e o faz com valor; ali temos uma concentrada compreensão da nossa Arte; aqui cito um trecho:

 

Entre o princípio do teatro e o da alquimia há uma misteriosa identidade de essência. É que o teatro, assim como a alquimia, quando considerado em seu princípio e subterraneamente, está vinculado a um certo número de bases, que são as mesmas para todas as artes e que visam, no domínio do imaginário, uma eficácia análoga àquela que, no domínio físico, permite realmente a produção do ouro. Mas entre o teatro e a alquimia há ainda uma semelhança maior e que metafisicamente leva muito mais longe. É que tanto a alquimia quanto o teatro são artes por assim dizer virtuais e que carregam em si tanto sua finalidade quanto sua realidade.

Enquanto a alquimia, através de seus símbolos, é como um Duplo espiritual de uma operação que só tem eficácia no plano da matéria real, também o teatro deve ser considerado como o Duplo não dessa realidade cotidiana e direta da qual ele aos poucos se reduziu a ser apenas uma cópia inerte, tão inútil quanto edulcorada, mas de uma outra realidade perigosa e típica, onde os Princípios, como golfinhos, assim que mostram a cabeça apressam-se a voltar à escuridão das águas.[212]

 

Perceba que ele não fala de “arquétipos”, muito propria/mente escreve sobre “bases” e “princípios”, que são pré-conscientes e estão na matéria no estado caótico, com o qual trabalha o Alquimista no Athanor e um Ator como Artaud.

Sua visão do “teatro e seu duplo” também é alquímica, pois o duplo, ao lado de ser um tema importante da Filosofia (como, por exemplo, no livro O Real e seu Duplo, de Clément Rosset[213]), da Psicanálise (entre outros, O Duplo, de Otto Rank[214]) e da Literatura (leia O Duplo, de Dostoiévski[215]), desempenha um papel fundamental na Alquimia.

Como eu mesmo escrevo no livro Alquimia o Arquimagistério Solar: Como já dizia o sapateiro/Iluminado[216]/Em cada pedaço de madeira/Pedra/Ou fio de erva/Existem três coisas/Primeiro a energia que gera o corpo/Depois nesse mesmo corpo/A força/Que constitui o seu próprio âmago/E em terceiro lugar/Contém em si uma força/Um aroma ou sabor/Que é o espírito/Dessa coisa/Do qual ela flui ou dimana/Assim ele falou em seu livro Aurora/Assim falou o nosso Bombastus[217]:/Na madeira o que arde é enxofre/O que deita fumo é mercúrio/O que se transforma em cinzas é o sal/O espírito (o Filho)/A alma (o Pai)/O corpo (a Mãe)/Assim o mundo foi criado/Como ensinou/Hermes Trisgismestos/O três vezes grande/O que significa/Você sabe igual a mim/Corpo alma e espírito/Sal enxofre e mercúrio/Ato potência e sentido/Formas da vontade/Energia atualizada/Energia potencial/E essência/Que quer dizer/Que tudo é existência/E que também quer dizer/Que há “n” dimensões/Da manifestação/Mente e ação/O que é divino/Por uma questão/De entendimento humano/Aqui e agora/Na hora/Que surge/Aurora Consurgens[218]/Quer dizer/A hora rósea/Na hora áurea/A hora do ouro/Que quer dizer/A hora do outro/Que nós somos/Isto é/Nós somos ouroboros[219].

Aqui encontramos um fator fundamental na pista: todas as três fases são importantes, mas, tudo começa e se realiza com o Enxofre.

 

Alquimia é a arte da transmutação. O trabalho do alquimista é produzir mudanças sucessivas no material em que trabalha, transformando-o de estado grosseiro e bruto em forma perfeita e purificada. Transformar metais inferiores em ouro é a expressão mais simples dessa meta, que, no plano físico, envolve operações químicas com equipamento de laboratório. Contudo, essa é apenas uma dimensão da alquimia, pois o “material inferior” trabalhado e o “ouro” produzido podem ser também entendidos como o próprio homem em seu esforço para aperfeiçoar sua natureza.[220]

 

Humberto Maturana e Francisco Varela fazem um original e lindo trabalho sobre o caráter autopoiético da vida[221], a vida se gera.

Nesse sentido, o próprio cosmos no seu caráter macro e micro é o ouroboros, a ontogênese e a cosmogênese retroalimetam-se.

 

“In Mercurio est quicquid quae runt Sapientes”, tudo o que os Sapientes buscam está no mercúrio, repetem à saciedade os nossos velhos autores. Não se poderia exprimir melhor sobre a pedra a natureza e a função deste vaso que tantos artistas conhecem, sem saber o que ele é capaz de produzir.

(Fulcanelli)[222]

 

Na infância e na pré-adolescência eu quis mesmo desempenhar quase todas as profissões humanas que eu achava muito interessantes: filósofo, artista, político, engenheiro, médico, astronauta... e ainda outras mais.

Na adolescência se desenvolveu em mim um projeto mais grandioso: realizar uma forma de conhecimento que fundisse arte, filosofia, ciência e religião numa só prática de investigação e produção de saber.

Às vezes mais, às vezes menos consciente, é essa a grande motivação do meu trabalho de escritor, e, julgo ser eu o escritor que mais fez essa fusão, até agora, em todos os países, pelo que eu saiba. Assim é que meu projeto infantil e adolescente se realiza.

 

Macrocosmos e microcosmos[223]

 

Essa gravura da obra Opus Medico Chymicum de Johann Daniel Mylius aparece com estas anotações na edição de Waite do O Museu Hermético; cito aqui o texto original latim com a versão inglesa do organizador, acompanhada da tradução que faço:

 

The Hermetic Museum, Vol. II, by Arthur Edward Waite, [1893]

 

THE ALL-WISE DOORKEEPER, OR A FOURFOLD FIGURE, EXHIBITING ANALYTICALLY TO ALL THAT ENTER THIS
MUSEUM THE MOSAICO-HERMETIC SCIENCE OF THINGS ABOVE AND THINGS BELOW

 

O PORTEIRO SÁBIO, OU UMA FIGURA QUÁDRUPLA, EXIBINDO ANALITICAMENTE A TODOS QUE ENTRAREM NESTE MUSEU A CIÊNCIA MOSAICO-HERMÉTICA DAS COISAS ACIMA E DAS COISAS ABAIXO

 

Figure IV

 

יהוה‎ = Jehovah = IHWH

ANNUS SOLARIS = The Solar Year = O Ano Solar

ANNUS STELLATUS = The Year of the Stars = O Ano Estelar

ANNUS VENTORUM = The Year of the Winds = O Ano dos Ventos

Mercurius Philosophorum = Mercury of the Sages = Mercúrio dos Sábios

Mercurius Corporeus = Corporeal Mercury = Mercúrio Corpóreo

Mercurius Vulgaris = Common Mercury = Mercúrio Comum

Sulphur Combustibile = Combustible Sulphur = Enxofre Combustível

Sulphur Fixum = Fixed Sulphur = Enxofre Fixo

Sulphur Æthereum = Volatile Sulphur = Enxofre Volátil

Sal Terrenum = Earthy Salt = Sal Terreno

Sal Elementorum = Elementary Salt = Sal dos Elementos

Sal Centrale = Central Salt = Sal Central

Ignes quatuor ad opus requiruntur = Four kinds of fire are requisite for the work = Quatro tipos de fogo são necessários para o trabalho

Phœnix = Phoenix = Fênix

Aquila = Eagle = Águia[224]

 

Para traduzir os sonetos do bardo inglês, duas edições usei, uma do século 20, a Sonnets, The new temple Shakespeare, de 1934, que traz numeração diferente da standard, de 1609, que está nas Complete Works, também utilizada por mim.

Note que o soneto italiano traz dois quartetos e dois tercetos, o soneto inglês coloca todos os catorze versos juntos, mas com o recuo dos dois versos finais, a chave de ouro, a qual, em Shakespeare, sempre é: ou uma conclusão lógica do que foi cantado nos versos anteriores, ou uma reviravolta, reversão do que se falou antes:

 

Sonnet 145

 

Those lips that Love’s own hand did make
Breathed forth the sound that said ‘I hate’,
To me that languish’d for her sake:
But when she saw my woeful state,
Straight in her heart did mercy come,
Chiding that tongue that ever sweet
Was used in giving gentle doom,
And taught it thus anew to greet:
‘I hate’ she alter’d with an end,
That follow’d it as gentle day
Doth follow night, who like a fiend
From heaven to hell is flown away;

‘I hate’ from hate away she threw,

And saved my life, saying – ‘not you’.

 

Soneto 145

 

Os lábios feitos por Amor, os dela,

Soaram o som que disse assim: “Odeio”,

E eu desfaleci à voz aquela...

Mas imediatamente o perdão veio

Quando ela viu meu infeliz estado,

Censurou sua língua, que, sempre branda,

Gentil decreto então me fez ser dado;

E arremedou sua frase nefanda;

“Odeio”, ela alterou com um complemento,

Que a seguiu, como segue o dia terno

À noite, que tal qual demo agourento,

Do céu desprende e retorna ao inferno;

“Odeio”, com ódio ela falou, e aí...

Salvou-me a vida, ao dizer: “não a ti”.

 

Em favor da história e da cultura.

Perceptivel/mente, duas coisas nos distinguem dos animais.

Utilizar aparatos tecnológicos é uma delas.

Mas, na verdade, essa distinção é superficial, o agenciamento maquínico (cibernética) ocorre com os outros animais também (usam instrumentos, constroem). Seria impossível treinar um macaco a utilizar um computador? Não.

De uma forma mais genuína, a consciência histórica e cultural nos especifica como seres humanos. E é isso que, do jeito mais bisonho, está sendo reprimido agora. As pessoas ficam orgulhosas de ignorar coisas de décadas precedentes, e debocham de quem saiba informações artísticas, técnicas, sociais e outras, de anos anteriores ao atual. Como se fossem (ou pior, lutassem para ser) total/mente desmemoriadas.

Peço re-força aos Toltecas do México na voz da sua expressão mais forte pelos livros, Carlos Castaneda:

 

Vou pronunciar o que é talvez o maior fato de sabedoria que qualquer pessoa possa exprimir. Vejamos o que você pode fazer com isso: sabe que neste momento você está cercado pela eternidade? E sabe que pode usar essa eternidade, se o desejar?[225]

 

Sim.

A força por trás das coisas que acontecem chama-se intento e o ser humano pode aprender a controlar o intento, limpando o seu elo de conexão com o Espírito.

 

  

Capítulo 6: Os Enamorados ו

 

O solo, a água e as florestas são a base não apenas de nossa economia nacional, mas também de nossa própria existência e civilização.

(Louis Bromfield)[226]

 

A sua letra hebraica é Vav, que liga, pelo significado de gancho, e pela função sintática que apresenta, quando é sufixo de um substantivo, correspondendo à nossa conjunção: “e”.

É um Arcano de conexão e ligação.

Seu hexagrama é 19 Lín, Indo lá, A Aproximação: Terra sobre Lago.

Seu hexagrama também é 20 Guān, A Contemplação, Vento sobre Terra.

Seu signo é Virgem, regido por Mercúrio, e que tem como elemento Terra. Inspirando pessoas sonhadoras e práticas, ao mesmo tempo, esse signo traz uma visão muito “terra a terra”, “pé no chão”, analisando e pesando quanto vale cada coisa, e qual o seu papel para ela. A Terra para Virgo é o porto seguro, é aquele lugar onde sabemos quem somos e onde estamos, e ao qual pertencemos.

Todo signo traz características próprias, que podem ser bem utilizadas pelo Mago no seu caminho de aprendizado e autodesenvolvimento, ou ele ou ela faz dessas características manias que o diminuem, criando assim a sombra do Mago.

Nas muitas universidades brasileiras onde trabalhei e estudei havia um grande preconceito em relação à consulta e citação de informações colhidas na Wikipedia; proposital/mente, eu as utilizo quando me apraz, com prazer, e nisso estou sendo quase tão arrojado quanto na proposta de escrever a sério e com proveito livros sobre Alquimia, à vera.

Vejamos estes quadros do site[227] sobre os signos:

 

Signo

Simbolo

Número

Longitude eclíptica

(a ≤ λ <b)

Lustro

Áries

Aries.svg

0

0° a 30°

O Carneiro

Touro

Taurus.svg

1

30° a 60°

O Touro

Gêmeos

Gemini.svg

2

60° a 90°

Os Gêmeos

Câncer

Cancer.svg

3

90° a 120°

O Caranguejo

Leão

Leo.svg

4

120° a 150°

O Leão

Virgem

Virgo.svg

5

150° a 180°

A Donzela

Libra

Libra.svg

6

180° a 210°

A Balança

Escorpião

Scorpio.svg

7

210° a 240°

O Escorpião

Sagitário

Sagittarius.svg

8

240° a 270°

O Arqueiro (Centauro)

Carpricórnio

Capricorn.svg

9

270° a 300°

A Cabra

Aquário

Aquarius.svg

10

300° a 330°

O Aguadeiro

Peixes

Pisces.svg

11

330° a 360°

O Peixe

 

E este, sobre a relação entre os signos e os elementos:

 

Polaridade

Elemento

Simbolo

Palavras-chave

Signos

Positivo (Masculino)

(auto-expressivo)

Fogo

Fire symbol (alchemical).svg

Entusiasmo, unidade para se expressar, fé

Áries, Leão, Sagitário

Ar

Air symbol (alchemical).svg

Comunicação, socialização, conceituação

Gêmeos, Libra, Aquário

Negativo (Feminino)

(independente)

Terra

Earth symbol (alchemical).svg

Praticidade, cautela, mundo material

Touro, Virgem, Capricórnio

Água

Water symbol (alchemical).svg

Emoção, empatia, sensibilidade

Câncer, Escorpião, Peixes

 

O zodíaco astronômico abrange treze constelações, com permanências muito desiguais do Sol na sua casa (por exemplo, Gêmeos tem 37 dias, Escorpião 7 dias); as datas que abrangem cada signo são diferentes das astrológicas, sendo que doze constelações correspondem aos doze signos astrológicos, mas, entre Escorpião e Sagitário está a constelação de Serpentário, Ophiuchus ou Ofiúco[228].


 

Agrippa de Nettesheim assim expõe magistral/mente a teoria alquímica dos elementos:

 

Existem quatro elementos e bases originais de todas as coisas corpóreas – fogo, terra, água, ar – dos quais todos os corpos inferiores são compostos; não por meio de um acúmulo de todos eles, mas pela transmutação e união. E quando são destruídos, decompõem-se nos elementos; pois nenhum dos elementos sensíveis é puro, mas todos são mais ou menos mistos e passíveis de se transformar uns nos outros. A terra, por exemplo, fica mole, dissolve-se e vira água, para depois endurecer e espessar, tornando-se terra novamente; se, no entanto, como água, ela evaporar por ação do calor, passa para o ar, que, sendo alimentado, passa para o fogo. Este, ao se extinguir, retorna mais uma vez ao ar, mas, esfriando após o retorno, torna-se terra, ou pedra, ou enxofre, e isso se manifesta pelo relâmpago.

Platão também tinha essa opinião de que a Terra era totalmente mutável e que o resto dos elementos são transformados uns nos outros, sucessivamente. Mas na opinião dos mais sutis filósofos, a Terra não é mudada, mas abrandada e misturada com outros elementos que não a dissolvem, e retorna ao que era. Ora, cada um dos elementos tem duas qualidades especiais, a primeira sendo a de reter a própria identidade; a segunda, como um meio, de aceitar o que vem depois de si. Pois o fogo é quente e seco, a terra seca e fria, a água fria e úmida, o ar úmido e quente. E assim, nesse sentido, os elementos, de acordo com duas qualidades contrárias, são contrários um ao outro, como fogo e água, terra e ar. Além disso, os elementos são contrários em outro sentido, pois alguns são pesados, como terra e água, e outros são leves, como ar e fogo. Os estoicos chamavam os primeiros de passivos e os últimos, de ativos.

Entretanto, Platão faz mais uma distinção e atribui a cada um três qualidades – ao fogo: brilho, finura e movimento; à terra: escuridão, espessura e quietude. E de acordo com essas qualidades, os elementos fogo e terra são contrários. Mas os outros elementos tomam emprestadas as qualidades destas, de modo que o ar recebe duas qualidades do fogo – finura e movimento – e uma da terra, escuridão. Da mesma maneira, a água recebe duas qualidades da terra – escuridão e espessura – e uma do fogo – movimento. Mas o fogo é duas vezes mais fino que o ar, três vezes mais móvel que a água. A água, por sua vez, é duas vezes mais brilhante que a terra, três vezes mais espessa e quatro vezes mais móvel. Assim como o fogo está para a água e a água para a terra, novamente a terra está para a água, a água para o ar e o ar para a terra. E essa é a raiz e a fundação de todos os corpos, naturezas, virtudes e obras maravilhosas; e aquele que souber essas qualidades dos elementos e suas misturas terá facilidade para fazer coisas maravilhosas e surpreendentes, perfeitas na Magia.[230]

 

Sobre a Terra, ele escreve:

 

Ora, a base, a fundação de todos os elementos, é a terra, pois ela é o objeto, sujeito e receptáculo de todos os raios e influências celestiais; nela estão contidas as sementes e as virtudes seminais de todas as coisas; e por isso se diz que ela é animal, vegetal e mineral. Frutificada pelos outros elementos e pelos céus, ela gera tudo de si; recebe a abundância de todas as coisas e, sendo a primeira fonte, é dela que brotam todas as coisas. Ela é o centro, a fundação e a mãe de todas as coisas. Pegue dela quanto você quiser – separada, lavada, depurada, sutilizada –, se a deixar exposta ao ar livre por algum tempo, sendo plena e abundante de virtudes celestes, ela gerará plantas, minhocas e outros seres vivos, além de pedras e brilhantes fagulhas de metais.

Nela se encerram grandes segredos, se em algum momento ela for purificada com a ajuda do fogo e reduzida à sua simplicidade por uma lavagem conveniente. Ela é a primeira matéria de nossa criação e o remédio mais verdadeiro capaz de nos restaurar e preservar.[231]

 

Este livro se propõe a fazer relações da Alquimia com o Tarot, a Cabala, a Astrologia, a Magia e o I Ching. Também aparecem fulgores das religiões, e do Yôga. Ainda fica latente uma relação com o Nagualismo dos Toltecas.

Isso por acaso quer dizer que estas práticas seriam iguais (e teriam os mesmos objetivos e finalidades)?

Com certeza, essas práticas e suas teorias são total/mente diferentes umas das outras, cada uma é um mundo próprio. Mas podem se relacionar, se fortalecer juntas, pois, dentre muitas metas que são variadas e não coincidentes, a proposta fundamental de cada uma dela é a mesma da Grande Obra Alquímica: transmutar o ser humano para que ele possa experimentar a essência divina do mundo e do seu próprio eu.

Jacques d’Arès assim a explica:

 

/.../ “Para você, Jacques d’Arès, o que é a alquimia?” Respondi-lhe sem hesitar: “Para mim, a alquimia é a ciência da vida”. E já no dia seguinte Eugène Canseliet, que ouvira a transmissão, me telefonava dizendo: “Jacques, você deu a melhor definição possível de alquimia”.[232]

 

O sexo é um impulso preponderante para o ser vivo. Unica/mente reprodutivo, nas plantas e nos animais, porém, no ser humano o sexo se torna esférico, holístico, sempre é algo mais e atua mais além do mera/mente genital, ou daquilo que, em sendo genital, representa a reprodução da espécie no indivíduo.

A psicanálise fala em repressão e sublimação, o ser humano encontra um mundo de regras que se colocam entre suas pulsões instintivas e a sua realização, não é que seja proibido se alimentar, ou dormir, ou excretar, mas cada sociedade apresenta regras muito estritas que devem ser obedecidas, para que o sujeito possa atender a essas necessidades. No caso do sexo, também. E, ao lado disso, o ser humano desenvolve a afetividade, muito mais do que os outros animais mamíferos, e essa afetividade atua em vários níveis e em vários tipos de relação, inclusive, negativa ou positiva/mente, na sexualidade. E ainda, o ser humano é capaz de estar consciente do sexo o tempo todo, acordado ou dormindo, como uma excitação que não tem fim, que sempre aumenta. E há muitas interdições. E, como propõe a psicanálise, diante da força absurda da pulsão sexual, e dos tremendos filtros restritivos, constritivos e provocativos, das regras e costumes sociais, o ser humano usa e abusa da sublimação, quer dizer, toda e qualquer coisa ou atividade ou hábito pode ser agarrado com a força com que se expressa no ser humano o sexo: seja arte, trabalho, religião, tudo pode servir de alternativa ao sexo genital, como meio de fluir e fruição da energia sexual.

A Alquimia é uma Ciência do Sexo. Todavia, como eu falo na introdução, o Alquimista que é merecedor do seu aprendizado não é um escravo dos desejos e paixões. A complexa rede de simbolizações, excitamentos, sublimações e regras sociais do ser humano mostra o quanto a sua sexualidade é diferente da tão pouco problemática reprodução dos vegetais e animais. Essa força do sexo no ser humano é uma imagem refletida da força do sexo enquanto força viva, que permeia o unverso inteiro, a qual, ainda, é uma imagem refletida da força do sexo espiritual.

Os Vaishnavas nos explicam que os relatos do Śrīmad Bhāgavatam e outros textos sobre os passatempos de Kṛṣṇa com as Gopīs não devem ser compreendidos de maneira vulgar, pois há o sexo espiritual, que é essa força plástica, geradora, produtora, transmutadora e vital, que gera o mundo e “move Sol e estrelas”[233].

Lemos em Paul du Breuil que Zoroastro e seus seguidores entendiam o amor como o fiel da balança do ser espiritual do homem (entre a ligação com Deus, e o isolacionismo egoico), pois, para os zoroastristas:

 

O Amor tira sua essência do divino e daí realiza as duas versões terrestres: o amor sublime e o amor demoníaco de natureza egoísta.[234]

 

Zaratustra é nosso antecessor, Hermes Trismegistos é o nosso fundador; Nosso Senhor Jesus Cristo é O maior Alquimista de todos os tempos: é Ele quem nos ensina o fundamento da Religião Universal:

 

Ele respondeu: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o entendimento. Esse é o grande e primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Amarás a teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”.[235]

 

Guilherme de Ockham deu a base para a ciência contemporânea, lá do Alto da Baixa Idade Média, século XIV: “Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem”, que significa que as coisas não precisam ser multiplicadas além do necessário.

Em ciência, a resposta mais simples e econômica tem uma grande chance de ser a mais acertada. Porém, como “o que está no alto é como o que está embaixo”, e assim também o que está no meio, esse princípio enriquece e auxilia tanto a medianidade das ciências, quanto vai para baixo e acode ao senso comum, e vai para cima e ilumina a Filosofia, a Alquimia e a Teologia. 

O homem neste mundo sempre se vê entre contrários, a luta é constante, e ele, mesmo que tente se eximir, é obrigado a tomar partido.

Quando era criança fui com meus parentes a Vacaria, cidade pecuária do Rio Grande do Sul, onde minha tia, irmã do meu pai, e seu marido tinham uma fazendo e criavam gado. Foi uma experiência rica, com muitas coisas impressionantes pra recordar.

Uma dela é o rodeio que eu presenciei. Na época havia uma música composta especial/mente para a ocasião, que tocava a toda hora, e cujo refrão dizia: “O rodeio em Vacaria ninguém mais vai esquecer”.

No começo do rodeio havia a “peleja dos mouros e cristãos”, uma cavalgada teatralizada com peões vestidos de azul de um lado, representando os cristãos, e de vermelho de outro, representando os mouros.

Havia a encenação de lutas e disputas, até que, no final, o líder dos vermelhos se ajoelhava e aceitava a evangelização.

Na nossa vida é assim, quer você queira, quer não, as pessoas sempre te exigem a posição: você é vermelho ou azul?

No livro de Thoth, essa situação agonística do homem é demonstrada pelo jovem entre duas mulheres que disputam sua atenção, enquanto nos céus o menino Eros mira sua flecha de amor sobre ele. Uma pode ser a mãe, outra a namorada, ou duas rivais.

No mundo nos vemos sempre entre escolhas, cruzando caminhos e optando por rotas nas escruzilhadas. Mas, na verdade, toda escolha é sempre a mesma, essencial: o caminho da coisificação ou o caminho espiritual.

Essa é a força da Alquimia, e como falei, das Religiões e da Magia, quando entendidas de uma maneira espiritual, certa/mente. Pois a proposta demoníaca (diabo é uma palavra grega que significa “o que separa”) se imiscui até mesmo nas práticas do caminho espiritual.

Dessa forma, aparecem aqueles que praticam a Magia para se dar bem em cima dos outros, para se vingar, para conseguir transar com alguém, para manipular as pessoas e burlar as leis da natureza, da economia e do estado.

Encontramos pelo mundo homens que se dizem religiosos, mas que também usam as práticas que eles denominam falsa/mente como religiosas para obter resultados de puro gozo material, sem se importar com a ética do seu próprio ser.

E com a Alquimia, que é o fruto da Religião e da Magia, a mesma coisa acontece, desde a vulgaridade de fazer alguma fala ou texto tolo apelando de forma canhestra para imagens alquímicas, só para tentar se aproveitar do efeito falso que produz, o ouro de tolo, até aquelas grandes corporações que caçam livros e Adeptos pelo mundo para transformar os seus conhecimentos e potências criadoras em algo invertido.

Quando eu era criança meu pai tinha alguns livros que pareciam muito bons, e eu ficava com vontade de lê-los. Alguns eram intrigantes e misteriosos, e ali parecia que se guardava o segredo, e eu viajava olhando suas capas, querendo os ler.

Um que perdi nas muitas mudanças de casa que fizemos foi As Águas de Siloé, de Thomas Merton[237], esse ainda não li, mas me impressionou e continua inspirando muito, junto com a vez em que meus pais me levaram ao circo, e vi a “dança das águas vivas”, que eram altos jorros de água que variavam no ritmo da música e mudavam de cor, iluminados por holofotes (por isso escrevi a peça O Mistério da Casa da Fonte de Águas Vivas).

Depois que escrevi isso, eu comprei um exemplar do mesmo ano que aquele que meu pai tinha, pelo site da Estante Virtual, e estou lendo e gostando muito. Thomas Merton foi um cebonita, isto é, monge trapista da Abadia de Gethsemani, no Kentucky, nos EUA, que escreveu mais de setenta livros sobre religião e com poesias. O livro As Águas de Siloé conta a história da formação da ordem à qual ele pertencia, bem como relata sua doutrina e as experiências dos monges, inclusive do autor. O livro não é direta/mente alquímico, mas é, e é muito legal.

Outro livro do meu pai que tenho e leio é Eu e a Terra, de Louis Bromfield.

Esses dois livros, vê-los e querer tê-los e lê-los, fizeram de mim um Alquimista, desde o berço.

Louis Bromfield juntou seu trabalho de escritor e roteirista de cinema com o estudo da Agricultura, na qual foi um inovador, com sua proposta da “agricultura sustentável”, que teve e tem muita influência nas “metodologias agriculturais em torno do mundo”[238], e sua bem-sucedida fazenda Malabar (sobre a qual escreve nesse livro, e que ele reduplicou numa Malabar do Brasil, em Itatiba, São Paulo, na década de 50); Eu e a Terra no original se chama From my Experience (1955).

Leiamos um trecho luminoso de Louis Bromfield:

 

Uma de nossas lutas constantes em Malabar é contra a influência avassaladora dos extremados pela matéria orgânica. Já tenho declarado em outras passagens deste livro, e talvez seja levado a declarar outras vezes, que em Malabar não somos nem nunca fomos extremados ou fanáticos. Quando achamos que há necessidade de empregar adubos químicos, principalmente para produzir densas culturas protetoras e adubo vegetal, utilizamo-los em grande quantidade e com excelentes resultados. Se constatamos a conveniência do uso de inseticidas e fungicidas, nós os usamos, embora procuremos sempre nos valer de compostos orgânicos, tais como a rotenona, a nicotina, o piretro ou a mistura de Bordeaux, todos eles relativamente inofensivos aos homens e animais. Em meu livro Out of the Earth dediquei muitas páginas à disputa aparentemente inócua entre os adeptos dos fertilizantes químicos, ávidos pelo dinheiro rápido, e os extremados seguidores do emprego das substâncias orgânicas.[239]

 

Isto é, a Alquimia é Agricultura Celeste e igual/mente Agricultura Terrestre, como mostra Fulcanelli em seu terceiro livro (o que foi enviado pela internet para Jacques d’Arès, citado há pouco).

Ainda Louis Bromfield:

 

Quando, em passagens anteriores deste livro, disse que vivemos há quatorze anos em “íntimo” contato com a solo e com as plantas em geral, não estava empregando linguagem figurada, pois nosso contato com a terra e com as lavouras tem sido realmente bastante cerrado, em Malabar; e em meu caso pessoal essa “intimidade” é muito mais antiga. /.../

Mas, por trás de tudo isso tem que haver algo mais – algo que talvez possamos chamar de entusiasmo ou “fogo sagrado” – que transforma essa “intimidade”, essa volúpia pela observação em qualquer ramo de atividade humana, na coisa mais importante do mundo. É o mesmo tipo de entusiasmo que liga o criador realmente digno desse nome a seus porcos ou a seu gado. Sem ele, de pouco vale toda a educação que se possa obter e que, então, só conduriá a deduções defeituosas e a erros. É o “fogo sagrado” quem transforma qualquer tarefa ou meio de vida, de mera questão de um ganha-pão para si ou para a família, de obter um salário, seguido no fim da vida por uma aposentadoria, num verdadeiro trabalho de pesquisa e de experimentação, para o qual o tempo e as condições meteorológicas deixam de existir, e a planta, o porco, a vaca, ou que outra coisa seja a que o indivíduo passou a dedicar-se, se transformaram não apenas num objetivo, mas no próprio objetivo.[240]

 

Outro livro que meu pai tinha e que mexeu muito com minha imaginação, me fazendo tentar lê-lo ainda criança, e realizar os exercícios de consciência ali propostos, curiosa/mente, é O Mágico Poder da sua Mente, de Walter M. Germain[241].

Também me envolveu o entusiasmo que ele tinha pelos livros que lia de Erich von Däniken[242]. Adulto, eu conheci a obra de Zecharia Sitchin[243], que, assim como Däniken, levanta provas da influência alienígena na humanidade do passado, evidências arqueológicas e linguísticas contestadas pela ciência oficial, nos dois casos.

Jacques Carles e Michel Granger trazem essa proposta desvairada para a nossa arte, no seu livro Alquimia Superciência Extraterrestre?[244]. Entre vários autores que pensam que houve civilizações mais avançadas há milênios antes da nossa, temos, por exemplo, James Churchward[245], que afirma ter descoberto documentos que provam a existência magnífica do continente Mu; ao passo que, defendendo que a Filosofia veio da Atlântica, entre muitos outros que vieram depois, temos o depoimento do próprio Platão, no diálogo Crítias[246].

Confesso que penso porque o visualizei que a Alquimia como conheço veio do tempo de Hermes Trismegistos, grande sábio egípcio que viveu no terceiro milênio antes de Cristo. Mas compreendo também que ele formatou uma ciência mais antiga para a nossa época, mesmo que seja muito sutil e exija árdua dedicação para aprender, ele, na sua genialidade, formulou um saber que pode ser compreendido pelo que o ser humano é nestes tempos. A começar pela sua jogada de fazer, além das dezenas de tratados filosóficos herméticos que compôs, dois resumos da Alquimia, duas súmulas, uma com palavras fortíssimas, A Tábua de Esmeralda, e uma sem palavras, o Tarot, para que a sua ciência terapêutica agisse de alguma maneira sobre o maior número possível de pessoas.

As propostas acima descritas, de a origem da nossa Arte ser extraterrestre, ou do continente Mu, ou da Atlântida, atual/mente são ainda mais ridicularizadas pelos cientistas e homens e mulheres de razão, do que a própria Alquimia o é.

Mas em sã consciência, como rejeitar essas teses? Aconselho que as considere, Filáion, meu amigo.

Em 2011, Pricknett e Prince publicam em inglês, na cidade de Londres, uma obra cujo título em português fica: O Universo Proibido; as origens ocultas da ciência e a busca pela mente de Deus (The Forbidden Universe; the occult origins of Science and the Search for the Mind of God[247]), que foi traduzida por Alfonso Barguñó Viana e publicada em Barcelona no ano de 2018, com o nome de El Universo Prohibido; los orígenes ocultos de la Ciencia moderna[248]. Essa obra defende que a ciência ocidental é um resultado camuflado do hermetismo, algo assim como Fanning Philip propõe no seu livro Isaac Newton e a Transmutação da Alquimia.

O mesmo título, Universo Proibido, já tinha sido usado em uma outra obra, do italiano Leo Talamonti, em 1966, que foi vertida pra o espanhol e publicada em 1970: Universo Proibito[249], e que se desenrola na apresentação de muitos fatos e fotos concernentes aos fenômenos paranormais e à parapsicologia.

Os Adeptos não param de aconselhar que sigamos a Natureza, que o caminho natural e o mais simples é o verdadeiro, como na poesia e na pintura La Complainte de Nature à l’Alchimiste Errant (A Queixa da Natureza ao Alquimista Errante, 1515)[250], de Jehan Perréal (1455 ou 60 – 1528), também chamado Jean Peréal, Johannes Parisienus e Jean de Paris, pintor e arquiteto francês.

A poesia tem 1822 versos, e ocupa 86 páginas de um manuscrito de 102, precedida de uma apresentação. Não encontrei vestígio do livro publicado, apenas o manuscrito original, que referencio em nota adiante. A pintura é mais conhecida, tendo merecido o interessante estudo “Jean Perréal, poète et alchimiste”, publicado em Paris, no ano de 1943, por André Vernet[251], coloquei-a na capa do meu livro O Estudante do Coração[252].

Eis o que a Encyclopedie Universalis.fr nos conta sobre Perréal:

 

Artista extremamente ativo, que se dedicou à pintura, iluminação, decoração, arquitetura e poesia. Jean Perréal, conhecido como Jean de Paris, estava ao serviço da cidade de Lyon, onde organizou muitas “entradas” principescas, as dos reis Carlos VIII, Luís XII e Francisco I, as da rainha Ana da Bretanha (para as quais ele desenha os padrões escultóricos dos túmulos dos duques da Bretanha em Nantes, executados pelo escultor Michel Colombe) e especialmente da arquiduquesa Margarida da Áustria, com quem desempenha o papel de intermediário para as obras da igreja de Brou. Embora tenhamos mais documentos sobre ele do que sobre qualquer outro artista seu contemporâneo, só em 1963 Charles Sterling pôde atribuir-lhe com certeza uma obra, o frontispício em miniatura de La Complainte de Nature à l’alchimiste errant (1516, Musée Marmottan Monet, Paris), e realizar a reconstrução de sua obra por comparação estilística. Anteriormente, haviam sido feitas tentativas frustradas, com base em sua celebridade, de atribuir-lhe o mais importante grupo de pinturas anônimas francesas do final do século XV, agrupadas sob o nome do Mestre de Moulins (hoje identificado como Jean Hey). Parece, no entanto, que a fama de Perréal se deve mais às suas inúmeras conexões e atividades do que apenas ao seu talento: suas obras sobreviventes, especialmente retratos (retratos presumidos de Carlos VIII e Ana da Bretanha, Biblioteca Nacional da França; miniatura do escritor e poeta Pierre Sala, British Museum, Londres; Retrato de um homem em oração, Biblioteca Nacional da França; vários desenhos a lápis no museu Condé de Chantilly), refletem uma visão viva e direta dos modelos e uma concepção inovadora do retrato em miniatura. Se não é o introdutor do Renascimento na França, Jean Perréal desempenhou um papel decisivo no desenvolvimento do retrato que se tornará, com artistas como Jean Clouet, um gênero autônomo.[253]

 

A imagem de La Complainte de Nature à l’Alchimiste Errant é dividida exata/mente em duas metades, nos sentidos horizontal e vertical, formando uma cruz.

No vertical, vemos, de um lado, o Alquimista, um homem bem vestido, à frente de um prédio no qual está seu laboratório, visível, no andar térreo, atrás de um arco. Ali há um recipiente com carvões e um forno aceso, sobre o qual repousam sete alambiques de destilação. Sobre uma prateleira ao fundo, podemos ver mais outros três alambiques de reserva. Esta região da pintura representa o Alquimista, o Humano, o Microcosmos e o Parergon, a obra no mundo.

Do lado esquerdo vemos um anjo com os braços cruzados, olhando significativa/mente para o homem, na aparência de o estar admoestando. O anjo porta uma coroa dourada com os símbolos dos sete planetas moldados sobre ela, e está sentado sobre uma estranha planta, cujos galhos se torcem e formam sete espaços, sendo que em todos podemos ver o céu através deles, e no de baixo, sobre o qual o anjo se assenta, além do céu, podemos avistar o mar, a terra e os vegetais e um monte ao fundo, além do mar, que poderia ser a Montanha dos Filósofos, segundo a página da internet “Jean Perréal, poète! Jean Perréal, alchimiste?”[254]. A construção humana traz linhas retas, a árvore sobre a qual está o anjo tem linhas curvas. Os sete espaços entre os galhos se opõem aos sete aparelhos de destilação em uso pelo Alquimista. Sobre a planta há três florações, que se contrapõem aos alambiques que estão sobre a prateleira. A flor central é grande, bonita de dourada. Tudo no lado direito de quem vê a pintura é feito pela mão do homem, com exceção do próprio homem. Tudo que se vê do lado esquerdo é feito pela natureza, pela mão de Deus. A região à esquerda representa Deus, a Natureza, o Macrocosmos e o Ergon.

No mesmo site citado vemos que a árvore traz concomitante/mente as representações de um coração, um ovo, o infinito e a flor de lis[255].

Sobre a flor de lis:

 

A flor-de-lis é um símbolo de poder, soberania, honra e lealdade, e também de pureza de corpo e alma. É um símbolo que é usado no escotismo, na maçonaria, na alquimia e em algumas religiões.

A palavra lis é de origem francesa e significa lírio ou íris. Na heráldica (a ciência dos brasões), representa uma das quatro figuras mais populares, juntamente com a águia, o leão e a cruz.

Alguns estudiosos afirmam que a flor-de-lis se originou da flor de lótus do Egito, outros afirmam que foi inspirada na alabarda, uma arma de ferro de três pontas usada por soldados, que era colocada em fossos ou poços para passar para aquele que caiu neles. Outra possível origem é que se trata de uma cópia do desenho impresso em antigas moedas assírias e muçulmanas.[256]

 

Sobre a flor de lótus: “O loto é um símbolo dos deuses Brahma e Vishnu; é uma planta sagrada”.[257] Estes são dois aspectos do Deus único que criou o mundo: Brahma é o aspecto de Deus que cria o mundo, que faz a criação, enquanto Vishnu é o aspecto de Deus que preserva o mundo, é o Deus da preservação.

No sentido vertical, a pintura mostra embaixo a Terra, em cima o Céu.

Do lado do anjo, vemos a planta ou árvore que tem as suas raízes na terra e que sobe até o Céu.

Do lado do homem, vemos o laboratório, a obra alquímica, criticada pelo que está inscrito em latim no rodapé do laboratório: “Opus Mechanicae”, isto é, A Obra Mecânica, ou Trabalho da Mecânica, que é o objeto da queixa do anjo: não seja tão soprador.

Em cima, correspondendo à região do céu no quadro, do lado direito, vemos o segundo andar do prédio, com uma janela fechada: a casa barroca (mesmo sendo Perréal renascentista, vejo esse barroquismo avant la lettre, ao representar o segundo andar do ser humano, no mundo).

A mão dentro da bolsa (busca do ouro) e um pedaço do braço esquerdo do homem, assim como um pé e parte da perna esquerda, estão do lado esquerdo, o lado de Deus e da Natureza, bem como um pedacinho da sua cabeça está na parte de cima, que representa o céu. Ele está aprendendo, está se conectando. Uma projeção da raiz da planta vai até o campo da pintura reservado ao microcosmos: eles se comunicam, se tocam (o que está no alto e o que está embaixo).

O arco formado pelos galhos de cima de planta, no qual cresce a flor, traz a inscrição: “Opus Naturae”, A Obra Natural. Na raiz da árvore, que se divide em três, está escrito “Mineralis”, Mineral; nos galhos do lado esquerdo, de cima pra baixo, nove elementos: “indi”, “vidiu”, “terra”, “aer”, “gen”, “ignys”, “aqua”, “aer”, “terra” (indivíduo – que aparece dividido em três, o que é um paradoxo, porque a palavra significa “que não se divide” –, terra, ar, gênero, fogo, água, ar, terra); nos galhos do lado direito, nove elementos: “um”, “aqua”, “ignys”, “spes”, “aer”, “mixtio”, “terra”, “ignys”, “agua” (um = indivíduo, terceira parte da palavra latina “individuum”, começada no outro lado, água, fogo, esperança, ar, mistura, terra, fogo, água); as inscrições também são douradas.

A árvore sobre a qual o anjo está sentado tem na sua base um fogo aceso, um forno natural, que é alquímico, sob o qual está escrito: “Materia Prima”.

 

Leiamos uma estrofe da poesia de Perréal apresentada por essa riquíssima figura (versos 991 a 1000):

 

La plus parfaicte creature,
Que Dieu crea après les Anges;
Je vous rends honneur & louanges.
Que vous estes mere & maistresse
Gouvernante du macrocosme,
Qui fut crée pour microcosme.
Le premier, le monde se nomme:
Et microcosme en Grec, c’est l’homme.[258]

 

(A mais perfeita criatura,

Que Deus criou depois dos anjos;

Rendo-vos honra e louvor.

Pois vós sois mãe e amante

Governante do macrocosmo,

Que foi criado para o microcosmo.

O primeiro, o mundo é chamado:

E microcosmo em grego, é o homem.)

 

E por falar (s)em segredo, vejamos as correspondências que Friedrich von Licht propõe na obra El Fuego Secreto, excelente trabalho hermenêutico da obra de Fulcanelli, que traz esta explicação sob o título: “Comentario a El Misterio de las Catedrales y Las Moradas Filosofales, de Fulcanelli, y su asociación al simbolismo alquímico del Taoísmo, Budismo y Kundalini Yoga”[259].

 

Apo

Deuses do Olimpo

 

Planetas

 

Etapas da

Grande

Obra

Cor da matéria

Dias da Criação

Chakra ou loto

Sephirah cabalística

Hexagrama do I Ching

Runa nórdica

Metal espagírico

 

 

Apóllon

 

Sol

 

Triunfo

 

Púrpura

 

Domingo

 

Sahasrara

 

Kether

 

Descrição: Hexagramme 1 du Yi Jing

 

 

Ouro

 

Áres

 

Marte

 

Firmeza

 

Vermelho

Segunda-feira

 

Ajña

Chokmah

Binah

 

Descrição: Hexagramme 43 du Yi Jing

 

 

Ferro

 

Afrodite

 

Vênus

 

Graça

 

Verde

Terça-feira

 

Visuddha

Chesed

Geburah

 

Descrição: Hexagramme 34 du Yi Jing

 

 

Cobre

 

Ártemis

 

Lua

 

Inteireza

 

Branco

Quarta-feira

 

Anahata

 

Tiphareth

 

Descrição: Hexagramme 11 du Yi Jing

 

 

Prata

 

Zeús

 

Júpiter

 

União

 

Cinza

Quinta-feira

 

Manipura

Netzach

Hod

 

Descrição: Hexagramme 19 du Yi Jing

 

 

Estanho

 

Krónos

 

Saturno

 

Caos

 

Negro

Sexta-feira

 

Svadhisthana

 

Yesod

 

Descrição: Hexagramme 24 du Yi Jing

 

 

Chumbo

 

Hermes

 

Mercúrio

 

Fundamento

 

?

 

Sábado

 

Muladhara

 

Malkuth

 

Descrição: Hexagramme 2 du Yi Jing

 

 

Mercúrio

 

Por outro lado, as relações que estabeleço entre as fases da obra, a mitologia e o Tarot ao longo deste livro não são as mais encontradas, como, por exemplo, aquelas propostas por Arthur Edward Waite (podemos ver o baralho que ele propõe, desenhado por Pamela Colman Smith, em The Pictorial Key to the Tarot. London: Rider & Son, 1910).

Waite quer mudar a posição da carta da Força pela da Justiça, pensa-se que pela associação dos arcanos com os signos astrológicos Leão e Libra, para manter a mesma sequência do zodíaco nas cartas. Essa argumentação é boa, e é desenvolvida e ampliada por Crowley, mas não a adoto, penso que a simbologia do Tarot segue uma ordem que corresponde às etapas da Alquimia, o que também é bastante controverso, pois pratica/mente cada escritor apresenta a sua versão das Fases da Obra.

Minhas predileções (e meu fazer poético) constituem o melhor do meu Parergon, então, não são a Alquimia, mas são. Meu desprezo por Gullar, mesmo ele tendo talento pra versar, é que ele é o inverso: afirma dolorosa/mente o não ao seu próprio ser, e tende a tentar fazer com que todas as pessoas façam o mesmo, ato vil. Tudo pra ele são bananas, parou e congelou a fase negra da obra. Sim, fala da obra, como quem fala de fora, é o primeiro tipo de homem passivo, passional ou apaixonado: aquele que se põe sempre como objeto do mundo, e que grita sem parar não a tudo.

Meu amor gigantesco pela poesia de Sousândrade, Manuel Bandeira e Oswald de Andrade mostra a minha filiação. Trata-se da poesia aiônica, como escrevi nos Encontros das Esquinas das Palavras. Uma nota coloca no corpo daquele texto: não vejo nos críticos e acadêmicos brasileiros a construção de uma leitura com ferramentas e inteligência potente para explicar, compreender ou fruir da melhor poesia feita aqui, como as dos meus poetas mestres Andrade, Bandeira e Sousândrade.

Veja, por exemplo, a tola e alucinatória teoria de que Oswald de Andrade (Oswáld, oxítono) faria poesia piada. Poemas piada; quais? Releia sua obra poética. Seus poemas são koans zen, são aforismas do tao, é a descoberta da poesia nas coisas que nunca vi (“3 de maio”), sendo essas todas as coisas, olhadas sempre pela primeira vez, com olhos aiônicos, de poeta químico, Alquimista:

 

Aprendi com meu filho de dez anos

Que a poesia é a descoberta

Das coisas que eu nunca vi[260]

 

Bandeira e Oswald fazem poemas pequenos, simples, singelos, comuns, com coisas insignificantes, coisas pequenas do cotidiano. Mas constroem estrelas em suas estruturas supercomplexas de muitos sentimentos e pensamentos encadeados em várias dimensões, mil folhas do tempo e do espaço, olha de fora e de dentro, ao mesmo tempo, obra mil folhas do tempo e do espaço, do eu.

ABS são os grandes alquimistas da poesia brasileira, junto comigo, que escrevo poesia e teoria (Parergon) como parte integrante da obra (Ergon), em todos os sentidos, para construir no Brasil uma leitura potente, tanto da Estética quanto da Hermética.

Sobre eles e o que mais amo na poesia escrevi a teoria da poética do tempo aiônico durante meu pós-doutorado em Estudos Culturais na UFRJ, que concluí em 2015, e cujo livro Encontros nas Esquinas das Palavras publiquei em 2021.

Desde 2015 venho trabalhando neste livro aqui, Ergon e Parergon.

São oito anos de aquisição de obras (livrarias presenciais e online, e originais que consigo encontrar pela internet), montagem deste texto em mim e sua redação. Mas, na verdade, como se pode perceber quando cito influências desde a minha infância, eu escrevo este livro desde que comecei a ler e escrever. E este é o volume um, que aduz a teoria: Filosofia Hermética; estão programadas as redações dos volumes dois: Alquimia, e três: Química, que darão conta da prática.

Aquele meu colega A, do curso de Filosofia, tinha me falado, nos anos oitenta, sobre uma livraria muito especial, meio secreta, à qual as pessoas apenas iam quando indicadas, que não fazia publicidade, se escondia na sobreloja de um prédio na praça com o nome de um grande poeta brasileiro, em frente ao Mercado das Flores do Rio de Janeiro, e vendia muita coisa mesmo, muitos livros e outros produtos, sobre Alquimia, Religiões, Esoterismo e Magia.

Um dia fomos eu e Lira nesse local.

Quem nos atendeu foi um senhor idoso, muito misterioso e que guardava silêncio; recebeu o pagamento pelo livro que compramos, mas nada nos falou.

Ficamos frequentando a Livraria Le Demande, até que um dia o senhor que nos atendeu foi o próprio dono do estabelecimento, o Senhor Louis Le Demande, isso estava patente pra nós, mas não sei como a gente percebeu isso.

Pedi livros de Alquimia. Ele me falou que para poder estudar esta ciência é preciso ler em outras línguas, e nos mostrou uns tesouros alquímicos em forma de livros, importados. Foi nesse dia que adquirimos A Philosophical Key, de Robert Fludd[261].

Ele ficou conversando conosco. Neste dia só estávamos nós Eu e Lira e o senhor Le Demande na loja, e ele falou longa/mente, nos deu uma verdadeira aula aula sobre Alquimia.

Quanto às fases da Alquimia, nos abeberamos em dois autores lusos e uma neerlandesa.

Anselmo Caetano Munho’s de Avreu Gusmão Castello Branco publicou seu Ennœa ou Aplicação do Entendimento sobre A Pedra Filosofal em dois volumes, nos anos de 1732 e 1733, ele, médico e Alquimista (hasta en su nombre, hombre) que o tinha escrito todo em 1730. Deve ter ficado desgostoso que sua custosa e rica publicação viesse com um erro tipográfico nas maiores letras do título, que podemos ver no fac-simile da edição que cito, no qual aparece Ennæa (quando a palavra grega em carateceres latinos se diz e escreve Ennœa). Ele pensa que são quatro as fases, acrescentando a cor amarela (tão significativa em sua simbologia, e, que, alguns, consideram como fase laranja); assim Enodato fala a Enodio, nos diálogos da obra:

 

Os meyos operativos, que tambem se chamão chaves da Obra grande, são quatro. O primeiro he dissolução, ou liquefacção: o segundo lavação: o terceiro reducão: e o quatro fixação. /.../[262]

 

O contemporâneo Vitor Manuel Adrião entende que são doze, que, na verdade, se reduzem a três subdivididas em quatro etapas, cada:

 

Nigredo, “Obra Negra”:

Calcinação

Solução

Separação

Putrefação

 

Albedo, “Obra Branca”:

Conjunção

Coagulação

Cibação

Sublimação

 

Rubedo, “Obra Vermelha”:

Fermentação

Exaltação

Multiplicação

Projeção[263]

 

A investigadora holandesa Mellie Uyldert pensa assim as possibilidades das fases: 1 – calcinação, 2 – sublimação, 3 – solução, 4 – putrefação, 5 – destilação, 6 – coagulação, 7 – tintura; ou: 1 – solução, 2 – putrefação, 3 – destilação. 4 – sublimação, 5 – coagulação, 6 – fixação, 7 – lapidação; aos quais correspondem na mesma ordem os planetas: 1 – Mercúrio, 2 – Saturno, 3 – Júpiter, 4 – Lua, 5 – Marte, 6 – Vênus, 7 – Sol[264].

 

Coloque o teu crisol sob a luz polarizada

Ó meu filho

Lava as escórias com a água tri-destilada

Pois aquele que forja a falsa prata

E o falso ouro

Não merece a simpatia de ninguém

Pois aquele que é vil

Está ávido a ser malévolo

Não merece a simpatia de ninguém

Domine a imagem use força inferior superior
Use o conhecimento com perseverança e consciência
Pratique e transmute à vontade

Com lealdade
E sinceridade

Seja atento e assíduo porque
A qualquer hora a qualquer momento
Pode estar nascendo o amor

(Jorge Ben)[265]

 

Assim canta Jorge Ben(jor), citando a sério e de forma profícua uma ironia (injusta, o que é incomum nesses autores tão importantes) de Louis Pawels e Jacques Bergier:

 

A alquimia, segundo a nossa opinião, poderia ser um dos mais importantes resíduos de uma ciência, de uma técnica e de uma filosofia pertencentes a uma civilização desaparecida. Aquilo que descobrimos na alquimia, à luz do saber contemporâneo, não é de molde a fazer-nos acreditar que uma técnica tão sutil, complicada e precisa possa ter sido o resultado de uma “revelação divina” caída do céu. Não quer dizer que desprezemos toda a ideia de revelação. Mas, ao estudarmos os santos e os grandes místicos, jamais podemos chegar à conclusão de que Deus fala aos homens em linguagem técnica: “Coloca o teu crisol sob a luz polarizada, ó meu Filho! Lava as escórias com água tridestilada!”[266]

 

Como todo alquimista de respeito, Jorge Benjor se mostra total/mente fiel a Deus e à Ética Alquímica, revelando e velando com desvelo o tempo todo os fios do seu tosão, e, ao mesmo tempo, numa simples convexão do tempo, instaura o seu Templo, isso é, faz a sua própria Arte. Cada alquimista que vale cria o seu ensinamento, a aprendizagem é pessoal e instransferível, assim como cada ser no Universo é único, e, concomitante/mente, é um filho, isto é, um fio de Deus.

Jorge Benjor ao longo de sua carreira musical fez um caminho autoral, próprio e vivencial do aprendizado hermético, a sério, não se podendo dar crédito a leituras imbecis que querem ver ali apenas modismo ou alguma outra bobagem. A crítica é sempre, antes de tudo, a crítica do crítico.

A luz polarizada sob a qual se recomenda que seja colocado o crisol onde a matéria prima é trabalhada é a luz da Lua.

O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes ou dos cinco pães e dois peixes, realizado por Nosso Senhor Jesus Cristo, é um dos poucos registros que se repete igual nos evangelhos sinóticos e no diferente João evangelista, e está nos capítulos e versículos: Mateus 14:13-21, Marcos 6:31-44, Lucas 9:10-17 e João 6:5-15.

Aqui eu cito a versão do evangelho segundo São João, traduzido pelo maravilhoso tradutor e escritor João Ferreira Annes d’Almeida, século XVII, o primeiro a verter a Bíblia para a língua portuguesa, e, ainda, com o texto rico e forte original, pois as edições usadas atual/mente, “revistas e atualizadas”, têm muitas palavras do original modificadas, diferem do texto do nosso autor luso como a água do vinho, não lhe chegam aos pés. Este exemplar da Bíblia não tem data de edição, deve ser da década de 30 ou 40, pois minha mãe, que nasceu em 1933, e deu aulas na Igreja Protestante de sua cidade natal São Gabriel, no Rio Grande do Sul, quando tinha cerca de 18 anos, a recebeu do pastor protestante que dirigia a escola da igreja onde ela dava aula como voluntária, provavel/mente em 1951

 (preservo a ortografia do original que possuo):

 

Então Jesus, levantando os olhos e vendo que uma grande multidão vinha ter com elle, disse a Philippe: D’onde compraremos pão para estes comerem?

Mas dizia isto para o experimentar; porque elle bem sabia o que havia de fazer.

Philippe respondeu-lhe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um d’elles tome um pouco.

E um dos seus discipulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:

Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos: mas que é isto para tantos?

10 E disse Jesus: Fazei assentar os homens. E havia muita herva n’aquele logar. Assentaram-se pois os homens em numero de quasi cinco mil.

11 E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discipulos, e os discipulos entre os que estavam assentados: e egualmente tambem dos peixes, quanto queriam. 

12 E, quando já estavam saciados, disse a seus discipulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.

13 Recolheram-nos pois, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.

14 Vendo pois aquelles homens o signal que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o propheta que devia vir ao mundo.

15 Sabendo pois Jesus que haviam de vir arrebatal-o, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, elle só, para o monte.[267]

 

Pensemos sobre o Primeiro estágio da Grande Obra[268]. Há muitas inscrições em latim nesta imagem, que é uma exposição do trabalho alquímico em suas sete fases, colocadas contemporanea/mente na mesma imagem.

Sobre a mesa podemos ver muitos instrumentos musicais e uma balança, confirmando que a Alquimia é a Arte do Som e da Harmonia, a Ciência das Quantidades e Equilíbrios e a Filosofia da Qualidade.

Na aparelhagem de destilação, ao lado da grande mesa, está escrito “Maturandum”, “Aquilo que está sendo amadurecido”, e “Festina Lente” = σπεῦδε βραδέως = apressa-te lenta/mente, que foi o lema do imperador romano Augusto, e é o dos alquimistas[269].

O alquimista da figura tem uma mansão gigantesca, e num salão enorme instalou o seu laboratório. Ali há lugar para leitura e estudo, prática laboratorial com artefatos e substâncias, vários instrumentos musicais e um oratório, com livros abertos e inscrições latinas e acima o Tetragrammaton, as quatro letras hebraicas do nome de Deus.

Amphitheatrum Sapientiae Aeternae (1595) de Heinrich Khunrath merece um estudo detalhado, imagem a imagem, detalhe a detalhe de cada imagem, palavra a palavra de cada frase de cada texto. Esse livro é a Matéria, o Laboratório, a Obra, a Filosofia e a Alquimia.

Comento de maneira completa/mente incompleta essa imagem, o alquimista sendo visto antes de tudo e mais que tudo diante do nome de Deus e do oratório, tendo ao seu dispor o fogo, o forno, as matérias, os utensílios, os livros e as notas musicais, ao seu lado.

Há o alerta também, numa inscrição em latim sobre a cena, de que se deve dormir acordado, isso é, ao fazer as coisas humanas (como quem dorme), estar desperto para o que real/mente importa para nós.

No entanto; quem pode ter uma mansão desse tamanho e com esse luxo todo? Seria a nossa Arte apanágio dos milionários? Se você pensa os ricos de espírito, sim.

Esse laboratório você deve construir em você.

O Soneto 33 de William Shakespeare fala da Alquimia, na verdade, ele é integral/mente Alquímico (isso é, Alquímica Mente), sua chave de ouro traz o princípio hermético “o que está no alto é como que está embaixo”, e, principal/mente, fala que esse amor não se esgota; antes, havia mostrado a Alquimia do céu fazendo a natureza inteira parecer mais linda que o ouro.

 

Sonnet 33[270]

 

Full many a glorious morning have I seen
Flatter the mountain tops with sovereign eye,
Kissing with golden face the meadows green,
Gilding pale streams with heavenly alchemy;
Anon permit the basest clouds to ride
With ugly rack on his celestial face,
And from the forlorn world his visage hide,
Stealing unseen to west with this disgrace:
Even so my sun one early morn did shine,
With all triumphant splendour on my brow;
But out, alack, he was but one hour mine,
The region cloud hath mask’d him from me now.

Yet him for this my love no whit disdaineth;

Suns of the world may stain when heaven’s sun staineth.

 

Soneto 33

 

Muitas manhãs gloriosas eu já vi

Cobrindo os montes com soberbo olhar,

Áurea face a beijar verde capim,

Alquimia divina a transmutar

N’ouro rios sem cor; sem permitir

No firmamento nuvem baixo astral,

Nem deserdando o mundo a se esvair,

Rosto que vai pro rastro ocidental:

De um modo igual meu sol brilhou pra mim,

Triunfo esplendoroso em minha testa;

Porém, uma hora só, depois eu vi,

A nuvem que o escondeu, muito depressa.

Mas nem por isso o amor que sinto encerra;

Se foge o sol do céu, fá-lo os da terra.

 

Vamos justa/mente citar dois autores da maior importância do hermetismo brasileiro, mesmo que seja citação, porque eles merecem ser estudados em grandes tratados exclusivos.

Um é Luiz Goulart e seu livro Átomo Vital:

 

Digamos, sem receio, que o Eu Vital conserva a sua energia, recebida diretamente do Átomo Vital, independente da ação que exerce no centro motor cerebral. As possibilidades fracas ou fortes de enervação, não modificam o QV (Quoeficiente Vital de Energia), que permanece o mesmo, conforme afirmamos, apesar de suas permanentes emanações. /.../[271]

 

Trigueirinho é também investigador das questões herméticas, como podemos aferir e auferir (obter o áureo resultado) em seu texto:

 

Desde a Antiguidade houve, em vossa Terra, seres evoluídos que mantinham secretas as chaves da transmutação e da sublimação. Provinham de outras órbitas planetárias e desciam aos níveis materiais para cumprir tarefas específicas dentro de um plano determinado. Eram seres libertos dos aços compulsórios com a matéria, e muitos deles tornaram-se conhecidos e fizeram parte da vossa História. Entretanto, o que podeis saber sobre eles por meio de relatos não passa de uma pálida sombra do que realmente eram e do que realmente fizeram.

O trabalho com energias, e portanto o trabalho de transmutação, é oculto. Mesmo quando revelado à consciência material, esta não pode, ainda, abarcar todas as chaves dessa ciência. Sacerdotes e doutores do antigo Egito e de outros povos, bem como santos e místicos, a conheceram, pois sem a transmutação não teriam chegado aos elevados níveis que atingiram.[272]

 

Existem três fatores irredutíveis um ao outro: o ser vivo, o espaço e o tempo.

O ser vivo sempre experimenta as mudanças que acontecem na matéria (de estado, de deslocamento, qualitativas, quantitativas e substanciais) e as extensões que a matéria lhe apresenta (formas em todos os sentidos, visual, auditivo, de paladar, de tato, de olfato, de penetrabilidade, de reacionaridade etc.).

O ser nasce e cresce presenciando, sentindo e se relacionando com as transformações do tempo (Mercúrio) e as formas da matéria (Enxofre). Mercúrio é a capacidade que o real tem de fazer transformação, o tempo todo. Enxofre é a capacidade que o real tem de apresentar formas nítidas, que se mantêm.

Veja bem, caro Filáion: falo que Mercúrio é um fator independente, uno, igual a si mesmo, não sendo o tempo, mas, tendo na representação do tempo, uma das suas manifestações; o simples tempo é claro que é um caldo mesclado de Mercúrio e Enxofre. O qual, Sulfur, é um fator independente também, duo, sempre igual a si mesmo, não sendo em si o espaço, mas tendo, este, em si, as características trançadas em rama de Mercúrio e Enxofre. Como podemos ver no Caduceu, a vara de Hermes, que traz duas cobras entrelaçadas em espirais ascendentes a uma vara.

O ser se coloca diante do Enxofre e do Mercúrio de três maneiras, que correspondem aos três gêneros de conhecimento de Espinosa. Se o ser se coloca como passivo receptor das transformações e das formas recusando-as, negando-as, ele afirma o não total, e se envenena, se nega a si mesmo. Se o ser se coloca como passivo receptor das formas e transformações afirmando-as, ele afirma o real, e se fortalece. Essas duas posições não são herméticas, é o homem comum, feliz ou infeliz, conforme sua atitude mais íntima de afirmar ou negar. Essa é a posição passiva, que corresponde em Espinosa ao homem das paixões tristes (que enfraquecem o sujeito) e o homem das paixões alegres (que fortalecem o sujeito). O ser para afirmar precisa acreditar.

Mas é possível ao ser receber as formas e transformações do mundo e ser ativo em relação a elas, ativo mesmo, isto é, transmutando as formas e as transformações. O ser humano pode fazer isso com qualquer atividade e coisa com que ele esteja lidando.

Conseguir dominar a fixação sulfúrea e a volatilidade mercurial, para realizar suas obras comuns (Parergon), é o trabalho do Hermetista. É Parergon porque se pode fazer isso com qualquer atividade, plantar, caçar, cozinhar, construir, fabricar, vender, comprar, atender, ensinar, ler, escrever, fazer arte etc.

O Ergon é o trabalho alquímico. Mas o Parergon é o trabalho que possibilita e conduz ao Ergon.

 

 






Capítulo 7: O Carro do Triunfo ז

 

– De certa maneira – explicou –, a química pode ser vista como um casamento entre a ciência e a arte, uma poesia da Terra, um caleidoscópio sensorial de cheiros, gostos, cores e texturas. Muitos artistas se interessavam pela química: pintores, escultores e sobretudo músicos. Sir Edward Elgar, por exemplo, se aventurava no assunto, e Aleksandr Borodin era químico. Costumava rabiscar notas musicais pelas paredes do laboratório, distraidamente, enquanto conduzia seus experimentos.  E também havia os químicos-poetas, como Humphry Davy, que descobriu o sódio e o potássio. Os cadernos dele estavam recheados de experimentos químicos misturados a versos recém-compostos para um poema qualquer. Ele e Coleridge chegaram a planejar a aquisição de um laboratório em conjunto! E também tem o Primo Levi, claro, que via a química como a arte de sopesar e separar, tal qual a literatura.

(Jeffrey Moore)[273]

 

 

O Carro do Triunfo corresponde à letra do alfabeto hebraico Zaiin, que dá a ideia de luta, espada e proteção do que merece ser projegido.

Corresponde ao hexagrama 35 Jìn O Progresso: Fogo sobre Terra.

Mas, na sua dupla face de vitória, porém guerra contra os outros, também se lhe pode atribuir o hexagrama 7 S O Exército: Terra sobre Água.

Aqui o signo zodiacal é Libra, que é regido por Vênus e tem o Ar como elemento.

Esse Ar de Libra é aquele que te revitaliza e acalma, quando você respira fundo e sente uma força que vem do Cosmos pra você, na sua respiração. É o ar do campo, que rejuvesce e alimenta. O ar claro, que nos permite enxergar clara/mente a quilômetros de distância.

O libriano é exigente, sendo sua maior exigência consigo mesmo, que haja justiça, dele para com os outros e consigo mesmo, e reciproca/mente, no mundo. Ama a beleza e a harmonia, é alguém que prefere a calma e a ponderação, sendo por isso um lutador que se vê no meio dos conflitos, um pacifista que se arvora a lutar pelos seus ideais.


O pedagogo de si[274]

 Aqui começa a hestorya, e todo aquele que meça e que peça sua glorya ao comum, se esqueça de obtê-la, a glorya é uma onça a glorya é uma ansya e nada que se faça vai poder predeterminar seus passos. E duas gloryas há: aquela que vem de fora, que custa os olhos da cara, e que não vale nada, apesar de colocar seus nomes nos jograis e dar os nomes aos bois e nada mais.

E essa que é uma espécie de messe da proprya vivência bem arquitetada uma grande epopeia ou poema lírico ou ainda sinfonia que sintoniza suas partes alma corpo coração mente sexo e pulmão e tudo mais que lhe praza e lhe faz ser uma brasa, mora, e lhe enche a casa de amor e paz.

Pensava nessas coisas quando cheguei em casa. Em todas elas mesmo, nos artigos que estava escrevendo sobre as eleições, sobre educação e sobre empreendedorismo. Sou um tudógrafo, esse o meu trabalho, pelo qual ganho grana que chegue para engalanar esses momentos inócuos de matéria estelar e de sonho que comprimo entre meu dormir e acordar, ou vice-versa. Quem sabe o que é o quê? Shakes falou que somos feitos e o mundo é feito da matéria dos sonhos (A Tempestade). Eu tenho a helênica impressão imprecisa mas ao mesmo tempo preciosa (eu não sei por quê) de que somos os sonhos e o que chamamos de somos são os sonhos que sonhamos.

Essa coincidência absoluta de tudo com tudo é que motivou a escrever essa liteira ligeira mais o fato incontestável de que eu estava assistindo a uma das jornadas nas estrelas star trek e o cara falou já: “ajustar para tonteio”, se referindo aos fasers que eles traziam, que são as armas deles, e eu quando vi e ouvi isso pensei na hora: tenho que escrever um livro com esse plurissignificativo e alimentício rótulo: por isso vossa senhoria o traz agora, entre as mãos, diante dos olhos e do coração, e da mente, se tanto.

Umas coisas eu posso explicar pra alegar em nossa defesa minha o omnólogo e vossa leitora e leitor: sou um omnógrafo, tudo absoluta/mente tudo que eu conto aqui é a mais pura verdade, nada é ficção, e, se assim o parece, é devido a uma inconcebível e insuportável coincidência.

 

Estamos aqui fazendo os novos namoros com a medicina:

 

De modo que o ritmo musical é de todos os ritmos artísticos o de maior poder fisiológico, por se apresentar mais puramente. E por isso muitos autores colocam como causa primeira do aparecimento da música, não o som que lhe é exclusivo, mas o ritmo.[276]

 

Este livro é uma obra de Filosofia da medicina.

A questão da saúde é ecológica e está total/mente ligada ao meio natural e social em que vivemos[277].

Mais do que nunca, precisamos nos conscientizar, não da  boca pra fora, só como efeito midiático, mas sim de uma forma holística, nas nossas práticas e nos nossos discursos, transcender uma imagem mecanicista e divisionista do ser do homem, e compreender que a natureza somos nós, não há sujeito e objeto quando se trata do todo ecológico, somos a saúde natural que conseguirmos desenvolver no planeta, ou o oposto; as riquezas que preservamos são aspectos do nosso ser, e cada planta ou animal que permitimos que se extinga por incúria ou ganância, é uma parte do nosso próprio ser que desdenhamos, e “desdesenhamos”.

 

A flecha do tempo quem disparou e ela tem início e acerta um alvo?

A par de ser a grande questão do Visconde Ilya Prigogine, ela é também o motor das inúmeras aspirações e realizações humanas, mesmo quando não se tem plena consciência disto. A consciência comum desperta faz uma linha muito nítida, que dá sensação claustrofóbica para qualquer ser humano. Mas algo no coração nos diz que vivemos num tempo rico e plural, variável e variante o tempo inteiro.

– Amigo Filáion, como você sabe meu nome é Carlos Fontana, mas, junto com a experiência mística que tive, recebi o nome Hermes Grau, do qual me orgulho e que humilde/mente eu me esforço ao máximo para honrar, pois me liga ao mestre criador da nossa Arte. Hermes foi a versão grega, assim como Mercúrio a romana, do nome iniciático que ele mesmo recebeu na língua egípcia: Thoth. Seu nome era outro, foi-me revelado em sonho, junta/mente com o que vou contar, mas não me atrevo a escrevê-lo, ainda.

Sobre esse nome recebido, assim escreve Xavier Renau Nebot:

 

O epíteto Trismégistos certamente vem do título egípcio de Thoth: , grande grande, ou seja, muito grande, que, desde a época de Ptolomeu IV Filopator (221-205 a. C.) foi traduzido para o grego com o superlativo repetido três vezes: mégistos kaì mégistos kaì mégistos; resta apenas abreviar a fórmula por meio do prefixo tris (três vezes) para dar Trismégistos, o três vezes muito grande, ou, como nos papiros mágicos: Trismégas Hermês.[278]

 

Hermes Trismegistos viveu no Egito, na mesma época de Kṛṣṇa na Índia[279], cerca de 3000 a. C. Tinha 1,77 de altura, magro, jeito tímido, foi escriba, mas se destacou tanto, que se tornou um Mestre respeitado em todo mundo em sua época, tendo regido por muito tempo uma instituição de pesquisa e ensino egípcia, que lançou as bases da Alquimia para vários povos, até orientais, os quais enviavam representantes para estudar ali; e, por desígnio do povo egípico, Hermes chegou a ser Faraó.

 

/.../ 4 A essas palavras mudou de aspecto e, subitamente, tudo se abriu diante de mim em um momento, e vi uma visão sem limites, tudo tornou-se luz, serena e alegre, e tendo-a visto apaixonei-me por ela. E pouco depois surgiu uma obscuridade dirigindo-se para baixo, sendo, por sua vez, assustadora e sombria, rolando-se em espirais tortuosas, semelhante a uma serpente, segundo me pareceu. Depois esta obscuridade transformou-se numa espécie de natureza úmida, agitada de u’a maneira indizível e exalando um vapor, como o que sai do fogo e produzindo uma espécie de som, um gemido indescritível. Depois lançando um grito de apelo, sem articulação, tal que o comparei a uma voz de fogo, 5 ainda que, saindo da luz... um Verbo santo veio cobrir a Natureza, e um fogo sem mistura exalta-se da natureza úmida em direção à região sublime, era leve, vivo e ativo ao mesmo tempo; e o ar, sendo leve, seguia ao sopro ígneo elevando-se até ao fogo, a partir da terra e da água, de forma a parecer preso ao fogo; pela terra e pela água, permaneciam no lugar estreitamente conjuntos, se bem que não se percebesse a terra separada da água: estavam continuamente em movimento sob a ação do sopro do Verbo que colocara-se sobre elas, segundo percebia a orelha.[280]

 

Hoje o que chamamos de capítulo era o que os antigos chamavam de livro, e havia uma obra maior que abrangia vários livros, como os da Metafísica de Aristóteles. Por isso se diz que Hermes Trismegistos escreveu milhares de livros, na verdade, foram tantos capítulos de 98 de livros, dos quais chegou até nós uma tradição fortíssima, a influência que exerceu sobre tantos pensadores e a obra Hermetica, ou Corpus Hermeticum (o “corpus” é conjunto da obra de um autor, na diplomacia também podemos ler “corpo fechado”).

É a constituição do seu próprio pensamento que o Ocidente reprimiu e ocultou. Não se trata de uma ciência oculta, mas que foi ocultada, censurada. Os que afirmam que a Filosofia nasceu na Grécia, com Tales, Pitágoras, Heráclito, Parmênides, Platão, Aristóteles e seus amigos e os amigos dos amigos deles, fazem questão de ignorar todos os liames que ligam as questões milenares da Filosofia com o pensamento hermético.

Mesmo com as sucessivas destruições da biblioteca de Alexandria e as perseguições que o cristianismo, quando se tornou dominante em Roma e depois na Europa, fez dos textos herméticos, alguma coisa, pouca coisa, chegou até nós. É o caso de ter uma espaçonave interdimensional e destruí-la, para poder usar uma carroça, literal/mente falando.

O estudioso da Filosofia Hermética Xavier Renau Nebot assim comenta os textos que chegaram até nós:

 

Em torno do século II a. C. começaram a ser traduzidos para o grego alguns dos tratados egípcios de alquimia, magia e astrologia, os quais, logicamente, foram colocados sob o nome de Hermes-Tot, o patrono das ciências ocultas; o sucesso foi extraordinário, uma vez que vieram para satisfazer a necessidade de certezas que uma filosofia envelhecida e desenganada era incapaz de proporcionar. Algum tempo depois, provavelmente no início de nossa era, a mesma filosofia grega (um conglomerado eclético de Platão, estoicismo e mística pitagorizante), se viu arrastada por aquela impetuosa necessidade de certezas e acabou presa à religião, uma área em que a civilização egípcia não tinha rival. A partir desse fluxo e refluxo entre a filosofia grega e a civilização egípcia nasceu um hermetismo culto, erudito ou filosófico que, sem abandonar de todo as fontes ocultistas, soube elaborar uma espiritualidade refinada baseada na “piedade por meio do conhecimento”, ou, na definição do próprio Asclépio, uma “religião da mente”. Nos Hermetica filosóficos encontramos textos de origens díspares: os dezessete tratados do Corpus Hermeticum; o Asclepius (tradução latina de um perdido Discurso Perfeito); vinte e nove excertos preservados na Antologia Estobeo (volume V); uma série de citações em obras de outros autores; três textos herméticos que apareceram na Biblioteca copta de Nag Hammadi e a tradução para o armênio de umas Definições de Hermes Trismegisto a Asclépio. A maioria desses escritos teve enorme sucesso, tanto no Antiguidade como na Idade Média, mas sua época mais espetacular é o Renascimento, quando estudiosos como Marsilio Ficino, Agrippa von Nettesheim ou Giordano Bruno encontraram neles as chaves para sua reforma da sociedade medieval.[281]

 

Os textos que chegaram até nós, qual professor ou pesquisador ou estudante de Filosofia os lê e estuda? Se o fizer, verá ali uma visão cósmica incomparável, uma visão teológica comparável ao que nos chegou dos egípcios, mesopotâmios, indianos e hebreus, e uma visão filosófica que se mostra o elo perdido da Filosofia ocidental. Tales, Heráclito, Pitágoras, Platão e muitos outros viajaram pelo Egito. Plotino nasceu no Egito. Guardaram silêncio sobre o que viram, ouviram, leram e aprenderam lá, porém, as suas filosofias estão impregnadas de hermetismo.

É intrigante que Tales fale que a arché, o princípio formador de todas as coisas, seja a água; essa é uma afirmação fundamental da cosmologia hermética, total/mente desvirtuada e incompreendida quando pensam que se trata da substância H2O; assim como quando supõem que os quatro elementos são as substâncias comuns por nós designadas fogo, ar, água e terra. De onde vem o conceito aristotélico de quintessência? Leiamos o que chegou até nós dos livros de Hermes, a maioria na forma de diálogos. Alguns scholars alegam que os textos “atribuídos” a Hermes trazem essas coisas porque teriam sido feitos séculos depois de Cristo, com a influência do neopitagorismo, do neoplatonismo e da gnose.

No livro Alchemy, Child of Greek Philosophy (título cuja tradução é Alquimia, Filha da Filosofia Grega), Hopkins defende a teoria de que a miscelânea de religião, filosofia e técnica que a Alquimia apresenta seria so/mente uma consequência da aplicação das filosofias de Platão e Aristóteles aos processos egípcios de ligas de metais e tingimentos[282].

De novo, as pessoas veem o que querem, ou o que precisam ver, para acreditar que conseguem discernir alguma coisa, quando não estão entendendo nada. Nova/mente, essas técnicas existiram, elas não constituem o núcleo luminoso da Alquimia; nem as locubrações esotéricas constituem; a Alquimia é outra coisa: seria possível ler no seu nome a antiga palavra portuguesa “al”, que significa “outra coisa”, “o mais”, e é um pronome indefinido devirado do Latim aliud[283]; nessa tradução, Alquimia significa “A outra química”.

A Tábua de Esmeralda foi escrita por Hermes Trismegistos como o suprassumo de sua Filosofia, em uma tábua ou quadro de esmeralda, com uma ponta de diamante. Você já ouviu falar de um quadro que é uma esmeralda larga e fina, indivisível? Hermes fabricou a tábua e o diamante com o qual escreveu.

Tive um professor de História da Arte, no curso de Interpretação Teatral que iniciei na Uni-Rio, que defendia com vigor que os egípcios antigos eram da etnia negroide, pois seu país fica na África, suas pinturas representam pessoas morenas e a elite usava perucas, esses eram os argumentos dele. Mas sei, tanto quanto você queira acreditar que eu possa saber pelos meus sonhos lúcidos e visões, nos quais aprendo com Mestre Zózimo Panopolitano e Mestre Bolos de Mendes, que os egípcios não eram negros, mas morenos, e que há três etnias na África da antiguidade: os semitas, como caldeus, árabes e judeus; os hamitas, egípcios; e os camitas, negros africanos.

Os judeus apresentavam já no início pessoas mais morenas ou mais claras. Jesus é retratado como um homem de cabelos e barbas castanhos, porque era assim sua compleição, não por etnocentrismo, há um saber subconsciente que permeia os seres humanos e aflora aqui e ali.

A jovem norte-americana Akiane Kramarik é poetisa e pintora, desde criança manifestou genialidade e percepção especial, tendo aprendido sozinha a pintar. Eis aqui como aconteceu o seu pedido a Deus para pintar o rosto de Jesus, o que ela fez na tela Prince of Peace (O Príncipe da Paz):

 

No entanto, o quadro mais impactante da jovem é o do rosto de Jesus, que recebeu o nome de “O Príncipe da Paz”, e foi criado depois de uma experiência espiritual muito forte.

Na entrevista, Akiane conta que passou um ano à procura do modelo para o rosto de Jesus. Uma noite, ela rezou a Deus, pedindo que Ele lhe mostrasse como era Jesus, para que pudesse pintar um quadro de Seu rosto e, na manhã seguinte, um carpinteiro bateu à porta de sua casa, dizendo que “seria o modelo para o seu quadro”.[284]

 

Essa “corrente de ouro” (citação do tratado Aurea Catena Homeri[285], que cita os versos da Ilíada, de Homero: “Suspensa/Da abóboda estrelada áurea cadeia,/Deuses e deusas, pendurai-vos dela/E juntos forcejai, que a Jove sumo/Nem mesmo abalareis; mas, se aprover-me,/Puxar-vos-ei de cima e a terra e os mares,/E enrolada a cadeia ao tope Olímpio,/Penderá das alturas o orbe inteiro:/Tanto os numes supero e tanto os homens”, canto VIII, tradução de Manuel Odorico Mendes[286]), cadeia que liga os seres da criação a seu Criador, que conecta a Natura Naturans à Natura Naturata, pelo amor, segue continua/mente, desde William Shakespeare até nós:

 

Sonnet 21

 

So is it not with me as with that Muse,
Stirred by a painted beauty to his verse,
Who heaven itself for ornament doth use
And every fair with his fair doth rehearse,
Making a couplement of proud compare
With sun and moon, with earth and sea’s rich gems,
With April’s first-born flowers, and all things rare,
That heaven’s air in this huge rondure hems.
O! let me, true in love, but truly write,
And then believe me, my love is as fair
As any mother’s child, though not so bright
As those gold candles fixed in heaven’s air:

Let them say more that like of hearsay well;
I will not praise that purpose not to sell.

 

Soneto 21

 

Então, não, não se dá comigo como com aquela

Musa, que se autoinspira em fazer verso e beleza,

Para quem o próprio céu é só mais um enfeite,

E o bem mera expressão do quanto se embeleza,

Se apresentando em pares na comparação vaidosa

Com o sol e a lua, e as joias preciosas da terra e do mar,

Com as primeiras flores da primavera, e com todas as coisas

Raras que o ar celeste em sua abóbada abarca.

Oh! Permita-me ser verdadeiro no amor e na poesia,

E então confia em mim, que o meu amor é tão puro

Como o da mãe com seu filho, mesmo sem ter tanto brilho

Quanto as velas de ouro fixadas no ar celestial.

Deixe meus versos falarem mais do se pode compreender;

Pois, não faço comercial do que não posso oferecer.

 

O trabalho que a Alquimia faz com as imagens, ao longo dos séculos, desde o Egito e a Grécia, passando pela Idade Média e Renascença, até a época Contemporânea, é impressionante. A Alquimia adota algo do impulso dos hieróglifos e da nobreza da heráldica, e cria seus próprios códigos, com uma beleza gigantesca, e que na verdade se tratam, como já falei, de indutores da transmutação da consciência (bem como o são seus textos, sempre, se genuina/mente herméticos).

A esse respeito é muito legal consultar as obras Alchimie de Jacques van Lennep[287] e The Golden Game: Alchemical Engravings of the Seventeenth Century, de Stanislas Klossowski de Rola[288], que trazem magníficas coleções das obras plásticas alquímicas.

 

A imagem aparece na obra O Triunfo Hermético, de Limojon de Saint-Didier, e tem essa frase, que pode ser traduzida assim: A caverna dos metais é oculta, e sua Pedra é venerável. Vamos ler aqui a Explicação geral deste emblema, em que o autor escreve:

 

Não devemos esperar ver uma explicação em detalhes aqui, retirando absolutamente o véu desse enigma filosófico, para que a verdade apareça a descoberto: nesse caso, todos os escritos precisariam ser jogados no fogo dos filósofos; os sábios não teriam mais nenhuma vantagem sobre o ignorante; ambos seriam igualmente habilidosos nessa arte maravilhosa.

Será necessário se contentar em ver nesta figura, como em um Espelho, o resumo de toda a filosofia secreta contida neste pequeno livro, onde todas as partes deste emblema são explicadas de forma clara como fazê-lo.

Aqueles que são iniciados nos mistérios filosóficos entenderão facilmente desde o primeiro momento o significado que está oculto sob esta figura; mas

quem não tem essas luzes geralmente deve considerar uma correspondência entre o Céu e a Terra, através do Sol e da Lua, que são como os laços secretos dessa união filosófica.

Eles verão na prática do trabalho duas correntes parabólicas, que, secretamente se confundindo, dão à luz a pedra misteriosa triangular, que é a base da arte.

Você verá um fogo secreto e natural, cujo espírito penetrando na pedra a sublima em vapores, que se condensam no vaso.

Você verá a eficácia que a pedra sublimada recebe do Sol e da Lua, que são pai e mãe, de quem herdou antes de mais nada a primeira coroa de perfeição.

Você verá na continuação da prática que a arte confere a esse licor divino uma coroa dupla de perfeição para a conversão dos Elementos e para a extração e depuração dos princípios, nos quais isso se torna caduceu misterioso de Mercúrio, que opera tão incrível metamorfose.

Você verá que esse mesmo Mercúrio, como uma Fênix que renasce em fogo, chega graças ao Magisterium até a última perfeição do enxofre fixo dos filósofos, que lhe confere poder soberano sobre os três gêneros da natureza, cuja coroa tripla, sobre a qual o hieróglifo do mundo repousa, é o seu caráter mais essencial.

Verá, enfim, em seu lugar, o que significa a porção do zodíaco, com as três figuras que são representadas nele; para ver que, unindo todas essas explicações, não será impossível obter disto o entendimento exato de toda a filosofia secreta e a maior parte da prática que se segue ordenadamente da carta dirigida aos verdadeiros discípulos de Hermes, que está no final deste trabalho.[289]

 

Há dois mil e quinhentos anos as pessoas entendem de modos estranhos a afirmação de Sócrates de que ele só sabia que nada sabia: é como uma coberta puxada de um lado para o outro, que, sendo assim, não cobre igual/mente bem a nenhum dos interessados.

E se ele não afirmava nem ideias imutáveis como modelos eternos do real e nem o relativismo total das opiniões humanas que nunca seria capaz de produzir um conhecimento real? E se ele afirmava, ao contrário dessas duas vertentes que explicita/mente se inspiram nele, repito, e se ele afirmasse o conhecimento real, nos vários sentidos da palavra: que se aprende mesmo, por si mesmo, que corresponde com realidade ao mundo que nos cerca, que faz de nós pessoas verdadeiras, que nos amplia e potencializa em nós a realidade, que é uma insígnia nobre que tudo tem a ver com espírito e nada com dominação social? Sim.

A coisa mais difícil no campo dos saberes humanos, demasiado humanos, é a Alquimia, a genuína Gaia Ciência, isto é, ciência feliz que faz quem a pratica feliz, e ainda a ciência da Terra, da nossa conexão mais genuína com o mundo que nos concebe e alimenta, a cada instante.

Isso é chamado pelos Adeptos de Química, mas é preciso compreender que essa Química dos Adeptos não é a Química que se desenvolveu com Lavoisier e os cientistas contemporâneos que o sucederam.

Falei que é o aprendizado mais difícil, para um homem. Trabalho de mulher e brincadeira de criança, assim a Alquimia é chamada. Como assim? Sempre há várias camadas de leitura, a mais tola seria supor uma visão machista ou de desprezo às mulheres e crianças, pois é o contrário, do que se trata. A criança brinca com a Alquimia, quando fica adulto é que se esquece, e, se quer estudar, fica décadas trabalhando no oraetlaborium, batalhando com os livros e os fornos, para entender plena/mente aquilo que quando era criança ele intuía, isto é, sabia, ao saber tão certa/mente que nada sabia.

A mulher ao ser carinhosa com seu amado, fazer amor, ficar grávida, dar à luz, amamentar e criar seu filho, ela faz um “trabalho de mulher”, não porque seja o único na sociedade que ela pode fazer, ao contrário, sabemos bem que a mulher pode realizar os mesmos trabalhos que os homens, mas sim porque essa gestação um homem não faz, isso é óbvio, so/mente uma mulher dela é capaz.

 

Sim, eu sei falar do mundo,

Uma fala bem ligeira;

Também sei, de todo jeito,

Que o sentir sim vale a pena.

 

O sentimento nos faz,

Com sua feroz gentileza,

Gerir a guerra e a paz:

Ele vale o quanto preza.

 

A ação é não ação,

Sendo pura ação, porém,

O silêncio interior

É o segredo do wu wei.

 

Quando o ser humano surge sobre a face do planeta, ele possui o elo de conexão com o intento, mas exterior/mente, ele tem o instinto, como por exemplo a necessidade de se alimentar e de se reproduzir, e se depara com o mundo à sua volta, o qual coloca desafios para obter o alimento, por exemplo, aos quais ele, como os outros animais, responde desenvolvendo suas habilidades.

Uma delas é a capacidade de produzir e utilizar linguagens, seja a língua falada, os sinais riscados ou pintados numa superfície ou os mitos que ele recria e reconta. Essa capacidade surgiu para expressar o desejo de comunicar a visão da névoa que por seu intento percebe, e as sensações que a visão provocava, como angústia, insegurança, entusiasmo, desejo de criar, vontade de fazer. Então, nessa historinha que estou contando, o ser humano tinha as necessidades naturais, como obter alimento e se defender, e tinha visões “metafísicas”, que iam além das coisas do mundo conhecido.

A fala, o desenho e o mito (que é a origem da literatura, assim como o desenho é a origem das artes visuais e a fala a origem do teatro e do canto, mas as artes se separaram da linguagem mágica e da linguagem comum, assim como Filosofia e Ciência se separaram da Alquimia, e cada uma delas é uma prática específica que é e faz o que as outras não fazem) surgiram para tentar com os outros as visões, e atuar sobre os outros e as visões. A fala, o desenho e o mito surgem criados pelo intento humano como uma resposta à necessidade de expressar para as outras pessoas as experiências essenciais que cada um tem e é seu mundo possível.

Esse atuar sobre os outros foi além das visões, ou veio aquém, e se tornou a comunicação social comum, usar as falas, as imagens e as narrativas para fazer as atividades comuns do grupo social no mundo conhecido, incluindo aí o nascimento da religião, que se diferencia tanto do mito, por ser aquela, ao lado de uma ligação metafísica, também uma prática de ordenamento e harmonização mental e perceptiva social.

Veja bem, não se trata de uma crítica à religião per si. O maior objetivo do ser humano, a maior alegria para o ser humano e a realização maior da grande obra é o homem conhecer Deus. Todos os caminhos humanos são trilhas no caminho do verdadeiro autoconhecimento, que é o amor divino (prema). O amor divino transcende sujeito e objeto, por isso é a mais alta vibração, a qual queima e egoísmo e suas manifestações. As religiões trazem esta proposta, assim como toda a atividade humana o traz, ou tem a potencialidade de trazer, também. Às vezes algum religioso se concentra mais nos aspectos sociais e individuais, sendo assim uma prática egoica.

Jesus Cristo o filho de Deus o Deus homem veio trazer o amor de Deus junto com o conhecimento de que somos irmãos somos filhos de Deus e os mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo. Ama teu Pai e teus irmãos. Isso é religião. Essa é a meta optata, a excência da Alquimia.

Claro que algumas pessoas se ligam às religiões como nossos avós se ligavam aos mitos; isso é do foro íntimo de cada um: o que você usa para crescer.

Os mitos não são nem visões e explicações primárias sobre a natureza, nem representações do inconsciente, nem fantasias que expressam medos e desejos do povo que os cria. Os mitos não são religiões, nem as origens das religiões. Os mitos são signos narrativos e imagéticos que expressam a visão do entremeio que o homem tem.

Uma pessoa pouco experiente desperta numa situação inesperada, por exemplo, no meio do campo cheio de neblina. Ela com certeza vai sentir insegurança e formular respostas fantasiosas sobre o que está acontecendo, até que, num certo momento, ela entenda o que REAL/mente acontece. Se for alguém mais maduro, mais experiente, ele logo tenta entender, não acredita nem quando acorda que haja coisas misteriosas no mundo.

Mas há. O ser humano o percebe. E a linguagem verbal, os sinais gravados e os mitos representam primaria/mente esse entremundo, essa névoa misteriosa, essa “fresta entre os mundos” da qual fala Carlos Castaneda.

O peixe só pode experimentar o mar. Se ele fosse falar ou pensar, ia falar e pensar no mar, do mar, sobre o mar. Mas o ser humano é um tipo de peixe atento, que vê que além da superfície da água que refrata a luz do sol e é de outra densidade do que o ar, além dela há a terra, e há o ar, e há o sol.

Os quatro elementos e a quintessência.

Esse ser anfíbio, que o homem é, consegue pensar no entremundos, na fímbria do ser, nas fibras que entretecem o real que ele experimenta. Isso é metafísica.

As negações da metafísica se colocam em perspectivas primárias: materialismo, ou o positivismo lógico que só aceita aquilo que pode ser comprovado ou falseado, ou o relativismo das culturas e suas linguagens, que seria o ser em suas várias maneiras, isso é, o homem para todos esse antimetafísicos seria a medida das coisas.

Pois bem, aqui está o começo desta aula: o homem não é a medida de todas as coisas. Quando Protágoras formulou sua tese já lhe foi respondido isso: eu homem sou a medida de todas as coisas, mas eu estou afirmando que não sou a medida de todas as coisas, logo, eu que sou a medida das coisas coloco que não o sou e essa colocação é soberana, logo o homem é e não é a medida de todas as coisas. Aí sim.

A sociedade contemporânea é herdeira de uma visão que foi se cristalizando como cínica e empirista, materialista e míope.

Jung foi um dos maiores inimigos da Alquimia. Mesmo que sua obra tenha trazido o tema à voga, e ele tenha pesquisado e dado à publicidade no século XX o texto alquímico Aurora Consurgens, sua interpretação total/mente equivocada muito tem feito para deseducar uma grande cópia de “esoteristas” que pensa que a Alquimia é psicológica, que ela fala do inconsciente coletivo, que seus textos e gravuras são representações dos “arquétipos” e outras loucuras assim. Ao fazer essa conjugação do fake com o falseado, desencaminha tanto o estudante da Alquimia quanto o da Psicologia.

Sei que a proposta de arquétipo parece atraente para muita gente, e, inclusive, essa palavra aparece em alguns textos fundamentais da Alquimia. Mas o que eu proponho aqui é que a Alquimia trabalha espinoseana/mente com a expressão da excência, conceito que inventei e que dá conta das essências compreendidas como uma eterna criação, assim como o eterno retorno de Niezsche, que não propõe o eterno retorno do mesmo, mas sim o eterno retorno do diferente, daquilo que afirma (expressa) a sua diferença, a potência que não se nega (nem tenta se afirmar negando às outras), a potência que quer ser vontade: o eterno retorna.

Esse eterno não é feito de “tipos”. Porque não é feito, se faz, e não faz tipos, e sim expressões diferenciais: toda família dos “tipos” é cretina, porque trabalha com a proposta de uma coisa fixada, que tenta sair do tempo, colocar o tempo (as diferenças) no cabide: estereótipo, protótipo, arquétipo... Lembre-se do que escreveu Carol Anthony agenciada ao I Ching: o tempo é a essência.

O arquétipo é a proposta da escola junguiana[290] de que haveria um “tipo” imutável modelar, um modelo superior, para todas as formas e situações humanas (a palavra arquétipo vem de duas palavras gregas compostas: ἀρχή, que se pronuncia “arché” e significa “princípio”, “ponta”, “posição superior”, e τύπος, cuja pronúncia é “tüpos”, “typos” ou “tipos”, e quer dizer “impressão”, “marca”, “tipo”). Para ilustrar o ridículo dessa proposta, que haja tipos fixos que são repetidos sempre pelos seres humanos, como modos de ser e comportamentos, tomemos o já citado personagem literário Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle.

Nos contos e novelas publicados, o personagem encantou de tal maneira os leitores e o público em geral, que ofuscou a obra literária de seu autor que ele próprio considerava “mais séria”. Tenta, então, se livrar do personagem, porém, não consegue, e, pelas décadas, além das aventuras originais, aparece uma pletora de imitações, pastiches, paródias, tentativas de reescrever e continuar a saga do detetive, com novas aventuras feitas por outros escritores, numa fanfiction avant la lettre[291]. Além de textos em livros, jornais, revistas e na internet, a mesma multiplicação pletórica de Sherlocks aconteceu e acontece no teatro, cinema e televisão, com filmes e séries etc.

O que diria um partidário da paranoica teoria do arquétipo? É fácil imaginar, e seria bem chato repetir. Mas é um arquétipo que foi mostrado ali? É a isso que deve seu sucesso? Ou se trata justa/mente da invenção, fazendo aumentar os tipos do que o ser humano pode ser e fazer, sempre recriando o seu modo de ser, numa invenção contínua da excência.

Vejamos outro exemplo, a questão da Astrologia. Cada pessoa sabe que, tendo nascido naquele período do ano, possui um signo zodiacal. Quando você procura se conhecer, se observa, e ouve ou lê as características daquele signo, fica impressionado com o quanto aquilo que se diz do signo se aplica a você, e se vê descrito ali.

Sim. Todavia, leia sobre os outros signos: perceberá que o que se fala sobre todos eles também serve para você; quer dizer, cada um de nós tem doze signos solares regentes, na Astrologia. Não é só a questão de calcular o ascendente ou o signo lunar, mas é a questão de que o ser é um complicatio no conceito do filósofo medieval Johanes Duns Scotus[292], ou como o gênero animal segundo o naturalista Isidore Geoffroy Saint-Hilaire (não confunda, o que veio ao Brasil quando a corte portuguesa estava aqui instalada foi Augustin François César Prouvençal de Saint-Hilaire). Isidore Geoffroy considera o animal como uma sobreposição de todas as características de todos os animais, que são, algumas, realçadas naquele espécime, como a luz branca é a mistura de todas as cores, e a biologia molecular veio a lhe dar razão[293]. Então, qual o seu tipo? Qual o arquétipo? Cada um faz as suas diferenciações dentro da riqueza incomensurável de um plano de imanência comum.

Veja o que disse sobre isso Sri Yukteswar, o guru do grande guru Paramahansa Yogananda:

 

– Senhor – perguntei – é uma análise astrológica? O senhor desconhece em que dia e hora ela nasceu.

Sri Yukteswar sorriu. – Existe uma astrologia mais profunda, que não depende do testemunho de calendários e relógios. Cada homem é uma parte do Criador, ou um Homem Cósmico; possui um corpo celeste, bem como um terrestre. O olho humano vê a forma física, mas o olho interno penetra mais profundamente, chegando até o modelo universal do qual cada homem é uma parte individual e integral.[294]

 

Já Jung não é tão ruim só por isso. Sua insistência em interpretar toda a supercomplexa e bilionária operação alquímica sempre tentando reduzir tudo ao casamento das duas metades da pessoa, a anima e a o animus, isso é muito pobre. O inconsciente é o multiverso, ouçam isto, senhores Sigmund pai e Gustav filho.

Quase tão equivocada quanto a proposta junguiana, é aquela que afirma ser a Alquimia uma disciplina espiritual, entre outras. Muita gente boa diz que existem duas Alquimias, a operativa e a espiritual. Lento engano (que o sendo, não pode ser ledo).

Como explica o professor de ciências inglês Eric John Holmyard, em seu livro Alchemy:

 

A alquimia possui dupla natureza, uma externa ou exotérica e outra oculta e esotérica. A alquimia exotérica diz respeito às tentativas de preparar uma substância, a pedra filosofal, ou simplesmente a Pedra, dotada do poder de transmutar os metais básicos chumbo, estanho, cobre, ferro e mercúrio nos metais preciosos ouro e prata. A Pedra também era às vezes conhecida como Elixir ou Tintura, e era creditada não apenas com o poder de transmutação, mas também com o de prolongar a vida humana indefinidamente. A crença de que só poderia ser obtida pela graça e favor divinos levou ao desenvolvimento da alquimia esotérica ou mística, e esta, gradualmente, se desenvolveu em um sistema devocional, no qual a transmutação mundana de metais tornou-se meramente simbólica da transformação do homem pecador em um ser perfeito, através da oração e submissão à vontade de Deus. /…/[295]

 

As duas visões são carentes, caretas e incorretas: nunca a Alquimia é mera/mente laboratorial, ou externa ou exotérica, e nunca, se ela é real/mente o que é, a essência da Alquimia, se apresenta como simples disciplina espiritual. A Alquimia é um laboratório real e concreto e material e espiritual, tudo ao mesmo tempo, agora.

A Alquimia é laboratorial, a palavra Laboratório foi inventada pelos alquimistas, para referir o caráter teológico, filosófico e prático/físico e químico da nossa realização.

No livro Alquimia o Arquimagistério Solar eu proponho que nossa Arte Filosofal tem várias camadas, sendo a mais externa a exoAlquimia, que é justa/mente essa relação mais ou menos frouxa que os vários misteres humanos procuram ter conosco, há assim teatro, música, dança, artes visuais, literatura, filosofia, arquitetura, psicologia, misticismo, culinária etc., que se propõem alquímicas, que se ligam de alguma forma ao magistério. Mas não são a própria Alquimia essencial.

O outro círculo, menos externo que a exoAlquimia, se constitui na Arquimia ou Voarcadumia, que é o trabalho real e literal com minerais e metais. Essa arte metálica tanto degenerou em tentativas de fraude, quanto técnicas de cosmética e enfeite de metais (por exemplo, produzir uma peça de cobre que pareça ouro, o valor estando apenas no aparecer, não visando o engano das pessoas), quanto nos sopradores, mais ou menos sérios, e os houve e os há muitíssimos; quanto pode se realizar na total seriedade da transmutação metálica, que é uma demonstração poderosa e impressionante, advinda da Alquimia, mas que ainda não é o seu núcleo.

Numa camada mais interna temos a Espagíria, que faz a separação do Mercúrio e do Enxofre dos metais e das plantas, e a sua sublimação, e a sua fixação, para produzir medicamentos muito mais sutis, potencializados e eficazes. Seu grande representante é Paracelso, que, com sua aplicação da Alquimia à Medicina, revolucionou e evolucionou esta, e se tornou o fundador de várias escolas e técnicas atuais, a começar pela Alopatia, a Homeopatia e a própria Espagiria.

O núcleo da Alquimia é o “desejo desejado” sobre o qual escreve Nicolas Flamel. É o trabalho físico e laboratorial com a nossa pedra para separar seus constituintes, trabalho perigosíssimo e fácil e difícil ao mesmo tempo, refiná-los, purificá-los, e tornar a reuni-los, o solve e coagula que desperta no homem a semente de Deus.

Podemos ler no meu livro anterior:

 

Antes devemos separar as três Artes pelas quais se manifesta a Alquimia, e que abrangem campos tão solida/mente preparados, irrigados e semeados:

I – A Espagíria – arte/ciência/mística de separar e unir as partes das substâncias para prover a sua sublimação, indefinida/mente.

II – A Voarchadumia – aplicação específica da espagíria ao reino mineral, especial/mente a pedras preciosas e metais.

III – A Alquimia – que é a “meta optata”, o nosso “objetivo desejado”, como a chamo, a heraclítica chama, ou o “desejo desejado”, conforme afirma clara/mente Nicolas Flamel.[296]

 

A essência da Alquimia é a Agricultura Celeste.

A excência da Alquimia é a realização da Grande Obra, que se constitui com Ergon e Parergon.

 

Energy is Eternal Delight

Energia é Deleite Eterno.

(William Blake)[297]

 

Duas vertentes de interpretação da Alquimia se apresentam como as mais difundidas, sendo total/mente distorcidas: a produção do metal ouro por um processo químico secreto e uma exploração do inconsciente, que, nesta visão, sendo coletivo, equivaleria a uma “evolução” espiritual.

Ora, não há viagem quando chegamos ao mesmo ponto onde estávamos, nem evolução quando nos tornamos exata/mente aquilo que éramos antes.

A Alquimia é a Arte das Transmutações.

Aquela bobajada de Carl Gustav Jung e seus sequazes, assim como suas versões soft diluídas, ou a visão mais tola do positivismo experimental subquímico não impediram que surgisse uma gama de expressivos Alquimistas reais, entre os quais se destaca o gênio alquímico de Fulcanelli.

A grande questão central do trabalho de Freud e seus seguidores é o inconsciente. Pensar o inconsciente já está presente com muita força na literatura em vários momentos, principal/mente no Romantismo, e na filosofia de Nietzsche, que trabalha consciente e explicita/mente com o inconsciente. Então, o apanágio dos freudianos não é trazer essa questão; e, sim, a maneira como a trabalha.

O esquema do funcionamento e do conhecimento clínico do inconsciente para Freud é a metáfora. Ele fala que sonhos, chistes e atos falhos revelam o reprimido pelos mecanismos da metáfora e da metonímia, por exemplo, sonhar com um pássaro pode ser representação do desejo pelo falo, do qual o pássaro seria a metáfora.

Jung se afasta de Freud porque, ao invés de trabalhar com a formação da sexualidade do indivíduo, passando pelas fases oral, anal, fálica e genital, ele pensa que o indivíduo precisa encontrar o seu self, que é a junção das suas duas metades, seu animus e sua anima.

A importância que ele dá para os textos e ilustrações alquímicos é que eles seriam sempre metáforas dessa procura e desse encontro do eu com o seu self, o casamento alquímico das duas metades do eu.

Então eu coloco aqui a minha visão da Alquimia e da Psicologia (entendendo que estes sete capítulos iniciais constituem o começo da jornada, o primeiro triângulo, nas negações e principal/mente nas afirmações que aqui se fazem):

1)      A Alquimia trabalha o tempo todo com o inconsciente. Sim. Por isso, fazer ao pé da letra aquilo a que os textos aludem só produz maçaroca ou um caminho para a simples química, na melhor das hipóteses, dentro da genial lógica oswaldiana da “contribuição milionária de todos os erros”.

2)      As imagens míticas, verbais e visuais da alquimia se dirigem ao inconsciente. Mas não são metáforas, porque

3)      O inconsciente não é metafórico. Se o fosse, seria reativo, na terminologia de Nietzsche, ou, quando o é, é paixão triste, na conceituação de Espinosa. O inconsciente é a força da vida em nós, ele não representa as coisas, como brilhante a mente esquizoanalítica de Deuleuze e Guattari ensina: o inconsciente é produtivo, não representativo, ele inventa, produz, cria, recria, faz; não metaforiza; então,

 

O Berço de Todos os Mitos

 

Nisi solis nobis scripsimus

Somente para nós mesmos escrevemos[298]

 

(O cenário é um campo bucólico na Grécia Antiga. Entra um rapaz, vestindo uma túnica, e se senta à beira de uma fonte. Pega de uma lira e começa a tocar.)

Dionísio (canta):

A vida... a alegria... A melodia

Pede uma letra, atrevida

Que quer voar pelos espaços

Nas asas de um sentimento

Nos passos de uma fantasia

Além de todos os laços

O momento é essa lida

Da vida, da poesia

Atena (aparece, por trás dele, e, ouvindo a música, sem que ele a visse, depois bate palmas e lhe fala): Lindo, lindo!! Meu irmão, você sabia que você tem muito jeito pra isso?

Dionísio: Querida Atena, você sabe que o nosso fraterno Apolo é o dono do monopólio das artes por aqui. Inclusive da música e da poesia. Eu estou só brincando com a lira... Que ninguém nos ouça!

Atena: Mas Hermes inventou a lira! Então não é mais monopólio.

Dionísio: Palas querida, uma coisa é a manufatura, a indústria. Nós, os fabricantes, não brilhamos na mente dos homens. Quem brilha é ele, que encanta.

Atena: Você está deprimido, Dionísio? Não acredito! É claro que você brilha! E o vinho, as uvas, as festas, a alegria!? Tudo isso eles atribuem a você.

Dionísio: Irmã, sou o deus da alegria, seria ridículo se eu ficasse triste. Você é a sábia, Apolo o poeta, eu sou o bufão. Vamos mudar de assunto. Esse papo já deu.

(A luz apaga e acende no Olimpo).

Zeus: Ganimedes, meu rapaz, venha aqui, quero lhe dar uma ordem.

Ganimedes: Sim, meu senhor.

Zeus: Convoque todos os doze deuses olímpicos. Desejo conversar com eles.

Ganimedes: Agora mesmo, meu deus!

Zeus cofia a barba e medita sobre o que vai fazer.

 

Enquanto isso, na Terra, acontece o primeiro combate de Héracles e Selene:

 

Ele sabia que só podia contar com sua força, do seu âmago, secundários eram os músculos naquela situação, e as armas brancas, as setas, a lança e a maça de nada valeriam.

Entrou na caverna, atrás do Leão de Nemeia.

Ele era o começo, nem sabia bem de quê, mas aquele gigantesco e ferocíssimo felino, aquela fera voraz, aquele vórtice feroz, nascido não se sabe pelas artes de quem na Lua, a casa de Selene, o berço de Diana, e vindo não se sabe como para a Terra.

Aí, o Leão perdeu sua timidez inicial, e veio com fúria para cima do herói.

Héracles reuniu as forças que tinha várias no ponto virtual onde elas se tocavam como se fossem uma só.

E estrangulou o leão.

O leão invulnerável.

Que não podia ser ferido.

Cuja pele, para poder cortar e tirar, para virar sua armadura natural e proteção, dela ele teve que arrancar-lhe as unhas, pois, só essas, as do leão, conseguiam cortar sua própria carne.

Calmo, como quem segue o seu caminho sob o sol, na estrada que escolheu, como um trabalhador quase braçal, apesar ou JUSTA/mente por ser essencial, quase incansável, como você e eu, Héracles realizou o seu trabalho inicial.

É assim que a coisa começa.

 

A Alquimia é o hercúleo labor.

 

 

Anexo: Harmonia

 

Escrevi Poemas do Micro e do Macro em 2000, quando comecei a usar computador, para comemorar e utilizar alguns dos múltiplos recursos novos que o ordenador oferece, aplicados à poesia na perspectiva da experimentação.

A ideia é: usar o micro para falar do micro e do macro, do homem e do cosmos.

Essas poesias se apresentam coloridas e com várias formatações, mas aqui eu coloco uma versão pasteurizada de alguns textos selecionados deste livro, porque ele é, antes de tudo, Alquímico.

 

Ainda no ano 2000, entusiasmado com as possibilidades que escrever as poesias no word oferecia, fiz mais um livro com várias formatações e cores, chamado Harmonia. Ele é propria/mente uma continuação de Poemas do Micro e do Macro. Coloco aqui alguns textos que podem ser adaptados desse segundo livro antes, depois uma crestomatia da obra inicial.

 

Você pode ler as versões originais nos blogs:

 

Poemas do micro e do macro

 

Harmonia

 

 

 

Sinta o sabor da chuva

é bom estar aqui

há um segredo

em cada canto do

nosso momento

 

saiba que fumega

no espaço na cor

uma entrega linda

o amor que sinto

 

comamos juntos

esse alimento

eu pago o gás

nasce

um cogumelo

na porta da cozinha

não a conserto

porque ela está ótima

cheia de memórias

é assim que eu a quero

 

Há um poema a ser escrito e é este poema que faço

É preciso fazê-lo mesmo que eu nem saiba o que dizer

Só sei que quero e preciso escrever o poema

Porque sinto uma enorme alegria e felicidade escrevendo

E tudo faz muito mais sentido assim

Eu poderia por exemplo falar de amor

Amor amor amor o amor ah o amor

O amor é lindo é maravilhoso é esplendoroso e tem sabor

O amor é o saber mais secreto e infinito do mundo e do corpo

E dos seres humanos e eu amo sempre amei e sempre amarei

Amando eu me sinto feliz e vivo o amor em plenitude

Eu tenho o meu amor


Eu real/mente poderia fazer mil poemas sobre o amor

Mas agora neste momento sereno e amplo

Tudo o que eu quero é escrever

O amor torna-se um átomo

Que constitui o infinito corpo da poesia

Não é preciso falar de nada e eu sou mais que humano

Ou que tudo não importa nenhum outro sentimento

Ou acontecimento a hora extrapola meus conhecimentos

E toda a filmografia básica biográfica

Ou todo o sentido e significado simbólico ou o que seja

Não existe mais nenhum único símbolo em toda a face da Terra

Agora não existe mais certeza vanguarda vantagem ou monotonia

Ou plano existencial ou virtual ou potencial

Ou real agora só existe a poesia que está nua e crua

A poesia fina e ampla plena e voa nau e cria

E tudo o mais é mentira ou nem mentira

Tudo mais é tirinha e nem tirinha tudo mais é uma fina

Sensação de arrepio que deu e passou e a gente nem conseguiu

Perceber direito porque foi muito rápido

Agora só existe poesia em toda a parte e todo o resto

É uma gosma nojenta e grudenta mais grudenta que tudo

E no entanto já não gruda mais nem é mais gosma porque

Se evaporou se volatilizou se sublimou toda a matéria e toda a energia do universo

E só a poesia não é sublimação

E só a poesia é

Agora e sempre em toda parte em todo o tempo e tudo

E está plena ela é e pronto

E todo o tempo se cria

E todo o tempo nos cria

Não para ser lida

Ou ser sentida

Ou entendida

Ou corrigida

Ou errada

Ou errar pela face do nada

Ou acertar na mosca do alvo

Ou navegar no mar do desconhecido

Ou mergulhar no oceano cósmico da consciência

Ela não quer saber de nada disto

Nem daquilo

Não pesa nem valora nem credita nem cobra

Não quer ser considerada bonita ou genial

Nem ganhar o prêmio Nobel

Ou ganhar a estatueta do Oscar

Ou o troféu da Gosma

Ou a medalha da Babel

Ela não tá nem aí pra isso

Tudo que ela quer é pôr-se

Além de tudo como a si em sua sina

Eterna/mente diferente

De tudo e todos de si mesma e de mim

A poesia é indiferente

Ela não liga

Não sente dor de dente nem morde nem come

Nem dorme nem tem fome nem sede nem sequer

Anseia por alguma coisa além do além de si

Pelo qual na realidade não anseia mas faz

Ou nem faz é ou nem é apenas acontece

Se bem que todos os verbos e nomes

Todas palavras e frases não possam dizer

Exata/mente o que ocorre com ela que é terra

E céu e início e fim sem ser deus nem demo nem

Gente nem bicho nem consciência nem mito nem real nem al nem Alquimia nem Magia nem ciência nem filosofia nem saber nem opinião nem razão nem desrazão nem real nem irreal nem terráquea nem alienígena nem poesia

Nem poesia

Poesia

É isso que faço porque é assim que é

 

Hoje é 22 de abril de 2000 e eu faço este poema pra comemorar o aniversário de 500 anos do Descobrimento do Brasil

De novo a poesia se faz nua e sem motivo e nova/mente a gente está aqui para experimentar esse dom casual da poesia

O amor é uma faísca a verdade é uma pizza aqui tudo vira ouro o Eldorado

Está em algum lugar o ouro da milésima manhã e dos quinhentos anos

Aqui há harmonia &

Desarmonia

Desarmamento

Desarvoramento & alegria

Fantasia de colorido descobrimento

 

O OURO DAS ÍNDIAS

 

E tudo bem tudo vem quando tem que ser o descobrimento e outras coisas que compensam à beça como a conquista do Eldorado o sonho de Pizarro e a aventura fantástica dele e de Francisco de Orellana tudo tem seu momento tudo tem seu logos isto é sua razão de ser tudo tem que ser forte e amor fati como dizia nosso Cabral do pensamento Friedrich Nietzsche e Carlos Castaneda Aguirre Herzog o Eldorado

                                                                                                  

está AQUI

 

Aaaaaaaah como é bom acordar e comer um bombom quer dizer como é bom simples/mente acordar e dar alô pro papagaio e falar currupaco com as vizinhas ontem eu vi uma novelinha de três capítulos na televisão aberta e escancarada que contava com muita mentira a história do bravo herói mito e lenda e verdade brasileira Caramuru Dom Diogo nem sei das quantas que casou com Paraguaçu (mar grande) que iria ser comido pelos índios Tupinambás mas que soltou um tiro feito um peido de fubá com sua espingarda fina que nem a enguia elétrica de lá e eles disseram “Cara Murú”, que quer dizer enguia elétrica fina que tem lá ou Deus do Trovão alguma coisa parecida assim ninguém consegue decifrar ao certo pois o Frei Santa Rita Durão que escreveu o poema épico neoclássico árcade mineiro quase pós-barroco e pré-romântico fundeando o indianismo justa/mente intitulado Caramuru ele disse que era o Filho ou Pai ou Espírito do Trovão um troço assim então o tal Diogo que eu não lembro como era o resto ele estendeu-se por ali e entendeu-se com os índios casou com um monte de índias e mais com Pará Guaçu e teve um lote de filhos e se tornou o tal dos Tupinambás e foi visitar a frança onde casou com sua mulher e foi recebido pelo rei e apoiou os portugueses na sua instalação e fundação da Cidade da Bahia possibilitando a colonização e fazendo muitos benefícios para os índios para os brancos e os negros Diogo foi o primeiro rei do Brasil Pindorama o primeiro fundador o primeiro embaixador um grande fornicador polígamo e um deus grego moderno rei do trovão e das enguias inda ganhou novelinha na tv Globo e um poeminha que eu escrevo neste dia lindo de aniversário de Pindorama Brasil 22 de Abril de 2000

Este livro é dedicado a Caramuru bom de papo e melhor de pontaria acertou num urubu e casou com a mais bonita filha do cacique e tudo e comeu muito jesuíta e francês gordo ou pirata inglês holandês galego e foi um puta patriarca que misturou sua raça com os Filhos da Alvorada o Novo Povo da Selva saiu de sua espingarda e do cano de seu pau e de sua gargalhada este livro bom e mau é dedicado ao pirado hippie beat anti-crusoé Diogo o enfeitiçado comedor de índia e de branco moqueado arrivista anti-imperialista Viva Caramuru do Brasil

 

                    WAKING UP

 

Waking up in this new morning that has

Never happened before, what’s the goal?

If you neither know why you’re here

There’s no reason but there’s a real sense indeed

Why suffer if someone doesn’t understand

All the ways are at your feet and all the greet

Is at your hand there’s a meaning either

If you really do not understand that

What’s the matter? What do you understand?

Wake up in this mighty morning feeling eke

That that’s your real and only way to knowledge

And pleasure and power and live

Feel the breeze and the drizzle

See the gray skies and realize

All your dreams are hidden behind one of these

Dozens of colored, heavy clouds; don’t worry

You’re surely a little part of this infinite world

Don’t cry don’t weep don’t crowd and neither

Ask for something else only because

You’ve got everything

Already be happy be ready and only pray

And sing and smile and run across the sand

Of the endless beach beside the all-mighty ocean

Of the Universe

 

 

 

 

 

 

Anexo 2: Poemas do Micro e do Macro

 

Amor é fogo

                            que arde e que se

 

                           

 

e nem adianta ficar vendo tv ou ficar pastando no seu computador

                                      Porque o amor

Meu querido amiguinho

É a cor da vida do mundo e tudofica colorido

Até mesmo você e seu umbigo

                                                                          E                                             

At

é

 

                                                     O QUE NÃO SE VÊ

 

 

Você diz que é Flamengo

                                                                                   Ele diz que é Vasco

Acolá se é Flamenco

                                                                                   Ou Basco

 

As paixões tão violentas

                                                                                   Depois são brandas

 

Como há flores violetas

                                                                                   E brancas

 

 

Bárbara/Patrícia

 

Lembro bem de quando

Houve o encontro primo

Estava nevando e eu indo

Rumo ao Capitólio o imo

Cheio das chamas inauditas

Que sentimentos antitéticos

Sempre causam nas benditas

Regras e outros preceitos éticos

Quando a vi ela vestia um traje

Mais inusitado e estranho ainda

Era mágica e era ultraje

Porém ela estava linda

Viu-me e fingiu não me ver

Cumprimentei-a olhou pra mim

Sendo assim bárbara sem ser

E eu gastando o meu latim

 

 

A rua estava toda acesa

                                                               Um preto vestido de azul turquesa

A sala estava uma zona

                                                               Uma crioula toda gostozona

Tinha até formiga no prato

                                                               E um guri correndo no mato

Era um quilombo sem tirar nem pôr

                                                               Ali do lado faziam amor

Uma negrada espalhafatosa

                                                               E na panela comida gostosa

Era só samba pela cidade

                                                             E a gente sentia muita vontade

 

 

                                                     Água

Na Floresta um lago

                                                                                   O oceano ao lado

Na gota da chuva

                                                     Pelas ruas corre

                                                                                   a água

   E pelos canos há

                                                     E na poça de chuva enlameada  pois

Lama é terra mais água

E a própria terra está coberta de água

E assim somos nós feitos à feição da

                                                     água

 

 

 

O violeta vibra vira voo volátil o violeta é versátil viva o violeta

O índigo um índio industrioso que invade o início da imagem o índigo

O azul acolhe o astro e o antropoide o azul acalma e aclara o azul

O verde verseja nos vãos e veredas nos vales vastos o valente verde

O amarelo amante anda amando o amor o amarelo amigo o amarelo

O laranja é lindo o laranja é luminoso o laranja é louro o laranja

O vermelho vivo vanguarda da vontade vitória da vida o vermelho é

 

O violeta vibra vira

Borboleta

 

eu sou redondo eu sei

pinta o escaravelho de arco-íris

faze as pazes com a vida

as mulheres que beijei

e o garção de costeletas

 

 

 

Lábios

     Antes e depois da festa

Lábios

     Com qualquer negócio à vista

Lábios

     No interior ou na costa

Lábios

     Com a bacante com a casta

Lábios

     O amor vale o quanto custa

Lábios

     Pequenos e grandes

Faustos

 

 

 

                            MICRO

MACRO

 

COSMOS

 

ὁ Κόσμος é (ἐστίν) ∞

 

 

A coisa está assim festiva e

abusiva a gente faz faxina

e passa fax sem motivo

precisa é sobriedade mas

não espere permissão

para ser sóbrio ou ébrio

ou permissivo ou sério

ou então

o que bem quiser

 

 

o tempo

                 uma obra de arte aberta sempre em movimento                                                            O tempo

uma nave que singra os universos-momentum

o tempo

                 o templo dos deuses eternos do eterno prazer

o tempo

o livro dos sonhos misteriosos e lúcidos do aprendiz dele mesmo

o tempo

     água que flui da cachoeira no lago

     o tempo

terra que engloba tudo que ocorre tudo que há tudo que é

o tempo                                                                                                    

     ar lavado pela chuva e o vento

     o tempo

fogo vivo e eterno sempre a crepitar

o tempo

criança brincando pichando o muro que é

     o tempo

 

 

A caverna era enorme e coberta de hera e tinha um cheiro acre e era escura demais...

A mulher sua

 

 

É por você que eu velejo

Nem é sempre que eu te vejo

Como quero te encontrar

 

Toda vez que você passa

Por esta rua sem graça

A minha locomotiva

 

Faz fumaça pra caramba

E a minha aura ecoa um samba

Um carnaval dos infernos

 

Não rimo o terceiro verso

Porque a rima no universo

É coisa meio esporádica

 

Quando acontece é o máximo

Tudo se eterniza faz-se mo-

Mento infinito de paz

 

E então role o que rolar

Toda gônada se ativa

E amantes sábios e ternos

Só têm sentidos pro que há-de ca-

Pacitar o já capaz

 

 

E AÍ O QUE É QUE É QUE VEM HEIN VOCÊ SEMPRE PODE CONTAR COM A CHEGADA DAS CRIANÇAS QUE SÃO O COROLÁRIO INDISPENSÁVEL DE UMA RELAÇÃO E COM ELES EM VOLTA FICA MEIO COMPLICADO DE SE FAZER PAPAI E MAMÃE NO QUARTO AO LADO DO SOM NO SOFÁ DA SALA SOBRE O TAPETE NA BANHEIRA SENTADO NO BIDÊ NA PIA DA COZINHA OU EM QUALQUER OUTRO LUGAR QUE SUGIRA A SUA IMAGINAÇÃO MAS MESMO ASSIM VEJA BEM VALE A PENA ELES VÃO CRESCER E DIZER BESTEIRAS E FAZER LOUCURAS E VOCÊ VAI TER QUE DAR SURRAS NELES VOCÊ VAI GOSTAR DE TER QUE EDUCÁ-LOS E MANTÊ-LOS NAS RÉDEAS E PRESENTEÁ-LOS QUANDO FOREM SEUS ANOS OU POR QUALQUER COISA OU MESMO COISA ALGUMA TUDO BEM PORÉM  VOCÊ NÃO VÁ MIMÁ-LOS SEJA RAZOÁVEL NÃO VÃO FICAR CRETINOS ELES VÃO QUERER UM COMPUTADOR PESSOAL O TÊNIS DA MODA UMA NAMORADA DEIXE QUE SE VIREM QUE QUEBREM A CARA SEM QUE VOCÊ SE META DEIXE QUE APRENDAM COM A PRÓPRIA VIDA QUE PICHEM A CIDADE QUE COMAM ERRADO FALEM PALAVRÃO AS CRIANÇAS CRIAM ISSO É ASSIM MESMO ASSIM É QUE É

 

BOM

 

 

A lâmpada de Aladim

A redondeza da esfera

Ela olhou de longe quando nos vimos e aí percebi

Quem não gostaria de ter uma gênia

Eu por mim

Adoro tê-la

Ela é boa é foda é fera

Quando ela me olhou de longe eu vi

A lâmpada mágica é minha

Como no mito platônico

Ela é minha feiticeira

Ela é loura é castanha e é morena

O nosso amor é carnal sobretudo corpóreo

O homem e a mulher juntos formam um só

Quando ela me viu ela viu que sim

A mulher é necessária

Para o homem para o mundo

A redondeza da terra

Ela é uma pantera

Ela é mais que um avião um jato supersônico

Ela é super-luminosa

Nosso amor é uma rosa rosa

Que viceja sem descanso

Ela é uma pantera

Uma geniosa criatura macho/fêmea andrógina

Nosso amor não cansa é criança

Ela é minha por inteiro

Eu sou redondo e certeiro

Com ela

 

 

Um dia uma química vai se processar incontrolável como o fogo

Que aquece e conforta e anima os seres vivos e alimenta

Os processos vitais como o logos eterno e aí logo

Tudo vai ser a lenda feliz que o amor acalenta

 

Um dia você vai sacar e tudo vai ficar claro como a água

Que ocorre pelos campos sem fronteiras do planeta inteiro

Aí vai ser até engraçado porque eu não vou guardar mágoa

Tudo vai ficar claro lago limpo aura clara agradável outeiro

 

Um dia você vai ligar distraída e veloz leve e sutil como o ar

Que circunda nossos corpos material e etéreo

Aí eu vou ficar muito sério e ouvir o que você disser sem falar

Porque o que sinto agora é notório e flagrante mistério

 

Um dia eu vou ter o prazer de te ver terna e fecunda como a terra

Que embasa os encontros possíveis e inimagináveis dos seres

Humanos e é a deusa Ceres que o segredo da vida nunca encerra

Aí eu vou rir com você porque o amor é prazer é o maior dos prazeres

 


O orgânico domina toda a terra

É uma suposição comum e assente

Mas se soubermos que há consciência

Além dos processos biológicos

Conhecidos e entendidos como o vivo

Vida e consciência além da base carbono

Sci fi hi tec cyber punk blade runner

Real que está à volta e alguém não nota

Mas alguém nota a vingança do silício

O pensamento na acepção bergsoniana

É uma derivação viva do vivo

Como o logos

Heraclítico ou a concepção dos estoicos

Via Deleuze e Châtelet bem pode ser

Que você diga isto é prosaica poesia

Ou simulacro de tese que tenta passar

A sensação de excesso de cultura e/ou

Tudo se concentra numa suposição

Nefelibata e idealista de filósofo

Neoplatônico ou neoplotiniano

A discorrer sobre o universo vivo

E a anima mundi e a quintessência

Ou figuras geométricas 

Numa via ultrarracionalista

Que se encontra com práticas antigas

Propiciatórias do modo de produção

Asiático ou com as tradições xamânicas

De primitivos neolíticos espalhados

Até o século xix pelos cinco continentes

E no seguinte teórica/mente resgatadas

Por antropólogos de gabinete

Eu conheço muitas das contestações

Possíveis através de outros embates

Nos ambientes que se outorgam a palma

De reciclar cultura com copyright

Mas aqui escrevendo e lendo no micro

E com os livros

E os cds e dvds e sobretudo

Os meus pensamentos eu penso

 

As armas e os barões assinalados que da Ocidental praia Lusitana por mares nunca dantes navegados passaram inda além da Taprobana velejaram por meses sem caminhos sem comida decente e Tramontana até que encurralados entre o abismo o gigante Adamastor e a muçulmana eles encontraram um pórtico do acaso navegando em busca do oriente eles desviaram sua rota e seguiram o sol pois lembraram das histórias que ouviam quando eram crianças nas aldeias e que as velhas malucas lhes contavam e diziam que havia pro Ocidente um paraíso uma outra terra onde mana leite e mel açúcar e café e onde havia também florestas colossais e uma montanha toda de ouro outra de prata e uma serra todinha de esmeralda o Jardim do Éden uma terra mágica e linda chamada Hy Brasil e eles acreditaram nisso tudo feito loucos pois a fome era muita e a bolacha era pouca e as Índias estavam muito longe mesmo e era arriscado e chato e a viagem comprida e só tinha barbado a bordo e o mar estava cheio de piratas e eles estavam doidos pra encontrar e descobrir índias lindas com vergonhas sem culpas e pinturas nas caras e melhor se já vierem sem roupas descascadas prontinhas como vieram ao mundo ao natural e evitando as calmarias e as tormentas por ordem do rei e de Poseidon eles foram em frente e de repente encontraram a linda Pindorama

 

 

Este é em homenagem a Luís Vaz de Camões

O grande pensador do macro e do micro

Para os povos lusófonos e para toda a civilização

Latino glótica e mesmo para as gentes

De idioma bárbaro ou além do indoeuropeu

Luís Vaz Camões foi um homem forte

Que viveu e amou muito e lutou pelo mundo

E por seu mundo interior na Europa e na África

Nas Índias e nas ilhas e enfrentou a fúria do mar

E naufragou e soube se salvar e salvar sua arte

Foi o grande forjador do idioma que falo

E no qual escrevo os meus atuais poemas

Do micro e do macro navegando sobre as novas

Ondas que são as mesmas e são outras com

As naves que lhes cabem e seguindo

A constelação que nos guia vou em frente

Simples marujo desta nau sem rumo

Buscando o ouro das Índias do presente

Descobrindo as Novas Terras do futuro

 

 

 

 

Anexo 3: O Pequeno Caderno

de Eliane Colchete

 

- escrito em 1987

 

- Janelas

 

ônibus superlotado atropelando bêbados

caos urbano em cidade fantasma

bombas promessas erógenas de paz

 

- Meu jardim

 

pétalas abertas na solidão do dia

terra fofa, céu azul

futuro mar de algas juvenis

 

É só no olho o cristal do encontro

A imensa esfera da eternidade

 

- Abismo sobre Abismo

 

Um tom qualquer de existência

torneira aberta

lavando pisos

 

Quero igrejas sem sinos

 

Terrível

é todo dia que permanece

Não existe glória em não querer

 

Se torturada,

toda mente

névoa

 

Talvez ninguém saiba existir

 

- O Apocalipse

 

Astros imensos perdidos

imensos espaços

   

O pio da coruja

 

Controle do nada

 

Aperto de mão

minha cabeça tomba na cor.

   

Aquarela Brasileira.

 

- Tristes Recordações

 

As balas esperam atrás da porta:

campainhas, meu amor

que todas as vozes distantes

formaram um coral de mar

 

Insetos eletrônicos?

 

Aberto o caminho da areia

o navio é apenas afresco

Nunca mais poderei distinguir os sons.

 

 

-   Delicada corda Bamba

 

Voltar um passo atrás

Alguma coisa explodiu

no ar

 

Uma nuvem de talco

sapatilhas acesas na luz

 

A vida do equilibrista

não tem dimensões de cor.

 

- Revolution

 

Cacos perdidos

vidros vazios

infâncias mórbidas adornam

as vitrines das lojas de Natal

 

Não haverá fantasma a perseguir-me

Eu já matei a ambiguidade

As ilusões ressecam

feito um planalto central

 

Meus cinco mil Vietnãs

 

 

- Quem já viu a Noite?

 

É um túnel de estrelas

farol de prazeres

entre fatos concretos

e montanhas enormes

 

Um suave gosto de solidão

 

Outro mundo desabitado

Onde

Sinfonias perpétuas se fazem ouvir

 

- Microfísica

 

Quebrar a luz diante do espelho

isso não é coisa normal

A física é uma ciência complexa,

usina,

nuclear.

 

Atarefada andei pela cidade

nada há para encontrar

(exceto  postos de gasolina

abertos domingo de manhã)

 

E tudo era tão emocionante

foi uma cambalhota no ar

rajadas de metralhadora

no passeio público

Amar.

Amar.

Amar.

 

- Sobre a estante

 

Gritos na noite

pote de jóias atraindo

meu olhar

O acaso produz

motivos e combinações

 

Atrás de um grande homem

não há nada.

 

Vinte mil léguas submarinas

para um homem navegar

e o cavalo é o símbolo

da força 

 

O pote fechado

hermético

Meu corpo compactua

No fim serei só um olhar.

 

-  Distúrbios Onomatopaicos

 

Surpresas inacreditáveis!

 

A tarde na cidade

cai de forma desconhecida

e nem mesmo os moleques

saberiam o endereço procurado

 

Segurei sua mão

no meio do caminho

Você esqueceu o anel,

Agora eu ando

à procura de florestas imensas.

 

- Registro de Ocorrência

 

Não comentem o filme

do cinema

O choque me aperta

e o tremor me suspende

(o espaço abriu uma fenda)

chiclete com Banana

ou um almoço no Ritz.

 

-   Dedicatória

               para o Sr. X

                        (L. C.)

 

Quando você declarou o sorriso

estive perdida em dunas

andando ao sol.

Aí está o tempo

para me desmentir

e tudo o que eu tenho

São dois olhos que viajam

pelo mar.

Mesmo assim

o sentimento é uma gota

de orvalho numa pétala de cor.

 

-  Caos agônico

 

Uma esfera perfeita

contemplando o espaço do ar

Acreditei em você muitas vezes

todo o mundo deseja

um fã-clube internacional

Não gosto de telas equilibradas

Por isso me despedi para sempre

e não saí.

 

 

 

-  Auroras

 

tua pele

me arranca um silêncio

e eu preciso falar

para esquecer

Quando acordo, teu corpo

estava ao lado do meu

Não sei como

esconder esse olhar

No entanto

os dramas de amor

são todos iguais

A TV só atualiza

títulos

trilhas sonoras

e comerciais.

 

 

- Tarde de Verão

 

A porta estava

aberta, abrupta, absurda

O caos era

imenso, intenso, incêndio

Saí na rua

tranquila, translúcida, transporte

Acordei lírica no ponto final.

 

 

-   Rush

 

Toda ponte adquire

um ar de saudade quando anoitece

e o mundo se distancia

numa lentidão enervante

 

O pedágio impotente sinaliza em vão

   

Toda ponte nunca existiu

só a paisagem foi ilusão.

 

 

- A História da Precisão Científica

 

Venceram todos os gênios maus

tentando com bocejos ganhar a vida

perdi todos os bilhetes

e voltei do aeroporto

desiludida com o nada

 

Estendo a dor na varanda

na hora em que está sol

e utilizo poesia

da forma menos canalha possível.

 

 

- Castelos no Ar

 

Tenho todos os motivos para chorar

mas é verão e o céu está limpo

provocarei orgasmos para passar o tempo

e nem assim vou me sentir de todo triste

 

Alguma coisa aconteceu

como se a mudança de uma célula

no organismo de qualquer borboleta

provocasse em mim uma tremenda dor de cabeça

 

Eu uso imagens

como quem escuta discos.

 

 

- Just Like

 

Olhar o teu rosto de luzes acesas

dormir no teu corpo branco lençol

acordar nos teus olhos rindo da noite

sentir teus cabelos dourados no mar

 

Meu amor enxerga o mundo

na palma esquerda da tua mão

e tua boca é só beijo

só beijo e nada

nada mais.

 

 

-  Nada Demais

 

Não, nada

pode acordar o pavio de

pólvora no barril

seco desses trópicos

loucos

 

E ver-se cercado de sombras

no meio da noite manto

de estrelas e cantores

negros

 

Pelo reino outro hemisfério

ou mata atlântica

perdida num oco de

tempo

 

Tudo louco, negro tempo

Fumaça em câmera lenta.

 

 

- Vésperas

 

Uma vez era noite

e a terra estava úmida

premiando pedras com imagens fugazes

 

escorrendo azeite de poderosas nutrizes

sorvendo o leite de vigorosos caules

folhas verdejam seus amores secretos

 

Uma vez era dia

da Independência e tambores

ruflavam cachorros e soldados

                               na rua

 

 

- Mas há dias que estou assim

 

O pato leva no bico

a minhoca é levada pelo pato

A pata do pato coça

e o pato corresponde 

a minhoca na corrida

passa na passagem da goela do pato

se espreme na goela do pato

engasga na goela do pato

e o pato devora a fome da minhoca

 

     II -

 

-  O dom da profecia

 

ver de frente aqui e ali

deslizando e nadando

caminhando pela cachoeira

saltos e passos precisos

 

Querida torneira

no cimento de azulejo

Níveis das Águas

cânticos, passeios

Imagens

padrões de temperatura

Tudo isso pode ser visto

pela fresta do Infinito

que desliza pela bica

quando se abre a torneira

numa espécie de limpeza

O outro lado, além do infinito

É quando te encontro

Em meus pensamentos.

 

 

 -  O Mogbeg

 

O tapete mágico

destacou-se do solo

e voa como um pássaro

 

Pássaro. Serpente

O Homem nasceu dessa união

como se fosse uma metamorfose

permanente ou uma linha

ondulante e quente

 

O mogbeg

vem da Babilônia

o mogbeg canta,

adivinha, dança

E viaja pelo tempo

No tapete do presente

O mogbeg é um

Mago

 

 

- Pássaros na Ilha

 

Vou fundo no olho do mundo

Se tudo durar um segundo

Ainda assim será vivido

Essa visão que eu hei tido

 

Eu contigo, você comigo

A vida feita só perigo

Ainda assim correrei o risco

desse imenso passadismo

 

Avante agora, ou então, vamos lá

Eu conheço esse olhar que me toca

e sempre um pouco me sufoca

sugestões e promessas do  mar

Tudo me vem desse olhar

 

 

-  Pombo além do pôr do sol

 

A fim de ver havia

uma grande combinação por toda parte

até onde iam os telhados

os grandes pássaros prosseguiam

depois era como se o mundo se acabasse

 

É tão triste ver um pombo voltar

porque o pombal é triste

bem mais triste que a mata

à noite, tão triste

E tão fremente quanto uma gota

 

Eu gostaria que ele voasse

Muito além do pôr do sol

Eu gostaria que ele chegasse

Na manhã, mas ela está além

Sempre além do pôr do sol

 

E a manhã  é tão fugidia...

 

 

-   All Right

 

Lovely songs we sing the beauty

colours of Sun

    

 

       

 

Bibliotheca Chemica Curiosa:

 

AFONSO V. Tratado sobre a Pedra dos Filósofos. Impresso em Londres por Thomas Harper, para ser vendido por John Collins em Little Brittain, junto da porta da Igreja, 1652. Introdução da edição on line em português: Vitor Manuel Adrião, in Lusophia, 2015, in https://lusophia.wordpress.com/2015/08/02/tratado-alquimico-de-dafonso-v-rei-de-portugal-a-respeito-da-pedra-filosofal-introducao-eordenacao-documental-por-vitor-manuel-adriao/.

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[1] FULCANELLI. As Mansões Filosofais. Trad. António Last e António Lopes Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1977, “A salamandra de Lisieux V”, p. 165.

[2]Elementos cisurânicos são todos os elementos artificiais que apresentam número atômico menor que 92 (acima desse valor são os artificiais denominados transurânicos). Eles são: - Tecnécio: sigla Tc, número atômico 43; Promécio: sigla Pm, número atômico 61; Astato: sigla At, número atômico 85; Frâncio: sigla Fr, número atômico 87”, in https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/elementos-cisuranicos.htm.

“A Tabela Periódica apresenta um total de 118 elementos químicos. Todavia, desses elementos, apenas alguns podem ser classificados como transurânicos, isto é, elementos artificiais que apresentam número atômico (Z) maior do que 92.

O urânio é o elemento químico natural de maior número atômico. Assim, qualquer elemento químico que apresente número atômico superior ao do urânio não pode ser encontrado na natureza, ou seja, tem que ser produzido pelo ser humano em laboratório. Esse é o caso dos elementos transurânicos.

(Adaptação da lista que está no site: Elemento, sigla, número atômico: Netúnio, Np, 93; Plutônio, Pu, 94; Amerício, Am, 95; Cúrio, Cm, 96; Berquélio, Kk, 97; Califórnio, Cf, 98; Einstênio, Es, 99; Férmio, Fm, 100; Mendelévio, Md, 101; Nobélio, No, 102; Laurêncio, Lr, 103; Rutherfórdio, Rf, 104; Dúbnio, Db, 105; Seabórgio, Sg, 106; Bóhrio, Bh, 107; Hássio, Hs, 108; Meitnério, Mt, 109; Darmstadtio, Ds, 110; Reontgênio, Rg, 111; Un-un-bium, Uub, 112; Un-un-trium, Uut, 113; Un-un-quadium, Uuq, 114; Un-un-pentium, Uup, 115; Un-un-hexium, Uuh, 116; Un-un-setium, Uus, 117; Un-un-octium, Uuo, 118.)

A criação de novos elementos foi realizada porque alguns cientistas acreditavam que seria possível produzir em laboratório, além de átomos dos elementos encontrados na natureza, outros que não existiam naturalmente, principalmente porque alguns estudiosos haviam previsto teoricamente a existência de vários elementos na tabela que nunca foram encontrados na natureza.

Em 1934, Marie Curie e Frederic Joliot realizaram um experimento radioativo por meio de uma lâmina de alumínio e um preparado de polônio. Esse fato permitiu que os cientistas Fermi e Segre, em 1938, tivessem a condição experimental para tentar criar elementos químicos por intermédio do bombardeamento de núcleos com prótons”, in https://www.manualdaquimica.com/quimica-geral/elementos-transuranicos.htm.

[3] BACHELARD, Gaston. Epistemologia. Trechos escolhidos. 2 ed. Trad. Nathanael C. Caixeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 1983, p. 68 e ss.

[4] In in https://www.dicionarioinformal.com.br/transracional/.

[5]  BERGSON, Henri. Matéria e Memória. Trad. Paulo Neves da Silva. São Paulo: Martins Fontes, 1990, p. 133.

[6] “Concomitar - V. tr. || (p. us.) produzir-se ao mesmo tempo, acompanhar, ser concomitante. F. Concomitar”, in https://www.aulete.com.br/concomitar.

[7] Alguns dos textos alquímicos de Isaac Newton estão transcritos no site The Newton Project, na página Introducing Newton’s Alchemical Papers, in https://www.newtonproject.ox.ac.uk/texts/newtons-works/alchemical.

[8] ULPIANO, Cláudio. Do Saber em Platão e do Sentido nos Estoicos como Reversão do Platonismo. Dissertação apresentada ao Departamento de Filosofia por Cláudio Ulpiano Santos Nogueira Itagiba, como requisito à obtenção do Grau de Mestre em Filosofia. Orientador: Professora Dra. Creusa Capalbo. UFRJ, IFCS, 1983.

______. O Pensamento de Deleuze ou a Grande Aventura do Espírito. Tese de Doutorado apresentada ao Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas, sob a orientação do Prof. Dr. Luiz Benedito Lacerda Orlandi, Unicamp, 1998.

Site: https://acervoclaudioulpiano.wordpress.com/.

[9] PLATÃO. Timeu e Crítias ou a Atlântida. Trad. Norberto de Paula Lima. São Paulo: Hemus, 1981, p. 7-53.

[10] MORAIS JUNIOR¸Luis Carlos de. Natureza Viva. Rio de Janeiro: Quártica, 2012, p. 19.

[11] ANDRADE, Oswald de. A Antropofagia como visão de mundo. A infabilidade do erro, in Diário Confessional. Org. Manuel da Costa Pinto. São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 512.

[12] ______. falação, Pau-Brasil, in Poesias Reunidas. 4 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974, p. 77.

[13] MICHELSPACHER, Stephan. Cabala, Speculum Artis et Naturae in Alchymia (Cabala: Spiegel der Kunst und Natur in AlchymiaCabala: Espelho da Arte e da Natureza na Alquimia). Dresden, 1615. Prancha 3.

[14] SAAVEDRA, Miguel de Cervantes. El Ingenioso Hidalgo Don Quixote de la Mancha. Madrid: imprenta de Juan de la Cuesta, 1605.

Este livro tem seu duplo; entre o primeiro e o aguardado segundo volume escritos por Cervantes, surge uma obra replicante, querendo ser a “verdadeira” história do homem de la Mancha: AVELLANEDA, Alonso Fernández de. Segundo tomo del ingenioso hidalgo don Quijote de la Mancha. Barcelona:  Librería científico-literariaToledano López, 1614.

[15] WEBER, Robert; GRISON, Roger (praep.). Biblia Sacra Vulgata. Editio quinta. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 2007, p. 5.

[16] Gên 1:27,28. Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2019, p. 34-5.

[17] CASTELOT, F. Jollivet. Comment on devient Alchimiste; traité d’hermetisme et d’art spagyrique basé sur les clefs du tarot (quatre portraits et de nombreuses figures). Paris: Azoth, Édition de L’Hyperchimie, Chamuel Éditeur, 1897, folha de rosto.

[18] FULCANELLI. As Mansões Filosofais. Trad. António Last e António Lopes Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1977, p. 96.

[19] LICHT, Friedrich Von. El Fuego Secreto, versão eletrônica, p. 27, traduzido. Fiz muitas pesquisas sobre Friedrich von Licht, mas não consegui descobrir nada sobre ele, a não ser alguns textos. Suas obras só se encontram por enquanto na internet e em espanhol, por isso suponho que seu nome não se deve à nacionalidade germânica, e é um nome hermético, que significa “Rei pacífico da luz”.

[20] DELEUZE, Gilles. Diferença e Repetição. Trad. Luiz Orlandi e Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1988, Capítulo IV Síntese ideal da diferença, seção: A ilusão do negativo, p. 325 e ss.

[21] CLEÓPATRA, Crisopea. In EVOLA, Julius. A Tradição Hermética. Trad. Maria Teresa Simões. Lisboa: Edições 70, 1979, p. 36. Evola referencia: Códice Marciano, Ms. 2325, f. 188 b; e Ms. 2327, f. 196.

[22] SHAKESPEARE, William. Hamlet; prince of Denmark. Act I, scene V.  Complete works. Oxford: Wordsworth Editions, 2007, p. 679.

[23] GAROZZO, Filippo. Gregório Mendel. Coleção Os Homens que Mudaram a Humanidade. V. 18. Rio de Janeiro: Editora Três, 1975, p. 92. Filippo Garozzo é com certeza um dos maiores escritores brasileiros, tendo nascido na Itália, e renascido in Brasil, realizando, na década de 70, 26 livros desta coleção (que tem 30 volumes, quatro foram escritos por outros autores), pela Editora Três, e, depois, os livros Contos de Sábado à Tarde (2005), Contos de São Paulo (2006) e Contos do Outro Lado (2007), pela Editora Cultura.

[24] Neste livro trabalho com os dois conceitos, essência e excência, que aparecem mesclados pelo texto, correspondendo cada um ao seu significado já expresso.

[25] AGRIPPA, Cornelio. Filosofía Oculta. 2 ed. Trad. Hector V. Morel. Buenos Aires: Kier, 1982, p.22, tradução minha.

[26] OVÍDIO. Metamorfoses. Ed. bilíngue. 2ª reimpressão. Trad. Domingos Lucas Dias. São Paulo: 34, 2021, p. 812.

[27] IBN ‘ARABȊ. A Alquimia da Felicidade Perfeita. Trad. Roberto Ahmad Cattani. São Paulo: Landy, 2002, p. 59-60.

[28] CASTELOT, F. Jollivet. Comment on Devient Alchimiste; traité d’hermetisme et d’art spagyrique basé sur les clefs du tarot (quatre portraits et de nombreuses figures). Préface de Papus. Paris: Azoth, Édition de L’Hyperchimie, Chamuel Éditeur, 1897. Leia esse livro, cujo título pode ser traduzido em português: Como alguém se torna Alquimista.

[29] Mutus Liber. O livro mudo da Alquimia; ensaio introdutório, comentários e notas José Jorge de Carvalho. São Paulo: Attar Editorial, 1995, p 64-65.

[30] MASCUÑANA, Luis Silva. Alquimia tras la Piedra Filosofal. Madrid: Glyphos, 2012, p. 58-59, my translation.

[31] FREI JHONES LUCAS. A Ciência Infusa Preternatural, in https://conexaofraterna.com.br/2021/08/27/a-ciencia-infusa-preternatural/.

[32] D’AURACH, Georges. Le très-précieux Don de Dieu. Transcrit, présenté et annoté par Eugène Canseliet, disponível in http://www.labirintoermetico.com/01alchimia/Aurach_G_Le_tres_precieux_Don_de_Dieu_(comm.Canseliet).pdf.

[33] Mateus 7: 7,8. Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2019, p. 1715.

[34] VALOIS, Nicolas. Les Cinq Livres ou La Clef Du Secret des Secrets. Précédé de GROSPARMY, Nicolas. Le Tresor des Tresors. Bibliotheca Hermetica. Introduction, glossaire et notes bibliographiques de Bernard Roger. Paris: Retz, 1975: “La patience est l’échelle des philosophes et l’humilité la porte de leur jardin; car quiconque persévérera sans orgueil et sans envie, Dieu lui fera miséricorde”.

Também citado por FULCANELLI. O Mistério das Catedrais. Trad. António Carvalho. Lisboa: Edições 70, 1986, Notre Dame de Paris. p. 81-82.

[35] MATTON, Sylvain. Variations alchimiques sur le symbole et le mythe du labyrinth, in BATSDORF. Le Filet d’Ariadne.  Fac símile do original 1695. Alençon: Bailly, 1984, p. V-XXVII.

[36] ALBERTO, Mestre. De Alchimia, apud SADOUL, Jacques. O Tesouro dos Alquimistas. Trad. Rachel de Andrade. São Paulo: Hemus, 1970, p. 66.

[37] DIEGUEZ, Flávio.  “A Mecânica do Universo – A semelhança das forças fundamentais revela a profunda harmonia que mesmo os antigos já percebiam no Cosmo. O trabalho da física é tentar entender melhor essa harmonia”. Revista Ciência Ilustrada, São Paulo: Abril Cultural, n° 16, Janeiro de 1984, p. 12-14: “O físico americano Sheldon Glashow usou um antigo símbolo cosmológico – a serpente – para ilustrar as distâncias características das forças fundamentais. A gravidade age em qualquer escala, mas é dominante em coisas grandes como as galáxias. Em objetos como as montanhas, a força eletromagnética se torna importante. No núcleo atômico, as forças nucleares, fraca e forte, dominam. Nessa região atuam as partículas W e Z. As distâncias estão em centímetros. Acima de 10-30 cm todas as forças se tornam equivalentes”. Coloquei essa imagem no começo e na contracapa de O Olho do Ciclope e os Novos Antropófagos: antropofagia cinematótica na literatura brasileira. Rio de Janeiro: Quártica, 2009.

[38] VITÓRIO, Adão de São, in KEHREIN, Joseph (herausgegeben von). Lateinische Sequenzen des Mittelalters; aus Handschriften und Drucken. De sancto Ioanne Ev. Auctor est Adam de S. Victore. (KEHREIN, Joseph, editor. Sequências Latinas Medievais; a partir de manuscritos e gravuras. Na véspera de São João. O autor é Adão de São Vitório). Mainz: Druck und Verlag von (impressão e publicação por) Florian Kupferberg, 1873,  p. 289. Esse livro completo pode ser encontrado no Arquive.org no endereço: http://archive.org/stream/lateinischesequ00kehrgoog/lateinischesequ00kehrgoog_djvu.txt.

Os versos em latim: “Cum gemmarum partes fractas/Solidasset, has distractas/Tribuit pauperibus:/Inexhaustum fert thesaurum/Qui de virgis fecit aurum/Gemmas de lapidibus”.

Ver também: ATWOOD, Mary Anne. Hermetic Philosophy & Alchemy: a Suggestive Inquiry into the Hermetic Mystery. Revised Edition, with an Introduction by Walter L. Wilmhurst. Library of Congress. New York: Julian Press, 1960. Sua nota a esta citação reza: “See Alexander Beauvais in Speculo Naturali”. Sobre Adão de São Vitório, ver: https://stringfixer.com/pt/Adam_of_Saint_Victor.

[39] Surfista de ondas grandes, de cinco metros p’ra cima.

[40] Trois Traitez de la Philosophie Naturelle Non Encore Imprimez: Scavoir le Secret Livre du Très Ancien Philosophe Artephius, Traitant de l‘Art Occulte Transmutation Metallique, Latin François; Plus les Figures Hierogliphiques de Nicolas Flamel Ensemble le Vrai Livre du Docte Synesius Abbé Grec. Paris: Guillaume Marrete, 1612.

[41] HEALY, Margaret. Shakespeare, Alchemy and the Creative Imagination: The Sonnets and A Lover’s Complaint. Cambrigde: Cambridge University Press, 2011.

[42] MATEUS, Ana Cristina Gonçalves. Ocultismo e esoterismo na obra de William Shakespeare: Hamlet, The Tempest e The Winter’s Tale. Dissertação de Mestrado em Estudos Ingleses. Orientação Professora Doutora Maria de Jesus Crespo Candeis Relvas. Lisboa: Universidade Aberta, 2006, in https://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/445

[43] The Shakespeare blog: Shakespeare and the Alchemistis, in http://theshakespeareblog.com/2014/06/shakespeare-and-the-alchemists/,

[44] SHAKESPEARE. Teatro Completo. Três volumes: Comédias, Dramas, Tragédias. Trad. Carlos Alberto Nunes. São Paulo: Tecnoprint, /s. d./.

[45] HOMERO. Ilíada. Trad. Manuel Odorico Mendes. Rio de Janeiro: Clássicos de Jackson, 1950.

______. Odisseia. Trad. Manuel Odorico Mendes. São Paulo: Principis, 2020.

VIRGILIO. Virgilio brasileiro (Bucólicas, Geórgicas e Eneida). Trad. Manuel Odorico Mendes. Paris: W. Remquet e Companhia, 1858.

______. Geórgicas. Eneida. Trad. António Feliciano de Castilho e Manuel Odorico Mendes. São Paulo: Jackson, 1960.

[46] NUNES, Carlos Alberto. Os Brasileidas. São Paulo: Melhoramentos, 1962. Edições anteriores: São Paulo Editora, 1931; Editora Elvino Pocai, 1938.

[47] OLIVEIRA, José Carlos. Diário da Patetocracia. Crônicas brasileiras 1968. Rio de Janeiro: Graphai, 1995, p. 181-2.

[48] RODRIX, Z. O Cozinheiro do Rei: As aventuras e desventuras de Pedro Karaí Raposo, entre o Rio de Contas e a Corte de 1773 e 1823. São Paulo: Madras, 2013, p. 474.

Ver tb: ______. Johaben: diário de um construtor do Templo. Trilogia do Templo, volume 1. Rio de Janeiro: Record, 2005.

______. Zorobabel: reconstruindo o Templo. Trilogia do Templo, volume 2. Rio de Janeiro: Record, 2005.

______. Esquin de Floyrac: o fim do Templo. Trilogia do Templo, volume 3. Rio de Janeiro: Record, 2005.

[49] MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. O Sol nasceu pra Todos: a História Secreta do Samba. Rio de Janeiro: Litteris, 2011, p. 82 e ss.

[50] O Pasquim de 11/7/1972 comete a mesma transliteração.

[51] FULCANELLI. Finis Gloriæ Mundi; ou a transformação alquímica do mundo. Trad. Gilson César Cardoso de Sousa. São Paulo: Pensamento, 2008.

[52] TOM ZÉ. Todos os Olhos. Continental, 1973.

[53] O Pasquim, número 169, 26/9 a 2/10/1972, p. 10-11.

[54] TOM ZÉ; ELTON MEDEIROS. Tô. Lp Estudando o Samba. Continental, 1976.

[55] NOEL ROSA; VADICO. Feitio de oração. Samba gravado por Francisco Alves e Castro Barbosa acompanhados pela Orquestra Copacabana, em 1933, pela gravadora Odeon.

[56] BUKOWSKI, Charles. Shakespeare never did this. Photographs by Michael Montfort. Santa Rosa: Black Sparrow Press, 1995.

[57] Mateus 3: 11. Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2019, p. 1707.

“Ego quidem vos baptizo in aqua in paenitentiam/qui autem post me venturus est fortior me/cuius non sum dignus calciamenta portare/ipse vos baptizabit in Spiritu Sancto et igni” in Secundum Mattheum 3: 11. WEBER, Robert; GRISON, Roger (praep.). Biblia Sacra Vulgata. Editio quinta. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 2007, p. 1592.

[58] MORAIS JUNIOR, Lui Carlos de. “Soneto 7”, in Carlos Castaneda e a Fresta entre os Mundos – Vislumbres da Filosofia Ānahuacah no Século 21. Rio de Janeiro: Litteris, 2012, p. 7.

[59] CARAÇA, Bento de Jesus. Conceitos Fundamentais da Matemática. Lisboa: Tipografia Matemática, 1951. Lisboa: Livraria Sá da Costa Editora, 1984, p. 6.

[60]Nas décadas de 1960 e 1970, a pessoa que apresentava problemas psiquiátricos e se tornava incapaz de trabalhar, poderia se aposentar com base no Artigo 22 da CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) da época. Daí dizer-se: ‘aquele sujeito é 22’”, in https://www.dicionarioinformal.com.br/22/.

[61]Em cores diversas e diferentes; matizado, pintalgado. Repleto de diversidade; diferente, diversificado”, in https://www.dicio.com.br/variegado/.

[63] SAMS, Jamie. As Cartas do Caminho Sagrado; a descoberta do ser através dos ensinamentos dos índios norte-americanos. 6 ed. Trad. Fabio Fernandes. Rio de Janeiro: Rocco, 2000, pp. 199/200.

[65] Na tradução de DATTLER, Frederico. Gênesis; texto e comentário. São Paulo: Paulinas, 1984, p. 23.

[66] https://www.gnosisonline.org/luz-negra/.

[67] MASCUÑANA, Luis Silva. Alquimia tras la Piedra Filosofal. Madrid: Glyphos, 2012, p. 22, mi traducción.

[68] Geheime Figuren der Rosenkreuzer aus dem 16ten und 17ten Jahrhundert (Figuras secretas dos Rosacruzes dos séculos XVI e XVII). Altona: J. D. A. Eckhardt, 1785, p. 15. Gravura em cobre, colorida.

[69]  HERMES TRISMEGISTO. La Tabla de Esmeralda. HORTULANO. Comentarios a la Tabla de Esmeralda. FULCANELLI. La Tabla de Esmeralda. Org. Miguel Algel Muñoz Moya. Madrid: Mestas, 1997, p. 45 e nota 31: Viridarium Chymicum. Muñoz Moyaeditores. Sevilla, 1986.

[70] DELEUZE, Gilles. A Dobra. Trad. Luiz B. L. Orlandi. Campinas: São Paulo: Papirus, 1991.

[71] ZALBIDEA, Victor; PANIAGUA, Victoria; FERNANDEZ DE CERRO, Elena; AMO, Casto del. Alquimia y Ocultismo. Barcelona: Barral, 1973, p. 25.

[72] BERTHELOT, Marcelin. Collection des Anciens Alchimistes Grecs. Paris: Georges Steinheil, 1888, Vol. I, p. 119, 127-174, 209, 250; vol. II, p. 28, 117-120; Vol. III, p. 117-242.

[73] CÁRDENAS, Carlos. Artigo sobre Zósimo de Panópolis, in Alquimistas Modernos, de Carlos Cardenas, Alejandro Romero, Jennyfer Lopez y Santiago Godinez, https://expertosenalquimia.wordpress.com/2016/04/05/zosimo-de-panopolis/.

[74] HOMERO. Ilíada. Trad. Haroldo de Campos. 2 vol. 3 ed. São Paulo: Arx, 2002.

______. Odisseia. Trad. Trajano Vieira. São Paulo: 34, 2011.

[75] HESÍODO. Teogonia. Trad. Ana Lúcia Silveira Cerqueira e Maria Therezinha Arêas Lyra. Niterói: UFF, 1977.

______. Os Trabalhos e os Dias. Trad. Mary de Camargo Neves Lafer. 3 ed. São Paulo: Iluminuras, 1996.

[76] PENA FILHO, Carlos. Livro Geral. Org. Tania Carneiro Leão. Recife: edição da organizadora, 1999.

COUTINHO, Edilberto. O Livro de Carlos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1983.

[77] MELO NETO, João Cabral de. Poesia completa. 2 vol. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

[78] GULLAR, Ferreira. Poesia Completa, teatro e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2008.

[79] ALBANO, José. Rimas. Org. Manuel Bandeira. 3 ed. Rio de Janeiro: Graphia, 1993.

[80] OVÍDIO. Metamorfoses. Ed. bilíngue. 2ª reimpressão. Trad. Domingos Lucas Dias. São Paulo: 34, 2021.

[81] APULEIO. O Asno de Ouro. Trad. Ruth Guimarães. São Paulo: Cultrix, 1963.

[82] SANTO AGOSTINHO. A Cidade de Deus. Parte III. 2 ed. Trad. J. Dias Pereira. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2000, Livro XVIII, Capítulo XVIII, p. 1739-1740.

[83] WILHELM, Richard. I Ching; o livro das mutações. 16 ed. Trad. Alayde Mutzenbecher e Gustavo Alberto Corrêa Pinto. São Paulo: Pensamento, 1997, p. XI.

[84] Apud LEGGE, James. I Ching; o livro das mutações. 18 ed. Supervisão: Torrieri Guimarães. Coordenação editorial: Maxim Behar. São Paulo: Hemus, 2004, p. 8.

[85] LAO-TZU. Tao-te King. Texto e comentário de Richard Wilhelm. Trad. Margit Martincic. 10 ed. São Paulo: Pensamento, 1995, p. 57.

[86] Liga de cobre e zinco que imita o ouro; ouro falso.

[87] Liga metálica de cobre, de cor amarela, que imita ouro; alquime.

[88] RAUL SEIXAS. Compacto Ouro de tolo, Philips, 1973, e faixa do LP Krig-há, Bandolo, mesmos gravadora e ano.

[89] Desenho que fiz reproduzindo o grafite que vimos com esta inscrição em um muro da cidade de São Paulo em 1990, e que coloquei no começo do meu livro Proteu ou a arte das transmutações; leituras, audições e visões da obra de Jorge Mautner. Rio de Janeiro: HP Comunicação, 2004, p. 9. Proteu é minha dissertação de mestrado em Literatura Brasileira pela UFRJ, defendida em 1993; O olho do Ciclope é minha tese de doutorado em Ciência da Literatura pela UFRJ, defendida em 1997.

[90] LICHT, Friedrich Von. El Fuego Secreto, versão eletrônica, p. 27.

[91] Veja a importância que lhe atribui ao seu trabalho este alquimista do século XX: BARBAULT, Armand. L‘Or du Millième Matin. Paris: Publications Premières, 1969.

[92] LEGGE, James. I Ching; o livro das mutações. 18 ed. Supervisão: Torrieri Guimarães. Coordenação editorial: Maxim Behar. São Paulo: Hemus, 2004, p. 53, 54 e 55.

[93] WILHELM, Richard. I Ching; o livro das mutações. 16 ed. Trad. Alayde Mutzenbecher e Gustavo Alberto Corrêa Pinto. São Paulo: Pensamento, 1997, p. 29.

[94] https://www.facebook.com/Jogo.Persona/.

[95] CAMPADELLO, Roberto. I Ching – Steps – O Livro das Mutações – O Jogo da Vida. 2 ed. São Paulo: Global Ground, 1985, p. 20-25.

[96] Idem, ibidem, p. 62, 63.

[97] ANTHONY, Carol K. A Filosofia do I Ching. Trad. Lia Alverga-Wyler. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.

[98]______. O Guia do I Ching. 3 ed. Trad. Luisa Ibañez. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990, p. 308.

[99] MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. Peças Leves. Inédito.

[100] ALBERTUS, Frater. Guia Prático de Alquimia. Trad Mário Muniz Ferreira. São Paulo: Pensamento, 1989, p. 17.

[101] BEN, Jorge. Lp A Tábua de Esmeralda. Philips, 1974.

[102] SADOUL, Jacques. O Tesouro dos Alquimistas. Trad. Rachel de Andrade. São Paulo: Hemus, 1970.

[103] CASTANEDA, Carlos. Tales of Power. London: Hodder and Stoughton, 1975.

[104] MCCRUM, Robert “Who really wrote Shakespeare?”, 2010, in https://www.theguardian.com/culture/2010/mar/14/who-wrote-shakespeare-james-shapiro.

[105] SHAKESPEARE. Teatro Completo. 3 volumes: Comédias, Dramas, Tragédias. Trad. Carlos Alberto Nunes. São Paulo: Tecnoprint, /s. d./.

______.  Complete Works. Oxford: Wordsworth Editions, 2007.

______. Sonnets. The new temple Shakespeare. Edited by M. R. Ridley. London: J. M. Dent & Sons, New York: E. P. Dutton, 1934.

[106] https://refugospontocom.blogspot.com/.

[107] LAWLOR, Robert. Geometria Sagrada. Trad. Maria José Garcia Ripoll, GVS. Madrid: Del Prado, 1996, p. 4-5.

[108] HOFFMAN, T. A.; DUMAS, Alexandre. O Quebra Nozes. Trad. André Telles e Luís S. Krausz. São Paulo: Zahar, 2018.

[109] DOYLE, Arthur Conan. Sherlock Holmes. Volume 1. Trad. Louiza Ibánez. Rio de Janeiro: HaperCollins, 2017, p. 20.

[110] As Novas Aventuras de Sherlock Holmes. Org. Otto Penzler. 2 volumes. Trad. Maria Helena Rouanet e Celina Portocarrero. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018, p. 253-274.

[111] PAUWELS, Louis; BERGIER, Jacques. O Despertar dos Mágicos; introdução ao Realismo Fantástico. 7 ed. Trad. Gina de Freitas. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1971, A Alquimia como exemplo, p. 96.

[112] PLATÃO. Diálogos II: Eutidemo. São Paulo: Edipro, 2007, p. 198-199, 288 d, 289 a, b.

[113] BLAVATSKY, Helena Petrovna. A Doutrina Secreta – síntese de ciência, filosofia e religião. 6 vol. 1 ed, 18 reimpressão. Trad. Raymundo Mendes Sobral. São Paulo: Pensamento, 2021, p. 20 e ss.

[114] PLATÃO. Timeu e Crítias ou a Atlântida. Trad. Norberto de Paula Lima. São Paulo: Hemus, 1981, p. 94-95-99.

[115] MANN, A. T. Elementos do Tarô. Trad. Ângela Perez de Sá. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995, p. sem número.

[116] DICTA e FRANÇOISE. Mitos e Tarôs; a Viagem do Mago. Trad. Maria Stela Gonçalves. 10 ed. São Paulo: Pensamento, 1995, p. 10.

[117] MEBES, G. O. Os Arcanos Maiores do Tarô. Trad. Marta Pécher. São Paulo: Pensamento, 2007, p. 4. Ver tb: ______. Os Arcanos Menores do Tarô. Trad. Marta Pécher. São Paulo: Pensamento, 2007.

[119] SHAKESPEARE, William. Hamlet; Prince of Denmark. Act I, scene III.  Complete Works. Oxford: Wordsworth Editions, 2007, p. 676.

[120] LÉVI, Éliphas. Curso de Filosofia Oculta. 9 ed. Trad. Frederico Ozanam Pessoa de Barros. São Paulo: Pensamento, 1993, p. 19-21.

[121] ENIH GIL’EAD. Livro do Gênesis completo e textos bíblicos seletos; interlinear Hebraico-Português. 2 ed. Vianópolis: N.V.S.G., 2011, p. 1.

[122] LEGGE, James. I Ching; o livro das mutações. 18 ed. Supervisão: Torrieri Guimarães. Coordenação editorial: Maxim Behar. São Paulo: Hemus, 2004, p. 57.

[123] WILHELM, Richard. I Ching; o livro das mutações. 16 ed. Trad. Alayde Mutzenbecher e Gustavo Alberto Corrêa Pinto. São Paulo: Pensamento, 1997, p. 33.

[124] BECCHERUS, Johannes Joachim. Physica Subterranea Profundam Subterraneorum Genesis; e Principiis Hucusque Ignotis, Ostendens; Opus Sine Pari, Primum Hactenus Et Princeps, Editio Novissima; Præfatione Utili Præmissa, Indice Locupletissimo Adornato, Sensuumque Et Rerum Distinctionibus, Libro Tersius Et Curatius Edendo, Operam Navavit. Lipsiae: apud Johann Ludov, Gleditschim, anno MDCCIII (escrito em 1667), Praefatio autoris lectori benévolo, p. 3, 4.

[125] https://todayinsci.com/QuotationsCategories/P_Cat/Pleasure-Quotations.htm.

[127] ANDRADE, Mário. O Empalhador de Passarinho. 3 ed. São Paulo: Martins, 1972.

[128] ELIADE, Mircea. Ferreiros e Alquimistas. Trad. Roberto Cortes de Lacerda. Rio de Janeiro: Zahar, 1979, p. 22.

[129] PETRINUS, Rubellus. Espagíria Alquímica. Joinville: Clube de Autores, 2019.

[130] BARBAULT, Armand. L’Or du Millième Matin. Paris: Publications Premières, 1969.

______. Gold of a Thousand Mornings. Trad. Robin Camprell. London: Neville Spearman, 1975.

[131] ALBERTUS, Frater. Guia Prático de Alquimia. Trad Mário Muniz Ferreira. São Paulo: Pensamento, 1989.

BARTLETT, Robert Allen. Real Alchemy; a Primer of Practical Alchemy. Quinquangle Press, 2006.

[132] FULCANELLI. As Mansões Filosofais. Trad. António Last e António Lopes Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1977, nota à p. 66.

[133] PANTHEUS, Ioanne Augustino. Voarchadumia contra Alchimia ars distincta ab archimia et sophia: cum additionibus, proportionibus numeris, & figuris opportunis. Paris: Veneunt apud Viventium Gaultherot, via ad Diuum Jacobum, sub signo D. Martini, 1550.

______. Ars et Theoria Transmutationis Mettalicae cum Voarchadumia, proportionibus, numeris, & inconibus rei accommodis illustrata. Paris: Veneunt apud Viventium Gaultherot, via ad Diuum Jacobum, sub signo D. Martini, 1566.

[134] DUBOIS, Geneviève. Fulcanelli and the Alchemical Revival: the Man Behind the Mystery of the Cathedrals. Rochester: Destiny Books, 2005.

[135] FANNING, Philip Ashley. Isaac Newton e a Transmutação da Alquimia; uma visão alternativa da revolução científica. Trad. Fábio Lins Leite. Santa Catarina: Danúbio, 2016, p. 28 e ss.

[136] BATSDORF. Le Filet d’Ariadne.  Fac símile do original 1695. Alençon: Bailly, 1984, Avertissement, p. xxxiv: “/.../ Les Chymistes mêmes se persuadent que cette Science est de leur competence & non de celle d’autruy, voyans solvente dans leurs Livres les termes de Sublimations, Solutions, Dissolutions, Digestions, Calcinations, Imbibitions, Coagulations & une infinite d’autres terms dont on se sert dans la Chymie.

Surquoy travaillans, ils ont fait cent broüilleries qui n’ont rien produit que la confusion dans leurs esprits & de la dépense inutile dans leurs Laboratoires, parce qu’ils on pris à la lettre les dites des Philosophes qui doivet s’expliquer tou autrement /.../”

[137] NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Assim falou Zaratustra. 4 ed. Trad. Mário da Silva. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1986, p. 34.

[138] DELEUZE, Gilles. Nietzsche e a Filosofia. Trad. Edmundo Fernandes Dias e Ruth Joffily Dias. Rio de Janeiro: Rio, 1976.

[139] AGRIPPA, Cornelio. Filosofía Oculta. 2 ed. Trad. Hector V. Morel. Buenos Aires: Kier, 1982, p. 189-200.

[140] In https://hi.wikipedia.org/wiki/सिद्धि.

[141] CAMÕES, Luís Vaz de. Sonetos. São Paulo: Martin Claret, 2011, Soneto 92, p. 104.

[142] PHANEG, G. Ciquante Merveilleux Secrets d’Alchimie. Paris: Libraire Generale des Sciences Occultes, Bibliotheque Chacornac, 1912.

[143] COLCHETE, Eliane Marques e MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. Abobrinhas Requintadas. Rio de Janeiro: Quártica, 2011, p. 74.

[144] Anónimo. Ludus Puerorum o Tratado intitulado Trabajo de Mujeres y Juego de

Niños, in https://qdoc.tips/anonimo-ludus-puerorum-pdf-free.html.

Ludus Puerorum ou Traité dit du Travail des Femmes et le Jeu des Enfants, traduction faite du latin faite par un auteur anonyme, in https://docplayer.fr/141619616-Anonyme-ludus-puerorum-traite-dit-du-travail-des-femmes-et-le-jeu-des-enfants-traduction-faite-du-latin-faite-par-un-auteur-anonyme.html.

[145] GUERCIO, Maria Rita. “Da Alquimia à Química: a representação dos alquimistas nas pinturas de gênero holandesas do Século XVII (Coleção Eddleman and Fisher do Centro da História da Ciência da Filadélfia)”. Khronos, Revista de História da Ciência, nº10, 2020, pp. 65-78, in http://revistas.usp.br/khronos.

SÁ, Roberto Novaes de. “Ludus Puerorum: Aspectos da Tradição Alquímica”. Revista Tempo Brasileiro, 1988.

[146] Richard Brakenberg, An Alchemist’s Workshop with Children Playing, oil on canvas, óleo sobre tela, 1670-1702, Science History Institute, Philadelphia, in https://digital.sciencehistory.org/works/ks65hc76p.

[147] TRISMOSIN, Salomon. Le Toison d’Or ou Le Fleur des Trésors. Editado por René Alleau. Paris: Retz, 1975, p. 112-115.

[149] DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. Mille Plateaux. Paris: Minuit, 1980, p. 284 e ss.

[150] HERÁCLITO. Os fragmentos heraclíticos, in BERGE, Damião. O Logos Heraclítico; introdução ao estudo dos fragmentos. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1969, p. 250-251; 258-259. Ver tb: Os Pré-Socráticos. Os Pensadores. Trad. José Cavalcante de Souza (et al.). São Paulo: Abril Cultural, 1973, fragmento 52, p. 90. A explicação sobre Aión entre parêntesis é minha.

[151] NIETZSCHE, Friedrich. Vontade de potência. Trad. Mário Ferreira da Silva. Petrópolis: Vozes, 2011, aforisma 385, p. 453-454.

[152] RAMEY, Joshua. The Hermetic Deleuze; Philosophy and Spiritual Ordeal. Durham: Duke University Press, 2012.

______. Deleuze Hermético; Filosofia y Prueba Espiritual. Trad. Juan Salzano. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Las Cuarenta, 2016.

[153] DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Félix. Rizoma, introdução de Mil Platôs; Capitalismo e Esquizofrenia 2. Volume 1. Trad. Ana Lúcia de Oliveira et alii. São Paulo: 34, 1995, p. 19.

[154] LAO-TZU. Tao-te King. Texto e comentário de Richard Wilhelm. Trad. Margit Martincic. 10 ed. São Paulo: Pensamento, 1995, p. 81.

[155] EVOLA, Julius. A Tradição hermética. Trad. Maria Teresa Simões. Lisboa: Edições 70, 1979, p. 51.

La Tradizione Ermetica. 4 ed. Roma: Mediterranee, 2006, p. 62.

[156] FULCANELLI. As Mansões Filosofais. Trad. António Last e António Lopes Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1977, p. 302-302. Em nota, Fulcanelli explica: “Limitamo-nos a enumerar aqui os sucessivos estádios da segunda Obra, sem os analisar especialmente. Grandes Adeptos, e particularmente Filaleuto, no seu Introitus, levaram muito longe esse estudo. As suas descrições reflectem tal consciência que seria impossível dizermos nós mais ou dizê-lo melhor”.

[157] Cabala Mística: A Árvore da Vida (Sephiroth) in Aum Magic http://aumagic.blogspot.com/2014/03/cabala-mistica-arvore-da-vidasephirot.html.

Ver tb. DICTA e FRANÇOISE. Mitos e tarôs; a Viagem do Mago. Trad. Maria Stela Gonçalves. 10 ed. São Paulo: Pensamento, 1995, p. 18 e ss.

[158] https://pt.wikipedia.org/wiki/Trigrama.

[159] DELEUZE, Gilles. L‘Île déserte. Textes et Entretiens 1953-1974. Édition préparée par David Lapoujade. Paris: Les Éditions de Minuit, 2002.

______. Deux Régimes de Fous. Textes et Entretiens 1975-1995. Édition préparée par David Lapoujade. Paris: Les Éditions de Minuit, 2003.

[160] PLOTINO. Enéadas. Sete volumes: 1ª a 6ª, esta em dois tomos. Trad. José R. Seabra F. e Juvino Alves Maia Junior. Belo Horizonte: Nova Acrópole, 2014-2019.

PORFÍRIO DE TIRO. Isagoge. Trad. Bento Silva Santos. São Paulo: Attar, 2002.

[161] MEBES, G. O. Os Arcanos Menores do Tarô. Trad. Marta Pécher. São Paulo: Pensamento, 2007, p. 23.

[162] MARTINEAU, Mathrin Eyquem. O Piloto da Onda Viva. Trad. Maria José Pinto. Lisboa, Edições 70, 1977.

[163] MONOD, Jacques. Acaso e Necessidade; ensaio sobre a filosofia natural da biologia moderna. 4 ed. Trad. Bruno Palma e Pedro Paulo de Sena Madureira. Petrópolis: Vozes, 1989, p. 43.

[164] CHARDIN, Pierre Teilhard de. Escritos Essenciales. Trad. Jorge Antonio Orendáin Caldera. Guadalajara: Editorial Universitaria, 2018, p. 59.

Ver tb: ______. O Fenómeno Humano. Trad. Léon Bourdon e José Terra. Porto: Livraria Tavares Martins, 1970.

______. El Medio Divino. /s. t./. 5 ed. Madrid: Taurus, 1965.

[165] LÉVI, Éliphas. A Ciência de Hermes; A Revelação dos Supremos Segredos. Tradução de La Ciencia de Hermes; La Revelación de los Supremos Secretos Editorial Humanitas. Barcelona: 1999; São Paulo: 2015, in Sociedade das Ciências Antigas https://sca.org.br/wp-content/uploads/2019/09/A-Ciencia-de-Hermes-Eliphas-Levi.pdf, excertos.

[166] Mutus Liber. O livro mudo da Alquimia; ensaio introdutório, comentários e notas José Jorge de Carvalho. São Paulo: Attar Editorial, 1995.

[167] COLCHETE, Eliane. Riqueza e Poder: a Geoegologia. Rio de Janeiro: Quártica, 2018. Esta é uma entre várias obras, livros e blogs, nos quais ela desenvolve sua teoria.

[168] COLCHETE DE MORAIS, Eliane Colchete. Boas Novas! Luis Carlos de Morais Junior tornou-se Geoególogo!, in MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. O Pedagogo de Si: A Educação e a Filosofia. Rio de Janeiro: Litteris, 2019, p. 9-11.

[169] MORAIS, Eliane Marques Colchete e MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. Crisopeia. Rio de Janeiro: Quártica, 2010.

[170] HERMES TRISMEGISTOS. A Tábua de Esmeralda, in SADOUL, Jacques. O tesouro dos Alquimistas. Trad. Rachel de Andrade. São Paulo: Hemus, 1970, p. 25.

[171]1. Veritas ita se habet et non est dubium.

Verum sine mendacio certum et verissimum.

Verum est et ab omni mendaciorum involucre remotum.

Vere non ficte, certo verissimeque aio.

2. Quod inferiora superioribus et superiora inferioribus respondent.

Quod est inferius est sicut quod est superius, et quod est superius est sicut quod est inferius.

Quodcunque inferius est simile est ejus quod est superius.

Inferiora hac cum superioribus illis, istaque cum iis vicissim veres sociant.

3. Operator miraculorum unus solus est Deus, a quo descendit omnis operacio mirabilis.

Ad perpetranda miracula res unius.

Per hoc acquiruntur et perficiuntur mirabilia operis unius rei, ut producant rem unam omnium mirincissimam.

4. Sic omnes res generantur ab una sola substancia, una sua sole disposicione.

Et sicut omnes res fuerunt ab uno meditatione unius, sic omnes res natae fuerunt ab hac una re adaptatione.

Quemadmodum etiam omnia ex uno fiunt per considerationem unius ita omnia ex uno hoc facta sunt per conjunctionem.

Acquemadmodum cuncta educta ex uno fuere verbo Dei Unius, sic omnes quoque res perpe’tuo ex hac una re generantur disposicione Naturae.

5. Quarum pater est Sol, quarum mater est Luna.

Pater ejus est sol, mater ejus luna.

Pater ejus est sol, mater luna.

Patrem ea habet solem, matrem lunam.

6. Que portavit ipsam naturam per auram in utero, terra impregnata est ab ea.

Portavit illud ventus in ventre suo, nutrix ejus terra est.

Ventus in utero gestavit, nutrix ejus est terra.

Ab acre in utero quasi gestatur, nutritur a terra.

7. Hinc dicitur Sol causatorum pater, thesaurus miraculorum, largitor virtutum.

Pater omnis thelesmi (coelestini) totius mundi est hie. Vis ejus integra est.

Mater omnis perfectionis. Potentia ejus perfecta est.

Causa omnis perfectionis rerum ea est per universum hoc.

8. Ex igne facta est terra.

Si versa fuerit in terram.

Si mutatur in terram.

Ad sum mum ipsa perfectionem virium pervenit si redierit in

humum.

9. Separa terrenum ab igneo, quia subtile dignius est grosso, et

rarum spisso. Hoc fit sapienter et discrete.

Separabis terram ab igne, subtile a spisso suaviter cum magno

ingento.

Terram ab igne separate subtile et tenue a grosso et crasso,

et quidem prudenter cum modestia et sapientia.

In partes tribuito humum ignem passam, attermant densitatem

ejus re omnium suavissima.

10. Ascendit enim de terra in celum, et ruit de celo in terram, et inde interficit superiorem et inferiorem virtutem.

Ascendit (lapis) a terra in coelum, iterumque descendit in terram, et recipit vim superiorum et inferiorum.

In hoc a terra ascendit, in coelum hoc a terra, et a coelho rursus in terram descendit, et potentiam et efficaciarn superiorum et inferiorum recipit.

Summa ascende ingenii sagacitate a terra in coelum, indique rursum in terram descende ac vires superiorum inferiorumque coge in unum.

11. Sic ergo dominatur inferioribus et superioribus, et tu dominaberis sursum et deorsum, tecum est lux luminum, et propter hoc fugient a te omnes tenebre.

Sic habebis gloriam totius mundi, ideo fugiat a te omnis obscuritas.

(Et ita habebis gloriam claritatis totius mundi, et a te fugiet omnis obscuritas).

Hoc modo acquiris gloriam totius mundi, propulsabis igitur tenebras omnes et coecitatem.

Sic potiere gloria totius mundi; atque ita abjectae sortis homo amplius non habere.

12. Virtus superior vincit omnia.

Hie est totius fortitudinis fortitude fortis.

Haec enim fortitudo omni alia fortitudine ac potentiae palmam praeripiens.

Ita haec jam res ipsa fortitudine fortior existet.

13. Omne enim rarum agit in omne densum.

Quia vincet omnem rem subtilem, omnemque solidam penetrabit.

Omnia namque subtilia et crassa duraque penetrare ac subigere potest.

Corpora quippe tam tenuia quam solida penetrando subige.

14. Et secundum disposicionem majoris mundi currit hec operacio.

Sic mundus creatus est.

Hoc mundus hie conditus est.

Atque sic quidem quaecunque mundus continet creata fuere.

15. Et propter hoc vocatur Hermogenes triplex in philosophia. (Ita erunt in re ista adaptationes et dispositiones mirabiles.)

Hinc adaptationes erunt mirabiles quarum modus est hie.

Itaque vocatus sum Hermes Trismegistus, habens tres partes Philosophiae totius mundi.

Et hinc conjunctiones ejus mirabiles et effectus mirandi; cum haec via sit per quam haec mira efficiantur. Et propter hoc Hermetis Trismegisti nomine me appellarunt: cum habeam partes tres sapientiae et Philosophicae universi mundi.

Hinc admiranda evadunt opera, quae ad eundem modum instituuntur. Mihi vero ideo nomen Hermetis Trismegisti impositum fuit, quod trium mundi Sapientiae partium Doctor deprehensus sum”.

BACON, Roger. Secretum Secretorum. Opera hactenus inedita Rogeri Baconi. Fasc. V. Cum glossis et notulis. Tractatus brevis et utilis ad declarandum quedam obscure dicta Fratris Rogeri. Nunc primum edidit Robert Steele. Accedunt versio anglicana ex arabico edita per A. S. Fulton. Versio vetusta anglo-normanica nunc primum edita Oxonii e Typographeo Clarendoniano. MCMXX. Oxford: Humphrey Milford, 1920, p. xlviii: “From this point to the end of the section is the famous Emerald Table of Hermes, which appears here in its earliest known form. It has every appearance of considerable antiquity and is probably of Egyptian origin, passing through Byzantine treatises. There are several distinct translations of it current, but this is probably the best, as it is, on the whole, the simplest. The Arabic text appears to have received some additions. The following are some of the forms in which it is found”, p. xlviii a li.

[172] BONARDEL, Françoise. Filosofar pelo Fogo; antologia de textos Alquímicos. Trad. Idalina Lopes. São Paulo: Madras, 2012, p. 65-77.

Ver tb POLYDORUS, Chrysogonus in Alchemiae Gebri Arabis; philosophi solertissimi, Libri vum teliquis, ut versa pagella indicabit. Ioan Pettrius Nurembergen denuo Bernae excudi faciebat. Anno MDXLV. Nuremberge 1545.

[173] Os Sete Governantes Planetários no Submundo, in Musaeum Hermeticum. Franckfurt am Mayn: Luca Jennis, 1625, frontispício, versão colorida por Adam McLean, 2011, in https://www.alchemywebsite.com/Adam.html.

[174] Nota 81 no original: A.-J. FESTUGIÈRE, La Révélation d’Hermès Trismégiste. I: L’Astrologie et les sciences occultes, París, 1952; II: Le Dieu cosmique, 1949; III: Les doctrines de l’ame, 1953; IV: Le dieu inconnu et la gnose, 1954.

______, Hermétisme et mystique païenne. París: 1967, p. 240-260.

[175] NEBOT, Xavier Renau (Introducción, traducción y notas). Textos Herméticos. 3 ed. Madri: Gredos, 2014, p. 22 e 23, tradução minha.

[176] Op. cit., p. 35.

[177] WILHELM, Richad (tradutor). O Segredo da Flor de Ouro. 3 ed. Trad. Dora Ferreira da Silva e Maria Luíza Appy. Petrópolis: Vozes, 1986.

[178] Alcorão Sagrado. Trad. Samir El Hayek. São Paulo: Folha de São Paulo, 2010, A Família de ‘Imran, 3ª surata, versículo 184, p. 73.

[179] UYLDERT, Mellie. A Magia dos metais; os segredos ocultos do mundo mineral. Trad. Maio Miranda. São Paulo: Pensamento, 1990, p. 167.

[180] Op. Cit., 177.

[181] HERMES TRISMEGESTOS. Hermès Trismégiste (Œuvres). Traduction complete précédée d’une Étude sur l’origine de les livres Hermétiques, par Louis Ménard, deux tomes. Deuxième édition. Paris: Librairie Acadèmique, Didier et Ce., Libraires-Éditeurs, 1867.

[182] DELEUZE, Gilles. Nietzsche e a Filosofia. Trad. Edmundo Fernandes Dias e Ruth Joffily Dias. Rio de Janeiro: Rio, 1976, p. 4-5.

[183] UYLDERT, Mellie. A Magia dos Metais; os segredos ocultos do mundo mineral. Trad. Maio Miranda. São Paulo: Pensamento, 1990, p. 172.

[184] BACON, Roger. Secretum Secretorum [Kitab sirr al-Asrar]. Opera hactenus inedita Rogeri Baconi. Fasc. V, p. xlviii a li.

[185] EVOLA, Julius. A Tradição Hermética. Trad. Maria Teresa Simões. Lisboa: Edições 70, 1979, p. 37, 38 e 39, adaptado.

[186] FOUCAULT, Michel. As Palavras e as Coisas. Trad. Salma Tannus Muchail. 4 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1987, p. 33 ss.

[187] L’Adepte en Prière, gravura anônima do século XVII, in LENNEP, Jacques van. Alchimie. Bruxelles: Crédit Communal de Belgique, 1985, p. 32.

[188] ALEXANDRIAN. A Alquimia Triunfante, in História da Filosofia Oculta. Trad. Carlos Jorge Figueiredo Jorge. Lisboa: Edições 70, /s.d./, p. 159.

[189] FLUDD, Robert. Of the Excellence of Wheate, in A Philosophical Key. Robert Fludd and his Philosophical Key, being a Transcription of the manuscript at Trinity College, Cambridge, with an Introduction by Allen G. Debus. Science History Publications. New York: Neale Watson, 1979, p. 91-92: “And yet is she not many Natures but indiuisible & only one in number, governing like the very image of the generall Creatour in all & ouer all, for as much as she being the life of all things is with the indiuiall soule of the vniuerse sayd to be in all & therefore in every part of the Microcosmicall edifice: Thinke therefore seriously yt she hath chosen for her cheefest mansion in the Animall Kingdome the body of Man that most excellent of all sensible creatures; In hir vegitable Empire she hath elected Wheat that most worthy of all vegetables for hir richest tabernacle in wch she most plentifully is obserued to dwell and kepe hir most royall court in the vegetable Kingdom & in her Minerall nature she most delighteth in & principaly inhabiteth hir goulden palace, burnishing it about with the streams of hir brightest glory”.

[190] Ver BONDER, Nilton. A Cabala do Dinheiro. 9 ed. Rio de Janeiro: Imagon, 1991.

Ver tb: ______. A Cabala da Comida; a dieta do Rabino. 3 ed. Rio de Janeiro: Imago; Tikun Olam, 1989.

______.  A Cabala da Inveja. Rio de Janeiro: Imago, 1992.

[191] SHAKESPEARE, William.  “Sonnet 154”, in Complete Works. Oxford: Wordsworth Editions, 2007, p. 1244.

[192] MATOS, Gregório de. Poemas Escolhidos. Seleção, prefácio e notas José Miguel Wisnik. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 232.

[193] CASTELOT, F. Jollivet. Le Grande Œuvre Alchimique; brochure de propagande de la Societé Alquimique. Paris: Édition de L’Hyperchimie, 1901:

La Matière est une.

Elle vit, elle evolue et se transforme.

Il n’y a pas des corps simples.

[194] COELHO, Paulo. O Alquimista. Rio de Janeiro: Rocco, 1989.

[195] ______. Hippie. São Paulo: Paralela, 2018.

[196] COELHO, Paulo. “Sou o intelectual mais importante do Brasil”, disponível emhttps://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2012/09/13/sou-o-intelectual-mais-importante-do-brasil-diz-paulo-coelho.html. Ver tb a resposta de Stuart Kelly, crítico de literatura do Guardian, jornal e portal de notícias de Londres (disponível em http://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/08/paulo-coelho-provoca-ulysses-james-joyce.html.

[197] JOYCE, James. Ulisses. Trad. Antônio Houaiss. São Paulo: Abril Cultural, 1983.

[198] https://voltaaosupremo.com/artigos/artigos/o-significado-do-mantra-hare-krishna/.

[199] O Mundo em que Vivemos. Volume 1: Formação da Terra. Volume 2: A Luta pela Vida. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

[200] SAGAN, Carl. Cosmos. New York: Random House, 1980.

______. Cosmos. Trad. Angela do Nascimento Machado. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1983.

[201] AQUINO, Santo Tomás de. Traité de la Pierre Philosophale Suivi du Traité sur L’Art de l’Alchimie; traduit du Latin pour la première fois, introduction et notes inedites par Grillot de Givry. Paris: Archè - Sebastiani, 1979.

Tradução brasileira, sem o estudo de Givry, com introdução de Gustav Meyrink: Tratado da Pedra Filosofal e A Arte da Alquimia. Ed. Gustavo Llanes Caballero. São Paulo: Ísis, 2015.

[202] Sb 19:18-22, Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2019, p. 1239.

[203] A cerusa é o pigmento branco composto por carbonato de chumbo ou cálcio, o mesmo que alvaiade, isto é, o carbonato básico de chumbo [2PbCO3·Pb (OH)2], um sal complexo que contém tanto íons de hidróxido quanto de carbonato.

[204] Variedade de calcita estalagmítica, no Egito e na Argélia, variedade de gipsita finamente granulada ou maciça, que, quando translúcida e pura, é usada para fins ornamentais.

[205] Mármara ou Proconeso, ilha da Turquia, situada no mar de Mármara:

“É a maior ilha neste mar, e administrativamente pertence à província de Balikesir. É acessível por ferribote a partir de Istambul e por barcos a motor a partir de Tekirdaq e Erdek. O seu nome provém do grego antigo μάρμαρον (mármaron) e depois de μάρμαρος (mármaros), “rocha cristalina”, “pedra brilhante”, talvez do verbo μαρμαίρω (marmáirō), “brilhar”, pois a ilha é famosa pelo seu mármore. Sob o nome Proconeso (Proconnesus) é uma sé titular da Igreja Católica. /.../”, in https://pt.wikipedia.org/wiki/Ilha_de_Mármara.

[206] ZÓSIMO DE PANÁPOLIS. Lecciones de Alquimia, in ZALBIDEA, Victor; PANIAGUA, Victoria; FERNANDEZ DE CERRO, Elena; AMO, Casto del. Alquimia y Ocultismo. Barcelona: Barral, 1973, p. 25-32.

[207] ALEXANDRIAN. A Alquimia Triunfante, in História da Filosofia Oculta. Trad. Carlos Jorge Figueiredo Jorge. Lisboa: Edições 70, /s.d./.

ÉLIPHAS LÉVI. História da Magia. Trad. Rosabis Camaysar. São Paulo: Pensamento, 2010.

PAPUS. Tratado Elementar de Magia Prática; adaptação, realização, teoria e magia. Trad. E. P. São Paulo: Pensamento, 2008.

[208] DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é a Filosofia? Trad. Bento Prado Jr. E Alberto Alonso Muñoz. Rio de Janeiro: 34, 1992.

[209] ROSA, Noel; PINTO, Sylvio, “Com mulher não quero mais nada”.

[210] BAPTISTA, Arnaldo. Uma inscrição de uma pintura sua, que pode ser vista no documentário Loki – Arnaldo Baptista, direção e roteiro de Paulo Henrique Fontenelle (2007): 1:55:45.

[211] MORAIS JUNIOR, Lui Carlos de. Encontros nas Esquinas das Palavras: cinematótica transtemporal e complexistória na lírica brasileira atual ou: impressões de vertigens, ou ainda: devires do soneto brasileiro. Rio de Janeiro: livro do pós-doutorado em Estudos Culturais realizado no PACC da Faculdade de Letras/UFRJ, 2015. Rio de Janeiro: Quártica, 2021.

______. O Superprocessador de Emoções do Aquecimento Global {novelo ou: contogeração}. Rio de Janeiro: publicado na internet, 2016.

[212] ARTAUD, Antonin. Trad. Teixeira Coelho. São Paulo: Martins Fontes, 1993, O Teatro e seu Duplo, p. 43.

[213] ROSSET, Clément. O Real e seu Duplo; ensaio sobre a ilusão. Trad. José Thomaz Brum. Porto Alegre: L&PM, 1988.

[214] RANK, Otto. El Doble. Trad. Floreal Mazía. Buenos Aires: Orión, 1976.

[215] DOSTOIÉVSKI, Fiódor. O Duplo. Trad. Paulo Bezerra. São Paulo: 34, 2011.

[216] BOEHME, Jacob. A Aurora Nascente. 3 ed. Trad. Américo Sommerman. Polar: São Paulo: 2011.

[217] PARACELSO. A Chave da Alquimia. Trad. Antonio Carlos Braga. São Paulo: Editora Três, 1973.

[218] TOMÁS DE AQUINO. Aurora Consurgens, in Mysterium Coniunctionis. Texto original completo mais a análise de Carl Gustav Jung com a colaboração de Marie-Louise von Franz. 5 ed. 3 v.

[219] MORAIS JUNIOR, Lui Carlos de. Alquimia o Arquimagistério Solar. Rio de Janeiro: Quártica, 2013, p. 94-6.

[220] GILCHRIST, Cherry. A Alquimia e seus Mistérios; história concisa da filosofia e prática da Alquimia desde sua origem até o século XX – avaliação da tradição hermética ocidental. Trad. Aydano Arruda. São Paulo: IBRASA, 1988, p. 9.

[221] MATURANA, Humberto; VARELA, Francisco. A Árvore do Conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. Tradução Jonas Pereira dos Santos. São Paulo: Palas Athena, 1995.

[222] FULCANELLI. As Mansões Filosofais. Trad. António Last e António Lopes Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1977, “A salamandra de Lisieux V”, p. 221.

[223] MYLIUS, Johann Daniel. Opus Medico Chymicum; continens tres tractatus sive Basilica Medica, Secundus Basilica Chymica, Tertius Basilica Philosophica. Frankfurt: Lucas Jennis, 1618. A gravura consta do terceiro tratado, Basilica Philosophica.

[224] In Internet Sacred Text Archive https://www.sacred-texts.com/alc/hm2/index.htm (adaptado e traduzido).

[225] CASTANEDA, Carlos. Porta para o Infinito. Trad. Luzia Machado da Costa. São Paulo: Círculo do Livro, /s.d./, p 16.

[226] “Soil, water and forests are the foundation not only of our national economy but of our very existence and civilization”, in https://www.malabarfarm.org/.

[227] https://pt.wikipedia.org/wiki/Signo_astrológico.

[228] Earth Sky, Updates on your cosmos and world:Parte superior do formulário

Parte inferior do formulário

The forgotten constellation, in https://earthsky.org/tonight/ophiuchus-highest-on-august-evenings-2/.

[230] AGRIPPA DE NETTESHEIM, Henrique Cornélio. Três Livros de Filosofia Oculta. Compilação e notas Donald Tyson. Trad. Marcos Malvezzi. São Paulo: Madras, 2008, p. 83, 84.

[231] Op. cit., p. 89

[232] D’ARÈS, Jacques. Prefácio, in  FULCANELLI. Finis Gloriæ Mundi; ou a transformação alquímica do mundo. Trad. Gilson César Cardoso de Sousa. São Paulo: Pensamento, 2008, p. 12.

[233] ALIGHIERI, Dante. A Divina Comédia. Paraíso. Trad. José Pedro Xavier Pinheiro. São Paulo: Principis, 2020, p. 239.

[234] BREUIL, Paul du. Zoroastro: Religião e Filosofia. Trad. Noé Gertel. São Paulo: IBRASA, 1987, p. 218.

[235] Mateus 22:37-40.  Bíblia de Jerusalém. Novo Testamento. São Paulo: Edições Paulinas, 1980, p. 94

[236] FULCANELLI. O Mistério das Catedrais. Trad. António Carvalho. Lisboa: Edições 70, 1986, caderno de ilustrações depois da página 112, XXXI. CAPELA S. TOMÁS DE AQUINO.

[237] MERTON, Thomas. Águas de Siloé. Trad. Oscar Mendes. Belo Horizonte: Itatiaia, 1957.

[238] In https://pt.wikipedia.org/wiki/Louis_Bromfield.

[239] BROMFIELD, Louis. Eu e a Terra. Trad, Oswaldo de Araújo Souza. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1959, p. 200.

[240] Idem, ibidem, p. 205-206.

[241] GERMAIN, Walter M. O Mágico Poder da sua Mente. Trad. Urbano M. Noronha. São Paulo: Bestseller, 1971.

[242] DÄNIKEN, Erich von. Eram os Deuses Astronautas? Enigmas Indecifrados do Passado. Trad. E. G. Kalmus. 8 ed. São Paulo: Melhoramentos, 1971.

______. De Volta às Estrelas. Argumentos para o Impossível. Trad. Else Graf Kalmus e Trude von Laschan Solstein. 9 ed. São Paulo; Melhoramentos, 1971.

______. Semeadura e Cosmos. Vestígios e Planos de Inteligências Alienígenas. Trad. Trude von Laschan Solstein. São Paulo: Melhoramentos, 1972.

[243] SITCHIN, Zecharia. O livro perdido de Enki: Memórias e profecias de um Deus extraterrestre. Trad. São Paulo: Madras, 2017.

[244] CARLES, Jacques e GRANGER, Michel. Alquimia Superciência Extraterrestre? Trad. Hélio Pinheiro Carneiro. Rio de Janeiro: Eldorado, 1973.

[245] CHURCHWARD, James. O Continente Perdido de Mu; decifrando o enigma das tabuinhas sagradas. São Paulo: Hemus, 1990.

[246] PLATÃO. Timeu e Crítias ou a Atlântida. Trad. Norberto de Paula Lima. São Paulo: Hemus, 1981.

[247] PICKNETT, Lynn; PRINCE, Clive. The Forbidden Universe; the occult origins of Science and the Search for the Mind of God. London: Constable, 2011.

[248] PICKNETT, Lynn; PRINCE, Clive. El Universo Prohibido; los orígenes ocultos de la Ciencia moderna. Trad. Alfonso Barguñó Viana. Barcelona: Ediciones Luciérnaga, 2018.

[249] TALAMONTI, Leo. Universo Proibito. Milano: Sugar, 1966.

______. Universo Prohibido. Trad. Vicente Villacampa. Barcelona: Plaza & Janes, 1970.

[250] KAHN, Didier. “Présence et absence de l’alchimie dans la littérature romanesque médiévale”. Savoirs et fictions au Moyen Âge et à la Renaissance. Paris: maio de 2008.

[251] VERNET, André: “Jean Perréal, poète et alchimiste”, Bibliothèque d’Humanisme et Renaissance, 3. Paris: 1943, p. 214-252.

Também pode ser lido em: ______. Études Médiévales. Paris: Études Augustiniennes, 1981, p. 416-454, com adendo às p. 672-673.

E no site: https://www.persee.fr/doc/crai_0065-0536_1943_num_87_1_77599.

[252] MORAIS JUNIOR, Luis Carlos de. O Estudante do Coração. Rio de Janeiro: Quártica, 2010.

A mesma pintura também é a capa de ROOB, Alexander. O Museu Hermético: Alquimia e Misticismo. Trad. Teresa Curvelo. Köln: Taschen, 2001.

[253] https://www.universalis.fr/encyclopedie/jean-perreal/.

[254] https://dame-licorne.pagesperso-orange.fr/VERSION%20LONGUE/19c-%20perreal%20alchimiste.htm.

[255] Ibidem.

[256] https://about-meaning.com/11039071-meaning-of-fleur-de-lis.

[257] SANTOS, Yedda Pereira dos. Dicionário de Alquimia; a Chave da Vida. São Paulo: Madras, 2012, p. 223.

[258] PERRÉAL, Jehan. La Complainte de Nature à l’Alchimiste Errant. 1515/1517. Manuscrito sem número de páginas, versos 991 a 1000, Musée Marmottan Monet, Paris, in https://archive.org/details/BSG_MS3220; bibliothequesaintegenevievemanuscrit.

[259] LICHT, Friedrich Von. El Fuego Secreto, versão eletrônica, p. 91-93, traduzido e adaptado.

[260] ANDRADE, Oswald de. Pau-brasil, in Poesias Reunidas. 4 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1974, p. 104.

[261] FLUDD, Robert. Of the Excellence of Wheate, in A Philosophical key. Robert Fludd and his Philosophical Key, being a Transcription of the manuscript at Trinity College, Cambridge, with an Introduction by Allen G. Debus. Science History Publications. New York: Neale Watson, 1979.

[262] CASTELLO BRANCO, Anselmo Caetano Munho’s de Avreu Gusmão. Ennoea; ou aplicação do entendimento sobre a pedra filosofal. Apresentação Y. K. Centeno. Lisboa: Fundação Caloustre Gulbenkian, 1987 (edição fac-similiar do original). Volume dois. Lisboa Ocidental: Nova Officina de Maricio Vicente de Almeida, 1732, p. 42, e continua na p. 43.

[263] ADRIÃO, Vitor Manuel. As 12 Fases da Grande Obra Alquímica, disponível em: http://radeisis.blogspot.com.br/2013/06/as-12-fases-da-grande-obra-alquimica_15.html, adaptado.

[264] UYLDERT, Mellie. A magia dos metais; os segredos ocultos do mundo mineral. Trad. Maio Miranda. São Paulo: Pensamento, 1990, p. 178-179.

[265] BEN, Jorge. “Luz polarizada”, do lp Solta o pavão, Philips, 1975.

[266] PAUWELS, Louis; BERGIER, Jacques. O Despertar dos Mágicos; introdução ao Realismo Fantástico. 7 ed. Trad. Gina de Freitas. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1971, A Alquimia como exemplo, p. 99.

[267] João 6: 5-15. A Bíblia Sagrada. Trad. João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Sociedade Bíblica do Brasil, /s. d./, p 105

[268] Primeiro estágio da Grande Obra ou O Laboratório do Alquimistapor Hans Vredeman de Vries, do livro Amphitheatrum Sapientiae Aeternae Schauplatz der ewigen allein wahren Weisheit (Anfiteatro da Sabedoria Eterna – Arena da eterna sabedoria única, 1595) de Heinrich Khunrath. Apresenta uma caprichada edição brasileira, bem traduzida do francês, sem atribuição do nome do tradutor: KHUNRATH, Henri. Anfiteatro da Eterna Sabedoria. /s. t./. Joinville: Clube de Autores, 2018. Nessa edição, o desenho citado figura na página 425. No original latino está nas páginas 97-8.

[270] SHAKESPEARE, William.  “Sonnet 33”, in Complete Works. Oxford: Wordsworth Editions, 2007, p. 1229.

[271] GOULART, Luiz. Átomo Vital; à luz da auto-realização consciente no homem e em a natureza. Rio de Janeiro: Atlântida, 1977, p. 43.

[272] TRIGUEIRINHO. O livro dos sinais. 3 ed. São Paulo: Pensamento, 2008, p. 56.

[273] MOORE, Jeffrey. Os Artistas da Memória. Trad. Marcelo Mendes. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 115.

Essa citação é usada no site da Université de Montréal – Departement de chimie: Que’est que la chinie?, in http://chimie.umontreal.ca/departement/quest-ce-que-la-chimie/: «À certains égards, on peut considérer la chimie comme un mariage entre la science et l’art, une poésie de la terre, un kaléidoscope sensoriel d’odeurs, de saveurs, de couleurs, de textures. Des peintres et des sculpteurs ont été attirés par elle, et particulièrement certains musiciens. Sir Edward Elgar a barboté dans la chimie, et Alexandre Borodine était chimiste. Il gribouillait distraitement des notes de musique partout sur les murs du laboratoire tout en faisant ses expériences. Il y a également eu des poètes-chimistes comme Humphry Davy, qui a découvert le sodium et le potassium. Ses cahiers étaient remplis d’un fouillis d’expériences chimiques et de nouveaux vers. Lui et Coleridge avaient même pensé monter un laboratoire ensemble! Et il ne faut pas oublier Primo Levi, bien sûr, qui considérait la chimie comme l’art de peser et de séparer, tout comme l’écriture.» MOORE, Jeffrey. Les Artistes de la Mémoire. Montréal: XYZ Éditeur, 2007. Na edição em inglês: The Memory Artists. Montréal: Penguin, 2006.

[274] O pedagogo de si. Rio de Janeiro: Litteris, 2019. Utilizo a imagem de Ouroboros em vários livros meus, na capa, logo no começo ou da capo. A minha obra filosófica, teórica, poética, teatral e literária está inteira/mente ligada à Filosofia Hermética.

[275] A Chave de Salomão o Rei (Clavicula Salomonis). Traduzida e editada dos Manuscritos Antigos do Museu Britânico, por S. Lidell MacGregor Mathers. London: George Redway, 1889, p. 28.

[276] ANDRADE, Mário. Namoros com a Medicina. São Paulo: Martins Fontes, Brasília: MEC, 1972, p. 15.

[277] GUATTARI, Félix. As três ecologias. Trad. Maria Cristina F. Bittencourt. Campinas: Papirus, 1990.

[278] Textos Herméticos. Introducción, traducción y notas de Xavier Renau Nebot. Madrid: Editorial Gredos, 1999: “El epíteto Trismégistos proviene seguramente del titulo egípcio de Tot: aā aā, grande grande, es decir, grandísimo, que, desde el tiempo de Tolomeo IV Filópator [Ptolemeu IV Filópator] (221-205 a. C.) se traducía al grieco con el superlativo repetido três veces: mégistos kaì mégistos kaì mégistos; sólo falta abreviar la fórmula mediante el prefijo tris (tres veces) para dar Trismégistos, el tres veces muy grande, o, como en los papiros mágicos: Trismégas Hermês”, p. 10.

[279] “A palavra em sânscrito kṛṣṇa é essencialmente um adjetivo que significa ‘negro’, ‘azul’ ou ‘azul-escuro’. Como um substantivo feminino, kṛṣṇa é usado no sentido de ‘noite’, ‘escuridão’ no Rigveda. Krishna é um nome de Deus que significa ‘o Todo Atraente’, a Verdade Absoluta. A palavra ‘krish’ é a característica atrativa da existência divina, e ‘na’ significa ‘prazer espiritual’. Quando o verbo ‘krish’ é adicionado ao ‘na’, ele se torna Krishna, que indica a Suprema Verdade Absoluta. Krishna também é conhecido por diversos nomes, epítetos e títulos, que refletem suas múltiplas qualidades e atividades. Entre os mais usados, estão Hari (‘Aquele que tira’ [pecados, ou que afasta samsara, o ciclo de nascimentos e mortes]), Govinda (‘Aquele que dá prazer às vacas, à Terra e aos sentidos’) e Gopala (‘Protetor das vacas’ ou, mais precisamente, ‘Protetor da vida’)”, in https://pt.wikipedia.org/wiki/Krishna.

[280] HERMES TRISMEGISTOS. Corpus Hermeticum. Trad. Márcio Pugliesi e Norberto de Paula Lima. São Paulo: Hemus, 1978, p. 11-12. Considero essa tradução muito útil e boa, não concordo com as críticas que lhe foram feitas quando do lançamento da edição do Corpus pela editora Polar.

Também utilizei:

Corpus Hermeticum. Tradução, edição, introdução e notas: Américo Sommerman. São Paulo: Polar, 2019.

Corpus Hermeticum Graecum. Texto bilíngue (Grego-Português). Prefácio, introdução, tradução e glossário Grego-Português de David Pessoa de Lira. São Paulo: Cultrix, 2023.

Ensinamentos Herméticos. Coord. Charles Veja Parucker. Paraná: Ordem Rosacruzz, 1990.

Hermès Trismégiste (Œuvres). Traduction complete précédée d’une Étude sur l’origine de les livres Hermétiques, par Louis Ménard, deux tomes. Deuxième édition. Paris: Librairie Acadèmique, Didier et Ce., Libraires-Éditeurs, 1867.

HORTULANO; FULCANELLI. Comentarios a la Tabla de Esmeralda. La Tabla de Esmeralda. Org. Miguel Algel Muñoz Moya. Madrid: Mestas, 1997.

Textos Herméticos. Introducción, traducción y notas de Xavier Renau Nebot. Madrid: Editorial Gredos, 1999.

WESTCOTT, William Wynn. Coletânea Hermética; uma introdução ao universo da Magia, da Cabala, da Alquimia e do Ocultismo. Trad. Martha Malvezzi Leal. São Paulo: Madras, 2003. (Esta coletânea traz uma tradução do Corpus Hermeticum como Volume II, como o título O Divino Pymander de Hermes Mercurius Trismegistos em XVII Livros, traduzido do árabe para o inglês pelo Dr. Everard, 1650.)

[281] NEBOT, Xavier Renau (Introducción, traducción y notas). Textos Herméticos. 3 ed. Madri: Gredos, 2014, p. 7 e 8, tradução minha.

[282] HOPKINS, Arthur John. Alchemy, Child of Greek Philosophy. New York: Columbia University Press, 1934.

[283]  Novo dicionário enciclopédico luso-brasileiro. Direção Jaime de Séguier. Volume 1: A – J. Porto: Lello & Irmão, 1960, p. 39.

[285] Aurea Catena Homeri (La Nature Dévoilée). Traduction de l’original allemand de 1723 par Monsieur Dufournel édité pour la première fois en 1772 (chez Edmie, Libraire, rue Saint-Jean-Beauvais). Paris: Editions Dervy, 1993.

O Grande Tratado de Alquimia. (Aurea Catena Homeri). Trad. Ivone C. Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

[286] HOMERO. Ilíada. Trad. Odorico Mendes. Clássicos de Jackson. Volume XXI. Rio de Janeiro: Jackson, 1950, p. 130.

[287] LENNEP, Jacques van. Alchimie. Bruxelles: Crédit Communal de Belgique, 1985.

[288] ROLA, Stanislas Klossowski de. El Juego Áureo: 533 grabados alquímicos del siglo XVII. Trad. Jose Antonio Torres Almodovar. Madrid: Siruela, 1988.

______. The Golden Game: Alchemical Engravings of the Seventeenth Century. London: Thames and Hudson, 1988.

[289] LIMOJON DE SAINT-DIDIER. Le Triomphe Hermétique. Bibliotheca Hermetica. Collection dirigée par René Alleau. Introduction et notes d’Eugène Canseliet. Précédées du Mutus Liber, avec une hypotypose de Magophon. Paris: E. P. DENOËL, 1971, p. 108 e ss.

[290] Ver JUNG, Carl Gustav. Psicologia e Alquimia. 4 ed. Trad. Maria Luiza Appy et alii. Rio de Janeiro: Vozes, 2009.

______. Mysterium Coniunctionis. Com a colaboração de Marie-Louise von Franz. 5 ed. 3 v. Trad. Frei Valdemar do Amaral. Rio de Janeiro: Vozes, 2011.

FRANZ, Marie-Louise von. Alquimia. 9 ed. Trad. Álvaro Cabral. São Paulo: Cultrix, 1993.

[291] Alguns exemplos:

DOYLE, Arthur Conan. Aventuras Inéditas de Sherlock Holmes. Trad. Lia Alverga-Wyler. Porto Alegre: LÇ&PM, 2011.

As novas aventuras de Sherlock Holmes. Org. Otto Penzler. 2 volumes. Trad. Maria Helena Rouanet e Celina Portocarrero. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.

LEBLANC, Maurice. Arsène Lupin Ladrão de Casaca. Trad. Paulo Hecker Filho. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.

______. Arsène Lupin contra Herlock Sholmes. 2 ed. Trad. Paulo Hecker Filho. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1979.

[292] Sobre complicatio em Duns Scot ver TÔRRES, Moises Romanazzi. João Duns Scot e a Prova Metafisica da Existencia de Deus, in ANAIS do XIII Congresso Internacional de Filosoia Medieval: Metafísica, Arte e Religiao na Idade Média. Org. Jorge Augusto da Silva Santos; Ricardo da Costa. Vitória: Universidade Federal do Espírito Santo/Departamento de Línguas, 2011, p. 799-830.

[293] SAINT-HILAIRE, Isidore Geoffroy. Histoire Générale et Particulière des Anomalies de l’Organisation chez l’Homme et les Animaux. 2 volumes. Paris: J.-B. Baillière: 1832-37.

[294] YOGANANDA, Paramhansa. Autobiografia de um Yogue. /s. t./. 2 ed. São Paulo: Self Realization Fellowship, 2008, p. 256-257.

[295] HOLMYARD, E. J. Alchemy. 2 ed. New York: Dover Publications, 1990, p. 15-6: “Alchemy is of a twofold nature, an outward or exoteric and a hidden and esoteric. Exoteric alchemy is concerned with attempts to prepare a substance, the philosopher’s stone, or simply the Stone, endowed with the power of transmuting the base metals lead, tin, copper, iron, and mercury into the precious metals gold and silver. The Stone was also sometimes known as the Elixir or Tincture, and was credited not only with the power of transmutation but with that of prolonging human life indefinitely. The belief that it could be obtained only by divine grace and favour led to the development of esoteric or mystical alchemy, and this gradually developed into a devotional system where the mundane transmutation of metals became merely symbolic of the transformation of sinful man into a perfect being through prayer and submission to the will of God”.

[296] MORAIS JUNIOR, Lui Carlos de. Alquimia o arquimagistério solar. Rio de Janeiro: Quártica, 2013, p. 25.

A citação que faço sendo: FLAMEL, Nicolas. “O Desejo Desejado”, in O Livro das Figuras Hieroglíficas. Trad. Luis Carlos Lisboa, Rio de Janeiro, Editora Três, 1973, p. 147 e ss.

[297] BLAKE, William. The Marriage of Heaven and Hell, in The Alchemy Web Site, http://www.levity.com/alchemy/blake_ma.html, acesso em 04/05/2006.

[298] GEBER. Summa perfectionis magisterii, Marget, I, 383.

Ergon e Parergon

      Ergon e Parergon Um estudo sobre as relações entre a Alquimia e os Arcanos maiores do Tarot Autobiografia Alquímica   Lu...